[Resenha] Uma noiva para Winterborne

Livro: Uma Noiva para Winterborne (Os Ravenels #2)
Autora
: Lisa Kleypas
Tradução: Ana Rodrigues
Ano: 2018
Editora: Arqueiro
Páginas: 336
Sinopse: Rhys Winterborne conquistou uma fortuna incalculável graças a sua ambição ferrenha. Filho de comerciante, ele se acostumou a conseguir exatamente o que quer – nos negócios e em tudo mais. No momento em que conhece a tímida aristocrata lady Helen Ravenel, decide que ela será sua. Se for preciso macular a honra dela para garantir que se case com ele, melhor ainda.
Apesar de sua inocência, a sedução perseverante de Rhys desperta em Helen uma intensa e mútua paixão. Só que Rhys tem muitos inimigos que conspiram contra os dois. Além disso, Helen guarda um segredo sombrio que poderá separá-los para sempre. Os riscos ao amor deles são inimagináveis, mas a recompensa é uma vida inteira de felicidade.

A Lisa não cansa de ser assim surpreendente!

A obra não segue o fluxo usual dos romances de época mais comuns, por isso se não estiver disposto a encarar o desafio e consumir o livro por um todo, esse livro pode não ser pra você, afinal a construção narrativa inicial não faz jus ao todo, mas o todo compreende o conturbado e até esquivo começo, nada de julgar o livro nem pela capa nem pelo ponta pé do princípio.

Rhys Winterborne levanta uma equivocada conclusão acerca de seu caráter ao se mostrar distante e até mesmo egoísta ao lidar com seu noivado, a mente de negociante e escalador social lhe tornou fechado a percepção de que reciprocidade nem sempre exige somas monetárias. Quem lida em uma negociação com ele entende de seu distanciamento e perspicácia, entretanto, o verdadeiro Rhys, aquele sem a armadura de homem de negócios é tocado pela essência gentil e terna de sua noiva, assim se mostrando o mais apaixonado e dedicado amante.

– Ela vai achar você bela demais. E suave demais. Minha mãe não compreende o seu tipo de força.
Helen pareceu satisfeita.
– Você me acha forte?
– Acho – respondeu ele sem hesitar. – Você tem a determinação afiada de uma lâmina de aço – falou ele e, com um olhar sombrio, acrescentou: – Caso contrário, não conseguiria me controlar tão bem.

Helen se assemelha bastante a uma rosa –  não as amadas orquídeas dela -, plácida e subestimada, porém disposta a espetar para proteger a si e àqueles que ama. Com uma personalidade afável e disposta mais a escutar que a dizer, a tornando atenciosa e até mesmo sábia. A vida toda ignorada pelos familiares a ensinou bastante sobre confiar e desconfiar, sua falta de conhecimento sobre o mundo além da bolha em que era obrigada a viver, aumenta seu apetite por aventura e ousadia, é assim que ela revela ter uma calorosa vontade de viver e extrair o que essa expansão do seu mundo pode oferecer.

– Eu preferiria ser jogado em um poço ardente no inferno a voltar ao País de Gales.
Incapaz de tolerá-lo por mais um segundo que fosse, Helen ficou de pé e disse friamente:
– Estou certa de que isso pode ser arranjado, Sr. Vance.

Mais um vez a Lisa não só surpreende com um plot delicioso como também insere seus personagens secundários, dedicando-lhes terna atenção e conquistando o leitor com personalidades diversas, as já conhecidas gêmeas Cassandra e Pandora são o oposto de qualquer bons modos frios e distantes da aristocracia, Pandora ainda mais por sua personalidade liberal e independente. Dessa vez pessoalmente minha atenção está toda centrada numa nova personagem, a Dra. Garreth Gibson, uma médica – levando em conta que nesse período mulheres exerciam papel na área de saúde apenas como enfermeiras – que demonstra pouca disposição a levar qualquer desaforo pra casa, totalmente confiante e certa de si, ela mesma força a porta pra fazer seu caminho, como a própria autora faz questão de assinalar nas notas finais do livro, ela foi moldada como uma visionária, da personalidade ao nome, que por sua vez possui significância histórica relacionada também a primeira médica.

– Dra. Gibson – falou ele, com uma ênfase no “doutora” que soou como um insulto. – Esse é o Sr. Winterborne. O da loja de departamentos. Ele precisa ser tratado por um médico de verdade, com experiência e treinamento adequados, para não mencionar…
– Um pênis? – sugeriu ela com acidez. – Lamento, mas isso eu não tenho. E também não é um pré-requisito para se conseguir um diploma de medicina. Sou uma médica de verdade e, quanto mais rápido eu cuidar do ombro do Sr. Winterborne, melhor será para ele.

É maravilhoso concluir uma leitura e sentir certa realização, as altas expectativas além de atendidas foram confrontadas, com as suntuosas reviravoltas do fluxo da trama, a emoção do leitor é instigada e os sentimentos entre personagens e leitores convergem na maestria da Lisa de moldar a perspectiva para ser vivenciada, devido a isso o mais a sede pelos livros da série aumenta, some isso a esse trabalho editorial divino e é suficiente pra cada aspecto desse livro ser um banquete, mesmo o trecho referente ao livro seguinte da série, Um Acordo Pecaminoso, conquista e ao mesmo tempo resgata aquela lembrança de outra querida série da autora, As Quatro Estações do Amor, mais especificamente o casal inesperado Sebastian e Evie, a vontade reler o Pecados no Inverno é inevitável e muito bem-vindo, inclusive recomendo.


Um livro por semestre é muito sofrimento @Editora Arqueiro!

 

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[Resenha] Uma Noite Inesquecível

Livro: Uma Noite Inesquecível
Autora: Lisa Kleypas
Ano: 2017
Editora: Arqueiro
Páginas: 144 
Sinopse: O Natal está se aproximando e Rafe Bowman acaba de chegar a Londres 
para uma união arranjada com Natalie Blandford. Com sua beleza estonteante 
e o físico imponente, ele tem certeza de que a linda aristocrata logo cairá 
a seus pés.
No entanto, seus terríveis modos americanos e sua péssima reputação de 
farrista deixam Hannah, a prima da moça, chocada. Determinada a proteger 
Natalie, ela vai tornar a tarefa de cortejar a jovem muito mais difícil 
do que Rafe esperava.
Hannah, porém, logo começa a se importar mais do que gostaria com o rude 
pretendente da prima. Rafe, por sua vez, passa a apreciar um pouco demais 
a companhia de Hannah, uma mulher forte e pragmática com um coração doce 
e gentil. E quando Daisy, Lillian, Annabelle e Evie, quatro amigas inseparáveis 
que já conseguiram encontrar o homem de seus sonhos, decidem agir como cupidos,
quem sabe o que pode acontecer?

Vamos falar sobre o meu mais novo amor!

Em apenas cento e poucas páginas a Lisa faz sonhar e se apaixonar mais uma vez pelas quatro amigas, as Flores Secas e vai mais além com personagens totalmente charmosos, a Hannah e o infame (vou explicar o porquê) Rafe Bowman.

~Jingle bells jingle bells~ é Natal e um eminente espetáculo está prestes a invadir a chaminé, Rafe irmão mais velho de Lilian e Daisy está chegando a Inglaterra para se casar com uma inglesa de sangue nobre – se pensou na intromissão do detestável Thomas Bowman, pensou certo – Lady Natalie Blandford, para ajudar Rafe em sua missão de corteja-lá, Lilian, Anabelle e Evie organizam um chá da tarde com a dama de companhia de Natalie, srta. Appleton, a espirituosa e sincera Hannah.

Rafe não conseguia parar de olhar para a Srta. Appleton, que estava sentada bem aprumada em sua cadeira, tomando o chá de maneira polida. Queria tirar os grampos do cabelo dela e passar os dedos por ele. Queria jogá-la no chão. Ela parecia tão distinta, tão certinha, sentada ali com as saias perfeitamente arrumadas.

E isso só o fazia querer ser muito, muito mau.

Com seus estritos modos ingleses, a srta. Appleton é confrontada pela natureza tipicamente despojada do americano Rafe, que por sua vez sente o instinto traquina em seu sangue borbulhar e se vê instigado pela forma polida e certinha dela. Em busca de provocar reações adversas e desvendar Hannah, Rafe se sente atraído e compelido a incita-lá, ela por outro lado não é tola e lhe responde a altura com muita propriedade de si.

– Tudo o que você demonstrou até agora confirma que não é capaz de ser fiel.
– Posso ser, se encontrar a mulher certa.
– Não, você não seria – disse ela com firmeza. – Ser ou não fiel não tem nada a ver com a mulher, depende inteiramente de seu caráter.

Enquanto é incumbido de cortejar lady Natalie, Rafe aprecia mais do que nunca Hannah, para Hannah, Rafe aos poucos de transforma de um cretino para um belo insolente, as farpas que os dois trocam demonstram o quão diferentes os dois são e nos delicia com os diálogos ricos e com o senso de humor sarcástico de ambos.

Muitas palavras  elogiosas podem descrever um livro tão curto e tão brilhante, uma delas com certeza é magnífico, sentir o Natal e o desabrochar de uma paixão tão intensa – de todos os casais envolvidos, portanto use a imaginação – é mais do que uma promessa, é uma essência encontrada em cada espacinho dessa obra, desde a bela capa tão representativa até o último ponto final dessa deliciosa aventura.