Invisível – Para sair das sombras, basta encontrar uma razão

Livro: Invisível – Para sair das sombras, basta encontrar uma razão
Autores: Tarryn Fisher
Tradução: Monique D’Orazio
Ano: 2020
Editora: Faro Editorial
Páginas: 256
Sinopse: Margô mora em uma casa caindo aos pedaços, num bairro abandonado, com sua mãe que a ignora há dois anos. Ela se sente invisível, até que a amizade com Judah, seu vizinho cadeirante, muda suas perspectivas e a desperta.
Quando uma criança de sete anos desaparece em seu bairro, Margô resolve investigar o caso com a ajuda de Judah e o que ela descobre a transforma por completo.
Agora, determinada a encontrar o mal, caçar todos os molestadores de crianças, torna-se a razão de sua vida.
Com o risco de perder tudo, inclusive sua própria alma, Margô embarca num caminho sem volta…
E o que isso diz a ela sobre si mesma? Por que decidiu fazer justiça? O que a tornou tão invisível?

Hoje é dia de re-se-nha!

Margô não vê muitos motivos pra felicidade plena em sua vida, vivendo em um bairro ameaçador habitado por pessoas desunidas, de caráter duvidoso e também longe de serem amigáveis pra ela, poderia ser o suficiente, afinal ela só se tornaria uma reclusa da vizinhança, mas em casa sua vida é uma gaiola de espinhos, seu relacionamento com a mãe sequer pode ser chamado disso, desde que aquela que representa a sua figura materna pouco caso faz da filha e os abusos são constantes, Margô está presa num desalento de acordar e dormir num inferno.

Entretanto, isso não ofusca os sonhos de Margô de cair no mundo e viver por si a sua própria vida, ela se concentra em seus estudos e consegue um trabalho, algo longe de lhe prover uma renda para lhe tirar todo o seu infortúnio e que lhe provenha a realizar a sua liberdade, porém o suficiente para que ela continue a planejar ao mesmo tempo em que se mantém longe das garras da mãe.

Eu entendo a tristeza, e por isso confio nela. Estamos destinados a sentir tristeza, mesmo que apenas para nos proteger da breve conversa-fiadas de felicidade. A escuridão é tudo que eu vou conhecer, talvez a chave seja fazer poesia disso

O inesperado é que Margô consiga então uma grande amizade, um garoto chamado Judah que se torna uma companhia recorrente na rotina da garota. Tocada pela amizade de Judah e envolvida com o seu trabalho é que Margô se vê mais aberta a ter contato com outras pessoas e uma delas é uma garota de 7 anos que conquistou o carinho de Margô e é diante do desaparecimento dessa garota que Margô se vê diante de um dilema que muda a sua visão de tudo a sua volta, ela pode ser vítima da vida ou reagir de frente.

Não quero ferir as pessoas, não tenho uma necessidade inata de fazer esse tipo de coisa, mas elas de devem ser punidas. É o que faço ou o que afirmo para que eu faço. Eu castigo. Eu me sinto responsável por isso. Olho por olho. Surra por surra. Fogo por fogo.

A construção da trama é bastante inteligente e faz provocações morais sutis, da forma como a Margô é tratada na primeira parte da trama com descaso e de forma abusiva em sua própria casa para então acompanhar a transformação na segunda da parte dessa mesma Margô em uma pessoa que segue seus próprios instintos e permanece firme – mesmo que se questionando – diante de situações que exigem ir além dos limites socialmente – e legalmente – impostos, Margô se descobre como uma boa sombra por razões não agradáveis mas que a empurram a explorar um possível potencial, que mudam a sua vida, ela pode transformar sede de vingança em atitude calculista e agir por sua própria justiça.


O que vocês acham de enredos com conflitos morais?

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