Independência ou morte

Filme: Aves de Rapina – Arlequina e sua emancipação fantabulosa
Título original: Birds of Prey (And the Fantabulous Emancipation of One Harley Quinn)
Direção: Cathy Yan
Elenco: Margot Robbie; Mary Elizabeth Winstead; Jurnee Smollett-Bell…
Duração: 1hr 49min
Gênero: Ação, Aventura
Distribuição: Warner Bros.
Sinopse: Arlequina (Margot Robbie), Canário Negro (Jurnee Smollett), Caçadora (Mary Elizabeth Winstead), Cassandra Cain e a policial Renée Montoya (Rosie Perez) formam um grupo inusitado de heroínas. Quando um perigoso criminoso começa a causar destruição em Gotham, as cinco mulheres precisam se unir para defender a cidade.
Estreia dia: 06 de fevereiro de 2020

O calendário do cinema 2020 finalmente abre as portas, alguns filmes já estão em cartaz mas nenhum com o forte financiamento e comentários sociais quanto o filme “solo” da Arlequina ao qual teve sua primeira aparição lá atrás em 2016 com o Esquadrão Suicida (David Ayer) não tão bem produzido e preteridamente esquecido por toda crítica por seu baixo faturamento e desempenho.


Longe de se ater a um passado longínquo, a Margot Robbie ao pé da letra entra em seu papel, a personagem carismática e divertida de uma Gotham nada saudável aparentemente foi feita para sua atuação, referências básicas de sua história nas HQs permanecem no roteiro, o que com toda certeza da desenvolvimento a protagonista e dita ao público alvo o motivo de estarmos ali (o chamado Fan service, muito bem atribuído por sinal). A Arlequina conhecida por ser dupla do Coringa separa-se do seu parceiro, com motivos não tão bem descritos e tem o dever de emancipar do chamado rótulo de assistente para alguém capaz de cuidar de si mesma, ser independente e enfrentar os males que vem com a solidão.

Narrada pela mesma, a história tem seus acontecimentos atemporais, distinto de um momento específico entre um filme e outro que coincidentemente diz a todos, essa não é uma sequência, esqueçam o Jared Leto (Antigo coringa e péssimo ator por sinal) por que ele está morto. Além de relatar sobre si mesma e seus gostos peculiares, Arlequina introduz as outras personagens e suas respectivas carreiras e suas histórias pessoais estabelecendo uma conexão do motivo da derrocada do vilão principal sendo a propulsora de todas as confusões vistas por sua loucura indomável, o que garante um desejo do público para o retorno das personagens envolvidas, quem sabe… Em um filme solo ou unidas.

Existe um patamar gigante sobre o quanto esse filme é engraçado e ele é galgado cena a cena, desde a câmera lenta diante de um sanduíche de ovos a uma hiena com o nome de Bruce (pausa para a referência sobre o Batman) todo esse espetáculo é montado de maneira muito leve e colorida, o que peca talvez é a pouca ilustração a nossa querida Gotham maltrapilha, mostrada com charme de uma Paris em pleno outono. Jurnee Smollett (canário negro) define seu espaço com glória, beleza e perícia na sua desenvoltura como heroína. Dentro e fora dos quadros definir lutas corporais em grupo é árduo e quase sempre são cenas cortadas, temos um exemplo perfeito de conjunção e trabalho em grupo para aplaudir a produção.

Com loucura demasiada, um coração partido e um grupo de garotas fortes, autônomas e aptas para definir o quanto as mulheres não precisam de homem nenhum para mandar nelas sobre o que fazer, harmônico, sagaz e bem dirigido, Aves de Rapina sabe o âmbito em que se encontra e bem pra onde seguir, seja ela onde quiser.