[Resenha] O colecionador de memórias

Livro: O Colecionador de Memórias
Autora
: Cecelia Ahern
Ano: 2018
Editora: Novo Conceito
Páginas: 272
Sinopse: Quando Sabrina Boggs se depara com uma misteriosa coleção de bens do pai, ela descobre uma verdade onde nunca soube que havia uma mentira. O homem familiar com quem ela cresceu de repente é um estranho para ela.
Uma quebra em sua rotina monótona deixa-a apenas um dia para destravar os segredos do homem que ela pensava conhecer. Um dia para desconhece memórias, histórias e pessoas que ela nunca soube da existência. Um dia que muda para sempre a vida dela e daqueles que a rodeiam.
O colecionador de memórias é uma história sobre como as decisões mais comuns que tomamos podem ter as consequências mais extraordinárias na forma como vivemos nossa vida. E como, às vezes, somente desvendando a verdade sobre outra pessoa, você realmente pudesse se entender.

Uma enredo com uma proposta totalmente diferente das obras usuais da Cecília, o romance abre espaço para a reflexão e dores passadas

Bolinhas de gude podem parecer pouco ou nada para as pessoas, mas Sabrina tem uma inesperada surpresa em descobrir que elas são como os mais valiosos tesouros para seu pai Fergus, não só por significar diversão, mas, por serem como cápsulas de lembranças de um passado diferente da pessoa que ele se mostra ser, mesmo em recuperação e constante acompanhamento de um derrame que lhe incapacitou as memórias, Fergus se demonstra realmente suscetível a lembranças que nunca externalizou.

Olhando essas bolinhas, eu juro, bem aqui, ser leal a ela, e não estou me referindo a sair dormindo com outras, mas deixar que ela veja meu verdadeiro eu, pela primeira vez. Mostrar-lhe essa bolinha, mostrar minha maior e melhor parte.

Sabrina surpresa em saber que seu pai esconde o eu de sua juventude, fica tocada e comovida a explorar mais sobre esse misterioso passado, com um curto espaço de tempo para desvendar fatos passados foram a felicidade e tristeza de seu pai. Com o complemento dos focos narrativos que são sabiamente alternados entre o processo atual de Sabrina envolvendo sua investigação para conhecer verdadeiramente seu pai e as lembranças do próprio Fergus, se enlaçando belamente em um ritmo tocante, como ler uma carta escrita com os sentimentos na ponta da caneta.

Tenha ele planejado ou não, Hamish sugou, sim, um pouco da vida do meu pai e, ao fazê-lo, não somente roubou parte do meu pai de mim, mas, pior, Hamish roubou parte do meu pai dele mesmo.

Porém o que seria uma infância vibrante e alegre como Sabrina esperava que o pai tivesse tido, se revela um período doloroso, a ponto de fazê-lo guardar ressentimentos, por simplesmente não poder deixar ir ou só trancar no passado, impossível de esquecer e mais ainda de renegar essas memórias e àquelas pessoas. Se espera emoções forte e um plot sobre conhecimento de si, esse é o livro, as grandes emoções não estão em reviravoltas, mas sim no processo construtivo do quebra cabeça do que Sabrina pouco sabe sobre si e seu pai, ou do que ele poderia ter sido se não estivesse preso em sua dor.


Um livro mais que extraordinário!

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