[Resenha] Uma Constelação de Fenômenos Vitais

Livro: Uma Constelação de Fenômenos Vitais
Autores: Anthony Marra
Ano: 2014
Editora: Intrínseca
Páginas: 336
Sinopse: Em uma vila coberta de neve na Chechênia, 
Havaa, de 8 anos, observa seu pai ser levado no meio 
da noite por soldados russos que o acusam de colaborar 
com rebeldes chechenos.
Do outro lado da rua, Akhmed, um amigo da família, vê 
a cena e teme pelo pior quando os soldados ateiam fogo à casa da menina. 
Ao encontrar Havaa escondida na floresta com uma estranha mala azul, 
Akhmed decide buscar refúgio num hospital abandonado onde a única médica 
remanescente, Sonja, trata os feridos — uma decisão que irá mudar a vida 
dos três para sempre. Para a talentosa e determinada Sonja, a chegada de 
Akhmed e Havaa não passa de uma surpresa inoportuna. Exausta e sobrecarregada,
 ela não deseja assumir ainda mais responsabilidades nem correr mais riscos. 
E há uma razão para sua cautela: abrigar aqueles refugiados pode ameaçar 
a busca por sua irmã desaparecida. Em apenas cinco dias, porém, o mundo 
de Sonja será virado de cabeça para baixo e revelará as complexas conexões
 que interligam os passados desses companheiros improváveis.

Mais do que uma leitura, uma profusão de sentimentos

Como promete o enredo da obra, é um livro denso, não exatamente desprovido de fluidez, porém que exige certa paciência para digerir seus capítulos, uma característica definitiva da temática de cenário de guerra na Chechênia em 1990, onde Akhmed, um simples médico se vê responsável por Havaa, após ela perder a casa em um incêndio e o pai ser levado por soldados russos e em troca da permanência da garota de 8 anos com Sonja, uma médica laboriosa, ele oferece o retorno em serviços no hospital abandonado, local em que ela trabalha.

Atuando como médica, Sonja passa incontáveis horas agindo com o pouco que tem ao alcance para salvar as poucas vidas que encontra abrigo no hospital e realizando partos, se atendo de descansar, consume muitos estimulantes para manter-se vigilante com seus pacientes, após o trauma de perder sua família, incluindo sua irmã que ela deseja reencontrar, ela vive mecanicamente na crença também que de alguma forma ela poderia ser libertada do peso de sua culpa no desaparecimento de sua irmã.

– Má nutrição uterina? – perguntou Akhmed.
– Nenhuma nutrição uterina. Desde que a segunda guerra começou, só tivemos umas poucas mães saudáveis o bastante para conseguir dar à luz crianças saudáveis.

Também carregando um pesado cargo temos Akmed que se mantém constantemente vigilante de sua esposa, esta adoeceu com uma doença desconhecida e a deixou cingida, impossibilitada de executar qualquer ação por si, ele permanece cuidado dela, mesmo com rancor por enfrentar esse destino, enquanto a mulher que ama se perdeu no próprio corpo e definha aos poucos.

O autor também entrelaça o drama de outros personagens ao enredo no decorrer da narrativa novos cenários são apresentados pelos olhares de Kassan, um senhor que possui um relacionamento turbulento com o filho Ramzan, sendo este último responsável por delatar os vizinhos em busca da subsistência da única família que lhe resta.

– Não me machuque, não faça isso, não me machuque, misericórdia, tenha misericórdia – suplicou ele, de olhos fechados, curvando-se em posição fetal, chorando na neve marrom. Akhmed se levantou, enojado consigo mesmo, com o homem a seus pés, com a guerra que os reduzira àquilo.

A obra não possui uma leitura fácil, como tudo que remete a acontecimentos fatídicos e principalmente uma guerra é denso e doloroso de assimilar, não tirando em nada a qualidade da leitura, mais que um livro para apreciar o enredo ou a bela escrita, um livro para se fazer pensar e sentir a devastação de um conflito, o quanto se alastra os tentáculos destrutivos de uma guerra, na pouca vida que resta em mesmo aqueles que sobreviveram.


Jamais esquecerei essa leitura!

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