[Resenha Estrangeira] Buns

Livro: Buns (Hudson Valley #3)
Autora
: Alice Clayton
Ano: 2017
Editora: Gallery Books
Páginas: 320
Sinopse: Clara Morgan está vivendo o sonho, se pode chamar renovar hotéis que estão desesperados por uma nova vida e realizar qualquer tipo de maratona como um sonho. Que ela faz. Mas a carreira que ama e a competição de resistência mantêm a adrenalina e ocupada demais para criar raízes. Crescer em um orfanato, não a fez capaz de estabelecer suas próprias tradições, o que pode ser o motivo pelo qual é fascinada pelos rituais que os resorts familiares por gerações são conhecidos. Está especialmente interessada no Bryant Mountain House, e não apenas por sua receita secreta dos pãezinhos gostosos, pegajoso, Hot Cross Buns, que nunca são suficientes…
Archie Bryant, o homem dos Buns, é a quinta geração e dono do charmosa Bryant Mountain House em Bailey Falls, Nova York. Está determinado a salvar o legado de sua família da bola de demolição à moda antiga – ranger os dentes e fazer o que precisa ser feito. Não há como Archie ser influenciado pela nova especialista em renovação de hotel que seu pai trouxe para transformar cento e cinquenta anos de tradição em uma atração para uma multidão mais acelerada, mais jovem e mais astuta. Mas quando algumas das ideias de Clara começam a atrair novos clientes pagantes, Archie não pode negar que pode apenas dar a ele uma chance de manter seu resort aberto.
É complicado, é uma bagunça, é fofo, é Buns.

Adoro livros que são sensuais e engraçados

A Alice nunca decepciona em criar enredos sensuais, porém com uma naturalidade perceptível, aliando com personagens bem construídos e naturalmente hilariantes, mais uma vez a leitura se torna suave e quente na medida certa pra incitar o melhor da imaginação. É fácil de interpretar na construção da autora – o que é certo nos seus livros – que ela tenta conciliar o sexo e o humor, tecendo um imaginário mais descontraído, com a concepção de que oo sex não precisa sempre ter aquela atmosfera de sedução sólida, que pode naturalmente ser de pessoas aproveitando o melhor de um momento compartilhado.

Clara Morgan é uma executiva especialista em revitalizar negócios hoteleiros, além de ótima no que faz, a melhor parte é: ela sabe disso, então não acontece nada de se pôr em dúvida ou se deixar subestimar. Deixada pra cuidar de si desde criança, sua determinação aos 18 de assumir a responsabilidade sobre si, de não precisar de ninguém e deixar bem claro isso a tornou implacável, portanto que não deixe as cicatrizes da falta de alegria da infância e os traumas da negligência tomarem conta do seu presente, Clara empunha sua determinação como uma armadura blindada dos seus sentimentos e da sua dor passada mas tao presente, assumindo sua confiança e argumentando para tirar o melhor do que um hotel pode oferecer e que ela sabe que pode tornar realidade, o que demonstra sempre é sua capacidade incontestável de persuasão, se apenas sua análise profissional não é crível o suficiente, ela coloca os fatos sobre a mesa sem temer.

“Sou graduada em Gestão hoteleira e trabalho para umas das maiores empresas de restruturação de Hotéis na Nova Inglaterra, transformado diversos hotéis e quer que eu pinte ovos?”
“Baseado no que acabou de dizer, precisa de um pouco de humildade. Também entrou no meu hotel, jogou tudo para o ar e para fora, para não mencionar que me deixou meio louco não só com essa boca mandona, mas com os sons incríveis que faz quando beijo essa boca mandona, e agora, por Deus, é a minha vez de fazer você participar de uma das tradições mais antigas aqui na Bryant Mountain House. Pinte alguns ovos.”

Archibald Bryant, diretamente é Archie – ainda bem, nomes de família não costumam soar atraentes de forma alguma – o herdeiro e defensor do hotel Bryant Montain House, ao contrário de seu pai Jonathan que está disposto a revitalizar o lugar e encher os quartos com hóspedes, Archie é atrelado a tradições, o que pode ser mais fielmente interpretado como preso ao passado por assim dizer, ser exposto a possibilidade de mudar e apagar lembranças colhidas por anos pelo hotel o põe em uma defensiva espinhosa, porém para sua irritação o fato de que Clara é eficiente e usa argumento como uma espada o deixa a beira de uma explosão, entretanto o bom senso lhe confere a capacidade de analisar por alto que para refrescar o ambiente antiquado do hotel não é preciso levar abaixo toda a história que possui, a conquista de sua colaboração é um caminho para a conquista do respeito de Archie.

Sem pensar, pego o telefone e ligo. Ligo para Roxie e ela liga para Natalie. E nós temos uma chamada com as três.
“Meninas, algo está errado com meus olhos,” digo minha voz rouca.
“Quanto vinho você tomou?” Natalie pergunta.
“Duas garrafas.” Dou uma fungada. “Mas não coloquei nos meus olhos.”

Desde o primeiro livro da série, Nuts, que a autora se dedicava a incluir cada personagem que fosse ter seu próprio momento, Clara se mostrava distante, realmente uma personagem que se escondia mesmo das melhores amigas, Roxie e Natalie, em Buns ela se revela tenaz e quando o que parece o maior desafio de sua carreira, o último degrau para o patamar de seu sucesso, ela conclui que o Bryant é o melhor que poderia fazer para se desafiar tanto o hotel quanto o Bryant em pessoa.

Archie ao contrário da expectativa preconizada por personagens de óculos, não é submisso, o homem é um inferno de uma presença e para infeliz – nem tão infeliz assim – conclusão de Morgan, o óculos é apenas o começo de um belo conjunto de astúcia, os dois se envolvem mais do que o necessário, porém bem longe do que precisam, ambos desafiados e intrigados, o desenvolver da atração dos dois é explosiva porém cheia de apelos sedutores, Morgan é uma mulher disposta a tomar o que quer e Archie é um lobo em pele de carneiro.

“Você é irritante,” ele diz, sua voz de aço aquecida. “E é muito baixa.” E com isso, ele me pega contra ele, minhas pernas envolvem desajeitadamente em torno de seus quadris enquanto me segura contra a torre.
Agora, com o nível dos olhos com ele, olho. “Sou exatamente a altura certa.” E enquanto pressiona seus lábios contra meu pescoço, sua língua pula para lamber e chupar minha pele, deixo minha cabeça cair contra a pedra com um baque. “E você é um idiota.”

Mesmo não tendo se aprofundado no drama do abandono da infância da Morgan, até porque não parece ser a proposta principal da Alice discorrer sobre o tema, porém ela não arranha a superfície e sim concilia a personalidade da Morgan com o drama de seu passado, permitindo concluir que uma parte não é todo, assim como no caso do próprio Archie que mesmo sendo uma dor na bunda devido a sua ligação com a tradição, a sua comodidade é testada e refrescada por novos pensamentos, de um lado Morgan é puxada pelo passado, do outro Archie é que precisa se divorciar do seu próprio passado.


Se serve de dica para dar umas risadas deliciosas, recomendo muito os livros da Alice

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