[Resenha] Seraphina

Livro: Seraphina
Autores: Rachel Hartman
Ano: 2013
Editora: Jangada
Páginas: 384
Sinopse: Seraphina Dombegh, uma garota de 16 anos com grande talento 
para a música, tem um terrível segredo e razões para temer humanos e 
dragões. Ela se torna assistente do compositor da corte justo quando um
membro da família real é encontrado morto, devido a um ataque muito ao
estilo dos dragões, isto é, com a cabeça arrancada a mordidas. 
Seraphina, com sua inteligência e senso de humor ácido e feroz, passa a
colaborar com as investigações, ao lado do capitão da Guarda da Rainha,
o sagaz e encantador Príncipe Lucian Kiggs. Enquanto eles começam a 
encontrar pistas de uma trama sinistra para destruir a paz, a fachada 
cuidadosamente construída por Seraphina começa a desmoronar, tornando 
cada vez mais difícil manter seu segredo, cuja revelação seria 
catastrófica em sua vida.

Seraphina é a protagonista do meu coração!

Seraphina Dombegh é musicista, completamente envolta em notas e sons, a jovem de 18 anos utiliza sua vida em partituras como uma forma de exprimir sua verdadeira essência, mesmo tão jovem possui um talento inato para a música, a maior parte devido ao fato de seu hibridismo, Seraphina é meio-dragão. Como híbrida ela tenta esconder o seu sangue dragontino e escamas que cobrem parte de seu corpo, enquanto lida com as peculiaridades de sua existência, compartilhando sua mente com seres estranhos e que ameaçam lhe tirar o controle do próprio corpo.

Agora vivendo como parte da corte real, a existência de seres como ela é um tabu e um ato de extrema heresia, a paz superficial entre humanos e saarantras – dragões em sua forma humana – que mascara a hostilidade com que os qualquer um com sangue saar (dragão) está abalada, e uma crise que já borbulhava na superfície essa convivência está prestes a implodir de vez.

– Acabei de ser perseguida no mercado de São Willibald, e você sabe por quê? Porque fui gentil com um quig. Ocultei escrupulosamente todas as razões legítimas para as pessoas me odiarem, e agora elas não precisam mais de motivos legítimos. O Céu forjou uma adaga de ironia para me apunhalar.

O estopim para as atitudes ainda mais agressivas se dá com o assassinato de caráter dragontino do Príncipe Rufus, filho da rainha Lavonda, a decapitação e desaparecimento da cabeça do Príncipe não deixa margem para inocentar a comunidade de dragões, é quando Seraphina presencia as ações do grupo mais radical em oposição ao Tratado de Commomont, os Filhos de São Ogdo.

É na aproximação por interesses na manutenção da paz e investigação por trás do assassinato do Príncipe Rufus que Seraphina encontra no jovem Príncipe Lucian Kiggs uma proximidade afetiva, a recíproca é verdadeira e palatável. Desenvolvendo uma amizade, o príncipe vê em Seraphina um pedaço de si, uma pessoa que se mantém a margem, embora difícil de ler, ele sabe que o intelecto da jovem é sábio e passa a buscar cada vez mais a companhia e conselhos dela.

– Tenho raiva dela por me deixar tão jovem; você talvez sinta o mesmo em relação à sua mãe, mas também, para minha mortificação, raiva pelo fato de ela ter se apaixonado de maneira tão imprudente.
– Eu sei – sussurrei para o ar gelado, esperando e temendo que ele pudesse ouvir

Para Seraphina é uma oportunidade de estar próxima de alguém que compreenda parte de sua angústia, mesmo que aumente os seus níveis de tensão, afinal deixar alguém aproximar-ser tanto é um risco a sua vida, suas escamas estão sempre em evidência sobre as camadas de tecido de suas vestes, mas o seu inegável afeto com o dragão Norma, semeia uma desconfiança no Príncipe, que para espanto dela tem uma terrível conclusão sobre o significado dessa proximidade.

Enquanto se desvencilha da desconfiança de Kiggs acerca dos sentimentos, ela inicia uma parceria até então fora de seu horizonte, ao mesmo tempo que esta é a chave pra descobrir a verdade sobre os avatares em sua mente, Seraphina descobre que não está sozinha, em paralelo a ameaça a família real é ainda mais inesperada e na tentativa de pôr fim a essa sombra, novos métodos devem ser usados, um meio-dragão possui habilidades únicas e diferenciadas uns dos outros como ela tem a surpresa em saber.

A escrita da Rachel Hartman não deixa a desejar em quesito algum, desde a originalidade do enredo, até a construção do universo de seu livro é uma aventura repleta de detalhes que inferem personalidade a trama, além de um suspense bem dosado, é certeza de uma grande leitura, Seraphina é uma leitura formidável e uma interpretação fantástica e sublime do mito dos dragões.

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