[FILMES] BUMBLEBEE

4Direção: Travis Knight
Ano de Lançamento: 20 de Dezembro de 2018
Elenco: Hailee Steinfeld, John Cena, Gracie Dzienny, Vanessa Ross, Peter Cullen, Megyn Price
Gênero: Ficção/Ação
Duração: 1h53min
Sinopse: No ano de 1987, Bumblebee encontra refúgio em um ferro-velho de uma pequena cidade praiana da Califórnia. Charlie (Hailee Steinfeld), prestes a fazer 18 anos e buscando seu lugar no mundo, encontra Bumblebee machucado e sem condições de uso. Quando o revive, Charlie logo percebe que este não é qualquer fusca amarelo.

Bumblebee é o mais recente filme habitado no mundo de Transformers, que é o sexto filme a ser lançado da franquia e é uma prequela que se passa nos anos 80 divertida, sincera e cheia de ação que inaugura uma nova – e melhor – era de filmes sobre os Autobots.

Bumblebee começa durante a guerra em Cybertron, onde Bumblebee (brevemente dublado por Dylan O’Brien) e seus companheiros rebeldes tentam fugir dos Decepticons. Optimus Prime (Peter Cullen) tenta manter os Decepticons distraídos para que Bumblebee e os outros Autobots consigam escapar de Cybertron e fugir para lugares seguros ao redor da galáxia. Bumblebee, em particular, recebe a tarefa de se dirigir à Terra e proteger o planeta dos Decepticons, para que os rebeldes possam se reagrupar e eventualmente recuperar sua casa em Cybertron. No entanto, a chegada de Bumblebee na Terra é problemática quando ele encontra um grupo de soldados norte-americanos liderados por Jack Burns (John Cena), que imediatamente ordena que os Autobots sejam caçados e destruídos. Então, as coisas pioram quando os humanos e Bumblebee são atacados por um Decepticon, que destrói a caixa de voz de Bee e danifica sua memória antes de ser derrotado.

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Depois de algum tempo, Bumblebee é descoberto em seu estado oculto como um Fusca pela jovem mecânica Charlie Watson (Hailee Steinfeld). A garota convence o dono da garagem onde Bee está se escondendo para lhe dar o carro, mas quando ela leva o Fusca para casa, ela logo descobre que há mais do que aparenta. Um pária social entre seus colegas de classe e distanciada do resto de sua família – sua mãe Sally (Pamela Adlon), padrasto Ron (Stephen Schneider) e irmão mais novo Otis (Jason Drucker) – Charlie faz uma amizade rápida com o Autobot encalhado, até mesmo dando a ele o nome de Bumblebee. No entanto, quando dois Decepticons, Shatter (Angela Bassett) e Dropkick (Justin Theroux), rastreiam Bumblebee na, Charlie tenta ajudar a proteger Bee e o planeta daqueles que lhes faria mal.

Dirigido por Travis Knight e com um roteiro de Christina Hodson, Bumblebee retorna a franquia Transformers às suas raízes. A natureza prequela do Bumblebee permite que o filme ignore a continuidade dos cinco filmes anteriores e é, sem dúvida, o melhor. Em uma franquia que continuamente reescrevia sua própria história para inserir Autobots na lenda arturiana e em outros lugares através do tempo, Bumblebee é como uma brisa nova, pois se concentra mais em seus personagens centrais do que em Transformers maiores e mais ruins ou tentando expandir o universo incessantemente.  Bumblebee é uma história relativamente simples sobre uma garota e seu amigo, que por acaso é um robô rebelde fugindo de uma facção opressiva de sua raça alienígena.

Essa história simples, reforçada pelo roteiro de Hodson e pela direção convincente de Knight, ajuda a elevar Bumblebee como um filme de ação/aventura. Graças, em parte, ao cenário dos anos 80 do filme, ele se encaixa na nostalgia dos Transformers, remontando a uma época em que os fãs de longa data dos Autobots estavam descobrindo os Robots in Disguise – assim como Charlie está descobrindo Bumblebee. Para ter certeza, a amizade de Charlie com Bee é a força motriz central do filme, mais ainda do que a missão de Bumblebee de proteger a Terra ou criar um ponto de encontro para o resto dos Autobots. O roteiro de Hodson é construído inteiramente em torno de seu relacionamento, e é eficaz para fundamentar o mundo de ficção científica de alto conceito em algo doce, cheio de empatia e humanidade. Charlie e Bee são a alma de Bumblebee de uma forma que mostra exatamente o que faltavam filmes anteriores de Transformers.

Claro, isso não seria possível sem a atuação mais uma vez incrível da Hailee, que rapidamente se mostrou uma das jovens atrizes em ascensão de Hollywood mais talentosas depois de sua estréia em Bravura Indômita. É em grande parte através da performance de Steinfeld que a amizade entre Charlie e Bee é acreditável e interessante de se assistir na tela. E então temos John Cena como o vilão humano em Bumblebee, o agente do exército americano empenhado em proteger seu mundo dos alienígenas que ele não entende. John é um vilão bastante descomplicado e subdesenvolvido, mas de outra forma passível de manutenção, e ele traz bastante carisma para o personagem. O resto do elenco de apoio é similarmente bidimensional, mas eles funcionam bem para sustentar a história principal de Charlie e Bee.

Bumblebee Trailer screen grabCredit: Paramount Pictures
Bumblebee Trailer screen grab Credit: Paramount Pictures

Porém, é claro, um filme de Transformers não seria completo sem sua parte justa de ação e Bumblebee não falha em mostrar as batalhas entre Autobots e Decepticons. A partir do momento em que o filme começa com um último esforço dos Autobots para escapar da Cybertron, fica claro que Bumblebee também se esforça para mostrar tudo o que os Robots in Disguise podem fazer. Assim, os espectadores que esperam mais da ação que Transformers sempre mostrou, não ficarão desapontados. Na verdade, Bumblebee pode até mesmo entregar algumas das melhores sequências de ação da série, enraizando-os em momentos de personagens e mostrando as habilidades dos vários robôs.

Bumblebee não é apenas uma boa prequel para a franquia Transformers principal, é a melhor entrada na série até agora – ainda melhor do que o filme original de Bay de 2007. Em uma série que se distanciou cada vez mais da humanidade dos Robots in Disguise, trocando por uma ação maior e uma construção de mundo mais complicada, Bumblebee retorna uma alma à franquia que falta há algum tempo. Como resultado, Bumblebee é uma fantástica experiência para os fãs de Transformers jovens e velhos e também funciona como um bom ponto de entrada para a série, por isso mesmo aqueles que não estão familiarizados com a franquia podem encontrar prazer na história de Charlie e Bee.

Confira o trailer do filme legendado logo abaixo:

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[FILME] DE REPENTE UMA FAMÍLIA

2308941.jpg-c_215_290_x-f_jpg-q_x-xxyxxDireção: Sean Anders
Ano de Lançamento: 29 de Novembro de 2018
Elenco: Mark Wahlberg, Rose Byrne, Isabela Moner, Octavia Spencer, Tig Notaro, Tom Segura, Margo Martindale
Gênero: Comédia/Drama
Duração: 1h58min
Sinopse: Quando Pete (Mark Wahlberg) e Ellie (Rose Byrne) decidem começar uma família, eles começam a explorar o mundo da adoção. Ao conhecer três irmãos, incluindo uma adolescente rebelde de 15 anos (Isabela Moner), eles se veem indo de nenhuma criança à três do dia para noite. Agora, Pete e Ellie precisam tentar aprender as dificuldades da paternidade para conseguir formar uma família.

 

Nós já sabemos o que esperar antes de assistir um filme drama/comédia familiar. Esperamos o casal ansiando por um filho, esperamos as crianças querendo ter uma família mas também sendo muito fechadas por ter passado por muitas coisas em um curto período de vida, vemos a família passando por dificuldades juntas, momentos felizes no meio, o ápice onde algo dá muito errado e logo seguido por um final feliz onde todos estão bem juntos. É clichê? É. Estamos cansados dessa mesma fórmula? Talvez. Mas não o suficiente para não querermos ir ao cinema e assistir De Repente Uma Família, um filme que segue essa fórmula a risca mas que no final, era tudo o que queríamos assistir mesmo.

Sean Anders se baseou em fatos reais ao roteirizar e dirigir esse filme, e apesar do tema de adoção e ele ser um assunto delicado que sofre de pobres políticas públicas nos Estados Unidos (e aqui também) ele não erra ao adicionar o tom de comédia no filme, que foi o suficiente para nos fazer rir enquanto chorávamos em algumas cenas no final também. Tudo muito bem pensado e medido para que o assunto do filme não ficasse pesado demais e que nós saíssemos da sala de cinema secando as lágrimas.

INSTANT FAMILY

Ellie (Rose Byrne) e Pete (Mark Wahlberg) são o tipo de casal que parece ter tudo. Tem uma casa ótimo que eles mesmos construíram, um negócio de sucesso (de construir e reformar casas) onde ambos metem a mão na massa, um cachorro que parece ter vindo de um comercial de ração canina chamado Almôndega, um relacionamento logo e saudável onde eles parecem ainda estar nos estágios iniciais, onde tudo se resume a saídas e a aproveitar a companhia um do outro. Mas para Ellie, parece que está faltando algo na vida deles e não demoram a perceber que talvez seja a existência de um filho. Eles então decidem adotar uma criança e resolvem passar por um curso intensivo de 8 semanas de como se tornar pais adotivos.

Logo eles se veem em uma feira de adoção tentando encontrar ter algum tipo de sentimento cósmico, como diz Pete, com alguma criança mas nada acontece. Porém, ao ver o grupo de adolescentes afastados em um lado da feira, Pete decide ir conversar com eles e se encanta com Lizzy, uma adolescente de 15 anos de idade, porém ela vem com um pacote de mais dois irmãos mais novos, Juan (Gustavo Quiroz) e Lita (Julianna Gamiz). Ellie e Pete não estão prontos para tudo isso, mas quando eles percebem que a família deles achavam que eles não seriam capazes de cuidar de três crianças ao mesmo tempo, eles tomam isso como um desafio e adota os três. Porém, após um período de lua de mel inicialmente tranquilo, logo esse relacionamento entre os cinco vira uma bagunça para todos os envolvidos.

Ellie e Pete, apesar de terem decidido adotar as crianças num momento em que se sentiram desafiados, tem a melhor das intenções, mas, ao acordarem, se veem entre uma adolescente que se sente abandonada e que não quer ser adotada pois tem esperança de voltar a ficar com a mãe, Juan, que está constantemente se envolvendo em acidentes e chorando implorando para que eles não o devolvam para o sistema de adoção e a pequena Lita tem uma personalidade… forte, vamos dizer assim. Em resumo, Ellie e Pete não estavam esperando e/ou estão equipados para isso. No entanto, à medida que as coisas progridem, e os primeiros papais e mamães saem das bocas dos menores, eles percebem o quanto tudo pode valer a pena e o quanto eles tem a perder quando a mãe biológica das crianças entra em contato com elas novamente.

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Os atores principais estão muito bem em seus papéis. Rose Byrne está dentro da sua zona de conforto, nos entregando as cenas mais emotivas e desafiadoras do filme, enquanto Mark Wahlberg pode te surpreender um pouco para quem está acostumado com um Mark musculoso e fazendo sempre o herói no fim do dia. Aqui ele nos entrega um personagem gentil e preocupado, com alguns deslizes mas nada que comprometa por inteiro o seu personagem. As crianças também estão boas em seus papéis mas nada extraordinário, talvez devamos ficar de olho na Isabela Moner, que interpreta Lizzy, que, apesar de não ter nos mostrado nada excepcional, não falhou em interpretar uma personagem com uma cargo histórico pesado em seus ombros e que ficaram visíveis nas cenas que necessitava de um pouco mais de emoção vindo da atriz. Tig Notaro e Octavia Spencer interpretam as assistentes sociais que acompanham o casal durante todo o processo de adoção, mas não são peças chaves no filme e se posso dizer, foram bem mal usadas em seus respectivos papéis. Tivemos participações mais que especiais de Joan Cusack e Margo Martindale mas que, novamente, não foram bem utilizadas, porém é sempre bom revê-las.

De Repente uma Família não é um filme que você lembrará daqui uns anos como um filme que te marcou, mas que, definitivamente, te fará passar bons minutos dentro da sala do cinema, quer seja rindo ou secando algumas lágrimas que venham a aparecer. Sean Anders, diretor e roteirista, nos entregou um filme que fala sobre um assunto sério e delicado mas que com seus tons leves de comédia e bem medidos, faz essas quase duas horas de filme passarem despercebidas. É só não ligar muito para a fórmula repetida.

Confira o trailer legendado do filme logo abaixo:

[FILMES] Infiltrado na Klan

0013923.jpg-r_1280_720-f_jpg-q_x-xxyxxDireção: Spike Lee
Ano de Lançamento: 08 de Novembro de 2018
Elenco: John David Washington, Adam Driver, Laura Harrier, Jasper Pääkkönen, Topher Grace
Gênero: Drama/Filme Policial
Duração: 2h16min
Sinopse: Em 1978, Ron Stallworth, um policial negro do Colorado, conseguiu se infiltrar na Ku Klux Klan local. Ele se comunicava com os outros membros do grupo por meio de telefonemas e cartas, quando precisava estar fisicamente presente enviava um outro policial branco no seu lugar. Depois de meses de investigação, Ron se tornou o líder da seita, sendo responsável por sabotar uma série de linchamentos e outros crimes de ódio orquestrados pelos racistas.

Da melhor maneira possível, Infiltrado na Klan se junta aos grandes sucessos dirigidos por Spike Lee. É direto e confuso, instigante e organizado, tudo ao mesmo tempo em que é bem divertido. Nos tempos que estamos vivendo é de extrema assistirmos, lermos, ouvirmos, termos mais e mais conversas, como a que esse filme pode trazer, afim de que isso jamais volte a acontecer, ou pior, que pessoas simpatizem com ideias parecidas. E ao assistir esse filme, por mais que a história conte um momento que não foi vivido tão explicitamente no nosso país, mas sabemos que aconteceu e que acontece no nosso país, estamos ajudando a história a ser relembrada para que nunca se repita.

Baseado no livro de memórias de Ron Stallworth, Infiltrado na Klan mostra Stallworth (John David Washington) enquanto ele se torna o primeiro policial negro em Colorado Springs. Sempre foi seu sonho de ser policial, mesmo que ele sabendo que não seria bem vindo em seu ambiente de trabalho. Primeiro, ele está preso fazendo trabalho administrativo atrás de uma mesa, preenchendo pedidos de provas e documentos. mas, obviamente, ele quer fazer mais e assume a responsabilidade de lançar sua própria investigação sobre a Klu Klux Klan.

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Stallworth obviamente não pode encontrar nenhum dos membros pessoalmente, já que ele está se passando por um “americano branco” por telefone. Ele se une a Flip Zimmerman (Adam Driver), que assume as interações face a face com o Klan (que gostam de ser chamados de “A Organização”). Flip se apresenta como um homem odioso chamado Ron Stallworth, assumindo a missão de se infiltrar na Organização com esperança de construir um caso contra eles levando até o Grande Feiticeiro, David Duke (Topher Grace).

 
Washington é dominante e natural em seu papel de protagonista, lidando com as responsabilidades de um policial enquanto é o tempo todo visto como ameaça ou alguém inferior. Ele tem uma semelhança surpreendente com seu pai Denzel, mas esse filme certamente o fará uma estrela por si só. Adam Driver, que vem se mostrando cada vez mais versátil em Hollywood, nos dá uma de seus melhores trabalhos nos entregando um personagem fingindo um ódio que ele tem de manter para assim continuar com as investigações dentro da Organização, e ele faz isso parecer bem fácil de alcançar. E como elenco adicional temos Thoper Grace que interpreta Duke com uma facilidade acolhedora e amigável para todos os membros de sua causa, sendo desprezível em cada palavra que ele oferece.

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Há uma subtrama envolvendo uma jovem chamada Patrice (Laura Harrier), uma líder radical de uma organização estudantil, que se torna interesse romântico de Stallworth. Pode parecer que o filme perde bastante tempo dentro dessa história, mas ela oferece uma camada de conflito para Stallworth, já que Patrice não gosta de policiais – ela os chama de porcos – e Stallworth, evitando confrontos, não diz qual sua profissão.

Lee nunca foi um cineasta sutil e Infiltrado na Klan não é para aqueles que não conseguem lidar com suas mensagens. O filme é justo, direto e tem o direito de ter o tom irritado que tem – e ainda assim consegue ser emocionante e divertido sem nunca diminuir a importância do assunto que o permeia por inteiro. Era importante que Lee ligasse os acontecimentos da história dos anos 1970 (onde, obviamente, se refere aos acontecimentos nos EUA nessa década mas que facilmente pode ser aplicada a nossa realidade também) ao que está acontecendo em nosso mundo hoje, conectando os eventos ao que aconteceu há um ano em Charlottesville (EUA). O filme é uma granada lançada na platéia: ele quer nos abalar e acordar todo mundo. É triste e agonizante que o assunto abordado no filme ainda seja tão atual e relevante – mas isso só nos mostra o quanto temos que falar, ouvir, compartilhar e dar espaço para que mais obras como essa chegue à todos.

Confira o trailer logo abaixo:

[FILMES] PODRES DE RICOS

1Direção: Jon M. Chu
Ano de Lançamento: 1 de Novembro de 2018
Elenco: Constance Wu, Henry Golding, Awkwafina, Sonoya Mizuno, Gemma Chan
Gênero: Comédia Romântica
Duração: 120 minutos
Sinopse: Rachel Chu é uma professora de economia nos EUA e namora com Nick Young há algum tempo. Quando Nick convida Rachel para ir no casamento do melhor amigo, em Singapura, ele esquece de avisar à namorada que, como herdeiro de uma fortuna, ele é um dos solteiros mais cobiçados do local, colocando Rachel na mira de outras candidatas e da mãe de Nick, que desaprova o namoro.

 

Algumas pessoas gostam de chamar os anos 90 como os grandes anos dourados dos filmes de comédia romântica. 10 Coisas Que Eu Odeio Em Você, Uma Linda Mulher, Um Lugar Chamado Nothing Hill, são um dos poucos, bem poucos, nomes que podemos mencionar para indicar as grandes e que se tornariam clássicas obras cinematográficas para aqueles que amam um bom romance clichê. Os Anos 2000 também não ficam para trás com grandes clássicos como Escrito nas Estrelas, De Repente 30, O Fabuloso Destino de Amelie Poulain, O Diário de Bridget Jones e Simplesmente Amor. Todos esses filmes hoje são lembrados pelos amantes de romance. Obviamente vários outros filmes do mesmo gênero foram lançados nos anos posteriores mas apenas alguns conseguiram ser lembrados e deixarão marcas para as gerações futuras, até que 2018 resolveu acabar com essa ressaca e nos dar um dos melhores e mais agradáveis filmes de comédia romântica que vimos nos últimos anos. E cara, estávamos necessitando desse ar novo.

Ele é engraçado, adorável (como eu já havia dito), talvez você sentirá uma lágrima caindo, com uma trilha sonora alegre e o mais importante hoje em dia: é original. Tudo o que precisávamos para colocarmos na nossa lista de clássicas futuras comédias românticas.

“Podres de Ricos”, dirigido por Jon Chu nos presenteou com o pacote completo para o deleite da nossa obsessão por clichês românticos e para um filme ser bom tecnicamente. Direção e roteiro impecáveis, assim como a fotografia, indispensável para deixar nossos olhos brilhando ao sermos deslumbrados pelo mundo de pessoas bilionárias.

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Baseado no livro de Kevin Kwan de 2013, o filme foca no casal Rachel Chu (Constance Wu, prestem atenção nela) que é uma professora de economia que está namorando Nick Young (Henry Golding), um homem incrivelmente rico que manteve seu dinheiro em segredo (ele diz a Rachel que sua família é “confortável”, enquanto compra passagens de primeira classe para o casamento de seu melhor amigo). Nick é famoso, tão famoso que assim que alguém o vê com Rachel, manda mensagens para um amigo e as notícias voam pelo mundo todo, até chegar em sua família em Cingapura.

Ele leva Rachel para uma festa pródiga, onde ela conhece sua mãe Eleanor (Michelle Yeoh). Imediatamente, está claro que Rachel não atende aos padrões de Eleanor como namorada de seu filho, e muito menos uma esposa. Eleanor até tenta ser educada com Rachel, mas ela percebe que a mãe de Nick não gosta dela, enquanto ele tenta fazer com que sua mãe não intimide sua namorada.

Os personagens são interessantes e amáveis. Nós torcemos por Rachel porque podemos nos identificar com ela: ela tem apenas ela mesma e não um legado – financeiro ou não – para apresentar à família de Nick. Wu e Golding têm química real, então é muito divertido assisti-los juntos. Uma adição especial é a talentosa e hilária e incrível  Awkwafina (já assistiram Oito Mulheres e Um Segredo, né?), que se apresenta como a melhor amiga hilariante de Rachel.

O tom do filme, que critica a alta sociedade e as atitudes superficiais, é uma reminiscência de comédias americanas anteriores – digamos, das décadas de 1930 e 1940 – nas quais os sofisticados chamam uns aos outros com ar de desdém sempre e estão sempre com um cigarro na mão.

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Sua profusão de cores, músicas estimulantes e dançantes, participações que, se você for familiarizado com o mundo e personagens de filmes de romance você vai adorar reconhecer alguns rostos conhecidos, como a participação de Sally Yeh de “Material Girl”. Parece que tudo foi pensando nos mínimos detalhes seguindo todas as fórmulas para que o filme seja um sucesso, para o público, o que foi lá fora. E para melhorar, o final ainda nos dá uma possibilidade de uma sequência, o que todos nós receberíamos de braços e abertos. Que tenham mais filmes como Podres de Ricos por muitos e muitos anos.

Confira o trailer legendado logo abaixo:

[FILMES] NASCE UMA ESTRELA

imagesDireção: Bradley Cooper
Ano de Lançamento: 11 de Outubro de 2018
Elenco: Lady Gaga, Bradley Cooper, Sam Elliot, Dave Chappelle, Andrew Dice Clay
Gênero: Drama/Romance
Duração: 2h14min
Sinopse: A jovem cantora Ally ascende ao estrelato enquanto seu parceiro Jackson Maine, um renomado artista de longa carreira, cai no esquecimento por problemas com o álcool. Os momentos opostos acabam por minar o relacionamento amoroso dos dois.

 

Com base na linha do tempo cuidadosamente elaborada por Hollywood, parece que toda geração precisa de uma versão de Nasce uma Estrela para chamar de sua.

Tirando Hollywood?, 1932, (que incluía algum DNA temático que seria transmitido), a primeira versão de filmes envolvendo artistas lutando para conseguir um espaço na música e seus relacionamentos conturbados foi do indicado ao Oscar de Melhor Filme A Star Is Born, de 1937, estrelado por Janet Gaynor e Fredric March na única interpretação que é um drama objetivo, mas que tem poucos números musicais. Em seguida veio a versão melhorada – o clássico de 1954 estrelao por Judy Garland e James Mason – e esta foi seguida pela versão mais fraca – o sucesso de 1976 estrelado por Barbra Streisand e Kris Kristofferson. Pulando a década de 80 e indo direto para a de 90, essa década foi abençoada por Whitney Houston em 1992, The Bodyguard. Inclusive, boatos circulam que naquela época Whitney foi cogitada para o remake de A Star Is Born mas o projeto não saiu do papel. E eu tenho certeza que foi um plano maior do universo.

Tudo isso nos leva à versão de 2018 de Nasce Uma Estreka, um esplêndido remake que demonstra que boas histórias nunca morrem, elas apenas descansam em um sono profundo esperando que um diretor brilhante descobra como reutilizá-lo de maneira incrível. Nesse caso, é Bradley Cooper quem merece a maior parte do crédito. Além de ensaiar um dos dois papéis principais, ele também dirigiu e co-produziu o filme, co-escreveu o roteiro e co-escreveu um punhado de músicas originais. Se ele também era responsável pelos serviços de catering (ou seja, a comida da galera), mas isso não é refletido nos créditos finais – ainda assim, o envolvimento dele nessa capacidade não me surpreenderia, dada a sua total dedicação a este projeto. No entanto, sua maior conquista é o seu generoso apoio a Lady Gaga. Sendo fã da cantora e tendo conhecimento de seu abrangente talento como atriz, não posso dizer que foi uma surpresa o filme ter o sucesso que teve lá fora, e tendo a atuação de Gaga como uma das grandes revelações.

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Ajustando algumas modernidades para que a história se encaixasse na nossa atualidade, após assistir o primeiro filme eu posso garantir que esses personagens não se encontraram em um show de uma drag num bar gay em 1937, a estrutura principal permanece a mesma e isso é bem animador. Jackson Maine (Bradley) é uma estrela da música estabelecida, cuja trajetória de carreira está começando a decair, particularmente quando suas tendências alcoólicas tendem a ser rotina. Enquanto isso, Ally (Gaga) trabalha em um restaurante, escreve canções que ela tem convicção de quem ninguém nunca irá ouvir, e tem a honra de ser a única mulher a se apresentar no show de drag que foi mencionado anteriormente. É durante a sua interpretação de “La Vie en Rose” que Jackson, parando para mais uma bebida ou cinco, primeiro toma consciência da sua presença – e do seu talento. Ele então abraça o seu talento visível e a coloca debaixo de suas asas, levando a um relacionamento que floresce nos níveis profissional e pessoal. Mas há sempre a bebida pairando nos limites de sua vida, uma complicação que diz respeito não apenas a Ally, mas também ao irmão e empresário de Jackson, Bobby (Sam Elliott) e ao produtor de Ally, Rez (Rafi Gavron).

Qualquer preocupação de que Lady Gaga possa ser apenas mais uma cantora que tenta desvender o mundo da atuação mas percebe que deveria ficar só na cantoria mesmo, é dissipada quase imediatamente, com a superstar apresentando uma performance instintivamente quente e natural. Cooper também é fantástico – quando ele aparece pela primeira vez, ele soa exatamente como Sam Elliott, o que prova ser apropriado, já que eles estão retratando irmãos. E falando em Elliott, ele é sensacional também. Dar todo o suor e coração para este filme, (talvez você tenha que levar alguns lencinhos para a sala de cinema para enxugar as previsíveis lágrimas) ele é mais do que merecedor de todas as nomeações que vem pela frente quando a temporada de premiações chegar. Todo o cast é merecedor. Tudo relacionado a esse filme é merecedor. O elenco de apoio, como o jogador Hamilton, Anthony Ramos, como amigo de longa data de Ally, Dave Chapelle como amigo de longa data de Jackson, e especialmente Andrew Dice Clay como o pai amoroso de Ally.

O único grande passo em falso neste filme ricamente detalhado e propriamente ritmado (aos 135 minutos, ainda é mais curto que as outras duas versões musicais) ocorre no final, quando o vilão ostensivo da peça toma o centro do palco em uma seqüência pesada que parece em desacordo com o movimento geral do filme. (Pior, esse personagem nunca recebe qualquer tipo de castigo, embora, em uma época em que bandidos como Trump e Kavanaugh se safam de assassinato, isso realmente oferece sentido, se não satisfação.)

Em todos os outros aspectos, no entanto, Nasce Uma Estrela é um filme que pensar duas vezes antes de assisti-lo deveria ser pecado mortal. Tudo que o envolve você sente que foi feito com coração e feito parar marcar essa geração e essa década. Que venha a próxima década com o próximo filme do gênero, e que ele possa ser tão marcante e emocionante, com atuações genuínas e humildes quanto esse.

Nasce Uma Estrela estréia dia 11 de Outubro no Brasil. Assista ao trailer legendando logo abaixo:

 

[FILMES] VENOM

4Direção: Ruben Fleischer
Ano de Lançamento: 4 de Outubro de 2018
Elenco: Tom Hardy, Michelle Williams, Riz Ahmed, Scott Haze, Reid Scott, Anne Weying
Gênero: Suspense/Ficção Científica
Duração: 2h20min
Sinopse: Venom é um filme de ação, ficção científica, suspense e aventura estadunidense de 2018, baseado no personagem da Marvel Comics de mesmo nome, dirigido por Ruben Fleischer e escrito por Scott Rosenberg, Jeff Pinkner, Kelly Marcel e Will Beall. Será o primeiro título no Universo Marvel da Sony.

 

Tom Hardy é notório por dar tudo de si, fisicamente e emocionalmente, em qualquer papel que ele faça. Não importa se fica com sequela físicas após interpretar o Bane em “O Cavaleiro das Trevas Ressurge”, sendo amarrado na frente de um caminhão EM “Mad Max: Fury Road”, dizendo um diálogo indecifrável como o gângster britânico em “Legend” ou passar um filme inteiro gravando sozinho dentro de um carro para “Locke”, Hardy nunca interpreta o mesmo personagem. Já foi dito muitas vezes antes, mas é a mais verdade: ele é o Brando da nossa geração.

Então, é óbvio que ele aplicaria a mesma intensidade à história de origem anti-herói dos quadrinhos, “Venom”. E sua performance totalmente comprometida é praticamente a única razão para ver o filme.

Esta é uma entrada extremamente pequena no universo Marvel (embora não seja tecnicamente uma parte do Universo Cinematográfico da Marvel, para aqueles de vocês que se importam com essas coisas), um filme que é mais interessante quando não se é levado à sério. É uma bagunça, mas uma bagunça divertida – pelo menos por um tempo.

Pense nisso como uma versão intensamente violenta de “All of Me”, a comédia de 1984 em que a alma de Lily Tomlin termina no corpo de Steve Martin. Como naquele filme, as melhores partes da extravagância desigual do diretor Ruben Fleischer ocorrem quando o repórter investigativo Eddie Brock, Hardy, luta para manter o controle de seu corpo, enquanto uma força vital sob a forma de uma bolha negra ameaçadora está ganhando força dentro e brigando com ele.

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O exemplo mais bem-sucedido disso é quando Eddie percebe a extensão de suas habilidades recém-adquiridas (e indesejadas) – o que o transforma de um cara normal para um monstro grande e esquisito. Um grupo de capangas fortemente armados invadem seu pobre apartamento em San Francisco para matá-lo e recuperar o espécime alienígena que o habita, que ele adquiriu acidentalmente enquanto bisbilhotava um laboratório de alta tecnologia. Eddie os aniquila inconscientemente um por um, seus membros instantaneamente se estendendo e se transformando em armas afiadas, brilhantes e mortais. Seu corpo levado de um lado para o outro e seu pânico se eleva, mesmo quando a voz em sua cabeça (que também é Hardy) se torna mais alta e os corpos sem vida estão espalhados em seu apartamento. Em momentos como esse, Hardy parece deprimido tanto pela fisicalidade exigente do papel quanto pelo humor negro, mesmo que os dois misturados não sejam sempre o ajuste mais suave enquanto o filme continua.

Quando ele perde a luta pelo controle de seu corpo e sua mente, Venom de olhos arregalados e dentes afiados, ele literalmente morde as cabeças das pessoas, ao mesmo tempo em que quer que você ache graça das cenas. Percebemos então a tentativa de fazer esse filme se parecido um tanto quanto outro filme de extremo sucesso que foi lançado também esse ano. É um equilíbrio difícil de bater, o de cenas sangrentas e humor negro sem atingir ninguém especificamente. “Venom” está bem ali, na beira do que você pode fazer e ainda manter uma classificação de PG-13, na medida em que apresenta enormes quantidades de carnificina, tiroteio e destruição, mas nenhum derramamento de sangue. No entanto, à medida que os conjuntos de ação do filme aumentam de escala – incluindo uma perseguição de motocicleta particularmente emocionante pelas ruas de São Francisco -, eles não conseguem se conectar emocional e visualmente.

Fleischer (“Zombieland”, “Gangster Squad”) teve o benefício de trabalhar com um verdadeiro artista em Matthew Libatique, diretor de fotografia de longa data de Darren Aronofsky. (Ele também disparou o remake de “A Star Is Born” de Bradley Cooper, que está lançando no exterior esta semana também.) Mas muitas cenas em “Venom” acontecem à noite – e o próprio Venom parece essencialmente vestir uma enorme fantasia de látex preta da cabeça aos pés – o que muitas vezes fica difícil de discernir o que está acontecendo. Vemos isso mais claro quando Venom assume um cara cujo corpo se tornou o anfitrião de outra bolha: o louco cientista bilionário Carlton Drake (Riz Ahmed), que esperava domar esses espécimes espaciais pelo suposto bem da humanidade.

Suas cenas de luta são tão incompreensíveis ​​quanto qualquer coisa que você veria em um filme “Transformers”: uma massa pegajosa de tendões, gritos e pessoas agitadas. Às vezes, fica claro que há pessoas dentro dessas criaturas, ao contrário do contrário, o que complica ainda mais os recursos visuais. Mas, mais uma vez, em um nível mais íntimo, a conexão lúdica entre Eddie e Venom pode ser agradável. Isso é melhor visto em suas interações com Michelle Williams, que é imensamente superqualificada para o papel da ex-noiva de Eddie, Anne Weying. Hardy também tem uma ótima interação com Jenny Slate como a denunciante na companhia de Drake; é um dos vários exemplos do elenco inspirados do filme.

E, eventualmente, como sabemos, Venom terá que se tornar um vilão na teia do Homem-Aranha. É por isso que nos preocupamos com ele, teoricamente. Por enquanto, nas mãos de Hardy, é a ambiguidade do personagem – se não o ambiente – que o torna intrigante.

Confira o trailer do filme legendado logo abaixo:

[RESENHA] TERRA DAS MULHERES

downloadLivro: Terra das Mulheres

Autora: Charlotte Perkins Gilman

Editora: Rosa dos Tempos

Ano: Lançamento 1915 | Edição 2018

Páginas: 253

Sinopse: Publicado pela primeira vez em 1915, “Herland – A Terra das Mulheres” é uma novela que coloca os holofotes sobre a questão de gênero. Escrito pela feminista Charlotte Perkins Gilman, o livro descreve uma sociedade formada unicamente por mulheres que vivem livres de conflitos e de dominação. A história é narrada por um estudante de sociologia que, junto a dois companheiros, chega ao lendário país ocupado por mulheres. As diferentes visões dos três exploradores geram um choque cultural com a organização social utópica que terão de confrontar. Herland subverte questões como a definição de gênero, a maternidade e o senso de individualidade. Gilman, nesta obra, cria uma história revolucionária e dá uma importante contribuição às discussões sociológicas sobre os papéis masculino e feminino em sociedades de qualquer época.

Publicado em 1915, Terra das Mulheres é uma novela utópica baseada na seguinte premissa: nas profundezas da floresta amazônica, em um planalto isolado, um grupo de mulheres desenvolveu a capacidade de se reproduzir assexuadamente. Por mais de dois mil anos, a civilização feita inteiramente por mulheres tem prosperado. A história começa quando um grupo de três amigos ouve rumores sobre a existência dessa terra e decide ir em uma expedição para encontrá-la. Cada um deles têm sua área de especialização: Terry é o cara do dinheiro que banca toda essa jornada, Jeff é biólogo, e o narrador, Van, é um sociólogo interessado em um pouco de tudo, “desde que ligado à vida humana, de alguma forma”.

Charlotte Perkins Gilman usa os pontos de vista desses três jovens de maneira engenhosa, irônica e muitas vezes muito engraçada. Suas expectativas sobre como as mulheres devem se comportar e o que uma cultura exclusivamente feminina deve ser capaz de falar por si mesma antes de ser impiedosamente desmascarada. Por exemplo, pouco tempo depois de chegar à terra das mulheres e perceber toda a organização e as construções enormes, Van diz: “Mas parecem… oras, é um país civilizado! Deve haver homens!”

O que também é interessante sobre esses três protagonistas é que cada um deles incorpora uma maneira diferente de desumanizar as mulheres, que era atual no início do século XX. O próprio Van diz”

Jeff, com suas gentis e românticas noções antiquadas de mulheres como videiras agarradas. Terry, com suas teorias claras e práticas, de que haviam dois tipos de mulheres – aquelas que ele queria e aquelas que ele não queria; Desejável e indesejável foi a sua demarcação. Este último como uma classe grande, mas insignificante, eu nunca tinha pensado sobre eles.

E algumas páginas depois, sobre si mesmo:

Eu mantinha um meio termo, altamente científico, é claro, e costumava argumentar sobre as limitações fisiológicas do sexo.

É desnecessário dizer que o consenso “altamente científico” da época era tão sexista e desumano.

Gilman é uma excelente escritora, mas as razões pelas quais eu demorei muito para conseguir terminar de ler me fazem cair é um ciclo eterno de onde estava o movimento feminista no recorte histórico em que a escritora estava inserida e onde estamos hoje dentro do movimento. Há partes do livro e aspectos que são altamente problemáticos e tem uma tendência de cair no essencialismo de gênero mesmo quando questionado, uma ênfase na maternidade como a característica definidora da feminilidade e constantes apelos a heterossexualidade compulsória, racismo e eugenia.

A visão por trás de Terra das Mulheres está muito longe da minha própria visão feminista e há muito a apreciar sobre isso – acima de tudo, fornece um vislumbre fascinante das noções do início do século XX sobre o que significa ser mulher e ciência, e também sobre a confusão ideológica que cercava o feminismo inicial, que eu acho importante estar ciente. Mas, em última análise, a utopia de Gilman se baseia em uma ideia que, para mim, é mais uma parte do problema do que parte da solução. Mas novamente, até onde eu posso comprar os meus ideais feministas com os ideais da escritora que lançou esse livro a mais de 100 anos atrás?

Tendo dito isso, tenho que admitir que quanto mais eu leio, e quanto mais Gilman elabora sua premissa, mais eu notei que, escorregões e contradições à parte, é também nisso que ela acredita mais do que tudo. Afinal, qual seria o objetivo de escrever um livro no qual ela não acreditasse nele totalmente? Se deixarmos de lado o culto da maternidade por um momento (o que acho bastante problemático por si só), o que surge é uma novela que é muito menos essencialista do que poderia ter sido. O que é interessante sobre o livro não é o fato de retratar o mundo onde tudo está perto da perfeição, porque não há homens. O que é realmente interessante é o fato de que esta é uma sociedade na qual a oposição entre homens e mulheres desaparece. As mulheres de Terra das Mulheres não são definidas contra nada, então elas podem simplesmente ser seres humanos. Da mesma forma, é assim que eles percebem os três protagonistas, para sua surpresa:

Jeff continuou pensativo. “Apesar de tudo, há algo engraçado sobre isso”, ele disse. “Não é só que não vemos nenhum homem, mas não vemos sinais deles. A reação dessas mulheres é diferente de qualquer outra que eu já tenha conhecido”.
“Há algo no que você diz, Jeff”, eu concordei. “Há uma atmosfera diferente.”
“Eles não parecem notar que somos homens”, continuou ele. “Eles nos tratam bem, assim como fazem umas com as outras. É como se fôssemos um incidente menor”.
Eu assenti. Eu notei isso sozinho.

De certa forma, Terra das Mulheres é mais um tratado filosófico do que uma novela, e sim, há alguns exageros talvez um tanto problemáticos. Mas não deixe que isso o afaste de maneira alguma: como eu disse, Gilman pode ser bem engraçada, e, apesar de todo seu peso teórico, Terra das Mulheres é um livro muito bom, mas certamente não é uma narrativa que podemos engolir, principalmente no momento político em que estamos vivendo hoje.