[Resenha] O Conde Enfeitiçado

capaLivro: O Conde Enfeitiçado
Autora: Julia Quinn
Ano: 2015
Editora: Arqueiro
Páginas: 304
Sinopse: Toda vida tem um divisor de águas, um momento súbito, empolgante e extraordinário que muda a pessoa para sempre. Para Michael Stirling, esse instante ocorreu na primeira vez em que pôs os olhos em Francesca Bridgerton.
Depois de anos colecionando conquistas amorosas sem nunca entregar seu coração, o libertino mais famoso de Londres enfim se apaixonou. Infelizmente, conheceu a mulher de seus sonhos no jantar de ensaio do casamento dela. Em 36 horas, Francesca se tornaria esposa do primo dele.
Mas isso foi no passado. Quatro anos depois, Francesca está livre, embora só pense em Michael como amigo e confidente. E ele não ousa falar com ela sobre seus sentimentos – a culpa por amar a viúva de John, praticamente um irmão para ele, não permite.
Em um encontro inesperado, porém, Francesca começa a ver Michael de outro modo. Quando ela cai nos braços dele, a paixão e o desejo provam ser mais fortes do que a culpa. Agora o ex-devasso precisa convencê-la de que nenhum homem além dele a fará mais feliz.

Essa é uma semana especial para mim, logo vocês irão entender!

Ah, Michael… antes de tudo quero esclarecer que amo todos os Bridgertons, cunhados e noras, mas Michael é um ícone particular para mim, que espero que saibam a essência dele e se não souberem – ainda -, terei o prazer de iluminar essa semana para vocês já que estamos infelizmente, na penúltima semana da #8WeeksofBridgertons. Sem mais delongas, vamos discorrer sobre a composição magnífica, esplêndida e apaixonante (estou sendo repetitiva, eu sei…) que é o 6º volume dessa série que eu dormiria abraçada todos os dias.

Francesca além de possuir os traços comuns entre os irmãos, como a estrutura óssea, o sorriso largo e convidativo – bônus também da personalidade extra incomum -, no entanto possui alguns pontos que a diferem da linha comoda de verossimilhança entre os Bridgertons, primeiro os olhos, que possuem um tom profundo de azul, traço herdado da mãe e em segundo, a personalidade, todos os irmãos que até o presente momento deram as caras – ou seja, todos -, revelavam a petulância eminente como principal fator de suas personalidades, Francesca em contra partida é uma observadora nata, petulante as vezes, é óbvio, entretanto, não é o ponto primordial.

Michael é um libertino, mas não qualquer libertino, diferente de Anthony por exemplo que nas palavras de Lady Whistledown, é um “Libertino com ‘L’ maiúsculo”, Michael por sua vez é um devasso alegre, mas no fundo essa característica é somente a fração de um todo, de um homem abalado e arredio, que se sente infiel e vazio após se apaixonar pela dama com os olhos mais lúcidos e intrigantes que ele já virá, Francesca Bridgerton, que estava não meses, não dias, mas sim a horas de se casar com seu primo John, o conde de Kilmartin. Michael esperou que isso fosse o suficiente para aterrecer seus sentimentos por ela, a futura condessa de Kilmartin, ela faria parte de tudo aquilo que ele não teria, mas diferente de todo o resto, ela era a única que ele ansiava, o resto era o resto e só, ele não era conde e estava satisfeito com isso.

Estava cobiçando a mulher do primo.
(…)
Ora, que diabo! Será que precisava fazer aquilo consigo mesmo? Poderia passar uma semana inteira catalogando os motivos pelos quais iria direto para o inferno por ter se apaixonado logo pela esposa do primo. E nenhum dos motivos mudaria a situação.
Não podia tê-la.
Jamais poderia ter Francesca Bridgerton Stirling.

Brilhantemente Quinn soube inserir emoções e sentimentos dos personagens pelo intermédio de cartas trocadas – ou não – entre Michael e Francesca durante a estadia dele na Índia – após a fuga dele da situação na Escócia com a viuvez dela recente demais e a perda de outro ente querido (não vou dar spoiler) -, expondo da melhor maneira o conflito que sofriam, ele por de certa forma ter fugido e ela por sim, sentir falta dele, ele era como se fosse um irmão para Francesca, mas ela se recusava a delatar a falta que sentia dele e essa façanha se cumpriu nos vários rascunhos que ela teceu para corresponder a ele e que acabaram sendo somente isso, rascunhos de cartas que jamais foram finalizadas e logo, nunca enviadas.

maravilhoso agradável ótimo bom ter notícias suas. Fico contente por estar passando bem. John teria se orgulhado. Sinto a sua falta. Sinto a falta dele. Sinto a sua falta. Algumas flores ainda estão abertas. Não é ótimo que algumas flores ainda estejam abertas?
– da condessa de Kilmartin para o conde de Kilmartin, uma semana após o recebimento de sua segunda missiva para ela, primeiro esboço, jamais terminado, jamais enviado

Meus caros, Michael foi o único além de Simon (O Duque e Eu), que teve a audácia de sugerir um possível ‘flerte’ ou uma troca de elogios com ninguém menos que Violet Bridgerton, a matrona das matronas, indo além de um singelo buquê – no caso do duque de Hastings, Simon – e seguindo de forma bem humorada aos gracejos com a viscondessa viúva, não é para menos que Francesca fica tão perdida quanto a forma de reagir diante dele, afinal como lidar com um homem de tamanha auto confiança e fluidez?

– Você, milorde, precisa de uma esposa. Imediatamente.
– Ah, é mesmo? E por que diz isso?
– Porque no seu estado atual, representa um grande risco para mulheres solteiras de todos os lugares.
Ele não pôde resistir a um último flerte:
– Espero que esteja se incluindo nesse grupo, Violet

O conflito da procura de um novo marido e a presença perturbadora de Michael, sufocam os princípios e objetivos dela, afinal o novo conde é um amigo próximo ou ela deveria sim vê-lo como um homem cheio de charme de Kilmartin era e ainda por cima um primo por matrimônio, era indecente, indecoroso, entretanto, inevitável, a atração podia ser o início de algo pleno, cabendo não somente a ela, como também a Michael a cederem ao que os circundam.

Sempre achara Michael bonito, é claro. Mas era uma beleza que não significava nada para ela. Ele era belo assim como Benedict, irmão dela, era alto, e a mãe tinha olhos lindos.
Mas agora, de repente…
Ela olhara para ele e vira algo completamente novo.
Vira um homem.
E aquilo a assustara terrivelmente.

Se assemelhando bastante com um jogo de ‘gato e rato’ Francesca e Michael se entrelaçam e se envolvem de uma forma mais lenta e bem construída, com os impulsos de Colin, nesse exato momento prestes a dizer os votos matrimoniais com sua então noiva, Penelope Featherington, o papel de casamenteiro dessa vez foi quase assumido por ele, se não fosse pela iniciativa do próprio casal. E uma atenção para esses detalhes temporais quanto aos casamentos, Colin e Eloise ainda não estavam engajados, o desenrolar dessas três fases: a de Colin, Eloise e Francesca, são quase simultâneas em certo ponto e ainda com o bônus de uma passagem contendo não uma Bridgerton, mas 4, juntas e como era de se esperar, conspiradoras.

– Você deveria simplesmente se casar com ela, sabe?
Michael quase engasgou.
– O que disse?
– Case-se com ela – repetiu Colin, dando de ombros. – Isso me parece bem simples
(…)
– Não posso me casar com Francesca – declarou Michael atabalhoadamente.
– Por que não?
– Porque… – Ele se interrompeu. Havia cem razões pelas quais não podia se casar com ela, mas não podia dizer nenhuma em voz alta. Assim, limitou-se a responder: – Porque ela foi casada com meu primo.
– Da última vez que verifiquei, isso não era ilegal

Como todo autor, Julia jogou com os sentimentos de seus leitores, em um momento estar à beira da plena euforia, não muito depois um desespero sem igual, como a Julia em si fez questão de admitir ao final da obra de que infligiu os personagens “a uma parcela não muito justa de infortúnios médicos“. Mas isso não impediu o final feliz que tanto se espera, talvez não um final com felicidade em exatidão, mas um final para se emocionar e crer de que finalmente aconteceu, se realizou e o tempo perdido de Francesca e Michael foi como um processo lento, mas ao final foi satisfatório de deixar em lágrimas e encantar por dias, até anos quem sabe? Só sei que Julia Quinn por meio de palavras encanta e conquista até o mais pessimistas quando o tema é amor.

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Olha a carinha da pessoa na beira de uma síncope ^^

O porquê dessa semana ser especial, foi que para lançamento de O Conde Enfeitiçado, que em 2015 encontrei com a Julia em pessoa, graças a Editora Arqueiro que além de nos presentear com ótimas obras e uma dedicação sem fim, proporcionou a nós um momento sem igual: agradecer pela genialidade dela pessoalmente, Julia Quinn é tudo o que ela nos proporciona, carinho e ânimo sem fim.

Era amor.
– Eu a amarei pelo resto da minha vida – jurou ele. – Darei minha vida por você. Eu a honrarei e a tratarei com carinho. Eu…
Ele engasgava nas palavras, mas não se importava. Apenas queria lhe dizer. Apenas queria que ela soubesse.
– Vamos para casa – pediu ela baixinho.
Ele assentiu com a cabeça.

E deixo um salve final para todos que tiverem a curiosidade ou apreciarem causas sociais e solidárias a checar a nota da autora ao final do livro, perda de tempo seria não ler e aproveitando, deguste dele como um todo. A habilidade que Quinn teve em problematizar, a viuvez, o segundo casamento de uma viúva, o envolvimento com entes próximos e a estreita relação familiar é um brinde a realidade vivida no século XIX.


Particularmente amo tanto esse livro – e Michael – que poderia ter selecionado todo o livro para pôr aqui em forma de trecho, mas isso não seria trecho e nem condiz com a ideia da resenha não é mesmo?

Vai ter A Fanáticos Rocco aqui esse final se semana, clica aqui para ficar por dentro!

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