[RESENHA] CRISTAL POLONÊS

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Livro: Cristal Polonês
Autor: Leticia Wierzchowski
Ano: 2003
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 176
Sinopse: ‘Cristal polonês’ é uma história sobre a vida de uma família humilde, de origem polonesa, que vive no Brasil. Marcados por uma tragédia, sua história é narrada pela filha mais velha do casal.


Sob a luz prateada da lua de inverno, o lado dormia. Como uma entidade. Como um grande animal sem volume. Como uma mancha de luz derramada sobre o solo. O sono do lado era um cono intocável, de água serena e brilhante. A superfície argenta era como uma coisa de outro mundo, mágica e linda e fantasmagórica ao mesmo tempo;

[…]

Miti olhou tudo e seus olhos se arregalaram de espanto e de emoção. Dentro das suas roupas grandes demais, era um menininho admirado daquele segredo de águas e de lua.
Ele sussurrou baixinho:
– Que lindo, tatá!
E foi aí que o lago se apaixonou por Miti.

A única coisa doce e ingênua que Cristal Polonês tem é o fato de ter sido narrado por inteiro pelo olhar de uma criança de 9 anos. Isso, levando em conta o transcorrer do livro pode te levar num mar de emoções se você parar para sentir de verdade o que está sendo contado.

Tatá, apelido da irmã mais velha de um casal de descendente de poloneses que moram no interior do sul do Brasil, nos conta a história do dia mais feliz que ela lembra que aconteceu nos últimos poucos anos de sua vida. Seu pai ganhara em uma aposta uma viagem para uma casinha, um chalé, e por 15 lindos e tranquilos dias sua família inteira, mamá, papá, ela (Tedda), Paula e Miti, iriam desfrutar desse raro acontecimento, o que deixou todos de muito bom humor, até mamá.

Mamá sabe bem a dureza que foi o início da vida dela e a dureza que continua sendo, onde tudo em sua casa é de segunda mão, de móveis a roupas, tudo doação de tios e primos e relativos mais próximos. As crianças nunca reclamam, são gratos pelo que tem e vivem sua rotina da maneira mais normal possível, vivendo de uma maneira regrada porém feliz.

Com todos esses elementos de família e de sobrevivência, o livro nos deixa óbvio qual é o seu personagem principal: o amor. Mas não é do amor entre os integrantes da família ao qual estou me relacionando, e sim ao amor a primeira vista que o pequeno e esperto Miti desenvolve ao colocar os seus olhos no rio, o rio que ele ansiava tanto a conhecer, e que ao conhecer ficou maravilhado e sentiu sua reciprocidade. O rio também amava Miti.

O livro é rico em detalhes, e a autora passa mais tempo com sua protagonista narrando o ambiente do que com falas em sí, o que também é um reflexo do dia a dia dessa família, que não era de conversar, mas que transmitia os seus sentimentos e emoções com olhares e o próprio silêncio.

O fato do acontecimento principal do livro ter sido narrado por uma criança amplia as nossas emoções 3x mais, pois enquanto estamos lendo a Tedda narrar sabendo o que aconteceu, mas nao tendo discernimento o suficiente para poder absorver aquela situação e pensar sobre suas consequências no futuro, nós leitores, já grandes e que conhecemos ou imaginamos o que ela iria sentir caso ela fosse mais velha, é um baque muito grande pois não víamos isso chegar.

A autora, Leticia Wierzchowski ficou conhecida nacionalmente no início do século, no romance ‘A Casa das Sete Mulheres’, que logo mais tarde foi adaptado para a TV, porém ela tem outras obras como ‘O Anjo e o Resto de Nós’, ‘Prata do Tempo’, ‘O Pintor Que Escrevia’.

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