[Resenha] Uma Proposta e Nada Mais (Clube dos Sobreviventes #1)

Livro: Uma Proposta e Nada Mais (Clube dos Sobreviventes #1)
Autora
: Mary Balogh
Ano: 2018
Editora: Arqueiro
Páginas: 272
Sinopse: Após ter tido sua cota de sofrimentos na vida, a jovem viúva Gwendoline, lady Muir, estava mais que satisfeita com sua rotina tranquila, e sempre resistiu a se casar novamente. Agora, porém, passou a se sentir solitária e inquieta, e considera a ideia de arranjar um marido calmo, refinado e que não espere muito dela.
Ao conhecer Hugo Emes, o lorde Trentham, logo vê que ele não é nada disso. Grosseirão e carrancudo, Hugo é um cavalheiro apenas no nome: ganhou seu título em reconhecimento a feitos na guerra. Após a morte do pai, um rico negociante, ele se vê responsável pelo bem-estar da madrasta e da meia-irmã, e decide arranjar uma esposa para tornar essa nova fase menos penosa.
Hugo a princípio não quer cortejar Gwen, pois a julga uma típica aristocrata mimada. Mas logo se torna incapaz de resistir a seu jeito inocente e sincero, sua risada contagiante, seu rosto adorável. Ela, por sua vez, começa a experimentar com ele sensações que jamais imaginava sentir novamente. E a cada beijo e cada carícia, Hugo a conquista mais – com seu desejo, seu amor e a promessa de fazê-la feliz para sempre.

Mary é tão boa que deveria ser elogio!

Nesse retorno nacional da Mary, uma série se forma através de um grupo incomum, porém com tanto em comum que mesmo sem laços de sangue, são tão próximos quanto parentes – ou até mais -, unidos pelas tragédias e sofrimentos passados nas Guerras Napoleônicas, viveram períodos de recuperação e lutas contra os demônios que os agonizam na casa de campo Penderris Hall, sob cuidados de George Crabbe, duque de Stanbrook e mesmo após a separação do grupo para reintegração social e com os próprios familiares, anualmente voltam a se reunir e desfrutar de um tempo juntos.

No entanto, ele sorria e era encantador. Mas estaria sorrindo por dentro? Havia algo levemente perturbador em sua alegria, agora que compreendia a devastação que as guerras lhe causaram.

Hugo é a antítese de um romântico nato, com personalidade de quem já viu e passou por muito, acredita que os rodeios de ações e conversas são percas de tempo, por isso é direto e até mesmo cortante, meias palavras não fazem parte do seu vocabulário, como um produto de uma sociedade que subestima sentimentos e por vezes a capacidade feminina de digerir determinados assuntos – dentre eles, a destruição causada pela guerra – ele ainda tem muito o que se permitir. Apesar de ser reconhecido como um lorde e herói de guerra, reluta em aceitar a hipocrisia da situação, a guerra destrói vidas e a missão suicida que liderou mesmo tendo sucesso, custou a vida de inúmeros companheiros e sua consciência – literalmente -, mas agora responsável por sua família ele deve assumir a frente e também cumprir a promessa feita a seu pai em leito de morte: ter um herdeiro, para isso ele precisa se casar, todavia seu traquejo social e de corte, são quase nulos, parece mais fácil assumir a frente de uma tropa numa guerra.

– Sinto muito pelo que passou – disse ela. – Mas seu colapso só foi vergonhoso quando analisado sob a perspectiva de uma masculinidade brutal e agressiva. Não se espera que um comandante se importe com os subordinados. O fato de ter se importado, de se importar, só o torna mais admirável aos meus olhos.

Lady Gwendoline Muir, é uma viúva já a cerca de 7 anos, seu casamento embora contasse com afeto mútuo, deixou-a emocionalmente exaurida. Com uma personalidade singela e disposta a ajudar que a deixa em situações que seria preferível evitar – como ficar na companhia de Vera, uma “amiga” que ninguém merece ter -, mesmo sendo amada e amando seus familiares, Gwen sente uma solidão e ressentimento fruto do seu matrimônio. Além de traumas físicos, como seu tornozelo manco e a aparente incapacidade de conceber filhos, possui também traumas psicológicos, guarda dores e arrependimentos, embora deseje aproveitar o máximo seus familiares, essa sombra a acompanha e ela não acredita que existe alguém no seu círculo íntimo capaz de compreender seus “demônios”.

– (…) As pessoas, sobretudo as religiosas, dão a entender que é errado, até mesmo pecado, amar a si mesmo. Não é. É o amor básico, essencial. Quando você não ama a si mesma, não tem condições de amar mais ninguém. Não de maneira completa e verdadeira.

As diferenças sociais se sobressaem entre Lady Muir e Lorde Trenthan, ela como dama de nascença e ele com receio da classe aristocrática, divergem em reflexões com base em experiências do próprio mundo, lembrando um pouco da essência de Elizabeth e Darcy em Orgulho e Preconceito, onde ambos possuem visões conjeturadas em paradigmas. Hugo com extremo receio acaba sendo o maior obstáculo para desenvolver proximidade afetiva, apesar de sua inegável auto confiança, seu temor se desenrola em uma forma de temor excessivo e até mesmo preconceito sobre o modo de vida da sociedade aristocrata, algo que penosamente Gwen tenta demonstrar não se tratar de uma inviabilidade para acreditar que ela também é humana.

– (…) Já carrega muitas culpas sem ter que assombrar a alma com as minhas. Precisamos de alguém que nos liberte de tanto peso.
– Ninguém é capaz de fazer tal coisa – ressaltou ele. – Nunca se case motivada por essa esperança. Ela será destruída antes que se passe uma quinzena

Devo também destacar o quão mágico é revisitar lembranças de outros livros quando personagens anteriores da autora são inseridos na trama atual, uma experiência nostálgica e deliciosa tenho que dizer, o coração dá até uma acelerada de relembrar os momentos passados, ainda mais quando o duque de Bewcastle, Wulfric Bedwyn dá os ares com toda a sua arrogância ducal para rebater a tirania de alguns, acompanhado da esplêndida duquesa Christine Bedwyn. Somando também o fator das características dos membros dos Clubes dos Sobreviventes prometer um futuro promissor para a série, como a animosidade de Flavian Artnott, o visconde Ponsonby, a placidez de Ralph Stockwood, o conde de Berwick, a sagacidade de Imogen Hayes, a viúva lady Barclay, a tenacidade de Benedict Harper, a perceptividade de Vincent Hunt, lorde Darleigh e as atitudes reservadas de George Crabbe, o duque de Stanbrook.

O livro se aprofunda em questões além de fatores do amor imensurável entre o possível casal a ser formado, onde a Mary emociona o leitor com o porquê desse grupo de pessoas merecer ter um foco específico, cada um carregando suas cicatrizes, o quanto uma companhia pode salvar um espírito enfraquecido e desacreditado, como se pode crescer reconhecendo que amizades são partilhas tanto de alegrias, quanto de tristezas. Os momentos reflexivos da trama são densos e tocantes no sentido mais cru da palavra.


Um sonho: O segundo volume poderia sair amanhã

Anúncios

[Resenha] Um sedutor sem coração

Livro: Um sedutor sem coração (Os Ravenels #1)
Autora
: Lisa Kleypas
Ano: 2018
Editora: Arqueiro
Páginas: 320
Sinopse: Devon Ravenel, o libertino mais maliciosamente charmoso de Londres, acabou de herdar um condado. Só que a nova posição de poder traz muitas responsabilidades indesejadas – e algumas surpresas.
A propriedade está afundada em dívidas e as três inocentes irmãs mais novas do antigo conde ainda estão ocupando a casa. Junto com elas vive Kathleen, a bela e jovem viúva, dona de uma inteligência e uma determinação que só se comparam às do próprio Devon.
Assim que o conhece, Kathleen percebe que não deve confiar em um cafajeste como ele. Mas a ardente atração que logo nasce entre os dois é impossível de negar.
Ao perceber que está sucumbindo à sedução habilmente orquestrada por Devon, ela se vê diante de um dilema: será que deve entregar o coração ao homem mais perigoso que já conheceu?

Romance de época para o ano ficar melhor

Lisa retorna com mais uma série de romances de época e cativa pela construção de enredos e incita o leitor a acompanhar cada momento e desenrolar dramático de sua obra, uma escritora carismática com personagens tão bem concebidos que a proximidade para reconhecer suas evoluções é tangível a um nível além da imaginação.

Lady Kathleen Trenear é viúva de um casamento de apenas 3 infelizes – literalmente – dias de duração, mesmo assim imposta às rígidas etiquetas sociais para seguir o extenso período de luto, junto as suas cunhadas, Lady Helen e as vivazes gêmeas, Ladies Cassandra e Pandora, são reclusas no Priorado de Eversby em Hampshire. Mas seu equilíbrio de normalidade e etiqueta é abalado pela posse do novo herdeiro do condado e seu irmão, Devon Ravenel e West Ravenel respectivamente, mas ela não permite que as naturezas indignas dos dois ponham a prova sua paciência e a vida de inúmeras pessoas que dependem do novo Lorde, cabe a ela tentar estabelecer limites e ao mesmo tempo manter seu orgulho.

Kathleen deu as costas a West e jogou algumas últimas palavras por sobre o ombro:
– Talvez um dia o senhor encontre alguém que o salve de seus excessos. Pessoalmente, não acredito que valha o esforço.

Devon é o oposto de um perfeito protagonista de romance, preguiçoso e evasivo com responsabilidades, seu objetivo de vida era levar a vida junto ao irmão West, de forma indulgente e evitando tipo de atividade “decente”. Entretanto, após a herança de um condado cair em seu colo sua primeira reação é lavar as mãos de qualquer relação com essa interminável fonte de problemas em Hampshire e voltar a Londres, uma casa caindo aos pedaços, um condado falido e afundado em dívidas não é nada que ele queira, mas quando uma jovem viúva de atitude sagaz e língua ferina o atacam ele decide não só se prestar ao desafio, quanto assumir responsabilidades pelo futuro de suas incontroláveis primas e para conquista da domadora espirituosa, Kathlenn.

– O que as damas usam sob a calça de montar?
Uma risada ofegante escapou dos lábios de Kathleen, que deixou as luvas caírem no chão.
– Eu imaginaria que um renomado canalha já soubesse a resposta para essa pergunta.
– Nunca fui renomado. Na verdade, sou apenas um canalha bem padrão.

Kathleen e Devon possuem personalidade antíteses, ele com seu princípio do pouco esforço, embora passe a se dedicar a tarefa de assumir o título de Conde e suas obrigações, ela possui forte senso de responsabilidade e uma rígida criação a poliu de forma que sua força de vontade além de ferrenha é determinada, mesmo que ambos possuam negligências familiares como marco de suas vidas, se recusam a compartilhar seus sentimentos, quem assume então o papel de intermediador é o inconsequente em regeneração West, que sabe bem como é um Ravenel e conhece bastante a desaforada Lady Trenear.

– Isso é ter uma família? – perguntou Devon, irritado. – Discussões sem fim, conversas sobre sentimentos dia e noite? Quando diabo poderei fazer o que quiser sem ter que levar em conta meia dúzia de pessoas?
– Quando você viver sozinho numa ilha, com um único coqueiro e um coco – retrucou Kathleen, ríspida. – E mesmo assim, tenho certeza de que acharia o coco exigente demais.

Leia mais »

[Resenha] Como se casar com um Marquês

Livro: Como se casar com um marquês
Autora: Julia Quinn
Ano: 2017
Editora: Arqueiro
Páginas: 320
Sinopse: Elizabeth Hotchkiss precisa se casar com um homem rico, e bem
rápido. Com três irmãos mais novos para sustentar, ela sabe que não lhe 
resta outra alternativa.
Então, quando encontra o livro Como se casar com um marquês na biblioteca
de lady Danbury, para quem trabalha como dama de companhia, ela não pensa
duas vezes: coloca o exemplar na bolsa e leva para casa.
Incentivada por uma das irmãs, Elizabeth decide encontrar um homem qualquer
para praticar as técnicas ensinadas no pequeno manual.
É quando surge James Siddons, marquês de Riverdale e sobrinho de lady Danbury,
que o convocou para salvá-la de um chantagista. Para realizar a investigação,
ele finge ser outra pessoa. E o primeiro nome na sua lista de suspeitos 
é justamente... Elizabeth Hotchkiss.
Intrigado pela atraente jovem com o curioso livrinho de regras, James galantemente se oferece para ajudá-la a 
conseguir um marido, deixando-a praticar as técnicas com ele. Afinal, quanto mais tempo passar na companhia de 
Elizabeth, mais perto estará de descobrir se ela é culpada.Mas quando o treinamento se torna perfeito demais, 
James decide que só há uma regra que vale a pena seguir: que Elizabeth se case com seu marquês.

Melhor que um marquês, é um marquês disfarçado!

Se um livro da Julia conta com a presença ativa do maior ícone da alta sociedade inglesa, então inegavelmente o resultado vai conter: doses gloriosas de comédia, artimanhas apuradas de uma esperta condessa, personagens se não loucos, já ensandecidos ou próximos de uma beatificação, o segundo volume de Agentes da Coroa não possui escapatória e Quinn mais uma vez enfeitiça com personagens tão autênticos e vorazes diálogos.

Elizabeth Hotchkiss, é dama de companhia da desaforada e sarcástica Lady Danbury – o temor da alta sociedade, porém amada em igual nível -, após 5 anos consecutivos em convivência com a condessa anciã, obviamente a sanidade da jovem é questionável, em meio a tantos “humpf” Elizabeth encontra além do sustento de seus 3 irmãos mais novos, encontra sua habilidade e tenacidade.

– Ah, bom, eu… – Ela reprimiu o que quer que estivesse planejando dizer. – Eu não me expressei bem. Juro. Não quero que você se machuque, mas realmente coloquei toda a minha força naquele soco, e…
– Sem dúvida vou exibir os resultados do seu soco amanhã, não se preocupe. Ela arquejou em uma mistura de alegria e horror.
– Deixei você com um olho roxo?
– Achei que você não quisesse me machucar. 

James, o marquês de Riverdale, também o adorado sobrinho da condessa aterrorizadora em questão, é requisitado para cumprir a missão de desvendar a identidade do descarado e ousado – e ponha ousado nisso – chantagista que ousa tomar como alvo a querida Danbury, sob uma falsa identidade ele se infiltra na rotina da casa Danbury e uma figura de atitudes estranhas levanta suspeitas com seu comportamento agitado e ilógico.

– É mesmo uma história sensacional – disse Blake com um dar de ombros. – Eu escreveria um livro a respeito, mas sei que ninguém acreditaria em mim. – Acha mesmo? – perguntou Caroline, os olhos iluminados de prazer. – Que título você daria ao livro?

– Não sei… – falou Blake, esfregando o queixo. – Talvez algo sobre como agarrar uma herdeira.

James aproximou o rosto do de Blake.

– Por que não Como deixar seus amigos completa e irrevogavelmente loucos? 

Se revelando uma desastrada James beira a conclusão da inocência da Srta. Hotchkiss, no entanto a frequente atitude suspeita de Elizabeth o confundem, as vagas e infrutíferas tentativas dela de conquistar o administrador no seu treino, a levam a beira da loucura, afinal é bastante difícil levar a risca os absurdos decretos do livrinho da Sra. Seeton, algo esperando de um livro advindo da coleção de Lady Agatha Danbury.

Em uma similaridade ao casal Ravenscroft, tanto James, quanto Elizabeth se provam apegados ao orgulho, mesmo catalisador da demora para admissão de sentimentos de Blake e Caroline, dessa vez a personalidade solidamente apegada aos próprios princípios e as limitações, sejam elas por sua condição social ou impostas por si mesma, ficam por conta de Elizabeth e a habilidade de descontrair e até mesmo distorcer um pensamento é parte – como já era de se imaginar –  de James.

– Ah, Jane! – chamou ele, inclinando-se contra o batente da porta.

Elizabeth não conseguiu ver dentro da cozinha, mas conseguia imaginar perfeitamente a cena: a irmã pequena levantando a cabeça, os olhos azul-escuros arregalados e encantados.

James soprou um beijo para ela.

– Adeus, doce Jane. Gostaria de verdade que você fosse um pouco mais velha.

Poucos sobrevivem a um diálogo com Lady Danbury, mas Elizabeth tem isso como sua rotina diária, se isso não é mais límpida comprovação de seu espírito de aço e personalidade ferrenha então não sei o que mais seria, enquanto James cresceu sob os cuidados da condessa e consegue compreender as artimanhas da anciã, ambos compartilham pontos em comum, porém suas divergências estão a um segredo de distância. Se um conteúdo tão excepcional e inspirador são insuficientes, obviamente a Arqueiro realizou mais uma produção simplesmente espetacular em confecção editorial e transforma a leitura em uma experiência completa e sensacional.


Compartilha conosco sua experiência com esses Agentes – do amor, claro!

[Resenha] Romance Entre Rendas

Livro: Romance Entre Rendas
Autora: Loretta Chase
Ano: 2017 
Editora: Arqueiro 
Páginas: 320
Sinopse: Que lady Clara Fairfax é dona de uma beleza estonteante, Londres 
inteira já sabe. Mas a fila de pretendentes que bate à porta de sua casa 
com propostas de casamento já está irritando a jovem.
Cansada de ser vista apenas como um ornamento, Clara decide afastar-se um 
pouco da alta sociedade e se dedicar à caridade. Um dia, numa visita a uma 
obra social, ela depara com uma garota em perigo e pede ajuda ao alto, 
sombrio e enervante advogado Oliver Radford.
Radford sempre foi avesso à nobreza, mas, para sua surpresa, pode vir a se 
tornar o próximo duque de Malvern. Embora queira manter sua relação com 
Clara no campo estritamente profissional, aos poucos ele percebe que ela, 
além de linda, é inteligente, sensível e corajosa.
E quando a perspectiva de casamento se aproxima, tudo o que Radford pode 
fazer é tentar não perder a cabeça por Clara. Será que a herdeira mais 
adorada da sociedade e o solteiro menos acessível de Londres serão vítimas
de seus próprios desejos?

Último chá da tarde com as melhores modistas do continente!

Desde Sedução da Seda, a trajetória de Lady Clara Fairfax é acompanhada pelas irmãs Noirot, podendo se dizer que a mesma é uma Noirot honorária, que em tênue oposição às obras anteriores da série, a mente de uma modista e comerciante não fica em destaque, afinal as irmãs Noirot são calculistas por sangue e treinamento, a Clara é atribuída a característica de tenaz e mesmo sem compartilhar do sangue dos DeLuceys faz por merecer seu lugar ao lado das temidas modistas francesas.

Com um conceito proveniente do feminismo, Clara é a personificação da mulher em processo de libertação e inconformidade com seu lugar no mundo pré-determinado desde o nascimento pela condição de mulher aristocrata. As frequentes declarações e propostas de casamento que recebe tornou Clara apática a ideia do casamento e sua sede de aventura fala mais alto incitando sua espirituosa faceta.

– Cuidar de você vai me oferecer oportunidades mais do que suficientes – retrucou ela. – Tendo a acreditar que eu possa civilizá-lo, embora suspeite que o processo será lento e exigirá muita astúcia, bem como paciência.
– Ele exige uma mulher de vontade extraordinariamente forte. Acredito que você esteja qualificada.
– Sei que estou. Caso contrário, não teria me casado com você. Meu caro e erudito amigo, podemos analisar o problema de maneira lógica?

Radford é um homem inteligente e consequentemente antipático, em sua carreira de advogado acumulou diversos inimigos, afinal o submundo de Londres não apreciam intrometidos de mente e língua afiada. Desde seu “título” como Corvo, ele é perspicaz, insistente e sabe usar suas habilidades para lhe dar a vantagem, no entanto barganhar é um fraco e sua pouca influência em Clara Fairfax o levam a testar suas próprias capacidades de persuasão e auto controle, que ao estar em nesse debate ideológico o inspira aos mais acalorados discursos sobre prudência e paixão.

– Se você não se tornar mais moderado em seus hábitos, morrerá jovem. Antes disso, porém, se tornará impotente. O que significa que…
– Sei o que significa. – Bernard riu. – Membro desolado e caído. É esse o seu problema, pequeno Corvo? O que o faz ser um chato?
– É do seu membro que estamos falando, seu imbecil – retrucou Radford.

Nesse último volume de As Modistas, Loretta explora mais a fundo a personalidade de Clara e o que antes se tinha como uma dama frívola é esclarecido como um equívoco, a capacidade de se impor perante o astuto Radford e não permitir ser subjugada por ser mulher não é possível para qualquer dama de berço aristocrático, um pouco dos personagens anteriores é introduzido no livro, um complemento caloroso para um desfecho com um revira volta a cada capítulo e um casal espirituoso e atrevido como protagonista.

Graças às noções que o duque, o marquês e o conde faziam de uma despedida de solteiro, Radford não desfrutara de mais do que duas horas de sono. Ele achou que os três homens, como tantos outros, estavam tentando matá-lo ou queriam ter certeza de que ele não chegaria à cerimônia de casamento.

Mas o motivo de ele não conseguir ver nada nem ninguém a seu redor foi outro.

Foi a imagem à entrada do salão.

Clara.

A sua noiva – sua noiva – de braço dado com o pai.


Iniciando com 3 modistas e uma lady bem nascida e concluindo com 2 duquesas, 1 marquesa e 1 condessa, o amor da Loretta pela aristocracia domada não tem fim!

[Resenha] Como Agarrar uma Herdeira

Livro: Como Agarrar uma Herdeira
Autora: Julia Quinn
Ano: 2017
Editora: Arqueiro
Páginas: 304
Sinopse: Quando Caroline Trent é sequestrada por engano por Blake Ravenscroft, 
não faz o menor esforço para se libertar das garras do agente perigosamente 
sedutor. Afinal, está mesmo querendo escapar do casamento forçado com um 
homem que só se interessa pela fortuna que ela herdou.
Blake a confundiu com a famosa espiã espanhola Carlotta De Leon, e Caroline 
não vai se preocupar em esclarecer nada até completar 21 anos, dali a seis 
semanas, quando passará a controlar a própria herança milionária. Enquanto 
isso, é muito mais conveniente ficar escondida ao lado desse sequestrador 
misterioso.
A missão de Blake era levar “Carlotta” à justiça, e não se apaixonar por 
ela. Depois de anos de intriga e espionagem a serviço da Coroa, o coração 
dele ficou frio e insensível, mas essa prisioneira se prova uma verdadeira 
tentação que o desarma completamente.

Julia Quinn na área, ninguém sai, é o meu momento!

Quem apreciou  os Bridgertons, o Quarteto Smythe-Smith está pronto para se deliciar com mais uma obra genial e hilária da Quinn, em uma duologia com ação, mistério e claro, romance, a autora se supera com personagens ainda mais ousados e com personalidades hilárias, o resultado é um livro excepcional, engraçado e esplêndido do título ao ponto final.

Aproveitando da situação conveniente de ser levada pra longe sob a proteção de um sujeito misterioso, Caroline tenta manter sua identidade sob uma névoa, enquanto sabota todas as tentativas de seu captor de lhe interrogar, protelando o fim de sua estadia sob a hospedagem de Blake.

Caroline Trent é jovem porém sua sorte nas mãos ora cruéis, ora negligentes – ora ambos – de seus tutores, com bônus da morte precoce deles, a forçaram a amadurecer e planejar a sua liberdade aos 22 anos. Sua personalidade é moldada para estar preparada para intervenções inesperadas e ataques violentos, sim, Caroline está munida de seu intelecto e de uma arma, afinal não é possível se safar de qualquer situação por meio de um debate amistoso.

– O mínimo que você poderia fazer era me dizer obrigado – disse Caroline, bufando.
– Obrigado?!
– De nada – retrucou ela rapidamente.

Blake Ravenscroft é um agente da coroa, depois de viver e sobreviver a muitas causas impossíveis em nome do país, as perdas o tornaram ressentido, por vezes amargo, seu objetivo de concluir sua última missão – prender uma espiã espanhola – o leva a capturar uma estranha figura feminina. Para tormento de Blake a mulher capturada é revelada uma fraude, porém a ardilosa Caroline é mais do que ele pode lidar e debater com alguém insolente e vívida como ela é um desafio a tênue paciência do agente, ainda em união com seu amigo e companheiro de missão, James, o marquês de Riverdale, Blake está sempre a beira de uma síncope.

– Perriwick! – bradou Blake. – Se eu ouvir “Se me permite a impertinência” mais uma vez, juro que o jogarei no Canal da Mancha.

– Ah, meu Deus – disse Penelope. – Talvez ele esteja mesmo com febre. O que acha, Perriwick?

O mordomo estendeu a mão para a testa de Blake, que quase o mordeu.

– Se me tocar, morre – ameaçou Blake.

– Estamos um pouco rabugentos esta tarde, não é mesmo? – comentou Perriwick, sorrindo. 

Como uma pessoa mais do que suspeita para avaliar os livros da Julia, mais do que nunca me senti cativada por quão criativa ela é, o primeiro título dos Agentes da Coroa é para quem deseja acima de tudo rir e mergulhar em uma trama com ação na medida certa e um romance encantador, afinal Julia não vive sem nos dar uma dose mais que bem-vinda de amor e paixão. Se todos esses argumentos ainda forem insuficientes, bem, checa essa capa e acabamento editorial que Arqueiro fez e imagine as possibilidades do enredo.


À Espera de James, o Marquês casamenteiro!

[Resenha] Uma Noite Inesquecível

Livro: Uma Noite Inesquecível
Autora: Lisa Kleypas
Ano: 2017
Editora: Arqueiro
Páginas: 144 
Sinopse: O Natal está se aproximando e Rafe Bowman acaba de chegar a Londres 
para uma união arranjada com Natalie Blandford. Com sua beleza estonteante 
e o físico imponente, ele tem certeza de que a linda aristocrata logo cairá 
a seus pés.
No entanto, seus terríveis modos americanos e sua péssima reputação de 
farrista deixam Hannah, a prima da moça, chocada. Determinada a proteger 
Natalie, ela vai tornar a tarefa de cortejar a jovem muito mais difícil 
do que Rafe esperava.
Hannah, porém, logo começa a se importar mais do que gostaria com o rude 
pretendente da prima. Rafe, por sua vez, passa a apreciar um pouco demais 
a companhia de Hannah, uma mulher forte e pragmática com um coração doce 
e gentil. E quando Daisy, Lillian, Annabelle e Evie, quatro amigas inseparáveis 
que já conseguiram encontrar o homem de seus sonhos, decidem agir como cupidos,
quem sabe o que pode acontecer?

Vamos falar sobre o meu mais novo amor!

Em apenas cento e poucas páginas a Lisa faz sonhar e se apaixonar mais uma vez pelas quatro amigas, as Flores Secas e vai mais além com personagens totalmente charmosos, a Hannah e o infame (vou explicar o porquê) Rafe Bowman.

~Jingle bells jingle bells~ é Natal e um eminente espetáculo está prestes a invadir a chaminé, Rafe irmão mais velho de Lilian e Daisy está chegando a Inglaterra para se casar com uma inglesa de sangue nobre – se pensou na intromissão do detestável Thomas Bowman, pensou certo – Lady Natalie Blandford, para ajudar Rafe em sua missão de corteja-lá, Lilian, Anabelle e Evie organizam um chá da tarde com a dama de companhia de Natalie, srta. Appleton, a espirituosa e sincera Hannah.

Rafe não conseguia parar de olhar para a Srta. Appleton, que estava sentada bem aprumada em sua cadeira, tomando o chá de maneira polida. Queria tirar os grampos do cabelo dela e passar os dedos por ele. Queria jogá-la no chão. Ela parecia tão distinta, tão certinha, sentada ali com as saias perfeitamente arrumadas.

E isso só o fazia querer ser muito, muito mau.

Com seus estritos modos ingleses, a srta. Appleton é confrontada pela natureza tipicamente despojada do americano Rafe, que por sua vez sente o instinto traquina em seu sangue borbulhar e se vê instigado pela forma polida e certinha dela. Em busca de provocar reações adversas e desvendar Hannah, Rafe se sente atraído e compelido a incita-lá, ela por outro lado não é tola e lhe responde a altura com muita propriedade de si.

– Tudo o que você demonstrou até agora confirma que não é capaz de ser fiel.
– Posso ser, se encontrar a mulher certa.
– Não, você não seria – disse ela com firmeza. – Ser ou não fiel não tem nada a ver com a mulher, depende inteiramente de seu caráter.

Enquanto é incumbido de cortejar lady Natalie, Rafe aprecia mais do que nunca Hannah, para Hannah, Rafe aos poucos de transforma de um cretino para um belo insolente, as farpas que os dois trocam demonstram o quão diferentes os dois são e nos delicia com os diálogos ricos e com o senso de humor sarcástico de ambos.

Muitas palavras  elogiosas podem descrever um livro tão curto e tão brilhante, uma delas com certeza é magnífico, sentir o Natal e o desabrochar de uma paixão tão intensa – de todos os casais envolvidos, portanto use a imaginação – é mais do que uma promessa, é uma essência encontrada em cada espacinho dessa obra, desde a bela capa tão representativa até o último ponto final dessa deliciosa aventura.

[Resenha] Volúpia de Veludo

Livro: Volúpia de Veludo
Autora: Loretta Chase
Ano: 2017
Editora: Arqueiro
Páginas: 320
Sinopse: Simon Fairfax, o fatalmente charmoso marquês de Lisburne,acaba 
de retornar relutantemente a Londres para cumprir uma obrigação familiar.
Ainda assim, ele arranja tempo para seduzir Leonie Noirot, sócia da Maison Noirot.
Só que, para a modista, o refinado ateliê vem sempre em primeiro lugar, 
e ela está mais preocupada com a missão de transformar a deselegante prima 
do marquês em um lindo cisne do que com assuntos românticos.
Simon, porém, está tão obcecado em conquistá-la que não é capaz de apreciar 
a inteligência da moça, que tem um talento incrível para inventar curvas – e lucros. 
Ela resolve então ensinar-lhe uma lição propondo uma aposta que vai mudar 
a atitude dele de uma vez por todas. Ou será que a maior mudança da 
temporada acabará acontecendo dentro de Leonie? 

 Muito amor aveludado por esse livro!

Loretta dessa vez incluiu brilhantemente os arranjos filantrópicos de outrora e as condições em que a alta sociedade pouco se importava com muita coisa além da superficialidade, ao mesmo tempo que detinham o poder de destruir reputações e consequentemente, pessoas. Leonie não tinha destaque nos livros de suas irmãs e sua mente analítica levava a crer que seria uma leitura insonsa, nada como estar muito errada e de combo dar boas risadas com o constante conflito de interesses da modista e do marquês.

Leonie é a mais nova das temidas irmãs Noirot – pra referência de distinção, é a ruiva -, com um dom de lidar com números e planejamentos, a jovem modista possui agora a missão de levar a frente a Maison Noirot sem o apoio costumeiro de Marcelline – temporariamente debilitada – e Sophie – em viagem de lua de mel e afastada de Londres devido a sua última grande interpretação.

– Não posso acreditar que esteja bancando o inocente ferido. Fui eu que me joguei em cima do senhor, milorde?
– Não, e foi muita falta de consideração de sua parte não tê-lo feito, quando me empenhei tanto para me tornar atraente aos seus olhos. Por que deveria sempre ser eu a dar o primeiro passo? Por que a senhorita não pode se esforçar um pouco mais?

Com uma personalidade decidida e menos sonhadora que suas irmãs, ela decide priorizar e manter a todo custo a Maison Noirot e a Sociedade das Costureiras para Educação de Mulheres Desafortunadas, logo cada boato e escândalo é vital na imagem de ambos, uma associação com Lorde Swaton, o poeta – e primo de Lisburne se torna perigosa e cabe a jovem Noirot planejar uma volta por cima, com a ajuda por vezes perturbadora e enlouquecedora do irresistível marquês.

Simon Fairfax, o sobrenome é familiar certo? Ele é primo de Harry Fairfax, o conde de Longmore e cunhado de Leonie, Simon, além de marquês de Lisburne, conta com um incrível senso de humor e uma sabedoria admirável de seu próprio charme, afinal se sentir confortável na própria na pele é um direito de nascença dos aristocratas, porém usar isso de forma velada é um dom desse exemplar masculino com uma cobertura generosa de beleza e sorrisos sedutores.

– Não é de bom-tom querer me seduzir quando estou ocupada em tentar não nos matar – reagiu ela.
– Eu a estou seduzindo? Não percebi que já chegara a essa parte. Devo ser incrivelmente inteligente. Mas preste atenção. Estamos chegando a Cumberland Gate.

Em paralelo ao jogo de sedução e conquista de Leonie e Simon, o resultado de uma perigosa aposta, valendo nada menos do que um Botticelli, envolvendo a protegida de Leonie, que por sua vez cativa a atenção do jovem poeta, que se vê cativado pela voz firme e canora de Lady Gladys Fairfax, um romance improvável está borbulhando nas duas polêmicas figuras da alta sociedade inglesa, esta afirmação é plenamente aplicável a ambas as duplas.

(…) Ela o viu corar enquanto falava. Algo do tipo “me daria a honra”. Lady Gladys também estava corada, o rosa- escuro descendo por seu colo, exibido elegantemente e sem pudor.
A orquestra voltou a tocar.
E lorde Swanton a conduziu até a pista de dança.

A deliciosa impressão que o livro deixa, é de um romance em que os dois competem sedução e se completam em paixão. Enquanto um outro casal está em um desencontro, apaixonados, porém temerosos e o resultado desses pares são suspiros e muitos leques agitados, em união a um visual lindo e muito bem acabado da Arqueiro, que consegue me conquistar cada vez mais com a qualidade do livro e dedicação editorial.


ARQUEIRO PODERIA LANÇAR ROMANCE ENTRE RENDAS EM AGOSTO, PELO AMOR DE JANE AUSTEN!