OSCAR 2019: O que você precisa saber antes de assistir?

Mais um início de ano que chega e com ele mais um término de premiações do meio artístico cinematográfico mundial se acabando. Hoje, 24, acontecerá a última premiação desta temporada com a 91 edição do Oscar, que, como sempre (ou pelo menos nos últimos anos), já começa cheia de retaliações por meio da comunidade artística e pelas pessoas que assistem todos os anos.

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[RESENHA] O FEMINISMO É PARA TODO MUNDO

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Livro: o feminismo é para todo mundo
Autor: bell hooks
Tradução: Ana Luiza Libânio
Ano: 2018
Editora: rosa dos tempos
Páginas: 176
Sinopse: O feminismo sob a visão de uma das mais importantes feministas negras da atualidade. Eleita uma das principais intelectuais norte-americanas, pela revista Atlantic Monthly, e uma das 100 Pessoas Visionárias que Podem Mudar Sua Vida, pela revista Utne Reader, a aclamada feminista negra bell hooks nos apresenta, nesta acessível cartilha, a natureza do feminismo e seu compromisso contra sexismo, exploração sexista e qualquer forma de opressão.


“Eu queria que tivessem uma resposta para a pergunta “o que é o feminismo?” que não fosse ligada nem a medo nem a fantasia. Queria que tivessem esta simples definição para ler repetidas vezes e saber que: “Feminismo é um movimento para acabar com sexismo, exploração sexista e opressão.”

[…]

Adoro essa definição […] adoro porque afirma que não tem a ver com ser anti-homem. Deixa claro que o problema é sexismo.”

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[RESENHA] CRISTAL POLONÊS

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Livro: Cristal Polonês
Autor: Leticia Wierzchowski
Ano: 2003
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 176
Sinopse: ‘Cristal polonês’ é uma história sobre a vida de uma família humilde, de origem polonesa, que vive no Brasil. Marcados por uma tragédia, sua história é narrada pela filha mais velha do casal.


Sob a luz prateada da lua de inverno, o lado dormia. Como uma entidade. Como um grande animal sem volume. Como uma mancha de luz derramada sobre o solo. O sono do lado era um cono intocável, de água serena e brilhante. A superfície argenta era como uma coisa de outro mundo, mágica e linda e fantasmagórica ao mesmo tempo;

[…]

Miti olhou tudo e seus olhos se arregalaram de espanto e de emoção. Dentro das suas roupas grandes demais, era um menininho admirado daquele segredo de águas e de lua.
Ele sussurrou baixinho:
– Que lindo, tatá!
E foi aí que o lago se apaixonou por Miti.

A única coisa doce e ingênua que Cristal Polonês tem é o fato de ter sido narrado por inteiro pelo olhar de uma criança de 9 anos. Isso, levando em conta o transcorrer do livro pode te levar num mar de emoções se você parar para sentir de verdade o que está sendo contado.

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[FILME] MÁQUINAS MORTAIS

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Direção: Christian Rivers
Ano de Lançamento: 10 de Janeiro de 2019
Elenco: Hera Hilmar, Robert Sheehan, Hugo Weaving, Jihae Kim, Ronan Raftery
Gênero: Fantasia/Filme de Ficção Científica
Duração: 2h09m
Sinopse: Anos depois da “Guerra dos Sessenta Minutos”. A Terra está destruída e para sobreviver as cidades se movem em rodas gigantes, conhecidas como Cidades Tração, e lutam com outras para conseguir mais recursos naturais. Quando Londres se envolve em um ataque, Tom (Robert Sheehan) é lançado para fora da cidade junto com uma fora-da-lei e os dois juntos precisam lutar para sobreviver e ainda enfrentar uma ameaça que coloca a vida no planeta em risco.

No início do ano passado chegou ao fim a última saga de filmes de distopia que veio acompanhando outras sagas de grandes sucessos como Harry Potter, Jogos Vorazes, Divergente (porque não né?). Houveram tentativas de falhas e desastrosas de tentar emplacar outras sagas como o finado Percy Jackson e Instrumentos Mortais, mas desde o fim de Maze Runner – A Cura Mortal, nós estávamos órfãos de sagas distópicas nas telonas e com saudades, portanto a ideia de outra saga distópica de best sellers aclamados lá fora para matar a saudades de fãs de distopias chegou em boa hora – uma pena é que veio para matar de desgosto os fãs da série e matar de tédio os que inocentemente compraram o ingresso.

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[FILMES] BUMBLEBEE

4Direção: Travis Knight
Ano de Lançamento: 20 de Dezembro de 2018
Elenco: Hailee Steinfeld, John Cena, Gracie Dzienny, Vanessa Ross, Peter Cullen, Megyn Price
Gênero: Ficção/Ação
Duração: 1h53min
Sinopse: No ano de 1987, Bumblebee encontra refúgio em um ferro-velho de uma pequena cidade praiana da Califórnia. Charlie (Hailee Steinfeld), prestes a fazer 18 anos e buscando seu lugar no mundo, encontra Bumblebee machucado e sem condições de uso. Quando o revive, Charlie logo percebe que este não é qualquer fusca amarelo.

Bumblebee é o mais recente filme habitado no mundo de Transformers, que é o sexto filme a ser lançado da franquia e é uma prequela que se passa nos anos 80 divertida, sincera e cheia de ação que inaugura uma nova – e melhor – era de filmes sobre os Autobots.

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[FILME] DE REPENTE UMA FAMÍLIA

2308941.jpg-c_215_290_x-f_jpg-q_x-xxyxxDireção: Sean Anders
Ano de Lançamento: 29 de Novembro de 2018
Elenco: Mark Wahlberg, Rose Byrne, Isabela Moner, Octavia Spencer, Tig Notaro, Tom Segura, Margo Martindale
Gênero: Comédia/Drama
Duração: 1h58min
Sinopse: Quando Pete (Mark Wahlberg) e Ellie (Rose Byrne) decidem começar uma família, eles começam a explorar o mundo da adoção. Ao conhecer três irmãos, incluindo uma adolescente rebelde de 15 anos (Isabela Moner), eles se veem indo de nenhuma criança à três do dia para noite. Agora, Pete e Ellie precisam tentar aprender as dificuldades da paternidade para conseguir formar uma família.

 

Nós já sabemos o que esperar antes de assistir um filme drama/comédia familiar. Esperamos o casal ansiando por um filho, esperamos as crianças querendo ter uma família mas também sendo muito fechadas por ter passado por muitas coisas em um curto período de vida, vemos a família passando por dificuldades juntas, momentos felizes no meio, o ápice onde algo dá muito errado e logo seguido por um final feliz onde todos estão bem juntos. É clichê? É. Estamos cansados dessa mesma fórmula? Talvez. Mas não o suficiente para não querermos ir ao cinema e assistir De Repente Uma Família, um filme que segue essa fórmula a risca mas que no final, era tudo o que queríamos assistir mesmo.

Sean Anders se baseou em fatos reais ao roteirizar e dirigir esse filme, e apesar do tema de adoção e ele ser um assunto delicado que sofre de pobres políticas públicas nos Estados Unidos (e aqui também) ele não erra ao adicionar o tom de comédia no filme, que foi o suficiente para nos fazer rir enquanto chorávamos em algumas cenas no final também. Tudo muito bem pensado e medido para que o assunto do filme não ficasse pesado demais e que nós saíssemos da sala de cinema secando as lágrimas.

INSTANT FAMILY

Ellie (Rose Byrne) e Pete (Mark Wahlberg) são o tipo de casal que parece ter tudo. Tem uma casa ótimo que eles mesmos construíram, um negócio de sucesso (de construir e reformar casas) onde ambos metem a mão na massa, um cachorro que parece ter vindo de um comercial de ração canina chamado Almôndega, um relacionamento logo e saudável onde eles parecem ainda estar nos estágios iniciais, onde tudo se resume a saídas e a aproveitar a companhia um do outro. Mas para Ellie, parece que está faltando algo na vida deles e não demoram a perceber que talvez seja a existência de um filho. Eles então decidem adotar uma criança e resolvem passar por um curso intensivo de 8 semanas de como se tornar pais adotivos.

Logo eles se veem em uma feira de adoção tentando encontrar ter algum tipo de sentimento cósmico, como diz Pete, com alguma criança mas nada acontece. Porém, ao ver o grupo de adolescentes afastados em um lado da feira, Pete decide ir conversar com eles e se encanta com Lizzy, uma adolescente de 15 anos de idade, porém ela vem com um pacote de mais dois irmãos mais novos, Juan (Gustavo Quiroz) e Lita (Julianna Gamiz). Ellie e Pete não estão prontos para tudo isso, mas quando eles percebem que a família deles achavam que eles não seriam capazes de cuidar de três crianças ao mesmo tempo, eles tomam isso como um desafio e adota os três. Porém, após um período de lua de mel inicialmente tranquilo, logo esse relacionamento entre os cinco vira uma bagunça para todos os envolvidos.

Ellie e Pete, apesar de terem decidido adotar as crianças num momento em que se sentiram desafiados, tem a melhor das intenções, mas, ao acordarem, se veem entre uma adolescente que se sente abandonada e que não quer ser adotada pois tem esperança de voltar a ficar com a mãe, Juan, que está constantemente se envolvendo em acidentes e chorando implorando para que eles não o devolvam para o sistema de adoção e a pequena Lita tem uma personalidade… forte, vamos dizer assim. Em resumo, Ellie e Pete não estavam esperando e/ou estão equipados para isso. No entanto, à medida que as coisas progridem, e os primeiros papais e mamães saem das bocas dos menores, eles percebem o quanto tudo pode valer a pena e o quanto eles tem a perder quando a mãe biológica das crianças entra em contato com elas novamente.

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Os atores principais estão muito bem em seus papéis. Rose Byrne está dentro da sua zona de conforto, nos entregando as cenas mais emotivas e desafiadoras do filme, enquanto Mark Wahlberg pode te surpreender um pouco para quem está acostumado com um Mark musculoso e fazendo sempre o herói no fim do dia. Aqui ele nos entrega um personagem gentil e preocupado, com alguns deslizes mas nada que comprometa por inteiro o seu personagem. As crianças também estão boas em seus papéis mas nada extraordinário, talvez devamos ficar de olho na Isabela Moner, que interpreta Lizzy, que, apesar de não ter nos mostrado nada excepcional, não falhou em interpretar uma personagem com uma cargo histórico pesado em seus ombros e que ficaram visíveis nas cenas que necessitava de um pouco mais de emoção vindo da atriz. Tig Notaro e Octavia Spencer interpretam as assistentes sociais que acompanham o casal durante todo o processo de adoção, mas não são peças chaves no filme e se posso dizer, foram bem mal usadas em seus respectivos papéis. Tivemos participações mais que especiais de Joan Cusack e Margo Martindale mas que, novamente, não foram bem utilizadas, porém é sempre bom revê-las.

De Repente uma Família não é um filme que você lembrará daqui uns anos como um filme que te marcou, mas que, definitivamente, te fará passar bons minutos dentro da sala do cinema, quer seja rindo ou secando algumas lágrimas que venham a aparecer. Sean Anders, diretor e roteirista, nos entregou um filme que fala sobre um assunto sério e delicado mas que com seus tons leves de comédia e bem medidos, faz essas quase duas horas de filme passarem despercebidas. É só não ligar muito para a fórmula repetida.

Confira o trailer legendado do filme logo abaixo:

[FILMES] Infiltrado na Klan

0013923.jpg-r_1280_720-f_jpg-q_x-xxyxxDireção: Spike Lee
Ano de Lançamento: 08 de Novembro de 2018
Elenco: John David Washington, Adam Driver, Laura Harrier, Jasper Pääkkönen, Topher Grace
Gênero: Drama/Filme Policial
Duração: 2h16min
Sinopse: Em 1978, Ron Stallworth, um policial negro do Colorado, conseguiu se infiltrar na Ku Klux Klan local. Ele se comunicava com os outros membros do grupo por meio de telefonemas e cartas, quando precisava estar fisicamente presente enviava um outro policial branco no seu lugar. Depois de meses de investigação, Ron se tornou o líder da seita, sendo responsável por sabotar uma série de linchamentos e outros crimes de ódio orquestrados pelos racistas.

Da melhor maneira possível, Infiltrado na Klan se junta aos grandes sucessos dirigidos por Spike Lee. É direto e confuso, instigante e organizado, tudo ao mesmo tempo em que é bem divertido. Nos tempos que estamos vivendo é de extrema assistirmos, lermos, ouvirmos, termos mais e mais conversas, como a que esse filme pode trazer, afim de que isso jamais volte a acontecer, ou pior, que pessoas simpatizem com ideias parecidas. E ao assistir esse filme, por mais que a história conte um momento que não foi vivido tão explicitamente no nosso país, mas sabemos que aconteceu e que acontece no nosso país, estamos ajudando a história a ser relembrada para que nunca se repita.

Baseado no livro de memórias de Ron Stallworth, Infiltrado na Klan mostra Stallworth (John David Washington) enquanto ele se torna o primeiro policial negro em Colorado Springs. Sempre foi seu sonho de ser policial, mesmo que ele sabendo que não seria bem vindo em seu ambiente de trabalho. Primeiro, ele está preso fazendo trabalho administrativo atrás de uma mesa, preenchendo pedidos de provas e documentos. mas, obviamente, ele quer fazer mais e assume a responsabilidade de lançar sua própria investigação sobre a Klu Klux Klan.

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Stallworth obviamente não pode encontrar nenhum dos membros pessoalmente, já que ele está se passando por um “americano branco” por telefone. Ele se une a Flip Zimmerman (Adam Driver), que assume as interações face a face com o Klan (que gostam de ser chamados de “A Organização”). Flip se apresenta como um homem odioso chamado Ron Stallworth, assumindo a missão de se infiltrar na Organização com esperança de construir um caso contra eles levando até o Grande Feiticeiro, David Duke (Topher Grace).

 
Washington é dominante e natural em seu papel de protagonista, lidando com as responsabilidades de um policial enquanto é o tempo todo visto como ameaça ou alguém inferior. Ele tem uma semelhança surpreendente com seu pai Denzel, mas esse filme certamente o fará uma estrela por si só. Adam Driver, que vem se mostrando cada vez mais versátil em Hollywood, nos dá uma de seus melhores trabalhos nos entregando um personagem fingindo um ódio que ele tem de manter para assim continuar com as investigações dentro da Organização, e ele faz isso parecer bem fácil de alcançar. E como elenco adicional temos Thoper Grace que interpreta Duke com uma facilidade acolhedora e amigável para todos os membros de sua causa, sendo desprezível em cada palavra que ele oferece.

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Há uma subtrama envolvendo uma jovem chamada Patrice (Laura Harrier), uma líder radical de uma organização estudantil, que se torna interesse romântico de Stallworth. Pode parecer que o filme perde bastante tempo dentro dessa história, mas ela oferece uma camada de conflito para Stallworth, já que Patrice não gosta de policiais – ela os chama de porcos – e Stallworth, evitando confrontos, não diz qual sua profissão.

Lee nunca foi um cineasta sutil e Infiltrado na Klan não é para aqueles que não conseguem lidar com suas mensagens. O filme é justo, direto e tem o direito de ter o tom irritado que tem – e ainda assim consegue ser emocionante e divertido sem nunca diminuir a importância do assunto que o permeia por inteiro. Era importante que Lee ligasse os acontecimentos da história dos anos 1970 (onde, obviamente, se refere aos acontecimentos nos EUA nessa década mas que facilmente pode ser aplicada a nossa realidade também) ao que está acontecendo em nosso mundo hoje, conectando os eventos ao que aconteceu há um ano em Charlottesville (EUA). O filme é uma granada lançada na platéia: ele quer nos abalar e acordar todo mundo. É triste e agonizante que o assunto abordado no filme ainda seja tão atual e relevante – mas isso só nos mostra o quanto temos que falar, ouvir, compartilhar e dar espaço para que mais obras como essa chegue à todos.

Confira o trailer logo abaixo: