[Resenha] Coração em chamas

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Coração em Chamas (Spin off – Viajando com os Rockstars)

Autor: Aline Sant’ana

Editora: Charme

Paginas: 224

Ano: 2017

Sinopse: Já se perguntou quem é a mente luxuriosa por trás do exótico cruzeiro Heart On Fire?

Jude Wolf é capitão da marinha e tem uma vida regrada, mas sua personalidade destoa muito disso. Ousado, criativo, rico… ele possui um sonho. Jude quer ser empresário, mas de nada simples, ele quer que o mundo caia aos seus pés. Só falta aquela ideia que fará seu coração acelerar com força.

O problema é que a faísca que tanto precisa não está em seu cérebro, mas sim em um par de pernas maravilhosas com nome e sobrenome: Courtney Hill.

Uma festa. Um encontro. Uma ideia ousada. Tudo o que eles têm. Felizmente, forte o suficiente para mudar suas vidas.
Descubra como o cruzeiro erótico surgiu e o romance por trás dos bastidores.
Você está preparado?
Seja bem-vindo ao Heart On Fire.
O cruzeiro que deixará o seu coração em chamas.

Um empreendimento promissor e totalmente tentador. Heart On Fire, promete loucuras aos seus tripulantes.

Tudo parecia perfeito para Jude Wolf, até conhecer Courtney Hill. –

Jude era capitão da marinha a muitos anos, e queria se aposentar do serviço militar para fazer algo que ele realmente amasse. Mas como combinar perversão e negócios juntos? Nada melhor que atribuir sua antiga profissão a nova.

Courtney ex dublê de filmes de ação, se vê afastada de toda adrenalina de sua carreira após um infeliz acidente.

Com a ajuda da Courtney, Jude tem a ideia mais brilhante de todas. Um cruzeiro erótico. Onde todos os desejos mais ocultos poderiam vir a tona sem que o tripulante fosse julgado por aquilo.

Jude e Courtney se empenham ao máximo e o negócio vai de vento em popa, expandindo e ganhando espaço e fama.
E o que vem crescendo também é a atração que existe entre eles. Com um acordo mútuo, não misturariam prazer com negócios, e por isso, se mantinham longe da cama do outro. Duas pessoas intensas que não curtem relacionamentos sérios, que gostam que viver o momento sem reservas, pudores ou comprometimentos.
Mas até quando vão conseguir suportar esse desejo insano que os trai como imã? Como continuar resistindo a algo que seus corpos e pensamentos tanto almejam mesmo depois de tanto tempo?
– Eu sou o rei da safadeza, Branca de Neve. – Sua voz saiu grave e aveludada. – Se eu não te tirar de órbita, ninguém mais tira.

A química do casal é visível ao leitor e o amadurecimento de ambos também. As ideias geniais que um tem complementa a do outro, Jude tem tino para os negócios e sua parceira mais ainda.

Aline Sant’ana traz uma história gostosa e exitante ao leitor amante de um bom romance erótico. Heart On Fire é um cruzeiro que com certeza os desejos mais secretos são realizados. Ela conseguiu superar minhas expectativas em relação ao livro. E já estou correndo atrás dos outros livros da serie Viajando com os Rockstars.

A edição da Editora Charme mais uma vez está de parabéns. A diagramação do livro está impecável. E mais uma vez as meninas da editora merecem meus mais sinceros elogios.

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[Resenha] A Heroína da Alvorada

Livro: A Heroína da Alvorada
Autora
: Alwyn Hamilton
Ano: 2018
Editora: Seguinte
Páginas: 384
Sinopse: Quando a atiradora Amani Al-Hiza escapou da cidadezinha em que morava, jamais imaginava se envolver numa rebelião, muito menos ter de comandá-la. Depois que o cruel sultão de Miraji capturou as principais lideranças da revolta, a garota se vê obrigada a tomar as rédeas da situação e seguir até Eremot, uma cidade que não existe em nenhum mapa, apenas nas lendas — e onde seus amigos estariam aprisionados.
Armada com sua pistola, sua inteligência e seus poderes, ela vai atravessar as areias impiedosas para concluir essa missão de resgate, acompanhada do que restou da rebelião. Enquanto assiste àqueles que ama perderem a vida para soldados inimigos e criaturas do deserto, Amani se pergunta se pode ser a líder de que precisam ou se está conduzindo todos para a morte certa.

Amani é um orgulho de protagonista e a prova está a seguir

Alwyn Hamilton é a verdadeira heroína por ter imaginado uma trama cheia de tons e segredos, em um universo fictício que de tão bem narrado se torna uma visão quase real, como uma miragem no deserto de Miraji. Amani está a frente do que restou da rebelião em Izman, enquanto os rebeliões capturados pela manipulação do sultão e sua prole estão à beira de um precipício de vida ou morte, os restantes na capital acabam sob o julgo do mesmo tirano – homem detestável só para registrar -, agora a liderança e os instintos de filha do deserto se consolidam nela com a perspectiva de tentar sobreviver, ao mesmo tempo que salva cidadãos de Izman e mantém seus companheiros à salvo.

Então ela resolveu que não mudaria só o mundo na mente das pessoas, mas também o mundo real. E jurou que morreria antes que outra pessoa a usasse mais uma vez.
E manteve sua promessa.

A narrativa do livro segue um narrativa lírica alternando entre fatos presentes, pequenos contos de engaje de cada personagem, fatídicos contos místicos e trágicas histórias de perdas no percurso para libertar o deserto e recuperar o rumo da rebelião. Mais uma vez os seres primordiais se inserem criticamente no caminho de uma nova Miraji, mesmo com tantos aprisionados mas catacumbas do sultão, interferências externas e contos ocultos por conveniência do orgulho dos djinnis são esclarecidos, demdjis são cruciais para a restauração de paz, porém desde sempre suas identidades são ignoradas, em Miraji nenhuma história é apenas uma história.

Os desenvolvimentos dos personagem durante os livros anteriores chegam na reta final, sendo perceptível em Shazad que assume de vez sua posição como general, uma mulher com sagacidade e força num país onde atitudes de mulheres são desdenhadas, enquanto isso Amani que precisa superar as inúmeras perdas e a culpa de não ter sido hábil de poupar vidas já brutalizadas, sua humanidade se torna mais evidente, Ahmed descobre que não precisa carregar todo o futuro de Miraji nos ombros, Sam se torna menos esquivo e utiliza sua faceta despreocupada para se envolver na causa, Jin assume várias frentes e mesmo assim não se recusa a sinceridade de sentimentos, Delillah é uma demdji e uma princesa com capacidade míticas, somando a sua habilidade de narrar bem os fatos se torna essência para aumentar a vantagem dos números desgastados dos integrantes da rebelião.

Um homem entrou no meu caminho, tão rápido que tive que parar de repente para não esbarrar nele.
— Qual é o preço? — ele perguntou sem cerimônias.
— Para você sair da frente? — Minha mão já estava na arma. — Vou fazer um favor a você. Vou contar até três e deixar que saia de graça. Depois, vou começar a cobrar em dedos dos pés.
Quando ele olhou para baixo, a pistola estava apontada para sua bota. Seria um tiro fácil à queima-roupa.

O gran finale sempre vai trazer o desespero de que cada página virada e escolha tomada pode mudar dramaticamente o percurso de tudo, nenhuma ação é aleatória no universo dos djinnis, ações são calculadas, Amani têm certeza de que o preço para salvar a vida de milhares e libertar seu lar é sacrificar a si, porém agora aflorada sua humanidade, ela tem um intenso desejo de viver.

Mas então ele se perguntou se um garoto do mar e uma garota do deserto poderiam sobreviver juntos. Temia que ela pudesse queimá-lo vivo ou que ele pudesse afogá-la.
Até que finalmente parou de lutar contra o desejo e ateou fogo em si mesmo por ela.

O que parece ser a perda eminente da talentosa atiradora põe em prova os sentimentos entre ela e Jin, ambos sabem que a rebelião possui um objetivo maior e suas vidas são pilares para uma nova era, a garota da Vila da Poeira não é mais egoísta, Jin sabe que a ama e tenta não adicionar culpa por ela ter que ser um sacrifício na causa de seu irmão e na de milhares de pessoas. Com um final bem escrito levando em conta o depois e reflexos do passado, Alwyn permite uma entrega completa a uma trama com sentimentos e uma ambientação com ordem cronológica envolvente, do que resultará a rebelião é um ponto-chave para tornar o desfecho mais crível e lembrança da luta de pessoas que sonhavam, com um deserto próspero, com pessoas livres, em harmonia com suas ancestralidade e magia.


É doloroso  e ao mesmo gratificante concluir uma história incrível assim.

[Resenha] A Traidora do Trono

Livro: A Traidora do Trono
Autora
: Alwyn Hamilton
Ano: 2017
Editora: Seguinte
Páginas: 440
Sinopse: Amani Al’Hiza mal acreditou quando finalmente conseguiu fugir de sua cidade natal nos confins do deserto, montada num cavalo de areia com Jin, um forasteiro misterioso. Em pouco tempo, porém, sua maior preocupação deixou de ser sua própria liberdade: a garota descobriu ter muito mais poder do que imaginava e acabou se juntando à rebelião, que luta para livrar o país inteiro do domínio de um sultão sanguinário.
Em meio às perigosas batalhas, Amani é traída quando menos espera e acaba se tornando prisioneira no palácio. Enquanto pensa em um jeito de escapar, ela tenta se aproximar do sultão para descobrir informações úteis para a causa rebelde. Contudo, quanto mais tempo passa ali, mais ela questiona se o governante é de fato o vilão que todos acreditam, e quem são os verdadeiros traidores do país.

Amani dona do deserto, de Miraji e do meu coração

Engajada na causa do príncipe rebelde, Amani usa suas habilidades para libertar povoados e cidades de usurpadores e da tirania do governo do sultão, enquanto ainda se adapta a descoberta de sua condição sobrenatural, afinal ser parte do deserto é bem mais literal do que imaginava. Todavia a reviravolta de seu destino é um contratempo mais que inesperado, voltar ao passado é uma consequência desastrosa e os encontros nesse meio tempo não são os melhores, na verdade são a perfeita definição do prelúdio de uma tempestade de areia, mas essa, a  demdji não pode controlar, apenas lidar aos poucos.

Com a vida de Amani em jogo e da rebelião também, uma pequena fresta se revela como uma grande e inesperada oportunidade, a Bandida de Olhos Azuis agora é uma aliada infiltrada, não se tem para onde ir quando não se está onde deseja, mas o indesejado deve ser manobrado à seu favor, é dessa forma que Shazad põe em ação sua perspicácia como planejadora, por intermédio de uma estranha figura albish – um sujeito com sua lealdade à venda, porém impotente diante da persuasão de uma general por nascença – para analisar as decisões do sultão e pensar num meio de libertar Amani do controle absoluto do mesmo.

Eu nunca havia pensado a respeito. Nas histórias, as pessoas às vezes descobriam que tinham poderes do nada. Ou talvez Hawa fosse uma de nós, mas os séculos tivessem enterrado o fato de que era uma demdji, não uma princesa de verdade.

Os mais próximos nem sempre são os mais confiáveis e o interlúdio com figuras antes ansiadas por Amani e novas personalidades até então subestimadas se revelam grandes transtornos para o futuro da rebelião e riscos mortais para todos que almejam a liberdade do deserto, o renascimento de Miraji está numa corda bamba de interesses, manipulações e rancores, enquanto no plano de fundo o governante do país planeja uma jogada que pode destruir seus inimigos, outrora aliados, todavia a forma para alcançar esse objetivo é primordial e usar sangue contra sangue é baixo mas não para um homem de pouco escrúpulo.

— O sultão não faz trocas. Todo mundo sabe disso. Não desde que trocou a liberdade de Miraji por um trono. É o tipo de erro que só se comete uma vez na vida. Ele apenas toma. Se eu tivesse mencionado sua traição, estaríamos as duas mortas. E preciso de uma de nós viva. Preferia que fosse eu, claro, mas você vai ter que bastar.
— Um sorriso discreto apareceu em seu rosto, diante da própria piada à beira da morte. Ele sumiu rapidamente.

A aparente franqueza do sultão acerca de seus atos e o conhecimento de seus filhos começa a criar vinhas de desconfiança na mente de Amani, enfim poderia Ahmed manter um governo onde ele pode prover as melhorias para um povo já ressentido e vítima de anos de desleixo e exploração estrangeira? Presa no harém ela tenta interpretar o outro lado da moeda, mas manipulações e golpes são especialidades de um governante que cometeu genocídio para ascender ao trono, embora balançada por estar no antro do inimigo e ser submetida às ações que põe sua vida e o futuro de Miraji em risco, o fator que a levou ali é o que lhe impulsiona: a traição, depois de romper laços ela contorna a vontade lhe infligida.


Não canso de me surpreender com esse livro.