[Resenha] Primeiras Impressões

Livro: Primeiras Impressões
Autora: Laís Rodrigues
Ano: 2018
Editora: Pedra Azul
Páginas: 252
Sinopse: Charles Bing, um otimista incorrigível, decide que está na hora de internacionalizar a sua bem-sucedida cadeia de restaurantes nova-iorquina.
Deseja começar pelo país que sempre incitou sua curiosidade: o Brasil. E nada melhor que Búzios, uma belíssima cidade turística no litoral do Rio de Janeiro. A fim de garantir que sua escolha será acertada, ele leva a tiracolo o seu melhor amigo, Frederick Darcy, um político americano de família conservadora, que se orgulha de ser um homem racional e prático.
Mal sabem eles que, ao chegar à cidade paradisíaca, virarão alvo de Janaína Benevides, dona das pousadas mais requisitadas do balneário. Ela é mãe de quatro belas moças, que são, para sua tristeza, solteiras. Janaína preocupa-se, em especial, com a solidão de Jane e Lizzie Benevides, as mais velhas.
Enquanto a primeira acaba se decepcionando em seus relacionamentos, por ser uma pessoa que sempre busca ver o melhor nas pessoas, a outra não deixa nenhum homem se aproximar.

Orgulho e Preconceito meu amor ❤

O enredo baseado no consagrado Orgulho e Preconceito retrata uma nova perspectiva do livro, assim como demonstrado no título. A visão inicial que Liz e Darcy possuem um do outro, retoma a um certo afastamento de ideias e preconceitos acerca da personalidade de ambos, entretanto, a afirmada eloquência de Liz deixa o sujeito estatelado diante de uma mulher voraz e autoconfiante.

É inicialmente no cenário paradisíaco brasileiro de Búzios que a trama ocorre, Charles Bing acompanhado do relutante Frederick Darcy exploram região, enquanto um mantém uma atitude positiva e exploradora, Frederick como esperado é beirando o ranzinza, orgulhoso e cheio de seus preceitos, parece pouco disposto a aceitar uma segunda opinião, ou até de admitir o próprio equívoco.

“Amizade nunca é unilateral. Deve ter reciprocidade. Então, não basta que eu queira conhecer alguém, se esta pessoa quiser me ignorar.”
“Acho impossível alguém te ignorar, Liz.”

Porém a chegada para passar as férias das duas filhas mais velhas de Janaína Benevides, dona de uma pousada local e o conhecimento de ricos partidos na região, deixa Janaína animada com a possibilidade de um enlace de sucesso de suas filhas Jane e Lizzie, é dada a largada para criar e aproveitar todas as situações possíveis para estar à vista de Frederick e Charles.

Apesar de Charles e Jane terem uma aparente convergência de interesses, Darcy e Lizzie estão longe de se darem bem, pelo contrário, para Lizzie são dois pesos e duas medidas, se Darcy está disposto a ser orgulhoso e convicto mesmo no erro, ela não deixa passar batido e sua personalidade se revela desafiadora demais para Darcy lidar, ambos são afeiçoados ao que acreditam, porém divergem nessas crenças e faz valer sua certeza.

Todo o sangue de Liz concentrou-se em suas bochechas ao se lembrar do final do sonho, e ela saiu tentando convencer a si mesma de que ela não significava nada. Por sorte, na mansão de Back Bay não havia qualquer lago, Ou jardim. Ou flores.
Mas havia Frederick Darcy.

É um livro lindo, com um trabalho editorial bastante atrativo e até mesmo provocante, com um enredo é claro, fluído e gostoso de ler, ainda mais lembrando da essência da Jane Austen, de personagens tão queridos, apreciando a inserção das características e locais brasileiros, o que dificulta é que mesmo com a remontagem de cenários, é literalmente uma versão do clássico de Jane, mesmo a permanência dos nomes dá uma sensação de poder ter sido evitada, dando a possibilidade da reinvenção, reivindicado mais propriedade de identidade aos personagens principais da trama.


E fim!

Anúncios