[Resenha] Os 27 Crushes de Molly

download-1Livro: Os 27 Crushes de Molly

Autor (a): Becky Albertalli

Editora: Intrínseca

Ano: 2017

Páginas: 320

Sinopse: Molly já viveu muitas paixões, mas só dentro de sua cabeça. E foi assim que, aos dezessete anos, a menina acumulou vinte e seis crushes. Embora sua irmã gêmea, Cassie, viva dizendo que ela precisa ser mais corajosa, Molly não consegue suportar a possibilidade de levar um fora. Então age com muito cuidado. Como ela diz, garotas gordas sempre têm que ser cautelosas. Tudo muda quando Cassie começa a namorar Mina, e Molly pela primeira vez tem que lidar com uma solidão implacável e sentimentos muito conflitantes. Por sorte, um dos melhores amigos de Mina é um garoto hipster, fofo e lindo, o vigésimo sétimo crush perfeito e talvez até um futuro namorado. Se Molly finalmente se arriscar e se envolver com ele, pode dar seu primeiro beijo e ainda se reaproximar da irmã. Só tem um problema, que atende pelo nome de Reid Wertheim, o garoto com quem Molly trabalha. Ele é meio esquisito. Ele gosta de Tolkien. Ele vai a feiras medievais. Ele usa tênis brancos ridículos. Molly jamais, em hipótese alguma, se apaixonaria por ele. Certo? Em Os 27 crushes de Molly, a perspicácia, a delicadeza e o senso de humor de Becky Albertalli nos conquistam mais uma vez, em uma história sobre amizade, amadurecimento e, claro, aquele friozinho na barriga que só um crush pode provocar.

Hey, migos! Hoje, para vocês,  trago uma história de amor que já deveria ter acontecido: a minha com esse livro. Da mesma autora de Simon Vs. A Agenda Homo Sapiens, temos “Os 27 Crushes de Molly”.

E quem é Molly, afinal? Molly é uma menina judia, de 17 anos que, ao longo de sua vida, reuniu 26 crushes. Até aí nenhum problema, nada de anormal, porém, ela nunca conseguiu falar com eles, todos eles foram só uma paixonite, seja da escola, ou algum irmão de uma amiga. Sempre foi assim.

“Acontece que, quando gosto de algum garoto, não consigo falar com ele. Não de verdade. Meu corpo me trai completamente. E é meio diferente com cada menino, então é difícil generalizar, mas, se eu tivesse que descrever a sensação que uma paixonite provoca, diria o seguinte: você terminou de correr um quilômetro e precisa vomitar e está morrendo de fome, mas nenhuma comida parece apetitosa, e seu cérebro vira uma névoa e você também precisa fazer xixi. É quase insuportável. Mas eu gosto.”

Molly também é muito insegura, outro agravante para ela não conseguir falar com os crushes, o que a torna super tímida e retraída,  é mais fácil ficar dentro de sua concha somente observando-os. Isso a torna totalmente diferente de sua irmã gêmea Cassie, que é totalmente extrovertida, aberta ao mundo, tendo muito mais desenvoltura com as pessoas, principalmente para chegar na suas crushes. Aliás, Cassie é lésbica. Inclusive,  isso nunca foi uma questão porque Molly e Cassie são filhas de um casal lésbico.

O destino, ardiloso como só ele é, trazia de bandeja o crush número 27 para Molly: Will, o hipster. Ele tinha muito potencial,  era ruivo, meio hipster despreocupado, tinha um estilo e, para fechar tudo com chave de ouro, era lindo. Era amigo de Mina, nova namorada de Cassie, então tudo parecia perfeitamente arranjado. Mas, para ir de encontro ao conforto, conhecemos Reid dos tênis,  colega de trabalho de Molly, que aos poucos foi “lutando” com Will pela vaga de crush número 27.

“Will chega mais perto. Não estamos trocando olhares nem nada do tipo, mas estamos bem próximos. Tento respirar normalmente. Tenho que admitir que ele tem a capacidade de mexer comigo e, o mais importante, tem a habilidade de me fazer esquecer Reid por quase cinco minutos. Eu contei. Se bem que não pensar em alguém de propósito talvez seja o oposto de esquecê-la.”

Durante todo o livro surgirão dilemas para a vida de nossa querida Momo, como o repentino abandono que ela sofreu pela irmã agora ter outra pessoa em sua vida para dar atenção; a cobrança, por parte da avó, para ela emagrecer (o que acontece muito na vida de todo mundo que é gordo) mas, felizmente, Molly tem pessoas que a apoiam e não deixam esse tipo de coisa afetá-la.

Bom, me reencontrar com Becky Albertalli foi revigorante e necessário,  porque a autora me marcou muito. Desde que terminei Simon Vs. A Agenda Homo Sapiens e soube desss livro queria ler e sabia que não iria me arrepender, coisa que realmente não aconteceu.

Acho que, por trabalhar com essas questões de adolescentes e diversidade, a autora acerta muito, ao tratar assuntos sérios com uma leveza única. Por exemplo, no livro aparece o momento que foi aprovado o casamento homossexual e isso tem grande valor e impacto para a vida de Molly, por ela ter duas mães, Nadine e Paty, e a irmã gêmea ser lésbica.

Outro acerto é dar a cada personagem uma personalidade facilmente encontrada em nossas vidas, pois, todos tivemos/temos amigos como Olivia,  Cassie, Mina, Max, Will, Reid e Molly. Inclusive,  na idade de Molly é mais que comum ter crushes e adimirá-los sem ter coragem de falar.

Tive alguns problemas para gostar de Cassie, admito, mas passou e até que ela não é de todo mal. A forma como Reid vai conseguindo um espacinho ali no coração de Molly; os momentos de insegurança dela; quando ela não aguenta mais e coloca tudo para fora… Becky tem um poder muito grande de mexer com seu leitor e transportar ele para a história.

Outra coisa que eu amei !!! a ligação dos livros, porque Molly é prima de Abby, e a história se passa mais ou menos 5 meses depois de Simon, então é bem legal se reencontrar com Abby, saber como anda seu relacionamento com Nick, e até rever Simon.

Espero, de verdade que vocês tenham sido motivados a ler/ter esse livro, principalmente, pelo fato de que todos os medos, inseguranças e desejos de Molly já foram seus um dia. Até semana que vem.

Xoxo,

Nath.

 

 

 

 

 

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[Resenha] Mitologia Nórdica

downloadLivro: Mitologia Nórdica

Autor (a): Neil Gaiman

Editora: Intrinseca

Ano: 2017

Páginas: 288

Sinopse: Uma jornada da origem do universo até o fim do mundo.
Quem, além de Neil Gaiman, poderia se tornar cúmplice dos deuses e usar de sua habilidade com as palavras para recontar as histórias dos mitos nórdicos? Fãs e leitores sabem que a mitologia nórdica sempre teve grande influência na obra do autor. Depois de servirem de inspiração para clássicos como Deuses americanos e Sandman, Gaiman agora investiga o universo dos mitos nórdicos. Em Mitologia nórdica, ele vai até a fonte dos mitos para criar sua própria versão, com o inconfundível estilo sagaz e inteligente que permeia toda a sua obra. Fascinado por essa mitologia desde a infância, o autor compôs uma coletânea de quinze contos que começa com a narração da origem do mundo e mostra a relação conturbada entre deuses, gigantes e anões, indo até o Ragnarök, o assustador cenário do apocalipse que vai levar ao fim no mundo. Às vezes intensos e sombrios, outras vezes divertidos e heroicos, os contos retratam tempos longínquos em que os feitos dos deuses eram contados ao redor da fogueira em noites frias e estreladas. “Mitologia nórdica” é o livro perfeito para quem quer descobrir mais sobre a mitologia escandinava e também para aqueles que desejam desvelar novas facetas dessas histórias.

Mais uma vez aqui e dessa vez com esse gênio chamado Neil Gaiman.

Para minha primeira resenha desse mês, eu separei essa belezura chamada Mitologia Nórdica. Os mitos, em geral, são o que constroem uma nação, as coisas que um povo acredita, e com os povos nórdicos isso não seria diferente. Pra gente, muito por conta da formação do nosso povo, não temos muito contato com os mitos nórdicos nem com a importância dessas histórias para a vida dos povos acreditavam nelas.

Todos que não estavam embaixo de uma pedra sabem o poder da escrita de Neil Gaiman e a sua facilidade de entreter apenas contando uma simples história. O livro, como podem ver nas informações sobre ele, é pequeno, porém a dimensão do que está escrito nele vai muito além das 288 páginas. Essa obra, é uma experiência, desde o momento de olhar a capa e ver as artes que o compõem, até abri-la e ler a história. É como se estivéssemos em uma biblioteca antiga e ele estivesse na prateleira gritando para ser escolhido.

Primeiro de tudo: se você, assim como eu, tem a imagens dos Deuses nórdicos como a contada pelos quadrinhos e filmes, esse livro é o ponto de mudança para isso tudo, já que o mundo nórdico está muito além de Odin, Thor e Loki. Um dos pontos dessa ruptura é a característica dos Deuses nos contos. Eles são vingativos, invejosos, traidores até bem humanos em alguns momentos.

Os contos, 15 ao todo, dão vida ao mundo nórdico, contado desde a criação até o fim dele. Passa por fatos importantes, como a aquisição do martelo de Thor, explica porque Odin é considerado o Pai de todos, e conta como era estruturada a vida de quem vivia em Yggdrasil, ou eixo do mundo.

“Antes do princípio, não havia nada — nem terra, nem paraíso, nem estrelas, nem céu —, existia apenas o mundo feito de névoa, sem forma nem contorno, e o mundo feito de fogo, eternamente em chamas.”

Nos contos pode-se ver a divisão dos Deuses: Aesir (guerreiros, de combate) e Vanir (responsáveis pela fertilidade e natureza), claro que Gaiman dá mais ênfase nos Aesir, que é onde podemos encontrar Thor, Loki Heimdall, Frigga e outros. Você também vai encontrar a história dos três filhos de Loki e qual o destino deles para o mundo, se deparar com finais, nem sempre felizes, perceber que mesmo sendo Deuses, muito do que é lido já pode ter acontecido com você ou tirar uma lição do conto… enfim, inúmeras possibilidades de ensinamentos em apenas um livrinho.

Como eu disse, nosso povo não tem muito contato com os escritos sobre a mitologia nórdica, então qualquer coisa que explore o assunto já é de grande importância para disseminar o universo fantástico. Se existe um ponto negativo em toda essa experiência, seria o não aprofundamento nas histórias, já que, como é dito pelo próprio autor, isso é uma recontagem, com palavras mais simples e com o entendimento dele sobre todo aquele universo, cabendo ao leitor, em seu eu investigativo, buscar por mais detalhes sobre o que é exposto.

Como uma introdução ao mundo nórdico é perfeito e cumpre com a proposta que ele apresenta no começo do livro. Ele nos conta a história e mesmo que não esteja tão fiel ao original, você embarca no mundo nórdico completamente.

Espero que tenham gostado e até semana que vem.

Dica: uma série que tem muito dessa temática e aborda a historicidade do povo nórdico, mostrando como a mitologia tinha influencia em suas vidas, Vikings. Inclusive, foi a partir da série e esse gosto pelo mundo nórdico ficou ainda mais forte em mim.

xoxo,

Nath.

[Resenha] Uma Constelação de Fenômenos Vitais

Livro: Uma Constelação de Fenômenos Vitais
Autores: Anthony Marra
Ano: 2014
Editora: Intrínseca
Páginas: 336
Sinopse: Em uma vila coberta de neve na Chechênia, 
Havaa, de 8 anos, observa seu pai ser levado no meio 
da noite por soldados russos que o acusam de colaborar 
com rebeldes chechenos.
Do outro lado da rua, Akhmed, um amigo da família, vê 
a cena e teme pelo pior quando os soldados ateiam fogo à casa da menina. 
Ao encontrar Havaa escondida na floresta com uma estranha mala azul, 
Akhmed decide buscar refúgio num hospital abandonado onde a única médica 
remanescente, Sonja, trata os feridos — uma decisão que irá mudar a vida 
dos três para sempre. Para a talentosa e determinada Sonja, a chegada de 
Akhmed e Havaa não passa de uma surpresa inoportuna. Exausta e sobrecarregada,
 ela não deseja assumir ainda mais responsabilidades nem correr mais riscos. 
E há uma razão para sua cautela: abrigar aqueles refugiados pode ameaçar 
a busca por sua irmã desaparecida. Em apenas cinco dias, porém, o mundo 
de Sonja será virado de cabeça para baixo e revelará as complexas conexões
 que interligam os passados desses companheiros improváveis.

Mais do que uma leitura, uma profusão de sentimentos

Como promete o enredo da obra, é um livro denso, não exatamente desprovido de fluidez, porém que exige certa paciência para digerir seus capítulos, uma característica definitiva da temática de cenário de guerra na Chechênia em 1990, onde Akhmed, um simples médico se vê responsável por Havaa, após ela perder a casa em um incêndio e o pai ser levado por soldados russos e em troca da permanência da garota de 8 anos com Sonja, uma médica laboriosa, ele oferece o retorno em serviços no hospital abandonado, local em que ela trabalha.

Atuando como médica, Sonja passa incontáveis horas agindo com o pouco que tem ao alcance para salvar as poucas vidas que encontra abrigo no hospital e realizando partos, se atendo de descansar, consume muitos estimulantes para manter-se vigilante com seus pacientes, após o trauma de perder sua família, incluindo sua irmã que ela deseja reencontrar, ela vive mecanicamente na crença também que de alguma forma ela poderia ser libertada do peso de sua culpa no desaparecimento de sua irmã.

– Má nutrição uterina? – perguntou Akhmed.
– Nenhuma nutrição uterina. Desde que a segunda guerra começou, só tivemos umas poucas mães saudáveis o bastante para conseguir dar à luz crianças saudáveis.

Também carregando um pesado cargo temos Akmed que se mantém constantemente vigilante de sua esposa, esta adoeceu com uma doença desconhecida e a deixou cingida, impossibilitada de executar qualquer ação por si, ele permanece cuidado dela, mesmo com rancor por enfrentar esse destino, enquanto a mulher que ama se perdeu no próprio corpo e definha aos poucos.

O autor também entrelaça o drama de outros personagens ao enredo no decorrer da narrativa novos cenários são apresentados pelos olhares de Kassan, um senhor que possui um relacionamento turbulento com o filho Ramzan, sendo este último responsável por delatar os vizinhos em busca da subsistência da única família que lhe resta.

– Não me machuque, não faça isso, não me machuque, misericórdia, tenha misericórdia – suplicou ele, de olhos fechados, curvando-se em posição fetal, chorando na neve marrom. Akhmed se levantou, enojado consigo mesmo, com o homem a seus pés, com a guerra que os reduzira àquilo.

A obra não possui uma leitura fácil, como tudo que remete a acontecimentos fatídicos e principalmente uma guerra é denso e doloroso de assimilar, não tirando em nada a qualidade da leitura, mais que um livro para apreciar o enredo ou a bela escrita, um livro para se fazer pensar e sentir a devastação de um conflito, o quanto se alastra os tentáculos destrutivos de uma guerra, na pouca vida que resta em mesmo aqueles que sobreviveram.


Jamais esquecerei essa leitura!

[RESENHA] SIMON vs. A AGENDA HOMO SAPIENS

996full-love,-simon-posterLivro: Simon vs. A Agenda Homo Sapiens

Autor (a): Becky Albertalli

Editora: Intrínseca

Ano: 2015

Páginas: 256

Sinopse: Simon tem dezesseis anos e é gay, mas ninguém sabe. Sair ou não do armário é um drama que ele prefere deixar para depois. Tudo muda quando Martin, o bobão da escola, descobre uma troca de e-mails entre Simon e um garoto misterioso que se identifica como Blue e que a cada dia faz o coração de Simon bater mais forte.  Martin começa a chantageá-lo, e, se Simon não ceder, seu segredo cairá na boca de todos. Pior: sua relação com Blue poderá chegar ao fim, antes mesmo de começar.  Agora, o adolescente avesso a mudanças precisará encontrar uma forma de sair de sua zona de conforto e dar uma chance à felicidade ao lado do menino mais confuso e encantador que ele já conheceu.

Simon chegou para mim em um momento conturbado: fim do semestre. Então fiz, com ele, o que faço com todas as coisas que me aparecem nesses momentos: empurrei com a barriga. E foi a melhor decisão que eu já poderia ter tido.

Esse livro é aquele tipo de leitura a ser feita em um momento só seu. Você decide quando, onde e em que ritmo quer ler, o que eu, sinceramente, acho que não será necessário, pela dinâmica e facilidade de ler esse livro.

É uma delícia ler esse livro, que é a estreia de Becky Albertalli. Nesse caso, ela retrata um dos grandes dilemas que rodeiam os jovens: crescer, e todos os mistérios/medos/inseguranças que rodeiam essa fase e ainda, no caso de Simon, as inseguranças triplicam, afinal ele é gay e não sabe como será a reação das pessoas ao saberem sobre o fato.

Como um apoio, ombro amigo, confidente, temos a figura de Blue, um garoto de sua escola com quem vem trocando e-mails. Ambos dividem esse sentimento de “sair do armário” e como fazê-lo. Assim, desenvolvem uma relação que não é capaz de ficar somente entre e-mails trocados.

“Você é o herói hoje, Blue. Você derrubou seu próprio muro. E talvez o meu também.”

Porém, infelizmente, nada é como planejamos ou queremos, assim o grande segredo de Simon cai nas mãos de Martin, que quer tirar proveito dessa situação delicada vivida pelo garoto. A partir disso, a narrativa se desenvolve em torno da chantagem de Martin, da dúvida em torno de quem seja Blue (inclusive me sinto a própria CSI por ter descoberto antes do livro contar) e como Simon lida com esse e outros problemas que cercam ele e seus amigos.

Não tem como você não se apaixonar por esse livro. Tudo nele contribui para que a experiência de leitura seja a melhor possível e, no meu caso, exceda as expectativas. A maneira como a autora escreve, os personagens (!!!!), as relações construídas ao longo livro… TUDO.  Pessoalmente, espero que meu amigo gay seja tipo Simon e que ele tenha a sorte de ter um Blue para dividir suas angústias. E espero também, que vocês gostem de Simon vs. A Agenda Homo Sapiens tanto quanto eu gostei.

Ah! Quase ia esquecendo!!! Tenho dicas e sugestões

DICAS: fiquem de olho na data de estreia da adaptação de Simon vs. A Agenda Homo Sapiens! SIM, essa belezura vai virar filme e já tem até trailer, Para ver é bem simples: Youtube> pesquisa> Love, Simon. Ou https://www.youtube.com/watch?v=ykHeGtN4m94

SUGESTÃO: depois que terminar de ler coma oreos e beba leite. Vai fazer maravilhas em seu corpo recém impactado por essa leitura.

Love,

Nath.

 

[Resenha] No Coração do Mar

Livro: No Coração do Mar
Autores: Charlotte Rogan
Ano: 2013
Editora: Intrínseca
Páginas: 240
Sinopse: No verão de 1914, a Europa está à beira da guerra, mas o futuro de Grace parece caminhar para um destino seguro enquanto ela e o marido navegam rumo a Nova York. 
Quando uma misteriosa explosão afunda o navio, Grace é jogada em um barco salva-vidas por um ágil membro da tripulação, que também pula para dentro da embarcação já sobrecarregada.
À medida que o clima piora e os passageiros são forçados a escolher lados em uma disputa por poder, Grace percebe que sua sobrevivência depende de quem vai apoiar: o velho lobo do mar John Hardie ou a enigmática Ursula Grant, cuja influência aumenta a cada dia. 
Durante três semanas, os passageiros planejam, esquematizam, disseminam intrigas e confortam uns aos outros enquanto suas mais profundas convicções sobre humanidade e divindade são postas em xeque.
Grace Winter finalmente é resgatada, apenas para ser levada a julgamento. Incertos sobre como defendê-la, seus advogados sugerem que ela escreva as lembranças do naufrágio. 
O resultado é uma fantástica narrativa sobre dilemas morais e o retrato de uma mulher que se torna cada vez mais complexa à medida que os acontecimentos se desenrolam.

Pense em um livro surpreendente!

Pela sinopse chega a remeter a Náufrago, quem não se lembra do personagem interpretado por Tom Hanks, que após o fatídico acidente que atingiu sua embarcação, acaba em uma ilha deserta, onde é obrigado a trilhar tortuosos caminhos para não perder a vontade de viver ou se compadecer pela loucura iminente e então sofrer com a descoberta de um mundo que avançou sem sua presença? Pois é um pouco disso e uma uma realidade totalmente diferente, são por relatos que descobrimos o drama vivido durante o náufrago do navio Empress Alexandra da obra, uma dramática história de superação e reviravoltas.

É com a narrativa de Grace Winter, a personagem recém casada, com seus 22 anos de idade, que inicia com base nas lembranças dos momentos vividos pela mesma durante a viagem na embarcação em que viajou junto a seu marido Henry, vivenciando um desespero: um naufrágio. Onde ela conta os acontecimentos que viveu e presenciou, com um único objetivo, se não a sobrevivência.

Ele, que apenas alguns minutos antes parecera tão seguro de si ao repassar a lista de equipamentos contidos em cada barco salva-vidas e explicar como utilizá-los, ficava agora cada vez mais sem jeito para desempenhar essa parte de sua tarefa.

Desde o início o que almejava era sobrevivência, desde que o navio era destinado a America e procurava sair do cenário destrutivo da Primeira Guerra Mundial, objetivo também do Sr Hardie, Hannah, Mary Ann e da Srª Grant, pessoas que passam a se inserir na trama significativamente e junto a isso, o enredo se molda diante da perspectiva de Grace por eles.

— Será que isso conta como suicídio? — ouvi-o dizer. — Será que o paraíso me será negado?

O enredo não só retrata um drama de vida e morte, como de humanidade, Grace enfrenta um obstáculo atrás do outro, enquanto aos poucos tenta resistir a aparente insanidade que aflige seus companheiros durante o drama em que vivem. A obra está para ser adaptada para o cinema, sob a produção de Anne Hathaway, que irá também interpretar Grace Winter no longa, o que é premissa para filme ótimo!


Plena esperando por esse filme!

Anne deusa

[Resenha] Matéria Escura

materia_escura_1484658590645465sk1484658590bLivro: Matéria Escura
Autor: Blake Crouch
Editora: Intrínseca
Ano: 2017
Páginas: 343
Sinopse: VOCÊ É FELIZ COM A VIDA QUE TEM?
Essas são as últimas palavras que Jason Dessen ouve 
antes de acordar num laboratório, preso a uma maca. 
Raptado por um homem mascarado, Jason é levado para 
uma usina abandonada e deixado inconsciente. 
Quando acorda, um estranho sorri para ele, dizendo: 
“Bem-vindo de volta, amigo.”

Neste novo mundo, Jason leva outra vida. 
Sua esposa não é sua esposa, seu filho nunca nasceu e, em vez de professor numa 
universidade mediana, ele é um gênio da física quântica que conseguiu um feito 
inimaginável. Algo impossível. Será que é este seu mundo, e o outro é apenas um 
sonho? E, se esta não for a vida que ele sempre levou, como voltar para sua 
família e tudo que ele conhece por realidade?

Com ritmo veloz e muita ação, Matéria escura nos leva a um universo muito 
maior do que imaginamos, ao mesmo tempo em que comove ao colocar em primeiro 
plano o amor pela família. Marcante e intimista, seus múltiplos cenários 
compõem uma história que aborda questões profundamente humanas, 
como identidade, o peso das escolhas e até onde vamos para recuperar 
a vida com que sonhamos.

Com certeza você já ouviu falar que a vida é feita de escolhas. Que se nós estamos onde estamos, ou somos quem somos é porque em algum momento da nossa vida escolhemos isso.

Não há avisos quando tudo está prestes a mudar, a ser tomado de você. Nenhum alerta de proximidade, nenhuma placa indicando a beira do precipício. E talvez seja isso que torna a tragédia tão trágica. Não é apenas o que acontece, mas como acontece: um soco que vem do nada, quando você menos espera. Não dá tempo de se esquivar ou se proteger.

São nossas escolhas que nos definem e definem nossos caminhos. Por exemplo: se a 7 anos atrás eu tivesse aceitado seguir carreira de modelo, ao invés de criar um blog sobre literatura, é muito pouco provável que eu estivesse aqui hoje conversando com vocês.

A gente fica tão imerso na rotina que acaba deixando de ver as pessoas que amamos como realmente são.

E quando não estamos muito felizes com nossas vidas, vocês já pararam para pensar como ela seria se você tivesse escolhido o comprimido azul ao invés do vermelho?

Todos nós vivemos, dia após dia, totalmente alheios ao fato de que fazemos parte de uma realidade muito maior e mais estanha do que se pode imaginar.

Jason Dessen não tem uma das melhores vidas. Ele é professor de física em uma universidade, recebe um salário medíocre, tem um carro horrível, uma esposa amada e um filho adolescente. Mas um dia tudo isso muda, quando Jason Dessen de outra realidade, o sequestra e troca de lugar e de vida com ele.

Cada momento, cada respiração, contém uma escolha. Mas a vida é imperfeita. Fazemos escolhas erradas. Então, acabemos vivendo em perpétuo arrependimento. Não existe nada pior do que isso. 

Agora ele é um cientista renomado, rico e recluso, que desenvolveu uma caixa que permite que as pessoas entrem em um estado de superposição, sendo assim levadas para outras realidades, criadas a partir de escolhas não feitas. Jason precisa agora entrar na Caixa e encontrar um meio de retornar a sua esposa, seu filho, sua casa, SUA VIDA.

A Caixa não é muito diferente da vida. Se você entrar com medo, vai encontrar medo.

O livro é uma ficção cientifica soft, mas com questionamentos que estimulam ao leitor repensar a própria vida e as escolhas. A Editora Intrínseca nos presenteia com uma edição maravilhosa, se um projeto gráfico super bem desenvolvido, e com acabamentos que vem se tornando característicos da nova Intrínseca.

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Esse é uma daqueles livros que te atinge como um soco no estomago, e te faz vomitar todas as emoções e de forma que te força a pensar em uma unica pergunta que permeia o livro inteiro:

Você é feliz com a vida que tem?

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[Resenha] Puros

PurosLivro: Puros
Autora: Julianna Baggott
Ano: 2012
Editora: Intrínseca
Páginas: 386
Sinopse: Pressia pouco se lembra das Explosões ou de sua vida no Antes. Deitada no armário de dormir, nos fundos da antiga barbearia em ruínas onde se esconde com o avô, ela pensa em tudo o que foi perdido: como um mundo com parques, cinemas, festas de aniversário, pais e mães foi reduzido a somente cinzas e poeira, cicatrizes, queimaduras e corpos mutilados. Agora, em uma época em que todos os jovens são obrigados a se entregar às milícias para, com sorte, serem treinados ou, se tiverem azar, abatidos, Pressia não pode mais fingir que ainda é uma criança. Sua única saída é fugir.
Houve, porém, quem escapasse ileso do apocalipse. Esses são os Puros, mantidos a salvo das cinzas pelo Domo, que protege seus corpos saudáveis e superiores. Partridge é um desses privilegiados, mas não se sente assim. Filho de um dos homens mais influentes do Domo, ele, assim como Pressia, pensa nas perdas. Talvez porque sua própria família se desfez: o pai é emocionalmente distante, o irmão cometeu suicídio e a mãe não conseguiu chegar ao abrigo do Domo. Ou talvez seja a claustrofobia, a sensação de que o Domo se transformou em uma prisão de regras extremamente rígidas. Quando uma frase dita sem querer dá a entender que sua mãe pode estar viva, ele arrisca tudo e sai à sua procura.

Suspense e drama nessa resenha de um dos meus favoritos!

Tem tempos que tinha uma vontade gigantesca de ler essa obra e sabe que com o tempo se cria uma infinidade de expectativas? Pois bem, Julianna me surpreendeu por uma escrita bem tramada, com uma riqueza de detalhes que comovem e até mesmo chocam o leitor da crueldade e características do cenário narrado. Sendo este dividido em duas partes opostas, o Domo e os sobreviventes, em cada um deles é apresentado os principais envolvidos do enredo.

No Domo, Ripkard Willux, conhecido como Partridge Willux passa por uma crise, sua mente é atormentada por perguntas mal respondidas e pelo mistério acerca da “morte” de sua mãe, em conjunto com o poder exercido por seu pai, que parece esconder muitos mais do aparenta. Toda a existência no Domo parece fora do eixo, Partridge sabe que do lado de fora, onde estão os ditos miseráveis – pessoas que sobreviveram às explosões, mas possuem novas características em consequência disso – existe bem mais do que é disseminado ali dentro e o fato de não ser suscetível às codificações (uma espécie de aprimoramento humano avançado), incitam ainda mais sua necessidade de saber o quanto sua mãe se envolve nessa questão e para isso, ele tem que sair.

— Uma das criaturas de Pressia. Ela faz isso. Seu avô me mostrou algumas. Ele tinha orgulho dela.
Agora Partridge percebe que é uma borboleta com asas cinzentas e um pequeno mecanismo de dar corda nas costelas de arame.
— Ela barganhava com essas criaturas no mercado. Seu avô pode ter tentado salvá-las. Houve uma luta.

Vivendo com seu avô entre os sobreviventes e sendo um deles, está Pressia Belze, uma garota de quase 16 anos, que além de passar pelas provações de uma memória limitada quanto ao Antes – período que antecede as explosões -, se encontra em uma fase crítica de sua existência. Além de só existir da mesma forma que as pessoas fora do Domo, esperando para morrer, sua idade indica que é quase chegada a hora de ser levada pela OBR (Operação Bendita Revolução), mesmo com tudo isso, ela não quer depender de ninguém e quando Bradwell com sua visão crítica sobre as explosões se insere em sua vida, seu orgulho é abalado e mesmo não querendo, ela sabe que ele pode ter razão, as explosões foram realmente acidentais?

Outros personagens ganham mais espaço ao decorrer da trama, como a Lyda, o Bradwell e El Capitán, a autora envolve cada um no momento exato e usufrui de suas influências, de forma que cada ação é somada ao todo e flui em um ritmo eletrizante, de maneira marcante as diferentes narrativas se entrelaçam e viabilizam uma visão bem

O livro é profundo, o cenário distópico é relacionado com referências reais e sofrimentos quase palpáveis, uma comoção é inevitável nesta leitura, Puros é uma reflexão em sim, quem sabe um pouco sobre a data marcante da semana de 06 a 09 de agosto, sabe que refiro-me as bombas de Hiroshima e Nagasaki, que devastou uma cultura e destruiu vidas, onde até hoje existem cicatrizes da brutalidade do ataque. É pegando emprestado a essência desse cenário e essa fatalidade que é construída uma sociedade que luta, literalmente, para sobreviver.

— (…) Tropecei na calçada, caí de quatro e olhei para cima. Houve um clarão de luz. O vidro estilhaçou. E eu fui fundida ao asfalto, braços e pernas. Algumas pessoas sabiam onde eu tinha ido parar. Procuraram por mim. Quatro torniquetes e uma serra. Fui salva. (…)

O livro e a qualidade editorial da obra são magníficos, para quem se entregar ao enredo tende a reparar na grande significância que a capa possui e principalmente a importância que a própria Julianna deu a um momento fatal para a vida de inúmeras pessoas, esta se refletindo ainda nos dias atuais. Puros, em verdade, é uma trilogia, o segundo livro, Fuse e o terceiro, Burn, foram lançados em 2003 e 2004, mas infelizmente a Intrínseca só realizou o lançamento do primeiro aqui.


Fanart do bradwell, que foi fundido com PÁSSAROS

Brandwell