[FILMES] TODO DIA

0861070.jpg-r_1280_720-f_jpg-q_x-xxyxxDireção: Michael Sucsy
Data de Lançamento: 26 de Julho 2018
Elenco: Angourie Rice, Debby Ryan, Justice Smith, Lucas Jade Zumann, Owen Teague
Gênero: Drama/Fantasia/Romance
Duração: 1h40m
Sinopse: Baseado no aclamado best-seller do The New York Times de David Levithan, “Todo Dia” conta a história de Rhiannon, uma garota de 16 anos que se apaixona por uma alma misteriosa chamada “A” que habita um corpo diferente todos os dias. Sentindo uma conexão incomparável, Rhiannon e A trabalham todos os dias para encontrar um ao outro, sem saber o que ou quem o próximo dia irá reservar. Quanto mais os dois se apaixonam, mais as realidades de amar alguém que é uma pessoa diferente a cada 24 horas afeta eles, levando o casal a enfrentar a decisão mais difícil que eles já tiveram que tomar.

 

O amor tem várias formas e intensidades, as vezes dura anos as vezes dura semanas. As vezes vem de maneira exagerada onde é fácil se confundir com outros sentimentos, como posse ou ciúmes, as vezes é quase imperceptível, mas ainda está lá. O amor pode ser inúmeras coisas para umas pessoas e uma coisa completamente diferente para outra, mas no final o amor, quase sempre, o amor tem o mesmo significado. Isso é uma das coisas que o diretor Michael Sucsy tenta transparecer em Todo dia, filme baseado nos livros Todo Dia e Outro Dia do americano David Levithan lançado em 2012.

Todo Dia conta a história de “A”, uma pessoa que durante 24h entra no corpo de um indivíduo qualquer, contato que tenha a mesma idade e more perto do anterior, e nunca fica no mesmo corpo mais de uma vez. “A” tenta levar essa vida com o máximo de cautela e o mínimo de intromissão possível na vida de seu hospedeiro do dia, apenas vivendo o seu cotidiano normal, até que numa manhã ele conhece Rhiannon, namorada de seu hospedeiro, e eles decidem mudar um pouco suas rotinas, fazendo daquele ser um dia inesquecível para ambos.

Rhiannon e Justin, hospedeiro de “A”, já namoram a meses, mas a relação deles é de puro desejo da parte dele e de necessidade da parte dela, e ela acredita cegamente, ou quer acreditar, que ele a ama da maneira dele e que eles estão bem, quando na verdade é puro comodismo mútuo. O dia acaba e “A” tem que voltar para sua casa, ou a de Justin, pois às 00h ele/ela irá trocar de corpo e seu hospedeiro precisa estar em um ambiente conhecido para que tudo passe despercebido no dia seguinte.

 

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Como estamos falando de um romance adolescente, “A” não consegue tirar Rhiannon da cabeça e nos dias seguintes ele volta a procurar ela e enfim decide contar toda a verdade, de modo que ela acredite em tudo o que ele/ela diz e que eles possam começar algo.

E é aí que o meu problema, tanto com o livro quanto como o filme, entra: a rapidez com que o relacionamento dos dois é construído.

Amores adolescentes são mundialmente conhecidos por serem efêmeros, mas aqui estamos falando de um tipo de amor nunca visto, tanto pelos personagens como por nós, e que gera mais dúvidas e questionamentos do que certezas, e escrevendo isso, talvez eu perceba que seja esse o porque da paixão avassaladora que ambos os protagonistas começam a sentir um pelo outro e faz a história deles se desenvolver, mas ainda assim da um sentimento de que poderia ter mais um pouco de desenvolvimento.

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Já envolvidos, os problemas reais começam a interferir pro casal, como o fato de “A” ter que mudar de corpo todos os dias restringe o relacionamento deles ao dia, ou em quatro paredes, sozinhos. Restringe a Rhiannon não poder contar isso a ninguém, restringe a vida social dela se resumir a encontrar “A”, ou os inúmeros obstáculos que eles podem encontrar como um compromisso do hospedeiro, ou um problema físico, ou por estarem muito longe um do outro, e por mais que eles tentem encontrar alguma maneira de ambos ficarem juntos no futuro, no fundo eles sabem que isso é impossível e que só trará mais problemas do que soluções.

Baseado nos dois livros do David, o filme foca todo no ponto de vista da Rhiannon, que é mais trabalhado no segundo livro do autor, Outro Dia, e podemos ver mais do dia a dia dela e de sua família, que é outro ponto que eu acho que poderia ter sido um pouco mais trabalhado pelo roteiro, como por exemplo a dificuldade que Rhiannon tem em se relacionar com o pai após um episódio que aconteceu com ele no passado e que afetou toda a família. O filme faz parecer que a garota doce e compreensiva com os problemas de “A” é totalmente a par da situação do pai, e isso as vezes gera um certo desconforto do porque ela estar tratando, ou não tratando, o pai dessa maneira.

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Um dos muitos pontos positivos do filme é a maneira que ele trabalhou as multifacetas dos hospedeiros de “A”, mostrando a diversidade da adolescência tanto entre meninos e meninas, alto ou baixo, gordo ou magro, de diferentes etnias, mostrando problemas reais que os hospedeiros possam estar passando e até diferentes gêneros, que também existe no livro. Eu senti falta apenas de alguns momentos do livro que não foram trabalhados no filme, como alguns momentos onde é perceptível o receio que a Rhiannon tem de ter que se relacionar com uma mulher, ou algum garoto acima do peso. Isso não demonstra que ela seja preconceituosa no livro, mas sim mostra que ela está aberta para conversar sobre a pluralidade do amor, não importa quem seja no exterior e sim o que está dentro.

Todo Dia estreia dia 26 de julho nos cinemas de todo o país, o que também te dá tempo suficiente para ler os dois livros no qual ele foi baseado.

Confira o trailer do filme logo abaixo:

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