[Especial] W – Two Worlds

Senta que vai ter o que falar e elogiar nesse k-drama

Esse drama magnifico – e não existe uma palavra amena para se referir a uma obra de arte dessa – é escrito pela Song Jae-Jung e produto da MBC, o k-drama W – Two Worlds literalmente traduz em sua trama inusual dois mundos coexistentes, da mesma forma que um está contido no outro, ao mesmo tempo são paralelos, o mundo real, representa a realidade em que estamos naturalmente inseridos, nele a protagonista Oh Yeon Joo habita e o mundo digamos literário de um manhwa, em que vive o Kang Chul, esse segundo está inserido no real pela ligação com o criador do manhwa, o Oh Sung Moo.

O mundo real segue normalmente seu fluxo de tempo em torno da estudante de cirurgia cardiotorácica da universidade a Oh Yeon Joo, em Seul, também filha de um autor de manhwa reconhecido e apreciado por sua obra, Oh Sung-Moo, mesmo ela é uma nata apreciadora de sua construção imagética e nutre um apreço pelos personagens de W – uma leitora gente como a gente – e assim como os milhares de fãs da obra, sempre acompanha as atualizações do webtoon, enquanto dentro de W, o tempo segue o fluxo em acordo com as ações do protagonista, ou seja o tempo está ligado a tomada de decisão do Kang Chul e tende a não ter uma cronologia habitual para que priorize momentos que o envolvam e seguindo a narrativa do quadrinho com ele no centro, uma lógica dada para narrativas que se centram em personagens bem definidos em obras que consumimos o que acontece em paralelo ao centro da narrativa só será de conhecimento se o personagem tiver interesse em seja lá o que for, o que também desencadeia os intervalos de capítulo desde que são episódios é necessário finalizar o os episódios do manhwa que no caso leva em consideração o clímax de algum momento para que leve a continuidade da narrativa em ligação com o desfecho anterior.

W em si é o nome do manhwa que levou o autor Oh Sung-Moo de um fracasso familiar para os holofotes coreanos, suas atualizações chegam a parar pessoas para consumir o lançamento. Nesse universo literário é desenvolvida uma trama dramática com doses de emoção e ação –


particularmente não é para menos, sendo uma leitora por mim mesma reconheço o apelo atrativo do enredo –, onde o protagonista Kang Chul é o medalhista coreano e campeão mundial de tiro ao alvo, com performances impecáveis em competições. esse fato se tornou sua conquista e sua maldição, após o assassinato de toda a sua família (pai, mãe, irmã e irmão) todos por tiros limpos que indicavam uma inegável habilidade do assassino, ou seja alguém que não seria nada menos do que um especialista em tiro.

Sem álibi e com sua habilidade comprovada por toda a nação, Kang Chul se torna alvo do judiciário, sob a suspeita de matar seus familiares atribuindo a causa a um possível efeito do ego por ser campeão olímpico, acaba sentenciado a pena de morte, entretanto por falta de provas que o insira como nada além de suspeito ele consegue sua liberdade de volta pelo tribunal, mas não sua antiga vida, além de estar sozinho, sua própria fama o torna reconhecível e alvo de hostilidade pública. Em contra-ataque para não ficar acuado por uma barbárie sem solução e em busca do assassino de sua família, ele investe tudo o que tem em estar sempre sob a atenção pública organizando um programa de investigação para casos não solucionados como o que acometeu sua vida e levou a vida de sua família, em algum tempo ele deixa de ser um vilão e é reconhecido como um herói nacional, assim ele assume o lugar como protagonista e “herói” da obra fictícia como um mártir que carrega um passado de sofrimento mas tenta dá a volta por cima com suas próprias mãos, aprendendo artes marciais e usando sua capacidade de analisar as oportunidades.

É em uma visita de sondagem a casa e estúdio de seu pai que Yeon Joo acaba descobrindo mais do que deveria, Chul está prestes a ser morto pelas mãos de seu criador, em choque com um absurdo – quem nunca se apegou a um personagem fictício que atire a primeira pedra – e com o súbito desaparecimento de seu pai, as coisas pioraram quando ela acredita ver o esboço do webtoon se mover pra então ser realmente puxada para dentro da tela e para a Seul fictícia de W, onde é inserida na mesma cena antes desenhada, a diferença é que agora é real e ela pode salvar Chul de uma morte desolada no telhado de um hotel, no que seria um desfecho inconclusivo sobre a trama da vida dele.

É nesse momento que a trama do quadrinho se desenvolve um curso próprio com a inclusão da Yeon Joo e mudando o que teria o final fatídico, ou seja, o autor deixa de ser aquele que controla o espaço-tempo de W e a ideia de que apenas o autor manipula esse universo é abandonada de vez, a intervenção desconexa de Yeon Joo gera suspeita e o fato de ela não ter uma identidade por ser não ser do universo de W a torna uma incógnita para quem entra em contato com ela e Chul desenvolve autonomia em sentir que algo fora do comum está acontecendo ou que está sendo manipulado por algo ou alguém que ele não consegue confrontar, é o momento decisivo onde o personagem deixa de ser apenas um personagem.

Os fatores que designam o drama poderoso e marcante podem ser facilmente pontuados, tais como:

  • Ótimo enredo, a ideia principal por si intriga com a possibilidade dupla de onde termina uma realidade e começa a outra;
  • O desenvolvimento vai além em propôr equilíbrio de fatores, como romance, ação, drama mistério e até mesmo comédia, tendo os próprios momentos e focos apropriados, os personagens não se perdem no caminho, sendo referente a influência que dispõem na trama, eles são desenvolvidos e novos traços de personalidade são trazidos a tona, aliando isso ao carisma que os mesmos exalam;
  • A mescla de um universo real e universo fictício sugere uma criação arriscada pra que o espectador se mergulhe na ideia, as passagens dividas entre traços reais e animados colabora para a construção de dupla realidade, estilo de Uma Cilada para Roger Rabbit;
  • Cada episódio é muito, mas muito, muito bem construído mesmo, em 16 episódios de 43 minutos em média não existe aquela enrolação pra encher, é um fato atrás do outro e pronto pra desencadear mais uma série de acontecimentos e mudar o percurso do universo de W;
  • Uma curiosidade é que o “portal” entre os dois mundos é então a mesa de desenho do Oh Sung-Moo e o próprio Kang Chul, ambos são os que possuem a capacidade de remodelar a realidade do manhwa, através disso que se pode ter acesso a ambos universos, porém não indiscriminadamente, não existe uma plena explicação para o porquê de ser assim, apenas é, assim como os sapatos de Dorothy eram vermelhos e mágicos e o guarda-roupa poderia levar a Nárnia.

Ponha o preconceito de lado, você pode estar perdendo grandes momentos, então olha esse trechinho pra ficar naquela vontade de começar agora

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