[Resenha] Outros Jeitos de Usar A Boca

downloadLivro: Outros Jeitos de Usar A Boca

Autor (a): Rupi Kaur

Editora: Planeta do Brasil

Ano: 2014

Páginas: 208

Sinopse: Maior fenômeno de poesia dos EUA na última década, há mais de 40 semanas no topo das listas de best-sellers. “Outros jeitos de usar a boca” é um livro de poemas sobre a sobrevivência. Sobre a experiência de violência, o abuso, o amor, a perda e a feminilidade. O volume é dividido em quatro partes, e cada uma delas serve a um propósito diferente. Lida com um tipo diferente de dor. Cura uma mágoa diferente. Outros jeitos de usar a boca transporta o leitor por uma jornada pelos momentos mais amargos da vida e encontra uma maneira de tirar delicadeza deles. Publicado inicialmente de forma independente por Rupi Kaur, poeta, artista plástica e performer canadense nascida na Índia – e que também assina as ilustrações presentes neste volume –, o livro se tornou o maior fenômeno do gênero nos últimos anos nos Estados Unidos, com mais de 1 milhão de exemplares vendidos.

Eu tinha todo um plano preparado para essa semana. Sabia sobre qual livro ia falar, já tinha pronta a resenha, mas meus planos foram, repentinamente, mudados e a responsável é Rupi Kaur.

Bom migos, hoje eu não trago um livro com uma narrativa, como estamos acostumados, trago um livro de poemas, e que poemas. A partir de agora vou mostrar um pouco do agoniante, porém necessário e maravilhoso, “Outros Jeitos de Usar A Boca”.

O livro tem como autora Rupi Kaur, indiana que imigrou com os pais para o Canadá ainda criança. Além dos poemas, Rupi assina as ilustrações da obra (capa do post). Ele traz diversos poemas divididos em quatro partes, que tem um poder extremamente forte sobre o leitor, principalmente a mulher. Aborda, dentre outros assuntos, o machismo, o abuson e mostra como o feminismo, a sororidade são ações/sentimentos/lutas que devem ser praticados cotidianamente. Um detalhe para os poemas, que não seguem um modelo clássico de forma, podem ser uma frase, dois versos, ou que ocupem duas páginas.

Sua primeira parte tem como título “A Dor” e traz como é visto, muitas vezes desde a infância, a violência contra mulher, seja sexual ou psicológica (particularmente a mais forte das partes). A autora tem um poder, como eu disse antes, de transportar seu leitor para o poema. Você vive a dor da menina que vê o pai como um opressor, não permitindo que a mãe fale na mesa de jantar. Você vive a dor.

você tem dores
morando em lugares
em que dores não deveriam morar

A segunda intitula-se “Amor” e traz uma atmosfera feroz e desejosa sobre todos os anceios do corpo. Mostra a vontade, o desejo, o prazer que se espera ter quando se ouve a palavra amor. Palavra que pode resumir tudo e, ao mesmo tempo, não dar sentido a nada. Esse mesmo amor que é mostrado pela mãe, que muitos dizem ser a uma das formas mais puras de amor. E o amor entre dois amantes que, quando é verdadeiro (e recíproco), se torna uma das mais prazerosas formas de viver esse sentimento.

você pode não ter sido meu primeiro amor
mas foi o amor que tornou
todos os outros amores
irrelevantes.

A terceira chama-se “A Ruptura” que, com um tom mais sério e agressivo, traz os momentos conturbados em uma relação de casal, por exemplo, na qual somente uma das partes se doa por completo. A maneira como a autora descreve momentos íntimos de casal deixa claro para o leitor que isso vai além das páginas do livro. É uma coisa real, é cotidiano. Todos, pelo menos um vez, já vivemos momentos dispostos em “A Ruptura”.

eu não fui embora porque
eu deixei de te amar
eu fui embora porque quanto mais
eu ficava menos
eu me amava

E não é só Gaga que tem “A Cura”, Rupi Kaur também tem e é esse o título da sua última parte do livro. Nela, a autora, reforça a auto estima tanto dela própria quanto da sua leitora, que precisa disso, depois de ser, por tanto tempo, usada e diminuída. “Você só pertence a você.” Acho que essa frase, que é um título de um dos poemas, resume bem o que é “A Cura”, de Rupi Kaur.

faz parte da
experiência humana sentir dor
não tenha medo
abra-se
– evoluindo

Um ponto a ser ressaltado: quando lemos, de primeira, podemos pensar na relação abusiva homem X mulher, porém esses poemas se aplicam a diversas situações e relações as quais estamos suscetíveis. Muitas vezes, me vi em uma relação de amizade tóxica, que me fez mal e eu não percebia.
Então migos, vamos aprender com a titia Rupi: você só deve satisfações a você mesmo. Se você não quiser depilar as pernas é uma opção sua, afinal de quem são as pernas mesmo!?

No fim, temos uma carta direcionada ao leitor, na qual Rupi é capaz de se materializar na sua frente, te dar um abraço e oferecer o colo dela pra você deitar e colocar para fora suas emoções porque você vai precisar. Espero, do fundo mesmo do meu coração,  que vocês gostem desse livro, tanto quanto eu gostei.

Ah e é de Rupi Kaur aquela foto viral, da garota deitada na cama de costas e menstruada. Vocês já devem ter visto e visto também a quantidade de comentários nojentos de caras que se acham os machões, mas não tem maturidade pra lidar com algo natural como a namorada menstruar ou não depilar as pernas.

Até semana que vem,

Nath.

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