[Resenha] Estrelas Perdidas

star_wars_estrelas_perdidas_1444941662531989sk1444941662bLivro: Estrelas Perdidas

Autora: Claudia Grey

Editora: Seguinte

Páginas: 448

Ano: 2015

Sinopse: Ciena Ree e Thane Kyrell se conheceram na infância e cresceram com o 
mesmo sonho: pilotar as naves do Império. Durante a adolescência, sua amizade 
aos poucos se transforma em algo mais, porém diferenças políticas afastam seus 
caminhos: Thane se junta à Aliança Rebelde e Ciena permanece leal ao imperador. 
Agora em lados opostos da guerra, será que eles vão conseguir ficar juntos?

Através dos pontos de vista de Ciena e Thane, você acompanhará os principais 
acontecimentos desde o surgimento da Rebelião até a queda do Império de um 
jeito absolutamente original e envolvente. O livro relata, ainda, eventos 
inéditos que se passam depois do episódio VI, O retorno de Jedi, e traz 
pistas sobre o episódio VII, O despertar da Força!

Chegou ao meu conhecimento através de um evento de editora admirada, que falava do universo, sequências… sem se importar com o fato do livro ter sido publicado por outra que não ela. (Super, não?… Paixão pelo universo!)  O filme Star Wars VII: O despertar da Força ainda a estrear e esse livro daria links – não deram spoilers –, seria interessante lê-lo antes de assistir. [Detalhe: foi depois da aquisição indicada que notei ser a autora deste a mesma de outros títulos, uma série, que possuo.]

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Cienna Ree

Estrelas Perdidas nos apresenta a Cienna Ree e o Thane Kyrell, habitantes do planeta Jelucan (Orla Exterior), que se conheceram devido a uma paixão em comum: o sonho de pilotar naves do império. Eram crianças quando conheceram o Grão-Moff Tarkin. Apesar das diferenças sociais (ela, do Vale – população pobre e a parte, que tem a honra e o compromisso como atributos essenciais; ele, filho da aristocracia do planeta, “favorecido”), estudam/pilotam juntos durante o restante da infância e adolescência. Tal prática propicia um forte laço entre eles, indispensável para a execução do voo: CONFIANÇA.

Os anos de prática favorecem a entrada na Royal Imperial Academy em Coruscant e tornam-se pilotos primorosos, dentre os melhores. LP888 e AV547. Mas, após presenciar a destruição do planeta Alderaan e a escravização dos seus habitantes, AV547 não regressa.

“A vida acontece” – sempre ouvimos tal frase… Como um rio, ela “segue o curso”. Desencontros…  Reencontros… Inúmeras circunstâncias. De tempos em tempos nos pegamos em situações jamais imaginadas antes. As crenças que nos são passadas por vezes dissimulam um algo mais distorcido por nuanças de filosofias diversas impostas já há tanto que se dissolveram e permeiam possíveis realidades. Lados podem ser trocados… Mas, e quando se faz um juramento e, com isso, empenha-se a honra? Pode-se voltar atrás?… Deve-se duvidar do conhecido e vivenciado por quase toda uma vida em prol de algo assimilado apesar de não palpável e salutar?

Questionamentos são traçados e, apesar de absoluta confiança e sentimento compartilhado entre os dois pilotos, os lados opostos não planejados coíbem a continuidade de uma vida em comum. Por maiores dúvidas que se apresentem e obscureçam o discernimento, pondo o senso do cumprimento do dever por parte de um, e a incontestável verdade presenciada por outro, o conhecimento mútuo que dividem impulsiona o cuidado, a contestação da traição, o zelo.

As guerras externas…

As guerras internas…

Qual o vínculo priorizado? Qual o maior compromisso? A quem a lealdade prevalece? Uma mentira disseminada pelo Império o qual serve ou a verdade do sentimento e senso de justiça?

Há questionamentos aqui lançados os quais apenas a leitura integral da história proporcionará, por maior que seja a sua patente.

Beijos da Carol

[Resenha] Amor e Amizade

capa amor e amizadeLivro: Amor e Amizade
Autores: Jane Austen, Whit Stillman
Ano: 2017
Editora: Gutenberg
Páginas: 288
Sinopse: Viúva, falida e mãe de Frederica, uma adorável garota em idade para se casar, Lady Susan tem uma missão: encontrar um bom marido – ou seja, rico – para a filha e sobretudo para si.
Dona de uma eloquência e de um charme sem iguais, Lady Susan flerta com qualquer homem endinheirado que possa salvá-la de sua desgraça financeira, o que lhe rende a fama de “rainha do flerte”.
Mas quando suas tentativas de garantir o futuro não saem como o esperado, Lady Susan recorre à gentileza (e ao dinheiro) de seu cunhado, Charles, e vai passar uma temporada em sua propriedade rural para se afastar das fofocas.
Lá, ela conhece Reginald, irmão da esposa de Charles, e único herdeiro da fortuna da família DeCourcy. 
Ao perceber que Frederica está se encantando pelo rapaz, Lady Susan decide que o jovem Reginald seria um belo e abastado marido… para si mesma.

Romance de época é muito amor!

Com todo o esplendor da magnífica Jane Austen, o livro resgata não só parte da identidade dos romances de época mais tradicionais, como exibe uma linguagem que a muitos remete a forma rebuscada e lírica de expressão, com um dos principais segredos do sucesso de Austen: a vivacidade, ousadia e singularidade não só do enredo, como também das protagonistas independente e visionárias.

Apesar de a obra original ter sido criado por Jane Austen em seu início de carreira, a história que narra a vida de Lady Susan foi publicada após a morte da autora, com uma peculiaridade em sua apresentação: a obra é tecida por cartas intermediadas entre os personagens! E é sob a construção das correspondências de Martin-Colonna que a excêntrica viúva Lady Susan tem sua personalidade assumida como amorosa e devota, digna de respeito em uma sociedade tão repressora de atitudes aquém do esperado, como é afirmado no caso da bela Lady Susan.

Através de uma bruma de romance, drama e mistério, Willtman desenvolve a vida da viúva, Lady Susan Vernon – já conhecida como uma coquete -, após acusações da conservadora sociedade após boatos de um envolvimento com Lord Manwaring – que sendo casado se caracteriza como extraconjugal -, o que somando ao fato de ela estar vivendo sem renda que a sustente e a sua filha Frederica, Lady Susan é levada a se afastar para a vida bucólica na propriedade de seus cunhados, onde conhece Reginald DeCourcym irmão mais novo da esposa de seu cunhado.

Reginald admirava a capacidade de Lady Susan lidar, mesmo com os assuntos mais desencorajadores e fastidiosos, como a deslealdade das gerações mais jovens, com uma ponderava suavidade.

Suntuoso, engraçado com gotas de sátiras sobre o conservadorismo de famílias que prezam pela fachada límpida e sua mentalidade, a obra retrata o desenrolar de uma trama realmente baseado nos recônditos do amor e da amizade, mesmo em um contexto social tão seco e capaz de destruir ou fechar os olhos diante daquilo que se considera absurdo, Lady Susan se prova uma mulher dona de si e dissimulada na medida que a convêm.

Há algo nele que me interessa, uma certa impertinência e um excesso de liberdades que devo ensiná-lo a corrigir

O ecanto do livro não se atém ao conteúdo, o imaginativo é conquistado desde a capa maravilhosa que retrata parte da identidade que Amor e Amizade possui, até  as inúmeras possibilidade de seu enredo intricado e mesmo cínico, contando ainda com o texto original de ninguém menos que a própria Lady Susan.


Relembrar a Jane é sempre bom e recomendo muitíssimo!