[Resenha] Anexos

Anexos capaLivro: Anexos
Autora: Rainbow Rowell
Ano: 2014
Editora: Novo Século
Páginas: 368
Sinopse: Oi, eu sou o cara que lê seus e-mails, e, sabe, eu amo você..." Beth Fremont e Jennifer Scribner-Snyder sabem que alguém está monitorando seus e-mails de trabalho. (Todo mundo na redação sabe. É política da empresa.) Mas elas não conseguem levar isso tão a sério, e continuam trocando e-mails intermináveis e infinitamente hilariantes, discutindo cada aspecto de suas vidas. Enquanto isso, Lincoln O'Neill não consegue acreditar que este é agora o seu trabalho – ler os e-mails de outras pessoas. Quando ele se candidatou para ser "agente de segurança da internet", se imaginou construindo firewalls e desmascarando hackers – e não escrevendo um relatório toda vez que uma mensagem esportiva vinha acompanhada de uma piada suja. Quando Lincoln se depara com as mensagens de Beth e Jennifer, ele sabe que deveria denunciá-las. Mas ele não consegue deixar de se divertir e se cativar por suas histórias. No momento em que Lincoln percebe que está se apaixonado por Beth, é tarde demais para se apresentar. Afinal, o que ele diria...?

Vamos nos apaixonar através de emails hoje!

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Uma das minhas capas favoritas, essa é a versão da Indonésia

Anexos, o livro de estréia da Rainbow demonstra explicitamente como desde o início ela envolve e emociona seus leitores com uma leitura afável e cheia de bom humor, tomando como viés principal uma narrativa com base na impessoalidade de suas passagens, característica que a autora sabe bem como usar, para que o leitor deixe de ser um acompanhante externo da história e se envolva de com mais proximidade com os personagens.

Diferente do que habitualmente vem sendo retratado nos livros de ficção romântica, ela é a confiante e ele é o que possui problemas de auto estima e o meio que catalisa o início do romance é ainda mais incomum, a premissa lembra bastante o conceitos de “opostos se atraem”. Uma história suave e emocionante ambientada em torno do final de 1990, em que uma visão dos anos 2000 ainda era distante e temerosa, o mundo e a sociedade ansiava e se preparava para a essa virada, é nesse cenário que Beth, Lincoln e a ousada Jennifer protagonizam  mais que um romance e sim, as mudanças do que parece ser uma nova era.

Lincoln O’Neill possui uma personalidade mais tenra, calma e contida, com um toque daquele esteriótipo antigo de que aqueles envolvidos em TI são mais tímidos, por vezes introspectivos, mas quem disse que essas características são ruins? De jeito algum e para Lincoln funcionou muito bem, trazendo uma face cativante e encantadora, até mesmo jogar D&D (Dungeons & Dragons) com os amigos ao menos uma vez por semana, fortalece a imagem de um homem mais tímido, que por convenção até o momento ainda vive com a mãe – super protetora – e mantém aquela calmaria e paz. Por vezes Lincoln demonstra uma ingenuidade serena de causar suspiros, o charme de sua sensibilidade ainda expande essa reação para uma torcida para que ele finalmente possa “se encontrar”, dada as circunstâncias de que ele ainda parece estar envolto em uma bolha, até que ele decide seguir o que realmente deseja.

Quando ele finalmente abriu a pasta, em algum momento após a meia-noite, disse a si mesmo para não esperar uma revelação como a da noite passada. Quais seriam as chances de que Beth estivesse falando sobre ele outra vez? Quais as chances de que ela o tivesse visto de novo? Se ela o tivesse visto, será que teria notado que ele estava vestindo uma camisa boa e que passara vinte minutos aquela tarde penteando o cabelo?

Em contra partida a personalidade dela é mais aberta, direta e ansiosa, Beth Fremont não é uma pessoa de extremismo, o que a torna uma colunista apreciada e solicita, seus conhecimentos são convenientes e eles surgem com suas várias referências a filmes e ficções, por ela avaliados e agregados a sua rotina, se comunicar para Beth é algo primordial e ela leva isso no sentido fiel da palavra, rodear inclusive está longe fazer parte de suas características. Sendo que já viu, ouviu e passou por tantas coisas, a preferência por aplicar sua comunicação da forma mais suscita possível é um só parte da Beth vibrante que vive uma sequência de conflitos com seus ideais no que se diz respeito a relacionamentos, cautela pode não ser uma virtude que possua, mas temor pode ser desencadeado com situações que envolvam seus maiores desejos.

<<Beth para Jennifer>> (…) Você acha que é escandaloso que alguém em uma relação séria como eu esteja olhando para caras no bebedouro?
<<Jennifer para Beth>> Não. Como você poderia não notar um cara fofo por aqui? É como detectar um pombo-passageiro.
<<Beth para Jennifer>> Um pombo-passageiro com uma bela bunda.

Atenção: Se atenham ao imaginativo, uma conversa dessa no email de trabalho e o Lincoln que pode ser encontrado também pode ser conhecido como demissão, cautela, por favor!

Mesmo que de primeira Beth e Lincoln tenham tão pouco em comum, ambos compartilham uma característica marcantes: tendências de stalker, não do jeito doentio e assustador, do jeito engraçado, no melhor estilo: “Talvez perseguir seja o nosso okay“. Enquanto ele continua a ler os emails dela, que de certa forma é parte do trabalho dele, sendo que ele já se desviou dessa linha. Ela sempre que encontra a oportunidade de estar ao redor do “cara enorme e fofo” que trabalha em quê ela ainda só tem palpites, se agarra a chance e tenta ser a mais natural possível, resultado: ele nem mesmo conhece o rosto da mulher dos emails, mas fica impressionado pela mulher que – na pressão de murchar a barriga e tentar parecer relaxada – compra qualquer petisco nas máquinas da copa da empresa, ela não engana também e sua amiga Jennifer sabe bem disso.

A amizade de Beth com Jennifer Scribner-Snyder é não somente hilariante, como também cheia de dramas, ou exacerbações de situações até mesmo naturais, a sinceridade e apoio mútuo põe em prova o quanto as duas se amam e se compreendem, atritos estão bem longe ser problema para essas duas. É Nesse caminho que segue a relação amistosa de Lincoln com Doris, a senhora de idade que repõe as máquinas da copa, o gigante demonstra um lado doce e compreensivo na presença da senhora, que por sua vez preenche a solidão que ele parece sentir em seu emprego.

Mas qual o porquê de ler e apreciar Anexos? Simples, a escrita da Rainbow é magnífica, com um conteúdo leve e envolvente, saber usar o humor é algo, mas ela não usa o humor, ele faz parte da trama, da construção de seus personagens, situações cotidianas podem gerar boas risadas e sorrisos persistentes naqueles que se dedicam a essa leitura. É isso que desejo para quem investir um tempo ao livro, garanto que vai ser muito proveitoso, a Rainbow Rowell não cria somente romances, ela cria fãs apaixonados.


Olha essa fanart da Beth e do Lincoln da Irena Freitas!

E vocês? Já leram? Querem ler? Compartilhe suas expectativas ^^

Licoln e Beth

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5 comentários em “[Resenha] Anexos

  1. Oi.
    Ainda não tive a oportunidade de desfrutar da escrita dessa autora, mas me parece ser uma boa leitura.
    Interessante as tendências de Stalker, confesso que gosto muito de livro que tem perseguidores, mas do tipo psicótico mesmo. Gostei bastante da premissa descrita na resenha, muito legal se apaixonar por uma pessoa por e-mails, vou ler com toda certeza.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Ainda não tive a oportunidade de ler algo da autora. Mas esse livro me parece uma ótima maneira de começar. Porém, gostei de saber que o livro tem uma escrita leve e fluida com personagens realistas e gostei principalmente da narrativa da historia.
    Achei muito interessante como o Lincoln pode se apaixonar por palavras que nem são destinadas a ele, rsrsr. Valeu pela dica! Vou ler com certeza 🙂
    Abraço!

    Curtido por 1 pessoa

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