Nós andamos juntos, nós morremos juntos

 

Filme: Bad boys para sempre
Título original: Bad Boys For life
Direção: Adil El Arbi, Bilall Fallah
Elenco: Will Smith; Martin Lawrence; Vanessa Hudgens; Paola Nunez…
Duração: 2hr 04min
Gênero: Ação, comédia
Distribuição: Sony Pictures
Sinopse: Terceiro episódio das histórias dos policiais Burnett (Martin Lawrence) e Lowrey (Will Smith), que devem encontrar e prender os mais perigosos traficantes de drogas da cidade.
Estreia dia: 30 de janeiro de 2020



Nos últimos tempos recebemos uma overdose de retomada do passado, vemos isso na música, nos cinemas, na televisão, o sentido de inovação desse momento atual está perdido e longe de ser encontrado, e é o que vemos em Bad Boys Para Sempre, um Will Smith seguido de mesma composição, o papel do ator com armas em posição e o drama da solidão familiar. A conjunção caricata do Martin Lawrence ao seu lado empunhando o feitio de bom moço, bobo e atrapalhado. Cá vemos os mesmos personagens com uma história tão mínima quanto a necessidade de sua continuação, apenas as referências sentidas da nostalgia por seus  antepassados, mas isso é o bastante? É aqui que o cinema permanecerá fixo ou é querer demais da classe em que ele se encontra? Afinal nada mais é que um filme de ação.

O primeiro Bad boys saiu em 1995, a diferença cronológica entre o segundo filme é de apenas 8 anos (Bad boys II – 2003), o que pra nossos personagens já é uma diferença notável, mas para essa nova gravação o tempo correu 17 anos para uma época em que a aposentaria é sagrada e os segredos estão ainda menos oculto. A base fotográfica se manteve a mesma o que traz a sensação magnífica de adrenalina desde o prelúdio – a trilha sonora compactua com determinada passagem, uma das melhores reações já vista em roteirização – porém tantos cortes de inda e vindas geram um tédio imenso, um desejo ardente por sua conclusão e a sufocante mazela de rir de pequenas piadas introduzidas pelo Marcus Burnett (Martin Lawrence) – dadas um tanto superficiais, não aquelas que levantam o riso e permanecem por mais que uma frase – essa dramatização desconhecida e forçada tende a deteriorar uma franquia razoável.


Esse rótulo dado ao Will Smith (Mike Lowery) um tanto burlesco grita a plenos pulmões a reinvenção do mesmo, aqui entra seu último desempenho em Projeto Gemini (direção Ang Lee) muito comparado e quase nada original (será que o ícone está tão velho quanto o papel?) dada ao minúsculo desafio das obras.

Reinventar e introduzir novos pilares é complexo e com toda certeza não agradará/agradaria a meros espectadores, manter o mesmo, tem sido uma fórmula rentável e até satisfatória na distração da vida comum, obviamente um dos motivos de ir para uma sala de lazer. Com cortes e uma câmera móvel magnífica, a performance sugere o tema e com isso entrega o serviço a que é proposto, Miami nunca foi tão bem vista entre corridas disputadas a caça aos criminosos, o enredo é lógico e conciso por mais que conclua de forma imatura e pretensiosa, vemos que Hollywood sabe o que vender, e o quanto a curiosidade sempre vence a razão, Bad boys, o que vocês irão fazer?