[Resenha] A Rosa e a Adaga

A Rosa e a adagaLivro: A Rosa e a Adaga
Autores: Renée Ahdieh
Ano: 2017
Editora: Globo Alt
Páginas: 368
Sinopse: A jovem Sherazade se candidata ao posto de noiva de Khalid Ibn Al-Rashid, o rei de Khorasan, de 18 anos de idade, considerado um monstro pelos moradores da cidade por ele governada.Casando-se todos os dias com uma mulher diferente, o califa degola as eleitas a cada amanhecer. Depois de uma fila de garotas assassinadas no castelo, e inúmeras famílias desoladas, Sherazade perde uma de suas melhores amigas, Shiva, uma das vítimas fatais de Khalid. 
Em nome da forte amizade entre ambas, Sherazade planeja uma vingança para colocar fim às atrocidades do atual reinado.
Noite após noite, Sherazade seduz o rei, tecendo histórias que encantam e que garantem sua sobrevivência, embora saiba que cada aurora pode ser a sua última. 
De maneira inesperada, no entanto, passa a enxergar outras situações e realidades nas quais vive um rei com um coração atormentado. Apaixonada, a heroína da história entra em conflito ao encarar seu próprio arrebatamento como uma traição imperdoável à amiga.

aviso!!! Esse livro pode proporcionar os seguintes sintomas: lágrimas, risadas, sentimentos desenfreados, sofrimento e paixonites agudas! esteja avisado!

Longe de Rey, Sherazade enfrenta um pesadelo constante, estar próxima de sua família, mas, distante de onde o seu coração está, com Khalid, o califa de Khorasan. Diante da perspectiva de amar um assassino perante todo o seu reino, Sherazade tenta manter o seu gênio direto sob controle enquanto trama para salvar não só Khalid de uma eminente destruição, como o derramamento de sangue inocente por uma guerra equivocada, como rainha de Khorasan, ela veste o manto e enfrenta seus temores.

Tudo isso terminaria nessa noite. Destino era coisa para tolos. Sherazade não ia ficar esperando que as coisas acontecessem para ela.
Ela as faria acontecer.

Enquanto isso, Khalid tenta lidar com a destruição deixada em Khorasan depois do temporal causado por Jahandar – fato desconhecido pelo califa – saindo às escondidas do palácio para usar as próprias mãos na tentativa de recuperar o pouco que restou da vida de muitos do seu povo. É nesse mesmo momento que sua vida já desestruturada sofre mais um abalo, a fuga repentina de Despina junto ao Rajput, com o consentimento de Khalid, enfraquece o laço dele com Jalal, seu primo e chefe da guarda, o golpe fatal recebido como uma traição por Jalal desde que não só o seu amor desapareceu como levou junto o seu filho, sua família. Mesmo diante da revolta do primo, Khalid não demonstra reação significativa, para ele, seu coração está longe, em algum lugar pelo mar de areia e seu único papel como rei dois reis é assegurar a segurança e prosperidade de seu povo.

Já Sherazade, contando com a ajuda e sabedoria de Musa effendi, destaca a parte mística da trama, ao descobrir que existe uma forma de quebrar a maldição que atrela Khalid a optar por condenar a vida de inocentes durante as auroras, ou a vida de todo o povo, todavia, o preço a pagar exige que ela esteja preparada a enfrentar uma potente ameaça mágica, para isso ela precisa desenvolver seus próprios dons, com ajuda do desaforado Artan. O segundo viés para a quebra da maldição envolve Jahandar, especificamente o livro de feitiços ao qual ele não soltou em momento algum durante sua inconsciência desde o fatídico acontecimento em Khorasan, em que vitimou inúmeras pessoas com uma torrente de raios, o que lhe custou parte de sua vitalidade.

— Ainda assim quer que eu acredite que merece Sherazade. Que é o melhor para ela. — Tariq segurou sua ironia.
— Nunca pediria coisa tão descabida. E fique tranquilo, porque o dia em que eu me preocupar com a sua opinião, será o dia em que a lua nascerá no lugar do sol. Mas saiba o seguinte: lutarei pelo que é importante para mim, até morrer.

Com Jahandar debilitado e sob a corrupção destrutiva do livro mágico, Irsa se alia a Sherazade para sanar duas ameaças em um único golpe, o que ambas não esperavam era que à espreita Tariq e Rahim poderia pôr tudo a perder, pior ainda o próprio Jahandar revidaria e corrompido pelo poder do livro mágico, usaria até mesmo suas filhas para reaver o livro e sua conquista à soberania.

O fatos subsequentes se transformam em uma teia de aranha intricada, onde cada movimento dos envolvidos diretamente ou indiretamente leva a uma fatídico destino, podendo ele ser revertido com astúcia ou enfrentado em sua eclosão furiosa, mesmo Reza bin-Latief se transformou com o poder que passou a deter e essa mudança é tangível para Tariq, para Omar, Reza esconde mais do que aparenta e seus movimentos devem ser estudados, para determinar o rumo que a ganância do homem outrora tão sensato, Omar cautelosamente se prepara para lidar com uma virada do tabuleiro, são tempos obscuros e até os mais honrados dos homens estão suscetíveis à sede de poder.

— Porque não é apenas um beijo. 
— E por quê?
— Porque, quando eu te beijar, quero que os seus sejam os primeiros… e os últimos lábios que jamais beijarei. 

Rahim e Irsa começam a se envolver sentimentalmente, esta que esconde uma solidão pela sua personalidade introspectiva se mostra uma flor do deserto ao receber os raios da determinação, decisivo no momento em que um embate envolvendo Tariq e Khalid, onde uma Sherazade incapacitada e o sentimento de culpa fervem os humores de dois homens não conhecidos por sangue frio e mentes brandas

— Onde… — Jalal tomou fôlego, ainda incrédulo — você esteve?
Despina deu de ombros.
— Estou aqui agora. Está muito zangado comigo?
— Você… — Ele engasgou. — Você… esmagou meu coração.
— Eu sei. — Ela começou a andar na direção dele. — E vou passar o resto da minha vida tentando restaurá-lo. 

O desfecho dessa obra magnífica é de estatelar qualquer um, algumas lágrimas foram derramadas, afinal Renée Ahdieh decidiu fazer um malabarismo com os finais dos personagens e consequentemente com a emoção do leitor. Sendo tão lindamente escrito, A Rosa e a Adaga é único e surpreendente do início ao fim assim como A Fúria e a Aurora, cada momento decisivo é uma nova perspectiva do todo, reviravoltas são a premissa para tantos jogos e traições, cabe a Sherazade assumir as rédeas do destino dessa história, a astuta garota, agora demonstra toda a sua majestade e perspicácia.


para tudo que a globo alt quer me tentar, tem até playlist!

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[Resenha] A Fúria e a Aurora

A furia e a aurora capaLivro: A Fúria e a Aurora
Autores: Renée Ahdieh
Ano: 2016
Editora: Globo Alt
Páginas: 288
Sinopse: A jovem Sherazade se candidata ao posto de noiva de Khalid Ibn Al-Rashid, o rei de Khorasan, de 18 anos de idade, considerado um monstro pelos moradores da cidade por ele governada. 
Casando-se todos os dias com uma mulher diferente, o califa degola as eleitas a cada amanhecer. Depois de uma fila de garotas assassinadas no castelo, e inúmeras famílias desoladas, Sherazade perde uma de suas melhores amigas, Shiva, uma das vítimas fatais de Khalid. 
Em nome da forte amizade entre ambas, Sherazade planeja uma vingança para colocar fim às atrocidades do atual reinado.
Noite após noite, Sherazade seduz o rei, tecendo histórias que encantam e que garantem sua sobrevivência, embora saiba que cada aurora pode ser a sua última. 
De maneira inesperada, no entanto, passa a enxergar outras situações e realidades nas quais vive um rei com um coração atormentado. Apaixonada, a heroína da história entra em conflito ao encarar seu próprio arrebatamento como uma traição imperdoável à amiga.

Furiosa de paixão por esse livro!

Sherazade Al-Khayzuran é uma indomável garota de 16 anos, disposta a arriscar sua vida em prol de cumprir seus objetivos, nem mesmo Jahandar, seu pai, a impede de casar-se com o califa de Khorasan, Khalid Ibn al-Rashid, o assassino que matou dezenas esposas durante as auroras, ela sabe que se tornando a califa nada significa além de colocar um alvo nas costas. Com nova esposa, a próxima vítima da aparente loucura do ‘menino-rei’ é ela, porém o seu desejo de vingança é o combustível para sua sobrevivência e o prazer de arrancar a vida do assassino de sua melhor amiga, Shiva, lhe impulsiona a enredar o califa para estender o seu tempo de vida.

Enquanto Sherazade busca juntar as peças sobre o mistério que é seu marido, a recíproca é verdadeira, o porquê dela ir parar no palácio voluntariosamente para desposar Khalid é um enigma. Para desvendar os segredos da bela Sherazade, Khalid, seu tio Aref al-Khoury, o shahrban de Rey e Jalal al-Khoury, o chefe da guarda e também seu primo iniciam uma busca das verdades ocultas da nova califa que através da astúcia superou com vida não só uma aurora, mas várias consecutivas e ainda não revelou sua identidade ainda, gerando ainda mais suspeitas sobre uma ameaça a vida de Khalid.

— E como saberia se eu estivesse mentindo, sayyidi?
— Porque você não é uma hábil mentirosa. Você apenas acha que é. — Ele se debruçou sobre a mesa e pegou um punhado de amêndoas da bandeja.
O sorriso dela se alargou. Perigosamente.
— E você não é tão bom em avaliar as pessoas. Você apenas acha que é. 

Enquanto isso, Sherazade começa o ardiloso plano de seduzir com histórias o jovem califa, este mesmo em busca do que move sua esposa a uma ofensiva tão serena, ainda sim se encanta não só com a beleza da garota, como na fortaleza em que ela mantém suas emoções. Mantendo sob um manto de sutil obscuridade suas habilidades, como seu talento com o arco, para manter a fachada de fragilidade em prol do seu objetivo, em um descuido ao lidar com sua criada Despina, designada para espioná-la e Jalal, chefe da guarda real, ela percebe estar cercada por pessoas astutas e analíticas ao menor dos seus deslizes, ela precisa retomar as rédeas e se demonstrar afável, escondendo sua personalidade arredia.

Enquanto lida com os obstáculos para executar sua vingança, os amigos de Sherazade pegos de surpresa por sua mudança começam a arquitetar uma forma de resgatá-la e destruir o califa, é o primeiro amor dela, Tariq Imran al-Ziyad, filho de um emir, que por não conseguir tolerar a decisão suicida de sua amada – algo que para o bem e para o mal explicita parte essencial da personalidade do rapaz – se alia ao pai amargurado de Shiva, Reza bin-Latief e segue pelo deserto em busca de aliados e uma revolta de enormes proporções começa a se insinuar ao horizonte.

Tariq era meio palmo mais alto que ele e tinha os ombros mais largos. E Khalid tinha de olhar para cima para falar com esse bobo.
— Sherazade é uma moça difícil, e eu sou um monstro. Suponho que isso forme um belo casal.
Os olhos claros do rapaz faiscaram ao ouvir as palavras de Khalid.
— Você se chocou. — Khalid o observou intensamente. — Com qual parte?
— Com… tudo, sayyidi

Descobrir o que existe sob a camada de frieza e distanciamento do rei é o golpe decisivo para a determinação de Sherazade, cartas nunca enviadas as famílias de todas as garotas que perderam suas vidas para a aurora cruel como esposa do califa a deixam atônita e incapaz de digerir como tanta crueldade é fruto de um homem que se culpa pela morte de suas vítimas, talvez uma explicação possa trazer a tona o que ela já sabia: estava apaixonada por Khalid, pelo assassino de Shiva, sua amiga, sua irmã.

— Perdoe-me, joonam. Pelos segredos. Pelas portas trancadas. Por tudo. Prometo lhe contar um dia. Mas não agora. Acredite que alguns segredos são mais seguros atrás de fechaduras e cadeados — ele disse baixinho.
Joonam. Ele já a chamara assim. Meu tudo

Baseado no clássico As Mil e Uma Noites, O livro inteiro em um banquete aos sentidos, desde o glossário, até o trabalho espetacular com editora em dar uma identidade em forma de capa a obra e  tenho orgulho de dizer que fui conquistada pela capa e encantada pela sinopse. Vários significados são descobertos no contexto criado por Renée Ahdieh, uma obra tão belamente escrita, quanto magicamente concebida, eu indicaria esse livro para quem gosta de uma aventura, do calor e de um delicioso romance.

(último trecho, pois não tinha como resistir, dava para colar o livro inteiro aqui, Khalid é tão maravilhoso!)

— Não quero ser seu dono.
Ela virou o pescoço para encontrar os olhos dele.
— Então nunca mais fale em me mandar para longe. Não sou sua para dispor de mim como quiser.
As feições de Khalid suavizaram com a constatação.
— Você está certa. Você não é minha. — Ele tirou a mão da porta. — Eu é que sou seu.