[Resenha] O colecionador de memórias

Livro: O Colecionador de Memórias
Autora
: Cecelia Ahern
Ano: 2018
Editora: Novo Conceito
Páginas: 272
Sinopse: Quando Sabrina Boggs se depara com uma misteriosa coleção de bens do pai, ela descobre uma verdade onde nunca soube que havia uma mentira. O homem familiar com quem ela cresceu de repente é um estranho para ela.
Uma quebra em sua rotina monótona deixa-a apenas um dia para destravar os segredos do homem que ela pensava conhecer. Um dia para desconhece memórias, histórias e pessoas que ela nunca soube da existência. Um dia que muda para sempre a vida dela e daqueles que a rodeiam.
O colecionador de memórias é uma história sobre como as decisões mais comuns que tomamos podem ter as consequências mais extraordinárias na forma como vivemos nossa vida. E como, às vezes, somente desvendando a verdade sobre outra pessoa, você realmente pudesse se entender.

Uma enredo com uma proposta totalmente diferente das obras usuais da Cecília, o romance abre espaço para a reflexão e dores passadas

Bolinhas de gude podem parecer pouco ou nada para as pessoas, mas Sabrina tem uma inesperada surpresa em descobrir que elas são como os mais valiosos tesouros para seu pai Fergus, não só por significar diversão, mas, por serem como cápsulas de lembranças de um passado diferente da pessoa que ele se mostra ser, mesmo em recuperação e constante acompanhamento de um derrame que lhe incapacitou as memórias, Fergus se demonstra realmente suscetível a lembranças que nunca externalizou.

Olhando essas bolinhas, eu juro, bem aqui, ser leal a ela, e não estou me referindo a sair dormindo com outras, mas deixar que ela veja meu verdadeiro eu, pela primeira vez. Mostrar-lhe essa bolinha, mostrar minha maior e melhor parte.

Sabrina surpresa em saber que seu pai esconde o eu de sua juventude, fica tocada e comovida a explorar mais sobre esse misterioso passado, com um curto espaço de tempo para desvendar fatos passados foram a felicidade e tristeza de seu pai. Com o complemento dos focos narrativos que são sabiamente alternados entre o processo atual de Sabrina envolvendo sua investigação para conhecer verdadeiramente seu pai e as lembranças do próprio Fergus, se enlaçando belamente em um ritmo tocante, como ler uma carta escrita com os sentimentos na ponta da caneta.

Tenha ele planejado ou não, Hamish sugou, sim, um pouco da vida do meu pai e, ao fazê-lo, não somente roubou parte do meu pai de mim, mas, pior, Hamish roubou parte do meu pai dele mesmo.

Porém o que seria uma infância vibrante e alegre como Sabrina esperava que o pai tivesse tido, se revela um período doloroso, a ponto de fazê-lo guardar ressentimentos, por simplesmente não poder deixar ir ou só trancar no passado, impossível de esquecer e mais ainda de renegar essas memórias e àquelas pessoas. Se espera emoções forte e um plot sobre conhecimento de si, esse é o livro, as grandes emoções não estão em reviravoltas, mas sim no processo construtivo do quebra cabeça do que Sabrina pouco sabe sobre si e seu pai, ou do que ele poderia ter sido se não estivesse preso em sua dor.


Um livro mais que extraordinário!

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[Resenha] Quando as estrelas caem

downloadLivro: Quando as Estrelas Caem

Autoras: Amie Kaufman e Meagan Spooner

Editora: Novo Conceito

Ano: 2018

Páginas: 416

Sinopse: Tarver só tem 18 anos, mas já ocupa o posto de Major e foi condecorado como herói. Lilac é mimada e arrogante, e acha que o mundo existe somente para servi-la. A menina mais rica da galáxia e o guerreiro misterioso. Perdidos em um planeta abandonado, os únicos sobreviventes de um desastre que matou milhares de pessoas sabem que precisam aprender a conviver e não estão certos de que conseguirão voltar para casa um dia.
Juntos, eles enfrentam aparições, vozes fantasmagóricas, coisas que desaparecem e a presença cada vez mais próxima da força desconhecida que ejetou do espaço a nave Icarus.
Criando um vínculo que supera o clichê os opostos se atraem , Lilac e Tarver provam que a coragem e a lealdade podem ser muito maiores que o instinto de sobrevivência. Personagens que, de tão imperfeitos, nos fazem torcer por eles.
Suspense arrebatador, amadurecimento e um desfecho eletrizante daquelas fantasias que nos cativam e fazem querer compartilhar a história com todo mundo… Quando as estrelas caem é apaixonante.

Oi migos, tudo bom? Então, hoje vamos ter uma história de amor que tem um pouco de tudo que, particularmente, eu gosto: amor, clichê, romance e fantasia. Hoje, para vocês, “Quando as Estrelas Caem”.

Nesse livro conhecemos Lilac LaRoux, a intocável, filha do homem mais rico da galáxia, com todos prontos para servir suas necessidades. Além dela, temos Tarver Meredsem, que recentemente foi condecorado como um herói por seus feitos como major do exército. Para ele, seria mais um dia normal em sua vida, quando foi chamado junto com os outros colegas militares, para fazer a proteção de pessoas na nave Icarus. Na nave, o rapaz tem o primeiro contato com Lilac, que não o trata da forma esperada e ele, por displicência, não reconhece a garota.

“Meu olhar recai sobre uma garota sentada sozinha, observando a multidão sem muito interesse. Seus cabelos e sua pele lisa denunciam que ela é um deles, mas seu olhar diz que ela é melhor, que está em um nível acima, intocável. ”

Porém a nave é atacada e Tarver, como bom soldado que é, busca sempre salvar todos que estão ao seu redor. No seu caminho encontra Lilac, que os guia para a cápsula de sobrevivência mais próxima. Depois de adversidades da “viagem”, eles acabam em um lugar totalmente novo, sem nenhum vestígio aparente de vida, mas naquele momento eles precisam achar uma forma de sobreviver e achar uma saída para voltar pra casa.

O local tem um que de sobrenatural, quando, logo após chegarem, Lilac começa a ouvir alguns sussurros um pouco assustadores. Logicamente, quando você observa a circunstância, a resposta mais rápida é que ela esteja delirando, por conta de vários fatores: a batida na cabeça pós queda ou a situação traumática por si só. Mas e quando Traver também começa a ouvir os sussurros e ver coisas tal qual Lilac?

O grande ponto do livro é a ideia de que sozinhos eles não vão conseguir sobreviver, é clichê, mas juntos eles são fortes.

 “Se eles estão tentando se comunicar […] então a pergunta é: o que eles querem, com tanta dificuldade, dizer?”

QUE LIVROS SENHORAS E SENHORES!! Eu estou baqueada até agora e tem tipo uns 4 ou 5 dias que eu terminei ele. Surpreendente é uma palavra que caracteriza minha experiência, nada mais que isso. Eu, quando li a sinopse, achava que na hora que colocasse os olhos em Lilac a plaquinha do ranço iria descer em caixa alta e piscando neón, mas graças à Gaga quebrei a cara. Lilac te conquista com as pequenas coisas, mesmo que, no início, ainda tenha a soberba de uma menina rica e mimadinha, Major Merendsen é um espetáculo à parte, ele te prende, te faz querer (em um momento de loucura admito ter tido esse pensamento) viver com ele naquela situação.

 “— Você quer dizer que nunca mais nos veremos de novo? […]

— Talvez não. — Há uma nota mais suave e menos cheia de certeza na voz dele. […]

— É disso que eu tenho medo — digo, em um sussurro. Eu me inclino em direção a ele, enquanto os meus cabelos caem em volta do rosto dele, e permito que os meus lábios toquem os dele.”

Uma coisa que eu achei maravilhosa é a perspectiva do futuro que o livro nos dá, quando, entre um capítulo e outro são mostrados diálogos de interrogatórios que Traver estaria sendo submetido. Os capítulos são, como de outros livros que estão surgindo de uns tempos pra cá, que é cada personagem narrando um capítulo, o que eu não acho uma coisa ruim e dá até uma dinamicidade à história.

Se você quer um livro para suprir sua necessidade de romance, fantasia, clichê e aventura, esse É o seu livro. Além de tudo isso, deixa o leitor com o gostinho (gostão, na verdade) de quero mais.

“— Você sabe o que eu pensei na primeira vez que a vi, quando você falava com aqueles oficiais? — Há uma ponta de nervosismo na minha voz, certa hesitação. Eu pareço nervoso, mas não estou. Nunca tive tanta certeza do que dizer. […]— Eu pensei… Esse é o meu tipo de garota.”

Até semana que vem e eu espero que tenham gostado.

Xoxo,

Nath.

[Resenha] Apenas Um Dia

downloadLivro: Apenas Um Dia

Autor (a): Gayle Forman

Editora: Novo Conceito

Ano: 2014

Páginas: 384

Sinopse: Apenas um Dia – A vida de Allyson Healey é exatamente igual a sua mala de viagem: organizada, planejada, sistematizada. Então, no último dia do seu curso de extensão na Europa, depois de três semanas de dedicação integral, ela conhece Willem. De espírito livre, o ator sem destino certo é tudo o que Allyson não é. Willem a convida para adiar seus próximos compromissos e ir com ele para Paris. E Allyson aceita. Essa decisão inesperada a impulsiona para um dia de riscos, de romance, de liberdade, de intimidade: 24 horas que irão transformar a sua vida. Apenas um Dia fala de amor, mágoa, viagem, identidade e sobre os acidentes provocados pelo destino, mostrando que, às vezes, para nos encontrarmos, precisamos nos perder primeiro… Muito do que procuramos está bem mais perto do que pensamos.

Bom, migos, hoje eu trago a beleza e maravilhosidade por trás da escrita de Gayle Forman. Quem já leu livros dela sabe o quanto é envolvente a leitura, quanto o leitor se identifica facilmente com os assuntos abordados nos livros. Dessa vez não seria diferente,  então hoje teremos Apenas Um Dia.

Me deparar com Alysson foi como olhar um pouco para um espelho. Não totalmente, claro, mas alguns de seus dilemas e inseguranças também foram/são como os meus em algum momento da minha vida. Alysson é a menina certinha, que os pais sabem exatamente onde está,  o que está fazendo e por isso não se libertou para as aventuras que o mundo tem para oferecer, até mesmo as mais “bestas” como esticar a noite em um pub.

Em uma viagem, que ganhou dos pais, de formatura pela Europa, para conhecer os países e absorver as suas respectivas manifestações culturas, conhece o jovem e intrigante ator Willem, porém, o garoto é totalmente oposto de Alysson. Willem é um espírito livre, esperamdoesperando o próximo acaso para mudar totalmente a vida dele e ele próprio,  porque não!?

Por serem completamente opostos, desenvolvem um tipo de atração e isso faz com que eles embarquem em uma romântica viagem a Paris.

(Um ponto: claramente eu não teria a mesma cabeça dela com relação a sair para um país novo com um total desconhecido e não façam isso crianças,  é perigoso.)

Paris, como se espera, se torna um determinante na relação deles, sendo palco para uma das mais bonitas cenas de romance, com destaque para os detalhes descritos pela autora, o que torna a experiência ainda mais rica.

“Parte de mim sabe que mais um dia não servirá para nada além de postergar o coração partido. Mas outra parte de mim pensa diferente. Nascemos em um dia. Morremos em um dia. Podemos mudar em um dia. E podemos nos apaixonar em um dia. Qualquer coisa pode acontecer em apenas um dia.”

Acima do romance,  que obviamente é muito importante, o livro é sobre descobrimento. Descobrimento de Alysson sobre o mundo, sobre o romance e especialmente sobre ela mesma, o que é uma coisa necessária para todos nós, nos descobrir. Outro ponto interessante é o tempo do livro, se eu pensei que ele se passaria em apenas um dia? Pensei sim, mas não é bem assim. Ao longo do livro é mostrado a vida dela na faculdade e os pontos importantes que ela viveu no período. Com relação ao fim do livro, é aberto, assim a gente pode acompanhar mais dessa história em Apenas Um Ano.

Espero que tenham gostado e que leiam essa lindeza de livro, e como nós temos mais que apenas um dia, até semana que vem.

Xoxo,

Nath.

 

 

[Resenha] Zac & Mia

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Livro: Zac & Mia

Autor (a): A.J. Beets

Editora: Novo Conceito

Ano: 2015

Páginas: 288

Sinopse: A última pessoa que Zac esperava encontrar em seu quarto de hospital era uma garota como Mia – bonita, irritante, mal-humorada e com um gosto musical duvidoso. No mundo real, ele nunca poderia ser amigo de uma pessoa como ela. Mas no hospital as regras são diferentes. Uma batida na parede do seu quarto se transforma em uma amizade surpreendente. Será que Mia precisa de Zac? Será que Zac precisa de Mia? Será que eles precisam tanto um do outro? Contada sob a perspectiva de ambos, Zac e Mia é a história tocante de dois adolescentes comuns em circunstâncias extraordinárias.

Sabe, depois de A Culpa é das Estrelas, eu não prestei mais pra livros que tratam de doenças, tipo câncer. Pensei que não seria capaz de lidar com essa temática novamente, mas estava errada, pelo menos nesse caso. Descobri Zac & Mia, por acaso, em um dos meus milhões de passeios pelo site da saraiva e um conselho, migos, nunca digam dessa água não beberei mais, porque beberás.

O câncer é uma realidade, tanto para Zac, quanto para Mia. O que os diferencia e a forma como cada um lida com a doença. Zac, vive o máximo que pode, afinal, depois de um transplante de medula bem sucedido ele só quer retomar sua vida, estar bem e viver os 55% de chances dele da melhor forma possível. Já Mia, não aceita sua doença, acha que não há volta a partir daquilo, prefere fugir e que preferia não ter os 98% de chances que tem.

Ao longo da história, você vai sentir muita vontade de sentar na cadeira rosa e conversar com Zac sobre tudo, porque ele é a pessoa pra isso, aparentemente não teria momento ruim pra ele. Em outros, você pode até sentir um pouco de raiva de Mia (admito que senti), mas é o jeito com que ela, inicialmente foi capaz de lidar com tudo aquilo… é aquela coisa de que só quem tem, quem está passando pelo processo sabe.

A maneira como A.J. Beets escreve, deixa tudo mais leve. Diferente de A Culpa é das Estrelas, o foco não está no romance em si, mas na superação de dois adolescentes que lutam contra uma doença que ninguém quer ter, principalmente com 17 anos. E o romance? Bom, esse é construído de uma maneira tão linda e fofa, que não tem como não pedir pra eles ficarem juntos a cada frase, a cada momento.

Muito desse livro é sobre o depois. Depois que a cirurgia é feita. Depois que a nova medula é colocada. Depois. E é nesse depois que eles se encontrar e o leitor pode perceber que muito desse livro também é sobre a salvar, um salva o outro. Juntos eles são fortes.

“Há tanta coisa que ela ainda não compreende: que fica melhor; que não é culpa dos médicos. “Não lute”, eu quero dizer. “Não puxe a alavanca da Saída de Emergência. Tome as pílulas e aproveite o passeio como der.”

Bom, eu me apaixonei por esse livro de uma forma que nem está escrita. Ele, com certeza, entrou para minha tríade de livros favoritos (que não é uma tríade), principalmente por me fazer refletir sobre essas questões do depois e de como vivemos de uma forma genérica, sem dar muita importância. E eu realmente espero que para vocês seja uma experiência tão boa e significativa quanto foi pra mim.

Até logo,

Nath.

[Resenha] As Garotas de Corona del Mar

Livro: As Garotas de Corona del Mar
Autora: Rufi Thorpe 
Ano: 2017 
Editora: Novo Conceito
Páginas: 288
Sinopse: Amizade entre garotas pode ser intensa e, no caso de Mia e Lorrie Ann, 
não há dúvidas de que isso é verdade.
À medida que crescem, a vida de Mia e Lorrie Ann é preenchida com praia, diversão e 
passeios ao shopping.
Por outro lado, como toda amizade, há conflitos e dores. 
Mia e Lorrie Ann convivem há muito tempo e possuem personalidades opostas. Mia é a bad 
girl, vivendo em uma família problemática. Lorrie Ann é linda e amável, 
quase angelical, e tem uma família que parece ter sido arrancada de um conto 
de fadas. 
Mas, quando uma tragédia acontece, a vida perfeita sai fora de controle...

Um verdadeiro não julgue o livro pelo título

Toda criança possui sonhos, sonhos de profissão, de quem estará ao seu lado anos mais tarde como parte de sua família, mesmo que o laço afetivo não seja advindo de relação sanguínea ou de certidões de nascimento, a amizade é o laço sentimental de maior partilha entre pessoas e nesse livro Rufi Thorpe demonstra os altos e baixos de amizades de longas datas, todo mundo cresce, uma amizade é sujeita aos desencontros temporais.

Mia e Lorrie Ann, são amigas, duas garotas que dividem uma deliciosa amizade, com personalidades distintas, Lorrie Ann é uma garota que se revela conforme seu desenvolvimento, o seu crescimento molda a sua personalidade e autentica suas escolhas, enquanto isso Mia é uma profusão, apresentando desde traços calculistas até solidão.

Lorrie Ann não tinha nunca, nunca mesmo, dito antes para mim algo assim tão frio. Lorrie Ann era sempre gentil – esse era o papel dela, ser gentil, doce, boa e me chamar de ursinha Mia.

É no desenrolar dos trágicos acontecimentos que a felicidade juvenil é aos poucos fraturada, elas acometem em suma a sonhadora Lorrie, formando uma antítese em comparação a vida de ascendência de Mia, que mesmo diante do seu sucesso pessoal, sente as quedas que perpassa pela vida de Lorrie, o “fundo do poço” parece parte do contexto vivido por Lorrie, uma frequente tensão a acompanha e a obriga a ofuscar a sua brilhante personalidade de infância.

– Eu pensei que ele podia ter morrido.
– E por que você ia querer estar drogada em um momento como esse?
– Para não ter de sentir.

Crescer é um processo por vezes doloroso, antigos risos esmorecem, obstáculos que exigem uma visão de vida amadurecida surgem desenfreadamente, mesmo quando não há preparo para tal, ninguém vai alertar “cuidado, isso pode te destruir”, mas apoio é o crucial para superar essa fase de transição, mas quando se está tão nocauteado pela vida e seu porto está em oposição ao seu rumo, novas perspectivas se tornam dolorosas, a amizade e companheirismo perduram por diversas situações, porém suportar o pouco ressentimento e temor de machucar alguém é um deteriorador potente.

[Resenha] Provence

provenca_1493038951523856sk1493038951bLivro: Provence – O lugar onde se curam os corações partidos

Autor: Bridget Asher

Editora: Novo Conceito

Ano: 2017

Páginas: 368

Sinopse: “Eis uma forma de colocar a coisa: a perda é uma história de amor contada de trás para frente… Toda boa história de amor guarda outra história de amor escondida dentro dela.”

A vida de Heidi com o filho Abbot tornou-se um jogo para manter viva a memória de Henry, bom pai e marido exemplar. Manter uma vida normal em um mundo em que Henry não existe mais está cada dia mais complicado. Heidi precisa lidar com o filho que se tornou um verdadeiro maníaco por limpeza e com a sobrinha Charlotte, uma adolescente problemática.

Uma casa em Provence, na França, que pertence à família de Heidi há gerações, é rica em histórias de amor e surpreendentes coincidências. Heidi e sua irmã mais velha, Elysius, passavam os verões lá quando crianças, com sua mãe. Mas a casa, as lembranças e os segredos de Provence haviam ficado no passado, mas agora, com o incêndio na propriedade, a casa precisa ser salva por Heide. Ou será que é Heide que precisa ser salva pela casa?

Uma história de recomeço, amor e esperança em face à perda, onde uma pequena casa na zona rural do sul da França parece ser a responsável por curar corações partidos há anos.

“Devemos ser sinceros quando o mundo não faz sentido…”

 

 

 

Terminar a leitura foi como finalizar uma das sobremesas que a Heidi preparava!…

 

Deliciosas!

 

Sim, no início foi difícil…

 

… a perda é uma história de amor contada de trás para frente p.5

O fato é que a vida continuou sem mim (…) o mundo seguia em frente e eu, não. p.10

 

Henry Bartolozzi morreu já há dois anos, “seguiu a jornada dele” – se assim o acreditar – e ela, a viúva Heidi, estagnou. Sua letargia apenas perdia para o filho, razão dela se ainda se mover. O negócio passa a ser tocado pela sócia…

 

Olhei para cima e flagrei meu reflexo no espelho do armário – turva, fantasmagórica, alguém que costumava existir, mas que agora já havia quase ido embora. – p.82

 

Como disse Roland Barthes, a saudade é dita a partir de quem ficou… E a Heidi sente muito a falta do marido. O amor que eles tinham era tangível, verdadeiro, incondicional… Lindo e raro. Um presente. As lembranças e histórias que ela sempre conta para o filho, Abbot, uma criança de oito anos, mantém a memória do pai. Ela perde a noção de tempo, perde objetos… O filho torna-se germofóbico… Cada um com sua porção a superar.

 

É no dia do casamento da irmã, Elysius, com o Daniel (com quem mora há oito anos) que a mãe informa que teve um incêndio na casa da família e parece “atordoada”. A casa, em Provence, é herança de família e tem uma longa história de amor. Foi criada a partir dele, pedra sobre pedra, por um ancestral. Essa é a desculpa, a necessidade de reparo, que é usada para enviar o trio para a França: Heidi, Abbot e Charlotte. Ah, sim, a Charlotte é filha do Daniel, uma adolescente de dezesseis anos, que também tem seus problemas a superar.

 

Jornada. Aí os “pequenos milagres” começam a operar. Crenças, descrenças, e ajuda, claro! Véronique (amiga de infância da mãe) e seu filho caçula, Julien Dumonteils (que implicava com a Heidi quando criança). Muito ocorre. Assalto. Susto. Fobias. Passeios. Trabalho…

 

Reproduzo à vocês a pergunta da protagonista na página 210: ‘Quando você está fechada e começa a se abrir, o que volta à vida primeiro?’

 

– Você está bem? – Julien perguntou.

(…)

– Eu sou. Estou sendo. p.213

 

O presente… Um presente. Uma andorinha que tem a asa quebrada pode vir a se curar com o devido tempo e voltar a alçar voo com o seu bando. Tempo e um pouco de cuidado, descanso… Olhar as cores das montanhas, observar se e quando e como mudam… Ouvir a casa. Ouvir a si.

 

Se de início foi difícil; com a viagem, novo frescor. Afinal, como diz a mãe da Heidi, todos merecem um verão perdido. As receitas ao final, o transcorrer que não devo tirar o prazer de cada um ler por si… Posso apenas assegurar que tem muita carga, surpresas, histórias… Um garoto de oito pode muito enxergar e, mesmo com capota quebrada e na chuva, conversíveis serão sempre conversíveis! Rs…

 

Quanto ao produto físico em si, não posso mentir… As flores da capa, sua cor, chamaram a minha atenção, bem como as construções de pedra, estilo europeu – tem ‘um certo’ charme. A cor do papel e a fonte tornam a leitura agradável. Parei apenas em dois lugares: 219 (“de” a mais) e 264 (ausência de um “que”), por estranhamento mesmo, porque em nada atrapalha a compreensão do texto.

 

E, claro, não podia deixar de lado: merci pour le Voyage!

 

[RESENHA] Mais do que isso

mais_do_que_isso_1490714554588396sk1490714554bLivro: Mais do que isso

Autor: Patrick Ness

Editora: Novo Conceito

Ano: 2017

Paginas: 432

Sinopse:Um garoto se afoga, desesperado e sozinho em seus momentos finais. E morre. Então ele acorda. Nu, ferido e com muita sede, mas vivo. Como pode ser? Que lugar é este, tão estranho e deserto? Enquanto se esforça para compreender a lógica de seu pior pesadelo, o garoto ousa ter esperança. Poderia isto não ser o fim? Poderia haver mais desta vida, ou quem sabe da outra vida?

 

Com uma edição bem trabalhada, fonte permitindo leitura confortável, uma divisão em três portas – oops! partes (rs), o que foi interessante por serem momentos específicos da história e a capa que retrata bem a claridade buscada pela personagem em meio ao desconhecido, que diz ser “purificador e cinza” (p.18), eis Mais do que isso, do autor Patrick Ness, publicado aqui no Brasil pela Editora Novo Conceito. Que leitura!

Capturar

Será que isso é um sonho?” p.22

Você termina a leitura extasiado e como a personagem Seth: ser poder dizer o que é real.

Seth se afogou. Sensações… Observações… A descrição física pode ser aplicada a afetiva. Ele “acorda” morto (?), atordoado. Seria um “último sonho antes da morte”? Acorda sem saber quem é.

Lampejos de memória vem primeiramente através de sonhos. É assim que lembra o seu nome: Seth Wearing. Tais “lampejos de memórias” doem quando tristes e ruins… E algumas lembranças são tão boas que machucam. Ainda mais quando se está total e completamente sozinho.

“A dor daquilo. A dor da falta que sente de Gudmund é tanta que ele mal consegue suportá-la.” p.99

E o Seth, lembrando a vida, incidentes familiares – um pelo qual se sente responsável, pensa na morte em vida. E a solidão daquele lugar.

“A solidão. Nessa exaustão contínua, a solidão terrível desse lugar o engole, assim como as ondas nas quais se afogara.” p.134

Sem eletricidade, nada funciona. Casa antiga, na Inglaterra, mato alto ao redor… Andando, lojas abandonadas, carros… nada. No mercado, latas de comidas vencidas, mas algumas comíveis. Até que, em um impulso, “loop”: arruma tudo sem descanso e, depois, sai para correr.

“Só mais uma rua comprida, e chegará ao sopé da colina.” p.149

Uma van preta, EM MOVIMENTO, muda tudo! Bem como duas mãos que se colocam por trás dele, sobre a sua boca, quando ele grita “espere” para o motorista.

— Porta —

Seria sua mente buscando explicações? Peças pregadas pelo inferno? Onde ele está? Morreu, mão morreu? Teorias… Lembranças continuam. Necessidade de respostas – mas não mais tão sozinho (ou está?): Regina e Tomasz (reais?). Presídio.

Seth precisa… o leitor precisa.

“Eu me lembro.” p.273

E outra porta.

Tomasz também não gosta de não saber as coisas, e devoraria o livro buscando saber. É real? Qual a explicação?

“Se tudo isso é mesmo uma história da minha cabeça…” p.426

Necessário adentrar o caixão. Olhar. Conectar.

Olhares.

“Está pronto?”

“Estou pronto!”

 

Um abraço,

Carolina.