[FILMES] Resenha Crítica de La La Land

mv5bmzuzndm2nzm2mv5bml5banbnxkftztgwntm3ntg4ote-_v1_sy1000_sx675_al_

Direção: Damien Chazelle
Ano de Lançamento: 2017
Elenco: Ryan Gosling, Emma Stone, Rosemarie DeWitt, John Legend
Gênero: Musical
Duração: 2h08m
Sinopse: Um pianista se apaixona por uma atriz em ascensão em Los Angeles

AVISO: Spoilers a frente. Caso não tenha assisto La La Land ainda, não leia. Ou leia. Fica a seu critério.

Antes do filme começar eu solto um longo e pesado suspiro, como se eu tivesse me preparando para o que eu irei assistir pelas próximas duas horas de filme. Só de ter visto o trailer eu já estava encantada. Com as cores, a música de plano de fundo, as atuações, os enquadramentos, Los Angeles. E assim como o meu encantamento, as minhas expectativas pelo filme estavam proporcionalmente iguais. E ainda bem que permaneceram assim.

Num ambiente onde os musicais que são exaltados são os de anos atrás, e onde nenhum musical conseguiu superar as grandes produções, como Mary Poppins, Singin in The Rain e The Sound Of Music, como meros exemplos, tenho a impressão que La La Land poderá se juntar a essas grandes produções e entrar para a história dos melhores musicais já produzidos por Hollywood.

la-la-land

Roteirizado e produzido pelo jovem e brilhante Damien Chazelle, que já nos havia surpreendido com o intenso filme de 2013 Whiplash, que contava a história de um jovem ascendente baterista que dava seu suor e sangue – literalmente – para se tornar o melhor baterista da faculdade de música que ele frequentava, La La Land não apenas superou sua produção anterior como marcou para sempre o nome de Damien na história dos diretores de musicais.

Mas vamos falar do filme que já começa com uma cena em que muitos carros estão parados no trânsito e de repente, todos começam a cantar e dançar, já nos trazendo para o mundo colorido e dançante que, normalmente, são os musicais. Logo quando acaba, La La Land nos traz as histórias de Mia e Sebastian, dois jovens artistas que lutam para sobreviver no meio de seus respectivos e competitivos ramos. Mia se mudou para LA para seguir seu sonho de ser atriz e vive fazendo testes. Sebastian, um musicista que é apaixonado por Jazz e está com medo do futuro deste gênero, sonha em abrir um bar onde só se tocaria, como ele mesmo se referiu, o puro Jazz. Os caminhos desses dois sonhadores se cruzam algumas vezes no decorrer de uma semana, mas eles de fato só criam um laço afetivo após eles se reencontrarem em uma festa.

533081-ryan-gosling-la-la-land

La La Land usa e abusa de tons em pastéis para ajudar na composição de uma cena e dos personagens. Podemos ver, como exemplo, o desenvolvimento da Mia no decorrer do filme pelas roupas que ela usa, de início com tons divertidos, claros e coloridos, uma vibe anos 20, até chegar nas firmes e sólidas cores, dando um ar de amadurecimento. Damien também brincou com as estações do ano e o estágio do relacionamento entre Mia e Sebastian. O filme começa no inverno, onde ambos não se conheciam ainda, até que chegou a primavera e o relacionamento dos dois começa a florir. Verão eles estão em um relacionamento estabilizado e no auge, no outono, as folhas e flores começam a cair até que chega o inverno novamente.

As referências do filme foram outro ponto alto dele. O diretor para escrever o roteiro se inspirou em diversos musicais, entre americanos e franceses, e como se fizesse uma homenagem para todos eles em sua grandeza e importância para esse gênero de filmes, os colocou em La La Land sem retirar nenhum pouco a originalidade dele. Foi apenas uma adição a todo essa celebração a musicais que o filme basicamente é.

524229

Quanto ao final que vimos muita gente reclamando, eu posso afirmar que não entendo o clamor das pessoas para sempre quererem que protagonistas em geral fiquem juntos no final. A rima não foi de proposito, mas uma coisa que as pessoas têm que entender é: alguns relacionamentos não acabam porque foram um fracasso, alguns deles foram um sucesso no tempo em que existiu, mas aquelas pessoas que estavam envolvidas simplesmente não davam para ficar mais juntas. A vida tem dessas pegadinhas. Assim como Mia e Sebastian, e devo dizer que eles só tiveram ganhos com o término: ambos puderam amadurecer no tempo que tiveram juntos e seguir os seus sonhos graças ao suporte e apoio que um deu ao outro – mesmo após o término. E relacionamento também são sobre isso: amadurecimento mútuo

Eu já era fã da Emma Stone desde de Easy A (A Mentira, de 2009) e não esperava menos da atuação impecável dela em La La Land. Quanto ao Ryan Gosling, confesso que senti que a Emma deu mais de si mesma nos números musicais, mas nada que atrapalhasse no conjunto da obra, e falando neles, eles conseguiram me deixar completamente imersa com suas músicas bem feitas e que grudam na cabeça. Em algum momento você irá se pegar cantarolando City of Stars, eu tenho certeza. Cada segundo é muito poético. Seja pela troca de olhares, pelos passos de sapateado, pelas cores e música do plano de fundo, seja por uma árvore. La La Land é uma poesia em forma de filme.

E em um ano onde os filmes indicados ao Oscar estão com temáticas profundas e que nos fazem chorar de emoção, La La Land veio com sua leveza e a certeza de que quando estivermos fazendo a nossa maratona com as películas indicadas a melhor filme, poderemos relaxar e ficar de frente com uma obra que veio para mudar a nossa visão de musicais.

Clique aqui para conhecer as referências musicais de La La Land.

Confira o trailer do filme logo abaixo:

Anúncios