[Resenha] A verdade sobre amores e duques

Livro: A Verdade Sobre Amores e Duques
Autora: Laura Lee Guhrke
Ano: 2018
Editora: Harlequin
Páginas: 320
Sinopse: Henry Cavanaugh, duque de Torquil, ansiava por uma vida ordenada e previsível. Mas isso era impossível com a família que tinha. Apenas a mãe facilitava a sua vida… até se apaixonar por um artista que estava inferior à classe social de sua família e decidir seguir o conselho amoroso de Lady Truelove de largar tudo e seguir os desejos do coração. Agora Henry vai exigir que a mulher mexeriqueira que lhe deu aquele conselho imprudente o ajude a trazer a mãe de volta antes que um casamento possa colocar o nome da família na lama.
Irene Deverill é o que a sociedade londrina considera uma ovelha negra: dirige o jornal da família, é sufragista, solteirona e têm certas tendências ao marxismo. Mas ninguém sabe que ela tem um grande problema nas mãos: o duque de Torquil exige que ela o ajude a impedir que a mãe se case com um homem de reputação duvidosa. Irene não acha que isso é uma questão em que deva se envolver, mas ela não pode recusar a proposta quando Henry oferece ajuda para conseguir um bom pretendente para a irmã dela. Esse relacionamento forçado fará Irene descobrir que Henry é mais do que um “lírio do campo” e que ele é capaz de despertar nela sentimentos que nunca pensou possuir.

Dois personagens explosivos e opiniões divergentes são sempre um prato cheio num romance

Dá para fazer uma lista com vários motivos mais que convincentes para ler esse livro, mas vamos seguir como damas da alta sociedade e discorrer sobre essa maravilha, com uma escrita deliciosa e um ritmo envolvente de acompanhar, Laura insere uma trama com personagens carismáticos e perspectivas reais de vida. O estopim da trama é dado graças ao folhetim Society Snippets, uma estrela ascendente no apreço dos leitores, principalmente no público que resguardada seus amores, com uma coluna de sucesso, Lady Truelove assume uma faceta de conselheira eloquente, responsável por dar um empurrão nos leitores em direção ao tão esperado romance, mesmo que isso signifique se reconstruir, é assim que uma duquesa viúva descobre que não precisa esperar pelas regras impostas da sociedade para viver seu romance, ela pode fugir e viver ternos momentos de amor, porém a índole pouco confiável do homem de sua afeição deixa seu filho, Henry Cavanaugh, o duque de Torquil em sufoco para conservar a imagem da família e reavivar o juízo de sua mãe.

– Meu querido Henry – murmurou ela. – De todos os meus filhos, você é o que mais me preocupa.
– Eu? – Ele a encarou, abismado com aquela revelação. – Pelo amor de Deus, por quê?
– Porque você luta demais contra a sua própria natureza.

Henry Cavanaugh, além de aristocrata é pouco menos como as figuras masculinas de romances de época, mas preocupado em gerir sua família e não macular a imagem da mesma ele vai atrás de uma solução para o que seria a iminente loucura da duquesa, sua atitude orgulhosa e poder o colocam a frente de Irene Deverill, a verdadeira imagem por trás de Lady Truelove e ainda a responsável pelo próprio Society Snippets, afim de garantir o sustento e o futuro de sua irmã e seu pai um resoluto alcoólatra.

– Há outra opção, que você não considerou. Podemos ter um caso.
Foi a vez do duque de ficar perplexo.
– Não podemos fazer isso.
Para sua imensa consternação, Irene riu.
– Por que não? O que sentimos não é pecado.

Para Irene Deverill, todos devem ter direito à sua liberdade, mesmo que para amar abertamente ou seja uma mulher lançando mão do seu destino, mulheres que são presas a rígidas normas de etiquetas e regras sociais, a personalidade de Irene e o fato de ser sufragista demonstra sua tenacidade e desejo de viver sem leis impostas por uma sociedade regida para perdoar homens e condenar mulheres, ela precisa manter não só sua dignidade, quanto sua família, é assim que acaba persuadida pelo duque de Torquil a amenizar a situação com a duquesa, o desejo de resguardar a família.

– Se sua mãe quer se casar com Foscarelli, quem é o senhor para dizer que ela não pode? Se está apaixonada, quem é o senhor para julgá-la por isso?

Uma pessoa pode ser persuadida, entretanto não exatamente dobrada de suas vontades e tanto Irene quanto o duque acabam num impasse de interesses, ela pode ajudar a manter a imagem de Torquil, porém a própria duquesa prova sua vontade e ideais, aliados a uma certeza plena e o duque é constantemente confrontado por Irene, as farpas trocadas são deliciosas e duas pessoas com ideais tão distintos precisam conviver e chegar num ponto comum, Irene quer liberdade, algo que ela não acredita vir num matrimônio, ao mesmo tempo em que luta pela liberdade feminina.


Lady Truelove e Lady Whistledown poderiam ser grandes amigas!

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