[Resenha] Two Boys Kissing (Dois Garotos se Beijando) – David Levithan

Two Boys Kissing by David Levithan

Livro: Two Boys Kissing
Autor: David Levithan
Ano : 2013 
Editora Original: Knopf Books 
Editora Nacional: Grupo Editorial Record 
Número de páginas: 200 
*(Essa resenha foi feita a partir da edição em inglês, não temos nenhuma referencia da edição nacional que foi publicada pela Editora Galera Record) 
Sinopse: Baseado em fatos reais e em parte narrado por uma geração que morreu em decorrência da Aids, o livro segue os passos de Harry e Craig, dois jovens de 17 anos que estão prestes a participar de um desafio: 32 horas se beijando para figurar no Livro dos Recordes. Enquanto tentam cumprir sua meta — e quebrar alguns tabus —, os dois chamam a atenção de outros jovens que também precisam lidar com questões universais como amor, identidade e a sensação de pertencer.  
Sou um pouco suspeito para falar dos livros do David Levithan.

Ele me conquistou desde que li “The Lover’s Dictionary” em 2011, e “Two Boys Kissing” é de longe um dos meus livros favoritos nos últimos anos.

Antes de falar sobre a historia do livro, devo comentar sobre a forma como decorre a narrativa. Para esse livro, o Levithan usou o Coro Grego como forma de narrar a vida de seus personagens. Essa narrativa consiste em em um conjunto de vozes, funcionando em uníssimo som como se fosse um único narrador. Esse estilo de narrativa era muito usado nos musicais e dramas teatrais da Grécia Antiga.

Em “Two Boys Kissing”, somos apresentados a diferentes casais homo afetivos, como Harry e Craig: Eles querem entrar para o livro dos records como o beijo mais longo da historia. Eles não são realmente um casal, mas ate que poderiam ser. Temos também o casal apaixonado Peter e Neil, apesar de gostarem um do outro, seus beijos são um pouco diferentes… Outro casal desse livro são Avery e Ryan. Eles estão se conhecendo, e por mais que queiram que o relacionamento dê certo, eles se preocupam muito que algo vá dar errado. Por último (mais não menos importante) vem o Cooper. Cooper é solteiro. E ele já chegou a um ponto onde ele não se importa mais com relacionamentos.

O Coro grego que compõe o  livro, é narrado por adultos e jovens que morreram em função do vírus da AIDS, e que agora, após a morte tem mais consciência do quão importante é a vida e o amor. David Levithan foi muito esperto ao estruturar o livro com capítulos curtos, as quebras de linhas, e mudança de perspectiva dos personagens, são cativantes e prendem ao leitor do começo ao fim do livro.

Vamos falar um pouco mais sobre os personagens: Harry e Craig eram namorados, mas agora são apenas bons amigos. Pelo menos por parte de Harry, já que fica bastante aparente de que uma das razões pelas quais Craig quis bater o recorde do beijo foi exatamente uma tentativa de voltar a namorá-lo. A ideia do beijo, aliás, foi do próprio Craig, que desde pequeno era fã do livro dos recordes. Eles realmente têm uma amizade muito forte – caso contrário jamais teriam aguentado tanto tempo beijando um ao outro. O ponto mais forte na história dos dois, no entanto, nem é o beijo em si, mas o fato de que, de um lado, os pais de Harry são bastante abertos à orientação sexual do filho e o apoiam cem por cento na sua empreitada, enquanto que os pais de Craig, que não sabiam nada sobre a homossexualidade do filho, descobrem tudo exatamente por causa do beijo, que, àquela altura, já havia alcançado proporções midiáticas continentais.

Neil e Peter têm uma relação um tanto parecida com a de Harry e Craig, sendo que os pais de Peter acolhem ao Neil quase como um segundo filho, e apoiam louvavelmente o namoro de ambos. Os pais de Neil sabem sobre sua homossexualidade – houve situações que deixaram o fato bem claro –, mas criam uma barreira quase intransponível de silêncio que beneficia a todos por não quererem tocar no assunto, ou simplesmente acharem que se não falarem sobre aquilo, eventualmente irá desaparecer.

Ryan e Avery são o casal menos perigoso do livro. Como acabaram de se conhecer, ainda estão tentando encontrar coisas em comum (ou não) que possam construir laços afetivos entre ambos. Porém para aqueles que não entendem muito sobre intersexualidade, podem ficar revoltados, transtornados com as atitudes do Ryan. Como o fato de não levar Avery para casa. Ou a rejeição interna com a propria sexualidade.

Cooper, é aquele cara que conhece um montão de gente, mas não é amigo de ninguém. Prefere viver sozinho no seu mundinho a fingir que gosta de verdade de estar rodeado de pessoas. É um adolescente extremamente inteligente, mas é subestimado justamente por ser um quase anti-social. Vive em conflito com a própria sexualidade, e, como escape, enfurna-se nos sites de paquera e salas de bate-papo gays, onde, quase cem por cento do tempo, fala apenas sobre sexo com seus contatos online. O coro grego que narra o livro está muito mais presente na parte do Cooper que em qualquer outra parte.

Este é um livro, que na minha opinião deveria ser lido não só por jovens, independente da sexualidade, como também por pais, professores, e se possivel adaptado para o cinema. Levithan nos faz enxergar a homossexualidade de uma forma diferente, ele nós mostra que o mais importante não é a sua opção sexual, e sim o amor que você da aos outros e que lhe é dado de volta.  Esse livro, assim como Boy meets Boy (Garoto encontra Garoto), serve muito bem para os pais de homossexuais aprenderem como lidar com seus filhos e filhas. A forma suave e apaixonante do David Levithan construir suas historias nos faz pedir cada vez mais e mais.

Para aqueles que gostaram do tema, e /ou querem conhecer um pouco mais do David Levithan, eu gostaria de indicar alguns outros livros dele (um top 5 ):

  1. Boy meets Boy
  1. Every you, Every me
  1. Invisibility (ft. Andrea Cremer)
  1. Will Grayson, Will Grayson (ft. John Green)
  1. The Lover’s Dictinary

*Os itens 1,3 e 4 já foram publicados no Brasil

A editora record lançou esse livro no Brasil, em março desse ano, ainda não tive a oportunidade de avaliar a edição brasileira, mas quando se trata da edição americana ela é a coisa mais linda do mundo, e de longe minha capa favorita da estante, mesmo ja tendo sido amaldiçoado por evangélicos enquanto lia o livro no ônibus 🌚

É isso pessoal, espero que tenham gostado e qualquer coisa, deixa aqui nos comentários 😀

Um cheiro e até a próxima!

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