[Resenha] Um Perfeito Cavalheiro


capaLivro: Um Perfeito Cavalheiro
Autora: Julia Quinn
Ano: 2014
Editora: Arqueiro
Páginas: 304
Sinopse: Sophie sempre quis ir a um evento da sociedade londrina. Mas esse parece um sonho impossível. Apesar de ser filha de um conde, ela é fruto de uma relação ilegítima e foi relegada ao papel de criada pela madrasta assim que o pai morreu. 
Uma noite, porém, ela consegue entrar às escondidas no aguardado baile de máscaras de Lady Bridgerton. Lá, conhece o charmoso Benedict, filho da anfitriã, e se sente parte da realeza. No mesmo instante, uma faísca se acende entre eles. Infelizmente, o encantamento tem hora para acabar. À meia-noite, Sophie tem que sair correndo da festa e não revela sua identidade a Benedict. No dia seguinte, enquanto ele procura sua dama misteriosa por toda a cidade, Sophie é expulsa de casa pela madrasta e precisa deixar Londres.

É a 3ª semana com os Bridgertons, logo o queridinho da vez é o livro do Benedict!

Desde a madrasta cruel e tirana, até o grande encontro e as badaladas da meia-noite, nessa produção surpreendente, Julia traz muito mais do que os elementos principais do conto mais popular de todos os tempos, ela nos brinda com outra prova de sua genialidade, com essa releitura contemporânea da Cinderela, através dos olhos de Sophie e Benedict que amor e rejeição parecem estar sempre lado a lado.

A narrativa da Quinn mais uma vez envolve seus leitores em um momento tocante e comovente do quanto duas vidas podem se entrelaçar e até que ponto aqueles que os cercam promovem qualquer tipo de reação nesse relacionamento – mesmo que não amoroso -, afinal como todo bom conto existem os momentos trágicos e aqueles que nos levam a beira da euforia e isso tem de sobra nessa obra, já que cada um destes estão bem envolvidos com doses generosas de emoção.

– Meia-noite? – arfou ela.
Benedict assentiu.
– Hora de tirar sua máscara.
Sophie levou uma das mãos até a têmpora e apertou a máscara com força contra a pele, como se de alguma forma ela pudesse colá-la a seu rosto apenas com a força de vontade.
– Você está bem? – indagou Benedict.
– Preciso ir – (…)

Benedict é peculiar, não só por desenhar muito bem, gente como a gent… não, gente como gente com talento, no entanto um ofício não muito reconhecido na época, dada as circunstâncias de uma sociedade conservadora e eloquentemente fanática pela aristocracia e ele é somente um cavalheiro, ainda que um dos mais cobiçados para um matrimônio, afinal ele é um Bridgerton.

Inegavelmente Benedict demonstra a sensibilidade de um artista, mesmo tendo momentos de recaída quanto a natureza do que deseja, vendo-se em um momento de reclusão de sentimentos, mas ao mesmo tempo sensível quanto aos que o cercam, é isso que o faz cruzar anos depois com uma criada em apuros. Disposto a oferecer um pouco de segurança a moça, não bastante ele também precisa do apoio dela pouco tempo depois, nesse momento de conforto mútuo é feita uma ponte entre os dois, ora, Benedict não podia negar que a doce e ousada Sophie lhe era familiar, mas de onde?

Agora, parado no meio do lago, com a água batendo-lhe na barriga logo acima do umbigo, ele foi tomado mais uma vez por aquele sentimento estranho de estar mais vivo do que alguns segundos antes. Era uma sensação boa, uma onda de emoção excitante, de tirar o fôlego.
Foi como da outra vez. Quando ele a conhecera.
Algo estava prestes a acontecer, ou talvez alguém se encontrasse por perto.
Sua vida estava a ponto de mudar.

Sophie é como as personagens que a autora retrata, atípica, dada as condições de sua vida, não se esperaria menos, ela podia não ser nobre de nascimento, mas possuía o sangue em suas veias e teve ainda durante a infência a criação de tal. Uma noite de sonho em sua vida vazia é mais do que ela poderia objetivar e põe muito a perder quando a madrasta, Araminta, decide que a garota que vive em condição de miséria e leva uma vida de escrava, não é mais digna de ficar sob o mesmo teto que ela.

O choque de sair no mundo sem nada era só mais uma fase na vida sofrida de Sophie, ela não era tola e sabia que teria que dar o melhor de si se quisesse sobreviver, agarrar a chance de melhorar quando esta lhe surgisse, coisa que não encontraria trabalhando na casa da família Cavender, enquanto o herdeiro a sujeitasse à sua atenção de maneira abusiva. Ela põe seus princípios, parte pela qual Benedict sem conhecê-la aprecia essa parte de seu caráter, afinal Sophie podia ser simplesmente uma criada mais sabia de onde provinha e do que não desejaria a mais ninguém: um futuro roubado e uma vida de sofrimento, sem ter um lar.

– Você não pode se misturar à sociedade educada – continuou ela –, mas mesmo assim ousou fingir que é tão boa quanto o restante de nós indo ao baile de máscaras.
– Sim, eu ousei ir – gritou Sophie, não ligando mais para o fato de a madrasta ter, de alguma forma, descoberto seu segredo. – Ousei e ousaria de novo. Meu sangue é tão nobre quanto o seu, e meu coração é muito melhor, e…

Benedict não é tão perfeito assim, acima de tudo, ele seria o menos excêntrico em sua família extensa, além de fazer parte desse todo, se ele não é o segundo dos 8 Bridgertons, nomeado com  letra “B” devido a organização dos nomes em ordem alfabética, o que mais ele esperava? Essa é a questão, ele não é somente o segundo, ele é Benedict Bridgerton, uma pessoa e não uma posição entre seus irmãos, já não é suficiente as semelhanças inegáveis com seus familiares que não o permite um pouco de descanso de todo o alarde da alta sociedade em torno da família Bridgerton, reconhecida e adorada – principalmente pela colunista de poucas palavras, Lady Whistledown – por toda a Londres e além?

Uma das partes mais encantadoras do livro, além de poder acompanhar uma história tão bem escrita e magistralmente desenvolvida, é acompanhar parte a parte a relação entre Sophie e Benedict, desde quando se afastam, o reencontro, a dúvida dos dois quanto aos próprios sentimentos, mesmo que envoltos em segredos, o quanto eles amadurecem, se superam, se encontram e para derreter os corações: o quanto se amam. Embora ele demonstre uma reação arrogante quanto ao envolvimento com Sophie, não deixa de apoia-la, sabe que ela sofre, por isso faz de tudo para que isso não a consuma a cada minuto.

– Gostaria que dividisse seus segredos comigo.
– Eu não tenho…
– Não minta – interrompeu ele, num tom mais severo do que o pretendido. – Você tem mais segredos do que qualquer mulher que… – Benedict parou de falar, com uma imagem súbita da mulher do baile de máscaras lhe passando pela cabeça. – Mais do que praticamente qualquer mulher que conheci – concluiu

Ela comprova ser capaz de ver através da aparência dele, que ele pode ser provido daquilo que ela não teve pra si, porém entende que isso não é sinônimo de plenitude e segurança inabalável, os dois se provocam, sofrem, superam e enfrentam seus medos, cientes de que mesmo que não estejam exatamente juntos, eles possuem uma ligação, mesmo que aja omissões entre os dois, existe um fervor, bem mais do que um simples sentimentos, mais que palavras.

Obviamente que como sempre o prêmio de mãe – e melhor casamenteira e pessoa – vai para a mamãe Bridgerton, Violet sempre demonstra desenvoltura invejável quando se trata dos enlaces de seus filhos. Além de aconselhar e apoiar, dessa vez toda uma multidão de leitores também caíram em reverência as intervenções dela, que por sua vez não deixaram a desejar e permitiu não somente que Benedict e Sophie tivesse uma visão mais possível de um romance permanente entre os dois, como também realizou o sonho de muitos, ao colocar Araminta – a madrasta detestável – em seu devido lugar, com participação notável de uma das irmãs de Sophie e filha de Araminta, Posy – claro que não seria Rosamund, já que essa não nega a antecedência.

E Lady Whistledown que nunca deixa de dar o seu parecer quanto aos eventos mais suculentos da alto sociedade, principalmente aqueles que envolvem a sua já declarada família favorita, os Bridgertons, as alfinetadas da colunista não são nada sutis, fazendo parte constante  do humor já inserido nos livros dessa família.

Se a Srta. Featherington de alguma forma conseguisse arrastar um irmão Bridgerton para o altar, isso com certeza significaria o fim do mundo como o conhecemos, e esta autora, que admite que não entenderia nada de um mundo assim, seria forçada a abdicar do posto.
Crônicas da Sociedade de Lady Whistledown, 13 de Junho de 1817

Esperei até esse momento oportuno para elogiar o trabalho de babar da Editora Arqueiro, já que Um Perfeito Cavalheiro foi o meu primeiro xodó adquirido, tradução “foi o primeiro que comprei” e não sei dizer o quanto amei saber que a Arqueiro além de nos trazer essa família maravilhosa, fez um trabalho esplêndido com os livros, os livros são lindos, com um visual condizente com o conteúdo, devido a afabilidade do design das capas e mais um detalhe, não menos importante: os livros são absurdamente cheirosos… se eu cheirei? Claro, você não?! Tentei tanto prolongar mais a obra que passava longos momentos lendo o que mais gostei, tudo só para não acabar tão rápido, não tinha como suportar que teria um fim e teria que aguardar o próximo, mas é a vida que segue.


E espero que essa semana seja assim como essa obra, maravilhosa e cheia de momentos pra relembrar ^^

fim

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