[Resenha] Um Beijo Inesquecível

capaLivro: Um Beijo Inesquecível
Autora: Julia Quinn
Ano: 2016
Editora: Arqueiro
Páginas: 271
Sinopse: Toda a alta sociedade concorda que não existe ninguém parecido com Hyacinth Bridgerton. Cruelmente inteligente e inesperadamente franca, ela já está em sua quarta temporada na vida social da elite, mas não consegue se impressionar com nenhum pretendente. 
Num recital, Hyacinth conhece o belo e atraente Gareth St. Clair, neto de sua amiga Lady Danbury. Para sua surpresa, apesar da fama de libertino, ele é capaz de manter uma conversa adequada com ela e, às vezes, até deixá-la sem fala e com um frio na barriga.
Porém Hyacinth resiste à sedução do famoso conquistador. Para ela, cada palavra pronunciada por Gareth é um desafio que deve ser respondido à altura. Por isso, quando ele aparece na casa de Lady Danbury com um misterioso diário da avó italiana, ela resolve traduzir o texto, que pode conter segredos decisivos para o futuro dele.

 Vamos que hoje é dia, os Bridgertons estão de volta!

Vou começar falando sobre a capa, que foi uma das favoritas, mesmo se contrapondo no quesito verossimilhança com a protagonista, não acredito que isso seja de extrema relevância, contanto que contenha uma essência que remeta ao conteúdo do livro e isso aconteceu (opinião própria). A expressividade da modelo se assimilou muito com a minha noção de Hyacinth, algo me faz pensar nela assim que vejo a capa, como se fosse uma conexão de imagem e texto.

Então, sobre Hyacinth, a última da extensa e enigmática família organizada em ordem alfabética, os Bridgertons, sendo a 8ª oitava da sequência, portanto nomeada com a inicial H, dentre todos os 8 filhos, ela foi a única que não chegou a conhecer o pai Edmund, dada a morte precoce do visconde anterior, Violet ainda era uma gestante quando aconteceu o incidente que levou ao falecimento do visconde. Sendo a caçula, um dom de Hyacinth é a insistência, o fervor e claro, a jovialidade, para via de consulta, o ocorrido no primeiro livro, O Duque e Eu, já abriu uma seção toda para ela, ao agir de forma direta com o duque de Hastings, isso não mudou em sua personalidade, ela acredita que quando algo deve ser esclarecido, o caso deve ser concluído sem meias palavras, ou enrolação, no máximo uns atalhos estratégicos.

– Se decidir se casar com minha irmã – disse ela, fazendo Daphne se engasgar com um biscoito –, terá minha aprovação.
Simon não estava comendo nada, mas também se engasgou.
– Mas, se não se casar com ela – continuou Hyacinth, sorrindo timidamente –, eu ficaria muito agradecida se esperasse por mim.
– Trecho de O Duque e Eu (Enquanto Hyacinth possuía somente 10 anos de idade)

Gareth St. Clair parece um belo patife a primeira vista, como mais um do clube dos libertinos, ele merece a impressão, mas equivoca-se quem pensa que ele se trata somente de mais um libertino, como o próprio desenrolar do enredo demonstra, Gareth na verdade é conturbado pelos fantasmas de seu passado e pelas sombras do seu presente, causadas por seu pai, Richard. O barão de St. Clair faz questão de minorar o filho Gareth, o que impulsiona o rapaz muitas vezes a tomar decisões ora precipitadas, ora incomuns, sem realmente ser o que anseia, como uma provocação as vontades de seu pai, uma rebelião silenciosa, se assim posso colocar, o que me lembrou outro ‘mocinho’ que passou um drama parecido, Simon, o duque de Hastings, que fora enxotado por seu pai durante toda a sua infância.

– É melhor não ter pai do que ter um igual ao seu, Gareth – disse ela, baixinho. – Sinto muito.
Isso o desmontou. Lá estava aquela menina que tinha tudo – pelo menos tudo o que ele sempre quisera –, mas, de alguma forma, ela o compreendia.
– Eu tenho lembranças – continuou Hyacinth, sorrindo com tristeza. – Ou, pelo menos, as lembranças que os outros me contaram. Sei que o meu pai era um homem bom. Teria me amado se tivesse sobrevivido. Teria me amado sem reservas e de forma incondicional.

As passagens que formam um dos pontos auge do livro, são os momentos em que as interações entre os dois resulta em uma troca razoável de respostas diretas e até mesmo ácidas, afinal se tem uma coisa que um libertino sabe é ser direto, mesmo com suas artimanhas, no entanto, um Bridgerton não deixa por isso mesmo e Hyacinth, com certeza não seria irreverente a uma boa disputa de intelecto.

– Todos sabem que eu não cortejo mulheres respeitáveis. Além do mais, acho que seria bom para a sua reputação.
– E eu achava que a modéstia fosse uma virtude superestimada.
Ele lhe lançou um sorriso afável.
– Não desejo lhe dar munição, mas o triste fato é que a maioria dos homens são ovelhas. Onde um vai, seguem os demais. E você não disse que gostaria de se casar?
– Não com alguém que o tome como carneiro-guia.

As interações com a sempre enigmática e sábia Lady Danbury, são cheias de humor e leveza, Lady D comprova o fato de que velhice, não deve ser atrelado a fraqueza de pensamento. Se me permitem, a palavra só seria aplicável a ela caso fosse adicionada mais uma letra, franqueza é a palavra que a rege e também a Hyancinth, que estabeleceu uma ligação afetiva bem próxima da senhora de poucas palavras e linguagem mordaz.

Ninguém entendia por que Hyacinth visitava Lady Danbury toda terça-feira para ler, mas ela apreciava as tardes passadas com a condessa. Lady Danbury era rabugenta e excessivamente franca, e Hyacinth a adorava.
– Vocês duas juntas são uma ameaça – observou Penelope.
– Meu objetivo de vida – anunciou Lady Danbury – é ser uma ameaça para o maior número de pessoas possível, logo considero esse o maior dos elogios, Sra. Bridgerton.

Já que estamos nessa, a casamenteira da vez é… rufem os tambores…. Lady Danbury! A ousada, calculista, rabugenta, sempre franca e direta condessa que não perde uma boa oportunidade e como Violet, se um matrimônio é possível, investir é uma obrigação, no entanto Lady D acredita que um marido em potencial para Hyacinth, seria ninguém menos que seu neto, Gareth St. Clair, belo, bem humorado e se temos um apegado a Lady D, surpresas sempre podem estar a espreita com toda a certeza.

– Se houvesse algum homem inteligente e solteiro em Londres – disse Hyacinth com um suspiro exasperado –, garanto que me encantaria por ele. – Ela deixou que a cabeça pendesse de lado, num gesto sarcástico. – Sem dúvida a senhora não gostaria de me ver casada com um tolo.
– É claro que não, mas…
– E pare de mencionar o seu neto como se eu não fosse inteligente para saber o que a senhora está aprontando. Lady D bufou.

Dá ainda para matar as saudades das interações da família exótica, com direito a participações ilustres de Anthony, que como chefe da família deve sempre dar as caras, quando o assunto remete ao matrimônio de alguma de suas irmãs, ou como conselheiro, afinal sendo sábio e o mais velho, deve representar os interesses de seus familiares – obviamente Kate deve estar se certificando de que isso seja bem realizado. Ainda com mais presenças marcantes, a mais nova das Featheringtons, agora Felicity Albansdale, melhor amiga de Hyacinth, está mais presente e mais interativa no trama amoroso da Bridgerton, que retrata uma relação com Gareth, além de um envolvimento amoroso, indo para um envolvimento sentimental, uma partilha de dissabores e alegrias.

– Eu não vou me interessar por Gareth St. Clair – insistiu Hyacinth, voltando-se para Felicity ainda mais decidida.
– A dama protesta demais, penso eu – disse Felicity com leveza, citando Hamlet.
Hyacinth trincou os dentes.
– A dama protestou duas vezes.
– Se você parar para pensar…
– O que eu não hei de fazer – interrompeu Hyacinth.
– … vai ver que ele é o par perfeito para você.

Conclusão, o livro não é exatamente um dos melhores da série, dado que algumas partes da personalidades tanto de Hyacinth, quanto de Gareth, deixaram um ‘oco’, no entanto não perde a sintonia e encanto de seus precedentes, Julia escreve bem, inova nas passagens de seus personagens, transformando estes em partes de um todo delicioso e engraçado. Um romance bem desenvolvido é um prato cheio nas mãos de quem sabe apreciar, fazer a leitura de alguma dessas páginas em uma pausa por exemplo, é tão refrescante quando uma brisa de outono.


Até a próxima!

bye

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