[Resenha] Kindred – Laços de Sangue

kindred_1505228890686336sk1505228891bLivro: Kindred – Laços de Sangue

Autora: Octavia E. Butler

Editora: Morro Branco

Páginas: 432

Ano: 2017

Sinopse: Em seu vigésimo sexto aniversário, Dana e seu marido estão de mudança para um novo apartamento. Em meio a pilhas de livros e caixas abertas, ela começa a se sentir tonta e cai de joelhos, nauseada. Então, o mundo se despedaça.

Dana repentinamente se encontra à beira de uma floresta, próxima a um rio. Uma criança está se afogando e ela corre para salvá-la. Mas, assim que arrasta o menino para fora da água, vê-se diante do cano de uma antiga espingarda. Em um piscar de olhos, ela está de volta a seu novo apartamento, completamente encharcada. É a experiência mais aterrorizante de sua vida… até acontecer de novo. E de novo.

Quanto mais tempo passa no século XIX, numa Maryland pré-Guerra Civil – um lugar perigoso para uma mulher negra –, mais consciente Dana fica de que sua vida pode acabar antes mesmo de ter começado.

Dana é uma jovem mulher negra de 26 anos, recém casada, que mora com seu marido Kevin, e leva uma vida bastante normal. Trabalhar para pagar as contas, escrever seu romance durante o tempo livre, e lutar para ser publicada no restante do tempo. Mas, Dana se vê dentro de uma sitiação completamente caotica, quando sem nenhuma explicação, viaja o tempo e impede que seu ancestral, Rufus Weylin morra afogado enquanto criança.

Já tinha visto pessoas serem surradas na televisão e nos filmes. Já vi sangue falso nas costas delas e ouvido gritos bem ensaiados. Mas não havia ficado perto e sentido o cheiro do suor nem ouvido as súplicas e orações das pessoas humilhadas diante de suas famílias e de si mesmas.

A partir dai, Dana começa uma jornada de viver e sobreviver, em um Estados Unidos pré Guerra Civil, dentro de um estado escravagista, e descobrir que a escravidão pode ser ainda muito pior do que narrada nos livros de história. Ainda mais se você for uma mulher negra, empoderada e esclarecida do século XX.

Octavia E. Butler, a grande dama da ficção científica nos entrega uma história de proporções épicas e exclarecedora sobre um périodo histórico muito importante para a formação da sociedade americana. É possivel perceber também que apesar de tantos anos de nos separam da narrativa e da cronologia histórica, pouco mudou quando falamos sobre racismo. Um livro magestralmente narrado e densenvolvido, com uma qualidade grafica e de edição e de revisão, que me deixou muito contente por ter vindo de uma editora iniciante com a Morro Branco, que apesar de pouco tempo dentro do mercado, conseguiu marcar seu território dentro do coração dos leitores.

Por um momento, queria ser dona de mim.

Antes que me esquecesse como era ser dona de mim.

15187128138401832758142.jpg

Kindred deveria ser uma leitura obrigatória, principalmente para autores que acham certo romantizar a escravidão, o abuso sexual e o preconceito racial, em obras desagradaveis e desnecessárias como “A Escrava e a Fera” da “autora” brasileira Jessica Macedo. Existem assuntos que não devem nunca ser romantizados, principalmente em épocas que a cada nova reforma na constituição perdemos nossos direitos, e quando os indices de violencia domestica e estupro alcançam numeros preocupantes.

Esperamos muito em breve ler mais obras de autoras como Octavia Butler, que usam da ficção para nos passar mensagens e ensinamentos.

– Olha, seus antepassados sobreviveram àquela época, sobreviveram com menos vantagens do que você tem. Você não é inferior a eles.
– De certo modo, sou.
– De que modo?
– Na força. Na resistência. Para sobreviver, meus antepassados tinham que enfrentar mais do que conseguiria. Muito mais.

Anúncios