FÚRIA VERMELHA

Livro: Fúria Vermelha (#01)
Autor(a): Pierce Brown
Editora: Globo Livros
Tradutor(a): Alexandre D’Elia
Ano: 2014
Páginas: 465
Sinopse: Fúria Vermelha é o primeiro volume da trilogia Fúria Vermelha, e revive o romance de ficção científica que critica com inteligência a sociedade atual. Em um futuro não tão distante, o homem já colonizou Marte e vive no planeta em uma sociedade definida por castas. Darrow é um dos jovens que vivem na base dessa pirâmide social, escavando túneis subterrâneos a mando do governo, sem ver a luz do sol. Até o dia que percebe que o mundo em que vive é uma mentira, e decide desvendar o que há por trás daquele sistema opressor. Tomado pela vingança e com a ajuda de rebeldes, Darrow vai para a superfície e se infiltra para descobrir a verdade.

Compre aqui!

 

“A morte não é vazia como você afirma ser. Vazia é a vida sem liberdade, Darrow. Vazio é viver acorrentado pelo medo, pelo medo das perdas, pelo medo da morte. Digo que a gente precisa romper essas correntes. Rompa as correntes do medo e você estará rompendo as correntes que prendem a gente aos Ouros, a Sociedade. Você conseguiria imaginar isso?”

 

Enquanto estamos órfãos de grandes produções cinematográficas distópicas que nos fazem ficar anos a espera do próximo filme de alguma saga, a melhor opção para não sentir tanta falta desse gênero, que é um dos meu favoritos, é ler livros. Bom, ler livros é sempre uma opção em qualquer cenário, mas as vezes ficamos tão fissurados em apenas um lado da moeda que esquecemos o outro, que nesse caso seria procurar livros do gênero distópico e se afogar neste mar de variedades e histórias que temos por aí.

Fúria Vermelha, escrito pelo americano Pierce Brown, é o primeiro livro da série (inacabada) Red Rising, onde até hoje tem quatro livros da série publicados com o seu quinto ainda sem data de estréia.

Com uma escrita muito detalhada e por vezes densa, o ínicio dele pode ser meio lento até você pegar o ritmo que o autor usou para escrevê-lo e fazer a história ser desenvolvida, porém, assim que você entende a dinâmica da leitura, Fúria Vermelha é o tipo de livro que você só o coloca para baixo quando o termina de ler.

Dividido em quatro partes, Escravo, Renascido, Ouro e Ceifeiro, nós somos levados a conhecer a história de Darrow, um jovem que se morasse no planeta terra teria sido reconhecido com um minerador, mas esse não é o local onde o Darrow mora. Habitante de Marte, que se tornou um planeta terra Transformado, ou seja, um planeta que se tornou habitável, a profissão de Darrow e que ele leva muito a sério, sendo conhecido com o mais novo a exercer a função e com maestria, dando inveja aos homens mais velhos, é de mergulhador-do-inferno, profissão que denominava os escavadores que perfuravam o solo de Marte para tornar o planeta o mais habitável possível para as gerações futuras. E era com esse propósito que o protagonista se deixa ser levado a trabalhar em condições mais que precárias: transformar Marte em um lugar futuramente melhor de se viver.

Como em quase toda sociedade distópica a população é dividida, em Fúria Vermelha não seria diferente, e o primeiro grupo que conhecemos é o Vermelho, onde o nosso protagonista Darrow faz parte, e, fazendo parte da base piramidal, é o povo que mais sofre e trabalha com a promessa de dias melhores que eles mesmos estão criando. As outras camadas sociais, que também são dividas por cores, são as rosas e marrons, azuis, brancos, obsidianos e por último, o topo da pirâmide, que é ocupado pelos Ouros, que é formado por líderes e guerreiros.

Mas o que é levado em consideração para que as pessoas sejam escolhidas e redirecionadas para esses grupos sociais e ficarem nele pro resto da vida? Genética. Todas as pessoas que moram em Marte tem alguma parte específica do seu corpo modificada geneticamente que a faz se enquadrar em alguns dos nichos, ou seja, é impossível você querer se passar por ser uma pessoa de outra camada social, porque alguma característica sua, quer seja cor de cabelo, cor dos olhos ou cabelo, sempre irá te dedurar. Uma vez nascido em uma camada você estará sempre ligado a ela.

Darrow e sua família estão no nível mais baixo da sociedade, e ele parece estar bem com isso. As pessoas ao seu redor parecem estar bem com isso, ele só não imaginava que a sua doce esposa Eo, com sua pouca idade, escondia dentro dela a chaminha necessária para se começar uma revolução e mudar o estado deles de escravos, que quase ninguém via assim. E o estava cansada da maneira que viviam, e estava cansada que o seu marido fosse tão cego, e, em uma tentativa de faze-lo acordar para a realidade do seu povo, durante uma escapada para uma área onde o povo vermelho era proibido de passear, Eo e Darrow foram presos e a partir desse momento a vida de Darrow iria mudar drasticamente e ele não tinha outra opção a não ser abrir os olhos para a sua realidade e tentar muda-la.

Se juntando a um outro grupo de revolucionários, Darrow descobre um mundo muito maior do que aquele que as camadas sociais mais abastadas o faziam saber conhecer, e se antes ele se sentia orgulhoso de ser um mergulhador-do-inferno, uma profissão que ele acreditava ser importante para a vida em Marte, hoje ele sabe que toda a sua vida não passou de uma grande mentira. A vida em Marte já estava acontecendo. Só a dele que não.

Como dito antes, a leitura de Fúria Vermelha pode ser maçante nas primeiras duas partes do livro, onde o autor faz questão de detalhar todos os cenários, mas isso é uma situação mais do que necessária e indispensável quando um autor está começando uma saga em um mundo completamente novo para nós, leitores. Então é válido nós lermos todo esse início denso de características para que a gente não se perca mais a frente do livro, onde as cenas de ação e mais movimentadas, com muitos cenários novos e personagens também, são vistas constantemente.

A única coisa que eu não gostei do livro e que me incomodou um pouco no início, e que isso é uma constante para mim em livros distópicos ou de fantasia, é o fato de que alguns autores parecem não saber como escrever adolescentes salvadores da pátria. Tudo bem que estamos lendo um mundo e uma sociedade que não existem, mas a adultização desses adolescentes de 16 anos, a forma como eles dialogam e como são escritas suas ações e reações não condizem com sua idade, e por mais que fatores como ter que crescer mais cedo que o normal e serem expostos ao trabalho desde a idade de 13 anos, deletar todo e qualquer traço de como um adolescente normalmente lidaria com algumas situações é um defeito que eu não consigo deixar de passar, em nenhum tipo de gênero.

Notícias que de Fúria Vermelha estava sendo adaptado para as telonas pelo próprio autor surgiram na internet, e foram confirmadas pelo mesmo, no ano de 2015, porém, depois de anos sem uma informação nova fomos atualizados ano passado de que os planos haviam mudados, e que agora o interesse deles era de adaptar o livro para uma série.

Enquanto esperamos notícias concretas serem liberadas online sobre o filme ou a possível série, temos como comprar e entrar mais nesse mundo lendo o resto dos livros  série Red Rising: Filho Dourado, Estrela da Manhã e Iron Gold (sem tradução brasileira ainda).