[Resenha] A Indomável Sofia

A indomável sofiaLivro: A Indomável Sofia
Autora: Georgette Heyer
Ano: 2016
Editora: Record
Páginas: 406
Sinopse: Sofia Stanton-Lacy é alegre, impulsiva e de uma franqueza desconcertante, características que não combinam com o que se espera de uma mulher em sua posição na sociedade londrina do início do século XIX. Educada durante as viagens de seu pai, órfã de mãe, ela chega à casa de sua tia em Berkeley Square para derrubar as convenções e surpreender a todos com seus modos independentes e sua língua afiada. E Sophy parece ter chegado no momento certo: seus primos estão com muitos problemas.
O tirânico Charles está noivo de uma jovem tão maçante quanto ele, já Cecilia está apaixonada por um poeta, e Hubert tem sérios problemas financeiros. A prima recém-chegada decide então ajudar a todos com sua determinação e impetuosidade, e acaba enfrentando agiotas, roubando os cavalos de seu primo e atirando de raspão em um honrado cavalheiro. 
Embora sejam sempre mirabolantes e arriscados, seus planos sempre dão certo e tudo parece estar sob seu controle. O que ela não espera, porém, é que seu primo Charles, que aparentemente não vê a hora de arrumar um marido para ela, de repente passa a enxergá-la com outros olhos...

sofia é a melhor heroína de sempre!

Antes de tudo a Georgette surpreende não só por tecer esplendidamente a trama com uma maestria que faz todo jus a comparação com a consagrada Jane Austen, como também envolve uma linguagem o mais próxima possível do cenário em que narra, sem falar nos seus personagens capazes de causar diversificados tipos de emoções em seus leitores, envolver e cativar são as que considero principais premissas da escrita extasiante da autora.

De início temos a figura do pai da Sofia que por estar em vésperas de viajar – para o Brasil, olha que mérito – e por não poder levar consigo sua única filha, vai em busca de Elizabeth, Lady Ombersley, irmã dele e parente mais próxima a quem ele deseja confiar a missão de manter em sua tutela temporária sua dócil e terna Sofia, que sem mãe e sem alguém, nem mesmo teve sua introdução a sociedade, que aos 20 anos sequer teve seu début.

Entretanto quando a sobrinha chega em Berkeley Square, a surpresa não fica só por parte de uma Sofia que ultrapassa a altura mediana das damas da época, que ainda se envolve com animais, dado que a moça chega a casa da tia com nada menos do que seu próprio cavalo, Salamanca, um mico, um papagaio – estes dois para presentear os primos pequenos – e sua cadela de estimação, Tina, que surpreende até a própria dona ao demonstrar afeição com o quase soberano da casa, Charles Rivenhall. Parece pouco esta última, mas não se engane, se para Sofia a imagem do primo era de assustador e tirano além dos limites, a confiança que ele ganha de Tina muda a visão dela, afinal conquistar o afeto de um animal bem sabemos que é uma tarefa que julga o caráter de qualquer um.

Mas voltando, o que realmente tira dos eixos toda a família e principalmente a Elizabeth é fato das palavras de Sir, Horace, terem sido estrategicamente empregadas, Sofia é mulher mas isso quer dizer sabe o quê? Quase nada! Sophy como prefere ser chamada é dona de si, aprendeu a se cuidar desde cedo, sabe quais são realmente suas obrigações para com a bem-estar do pai, e leva a sério seus compromissos com 20 anos, já passou por diversos países e sua disposição não poderia ser melhor, conhecedora de inúmeros costumes nas mais variadas nações, dócil e terna não poderiam estar mais longe da verdade.

– Está tentando me assustar – disse o Sr. Goldhanger, queixoso -, mas não me assusto com armas em mãos de mulheres, e até sei que não está carregada.
– Bem, se sair dessa cadeira, vai descobrir que ela está carregada. Poderá estar morto, mas creio que saberá como aconteceu.

O foco principal da obra não é romance em si, apesar desse ficar não por parte de Sofia, mas da prima Cecilia que trava um conflito inicialmente com seu irmão mais velho Charles, o Sr. Rivenhall e seu pai Lorde Ombersley, que não aprovam sua afeição ao que não é seu prometido, o Sr. Fawnhope. Em sua defesa, Augustus Fawnhope não pode negar as circunstâncias quanto a desaprovação do possível enlace dos dois, desde que o rapaz vive com pensamentos distantes e entregue a sua vida como poeta, mas para a doce Cecy isso é encantador, fazendo-a crer sofrer de uma paixão pelo poeta desenfreado que lhe jura semelhanças com uma ninfa.

Então intempestiva como é Sofia se vê incapaz de abandonar a causa e sendo ousada e comprometida com o bem estar do que as cerca, ela toma frente do desafio, para surpresa até mesmo de Cecilia e desalento do primo Charles, que não fica nada satisfeito com a personalidade vivaz e persuasiva da prima, que contrapõe com a mordacidade e até severidade dele, que é parte devida por influência da pressão de se tornar o principal responsável pela família e parte acentuada pela natureza rígida e maçante da noiva, a Srta. Eugenia Wraxton.

Um seio familiar peculiar pela formação com um pai com tendência a jogatina, uma mãe fragilizada, um irmão com uma personalidade por vezes volúvel, uma irmã com pouca disponibilidade a seguir imposições tirânicas de seus tutores, com mais quatro irmãos mais novos, sendo eles a exceção com relação ao temor de família em relação a Charles, que tenta se impor e ser rígido na condução da família, se espera que o rapaz tenha se enrijecido dado as dificuldades de gerir precocemente esse grupo que beirava a ruína.

No entanto mesmo o tato de Charles sendo notável, a facilidade com que seus familiares se submetem a suas vontades o infligiu mesmo que não diretamente uma noção de poder absoluto e intimidação sem questionamentos, por isso ele se vê constantemente perturbado por sua prima, ainda mais nova que eles, o imponha a tais situações aquém de suas rédeas e ela mesma ignore sua figura soberana, para ela, o que se faz necessário é o desafio e se convier a ela, não vai faltar, afinal não faz parte de suas ambições se tornar reclusa e introspectiva por capricho de ninguém.

Mais improvável do que esse desenvolvimento não há, para quem espera uma mocinha redutível, ou um mocinho apaixonado não é em A Indomável Sofia que vai encontrar, afinal Sofia continua sendo excêntrica e segura de si e Charles mesmo rígido não é de perder de vista seus compromissos, o que o faz ver em Sophy uma contraposição ao seu estilo de vida, então algumas farpas são inegáveis entre os dois.

– Às vezes me parece – replicou o Sr. Rivenhall – que a sensibilidade é uma virtude totalmente desconhecida para você.
– É mesmo, fale-me sobre ela! – disse Sophy, com imensa cordialidade.

A escrita envolvente e excentricidade de sua protagonista, em combinação com uma ousada e enigmática personalidade de seus personagens, deixa qualquer um ansioso por mais e encantados pela trama e por sua desenvoltura no decorrer dos fatos, Heyer é um brinde ao amantes e romances com passagens mais históricas.

Todos os títulos da autora foram adquiridos para adaptações cinematográficas, com exceção, infelizmente de The Grand Sophy (A Indomável Sofia) e The Old Shades (Os Antigos Tons, em tradução literal), mas tem como conhecer outras obras da autora que a Editora Record já lançou, são elas:

  • A Boa Moça
  • Casamento de Conveniência
  • Ovelha Negra
  • Venetia e o Libertino

não esqueçam de me contar o acharam da sagaz sofia!

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3 comentários em “[Resenha] A Indomável Sofia

  1. Os melhores livros 😍😍 ser comparado a Jane austen? Esse aí deve ser bom
    Vou comprar, pois me interessei muito pela Sofia, chega a ser instigante

    Curtido por 1 pessoa

  2. A Sofia parece uma mistura de sucesso entre: Kate da Julia Quinn, Beatrix da Lisa Kleypas, Christine da Mary Balogh, Juliana da Sarah MacLean e Elizabeth da Jane, as melhores em uma, vai ser sempre uma dica para uma leitora com uma ótima heroína!

    Curtido por 1 pessoa

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