[Resenha] Uma Mentira Perfeita

Livro: Uma Mentira Perfeita

Autor: Lisa Scottoline

Editora: Harper Collins Brasil

Ano: 2018

Páginas: 397

Sinopse: Chris Brennan acaba de se mudar para Central Valley, na Pensilvânia. Ele veio atrás de um emprego como professor substituto e treinador de beisebol na escola de ensino médio local, com um currículo impecável e boas maneiras que só um bom homem poderia ter. Mas tudo sobre ele é uma mentira. Seu nome é um pseudônimo, seu currículo é falso. E ele veio para a cidade com um plano, que a princípio é perfeito – e para cumpri-lo, precisa ficar de olho no time de beisebol. Encontrar o que precisa para cumprir seus planos não deve ser tarefa difícil, e Chris foca sua busca em três meninos cujas vidas (e as de suas mães) giram em torno do time: Raz Sematov, o arremessador, um menino geralmente alegre e bem humorado que acabou de perder o pai; Evan Kostis, que é rico, mimado e problemático além de ser a sensação do time, e Jordan Larking, o novato, um garoto tímido e reservado. Encantador e repleto de suspense, A mentira perfeita é um incrível thriller emocional, uma história criminal suburbana que prende os leitores até o final, com reviravoltas impressionantes e personagens que você não esquecerá facilmente.

Migos vem cá que eu preciso GRITAR sobre esse livro! Sério!

Chris Brennan acaba de chegar a CentraVilley para assumir o cargo de professor substituto, nas disciplinas de Política Avançada, e Justiça Criminal na escola de ensino médio local. Porém para o seu plano funcionar, ele precisa de mais. Ele precisa do Cargo de Treinador Assistente do time de baseball do colégio, e conseguir se aproximar de três jovens, Evans, Raz e Jordan, e de suas famílias.

Quatro histórias se desenrolam e se conectam, entre os jovens, sua mães e o mistério professor, cuminando em revelações decisivas para a vidas dessas famílias, e até para um caso de segurança nacional.

Uma Mentira Perfeita, é sem dúvidas o livro que mais desgraçou com a minha vida em 2018. Vamos aos porquês:

1- Eu precisei ler esse livro 2 vezes em duas semanas para definir se gostei ou não dele:

Durante a minha primeira leitura, eu peguei todas as evidências, e o desenrolar muito rápido. De forma que eu não consegui me apegar nem a história nem aos personagens.

Mas nada como você dar uma nova chance para aquilo que você não compreende.

Relendo o livro, eu pude não só vivenciar mais a experiência, como perceber o crescimento e desenvolvimento dos personagens, as mudanças, os plots, e tudo que agora me fizeram me apaixonar pela narrativa.

Esse é o primeiro Romance policial que eu leio da Lisa Scottoline. Uma autora que constrói uma história cheia de reviravoltas, e mensagens escondidas nas entrelinhas, que podem transformar um mocinho em vilão e um vilão em mocinho de um parágrafo para o outro, sem dar tempo ao leitor de para para respirar.

2- Eu não aceito que seja livro único:

A história possui algumas falhas, alguns pontos em aberto, e histórias para serem concluídas. Como é o caso do Raz.

Esse personagem nos é apresentado como um dos protagonistas, e tem uma história de fundo muito boa para ser desenvolvida, tanto ele quanto a sua mãe, que rouba a cena, nos momentos mais dramáticos da história.

Outro motivo, é que o Chris/Curt é um personagem cativante, daqueles que nos deixa cheios de vontade de saber mais sobre ele, e o que aconteceu com a Heather depois do Friendly’s.

O livro possui pontos de desenvolvimento negativos, para leitores dinâmicos como eu. Porém, nada que uma pausa na leitura dinâmica e engatar em uma leitura por prazer não faça você se apaixonar pela história.

Para essa edição a Harper Collins Brasil apostou no “menos é mais”, tanto em arte de capa, quanto diagramação e edição interna. Durante a leitura deu para identificar algumas falhas na revisão do livro, principalmente voltadas para o gênero dos personagens, mas nada que venha a atrapalhar a leitura. Um pedido para a editora, é que talvez eles possam rever a capa do livro, assim como foi feito com Flores Partidas. Deixa-la mais chamativa e atrativa ao leitor, pois com a atual, não sei EU me interessaria tanto ao vê-la em uma livraria. (Eu compro livro pela capa, pode me julgar)

É isso migos! Valeu muito reler e pagar a língua com essa leitura, e super indico a vocês que façam o mesmo!

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[Resenha] Asiáticos Podres de Ricos

Livro: Asiáticos Podres de Ricos

Autor: Kevin Kwan

Editora: Record

Páginas: 485

Ano: 2018

Sinopse: Best-seller internacional que inspirou uma das mais aguardadas adaptações cinematográficas do ano. Quando Rachel Chu chega a Cingapura com o namorado para o casamento de seu melhor amigo, imaginava passar dias tranquilos com uma simpática família. Só que Nick não mencionou alguns detalhes, como o fato de sua família ter muito, muito dinheiro, que ela viajaria mais em jatinhos particulares do que de carro e que caminhar de mãos dadas com um dos solteiros mais ricos da Ásia era como ter um alvo nas costas. Logo, Rachel percebe que não será poupada das fofocas e intrigas. Isso sem falar na mãe de Nick, uma mulher com opiniões bem fortes sobre com quem o filho deve – ou não – se casar. Um passeio pelos cenários mais exclusivos do Extremo Oriente – das luxuosas coberturas de Xangai às ilhas particulares do mar da China Meridional –, Asiáticos podres de ricos é uma visão do jet set oriental por dentro. Com seu olhar satírico, Kevin Kwan traça um retrato engraçadíssimo do conflito entre os novos-ricos e as famílias tradicionais em seu romance de estreia, que já fez milhares de leitores chorarem de tanto rir no mundo todo.

Rachel Chu leva uma vida tranquila em Nova York. Um bom trabalho, um namorado incrível, uma vida confortável. Seu namorado, Nick, também professor da mesma universidade que é tudo que ela sempre quis.

O que Rachel não sabe, é que Nick é um dos maiores herdeiros mais cobiçados de Cingapura. Na verdade, com o casamento de Collin Khoo se aproximando, Nick Young é de fato o principal solteiro de toda Ásia. Enquanto Rachel se prepara, para o que em sua cabeça, seria apenas uma viagem simples de férias, e o casamento do melhor amigo do seu namorado, Elleanor Young se prepara para para se livrar dessa CNA (Chinesa Nascida na América), que com certeza está de olho na fortuna de seu filho, e para isso ela não vai medir esforços (nem dinheiro) para conseguir o que for necessário para separar os dois.

Em uma impressionante mistura de Gossip Girl e Dinasty, “Asiáticos Podres de Ricos” é uma história hilária e contagiante, passando em cenários maravilhosos das ilhas asiáticas, em um universo onde o dinheiro muitas vezes pode ser mais importante que a felicidade.

De longe esse é um dos melhores livros do ano. Sério.

Eu sou muito viciado em séries que misturam universos luxuosos e intrigas, bem ao estilo Gossip Girl, Dinasty, Sex in the City, e é exatamente esse ritmo transmitido pelo autor Kevin Kwan. O autor construiu uma narrativa cativante e viciante, principalmente por intercalar os capítulos entre os personagens, dando uma amplitude ao leitor, sobre o real cenário e a situação como um todo, proporcionando momentos de tirar o fôlego com as reviravoltas da história.

A história nos dá personagens icônicos e com histórias dignas de livros próprios, como é o caso de Astrid Leong, prima do Nick. Uma personagem que ao meu , roubou toda a atenção para si, dentro do enredo. Estou aqui na torcida para que os outros livros dessa série sejam lançados no Brasil o quanto antes!

Asiáticos Podres de Ricos, foi o livro da VIB (VERY IMPORTANT BOOK) desse mês do Grupo Editorial Record, e o livro já está disponível na pré venda! A adaptação cinematográfica, deve chegar aos cinemas brasileiros em breve, e estaremos de olho nessa história incrível e apaixonante.

[RESENHA] Contra Todas as Probabilidades do Amor

Livro: Contra Todas as Probabilidade do Amor

Autora: Rebeka Crane

Editora: Faro Editorial

Ano: 2018

Páginas: 238

Sinopse: Sejam bem-vindos ao acampamento Pádua. Um retiro de verão para adolescentes problemáticos. Mas não se tratam de problemas comuns, como não querer estudar, mentir ou colar na prova. Não! Estamos falando de problemas reais. Alguns deles tão grandes, tão sérios, que até um adulto desmoronaria sob o peso deles. No acampamento, Zander, uma garota enviada pelos pais contra a sua vontade, encontra uma série de adolescentes na mesma situação, e com três deles ela estabelece uma relação de amizade — Grover, Alex e Cassie. Todos os quatro são tão diferentes quanto as pessoas podem ser, mas têm algo em comum — eles estão quebrados por dentro. Em meio às sessões de grupo e, à medida em que o verão dá as caras, os quatro revelam seus trágicos segredos. Zander encontra-se atraída pelos encantos de Grover, e então começa a se perguntar, depois de muito tempo, se pode apostar em ser feliz novamente.
Mas, antes, ela precisa lidar abertamente com seus problemas, para poder juntar seus pedaços e reconstruir sua vida
Você pode pensar que se trata de uma história triste. E há partes duras sim, mas, Rebekah Crane consegue mostrar como na dificuldade podemos encontrar uma saída. Isso é uma das coisas que faz o livro completamente encantador, divertido e doce, capaz de deixar em você um grande sorriso no rosto.

Zander está tentando lidar com sua dor da forma que pode. Ela é uma aluna dedicada, atleta exemplar, e namora o jogador de futebol do colégio. Coisa que em qualquer outra história, seria o sinônimo de uma vida perfeita.

Mas por dentro, ela guarda muita dor, em silêncio, para não incomodar ninguém, sentindo cada vez mais incômodo.

Temendo que algo aconteça, e que todo esse silêncio se torne permanente, os pais de Zander a inscrevem no Acampamento Pádua. Um lugar a muitos quilômetros de distância, onde jovens que passam pelo mais diversos problemas emocionais e físicos vão para tentar se encontrar. Lá ela conhece e convive com Cassie, Groover e Alex, pessoas totalmente diferentes entre si, mas que tem o sofrimento, os medos e insegurança em comum.

Junto os quatro vão descobrir, que a melhor forma de se enfrentar um problema é quando temos outras pessoas ao nosso lado, para nos ajudar no caminho.

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Contra Todas as Probabilidades do Amor, foi um dos livros mais lindos que ja li nos ultimos tempos. Quem nos acompanha nos Stories do Instagram (@blogoutrogarotolendo), sabe que eu ando em uma vibe muito grande de livros sobre autoconhecimento, e encontrar uma livro de ficção, um YA, com essa temática, foi extremamente incrível. Zander e seus amigos, passamo verão buscando dentro de si mesmo as respostas para seus problemas. Mas quando você é o problema, não séria melhor buscar uma resposta do lado fora? Quando percebemos que não somos as unicas pessoas no mundo, e abrimos mão de um pouco dos nossos problemas, para enxergar o dos outros, isso nos dá uma nova visão sobre nós mesmos.

Rebekah Crane, conseguiu abordar assuntos da saúde emocional de muitos adolescentes e jovens adultos, de uma forma leve e cheia de lições que com certeza vão te ajudar se você estiver precisando. A edição produzida pela Faro Editorial, mais uma vez é digna de destaque, graças a um trabalho de qualidade gráfica impecável. Essa é uma leitura, que vale super a pena vocês conferirem, e recomendarem para os amigos estejam passando por um momento difícil.

E se você está lendo essa resenha, e está passando por algum momento complicado, triste ou se sentindo sozinho(a), lembre que aqui você tem sempre um amigo. E se quiser desabafar, não tenha medo ou vergonha de nos mandar um direct, ou deixar uma mensagem no nosso Fale Conosco, vai ser um prazer te ouvir e te ajudar.

[AlêNews] Márcia Tiburi lança “Feminismo em comum” em Salvador, com participação de Camila Pitanga e Olívia Santana

Na próxima segunda-feira, 29 de Janeiro, a autora Márcia Tiburi, passa por Salvador com a turnê de lançamento do seu livro “Feminismo em Comum”.

Sinopse: Primeiro livro feminista escrito pela filósofa Marcia Tiburi, autora do sucesso Como conversar com um fascista Podemos definir o feminismo como o desejo por democracia radical voltada à luta por direitos de todas, todes e todos que padecem sob injustiças sistematicamente armadas pelo patriarcado. Nesse processo de subjugação, incluem-se todos os seres cujo corpo é medido por seu valor de uso – corpos para o trabalho, a procriação, o cuidado e a manutenção da vida e a produção do prazer alheio –, que também compõem a ampla esfera do trabalho na qual está em jogo o que se faz para o outro por necessidade de sobrevivência. O que chamamos de patriarcado é um sistema profundamente enraizado na cultura e nas instituições, o qual o feminismo busca desconstruir. Ele tem por estrutura a crença em uma verdade absoluta, que sustenta a ideia de haver uma identidade natural, dois sexos considerados normais, a diferença entre os gêneros, a superioridade masculina, a inferioridade das mulheres e outros pensamentos que soam bem limitados, mas ainda são seguidos por muitos. Com este livro, Marcia Tiburi nos convida a repensar essas estruturas e a levar o feminismo muito a sério, para além de modismos e discursos prontos. Espera-se que, ao criticar e repensar o movimento, com linguagem acessível tanto a iniciantes quanto aos mais entendidos do assunto, Feminismo em comum seja capaz de melhorar nosso modo de ver e de inventar a vida. “O feminismo nos leva à luta por direitos de todas, todes e todos. Todas porque quem leva essa luta adiante são as mulheres. Todes porque o feminismo liberou as pessoas de se identificarem como mulheres ou homens e abriu espaço para outras expressões de gênero – e de sexualidade – e isso veio interferir no todo da vida. Todos porque luta por certa ideia de humanidade e, por isso mesmo, considera que aquelas pessoas definidas como homens também devem ser incluídas em um processo realmente democrático.” – do capítulo “Para pensar o feminismo”.

O evento conta com um bate-papo com a atriz Camila Pitanga e Olívia Santana, ex vice prefeita de Salvador.

O evento acontece às 18h do 29/01, no UCI Orient Shopping da Bahia, em parceria com a Livraria Saraiva. Mais informações, clique aqui.

[Resenha] Um Trono Negro

um_trono_negro_1508759191720603sk1508759191bLivro: Um Trono Negro (Três Coroas Negras #02)

Autora: Kendare Blake

Editora: GloboAlt

Ano: 2017

Páginas: 336

Sinopse: A batalha pela coroa já começou, mas qual das três irmãs triunfará? Após os inesquecíveis acontecimentos da Cerimônia da Aceleração e com o Ano da Ascenção em andamento, as apostas mudaram Katharine, outrora a irmã mais fraca, agora está mais forte do que nunca. Arsinoe, após descobrir a verdade sobre seus poderes, deve aprender a usar seu talento secreto a seu favor, sem que ninguém descubra. E Mirabella, antes a favorita para o trono, enfrenta uma série de ataques enquanto vê a fragilidade de sua posição. Em meio ao perigo constante, alianças serão formadas e desfeitas na fantástica continuação de Três coroas negras. As rainhas de Fennbirn terão que combater a única coisa no caminho entre elas e a coroa umas às outras.

 

Desde que eu terminei de ler “Três Coroas Negras”, que eu tô surtando pela continuação da história das três rainhas gêmeas .

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Nós somos uma maldição para aqueles que amamos.

Depois de todos os acontecimentos de “Três Coroas Negras”, começou oficialmente o ano da Aceleração. Enquanto os Envenenadores e a Rainha Katherine se preparam para destruir as outras, a Rainha Mirabela de divide entre o cumprir seu dever é o sentimento que tem pelas irmãs. Arsenoe por outro lado, precisa lidar com a sua última descoberta sobre seu dom (vamos para por aqui para não dar spoilers). Manipulações políticas, dever, amores e desejo de vingança e poder. “Um Trono Negro” é de tirar o fôlego e fazer você terminar de ler mandando mensagem pro namorado, desesperado pela continuação.

Por muito tempo, Arsinoe sonhou com uma chance como esta. De fugir. Desaparecer. Mas a Deusa sempre deu um jeito de movê-la como uma peça de xadrez, colocando-a onde queria.

Um Trono Negro é um livro excelente, que segue a mesma formula de Três Coroas Negras e prende o leitor desde a primeira pagina até o ultimo ponto final da história das rainhas gemeas. A GloboAlt fez um trabalho maravilhoso co esse livro, como ja vem sendo caracteristico da editora com seus livros desde de o seu lançamento no mercado.

Recentemente foi anunciado um ebook spin-off da série que até então foi lançado apenas em inglês “The Young Queens” ainda sem publicação em português. Enquanto isso, seguimos sem previsão do lançamento do terceiro livro da série.

– Eles não ficaram sabendo? – ela pergunta. – Não se pode matar o que já está morto.

Mais uma vez Kendare Blake constrói uma história única e envolvente, daquelas que prende o leitor, é o faz desejar cada vez mais e mais dessas jovens rainhas. Se você ainda não conhece essa série, leia também a resenha de Três Coroas Negras, Aqui.

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Um cheiro e até a próxima!

[Resenha] Provence

provenca_1493038951523856sk1493038951bLivro: Provence – O lugar onde se curam os corações partidos

Autor: Bridget Asher

Editora: Novo Conceito

Ano: 2017

Páginas: 368

Sinopse: “Eis uma forma de colocar a coisa: a perda é uma história de amor contada de trás para frente… Toda boa história de amor guarda outra história de amor escondida dentro dela.”

A vida de Heidi com o filho Abbot tornou-se um jogo para manter viva a memória de Henry, bom pai e marido exemplar. Manter uma vida normal em um mundo em que Henry não existe mais está cada dia mais complicado. Heidi precisa lidar com o filho que se tornou um verdadeiro maníaco por limpeza e com a sobrinha Charlotte, uma adolescente problemática.

Uma casa em Provence, na França, que pertence à família de Heidi há gerações, é rica em histórias de amor e surpreendentes coincidências. Heidi e sua irmã mais velha, Elysius, passavam os verões lá quando crianças, com sua mãe. Mas a casa, as lembranças e os segredos de Provence haviam ficado no passado, mas agora, com o incêndio na propriedade, a casa precisa ser salva por Heide. Ou será que é Heide que precisa ser salva pela casa?

Uma história de recomeço, amor e esperança em face à perda, onde uma pequena casa na zona rural do sul da França parece ser a responsável por curar corações partidos há anos.

“Devemos ser sinceros quando o mundo não faz sentido…”

 

 

 

Terminar a leitura foi como finalizar uma das sobremesas que a Heidi preparava!…

 

Deliciosas!

 

Sim, no início foi difícil…

 

… a perda é uma história de amor contada de trás para frente p.5

O fato é que a vida continuou sem mim (…) o mundo seguia em frente e eu, não. p.10

 

Henry Bartolozzi morreu já há dois anos, “seguiu a jornada dele” – se assim o acreditar – e ela, a viúva Heidi, estagnou. Sua letargia apenas perdia para o filho, razão dela se ainda se mover. O negócio passa a ser tocado pela sócia…

 

Olhei para cima e flagrei meu reflexo no espelho do armário – turva, fantasmagórica, alguém que costumava existir, mas que agora já havia quase ido embora. – p.82

 

Como disse Roland Barthes, a saudade é dita a partir de quem ficou… E a Heidi sente muito a falta do marido. O amor que eles tinham era tangível, verdadeiro, incondicional… Lindo e raro. Um presente. As lembranças e histórias que ela sempre conta para o filho, Abbot, uma criança de oito anos, mantém a memória do pai. Ela perde a noção de tempo, perde objetos… O filho torna-se germofóbico… Cada um com sua porção a superar.

 

É no dia do casamento da irmã, Elysius, com o Daniel (com quem mora há oito anos) que a mãe informa que teve um incêndio na casa da família e parece “atordoada”. A casa, em Provence, é herança de família e tem uma longa história de amor. Foi criada a partir dele, pedra sobre pedra, por um ancestral. Essa é a desculpa, a necessidade de reparo, que é usada para enviar o trio para a França: Heidi, Abbot e Charlotte. Ah, sim, a Charlotte é filha do Daniel, uma adolescente de dezesseis anos, que também tem seus problemas a superar.

 

Jornada. Aí os “pequenos milagres” começam a operar. Crenças, descrenças, e ajuda, claro! Véronique (amiga de infância da mãe) e seu filho caçula, Julien Dumonteils (que implicava com a Heidi quando criança). Muito ocorre. Assalto. Susto. Fobias. Passeios. Trabalho…

 

Reproduzo à vocês a pergunta da protagonista na página 210: ‘Quando você está fechada e começa a se abrir, o que volta à vida primeiro?’

 

– Você está bem? – Julien perguntou.

(…)

– Eu sou. Estou sendo. p.213

 

O presente… Um presente. Uma andorinha que tem a asa quebrada pode vir a se curar com o devido tempo e voltar a alçar voo com o seu bando. Tempo e um pouco de cuidado, descanso… Olhar as cores das montanhas, observar se e quando e como mudam… Ouvir a casa. Ouvir a si.

 

Se de início foi difícil; com a viagem, novo frescor. Afinal, como diz a mãe da Heidi, todos merecem um verão perdido. As receitas ao final, o transcorrer que não devo tirar o prazer de cada um ler por si… Posso apenas assegurar que tem muita carga, surpresas, histórias… Um garoto de oito pode muito enxergar e, mesmo com capota quebrada e na chuva, conversíveis serão sempre conversíveis! Rs…

 

Quanto ao produto físico em si, não posso mentir… As flores da capa, sua cor, chamaram a minha atenção, bem como as construções de pedra, estilo europeu – tem ‘um certo’ charme. A cor do papel e a fonte tornam a leitura agradável. Parei apenas em dois lugares: 219 (“de” a mais) e 264 (ausência de um “que”), por estranhamento mesmo, porque em nada atrapalha a compreensão do texto.

 

E, claro, não podia deixar de lado: merci pour le Voyage!

 

[RESENHA] Mais do que isso

mais_do_que_isso_1490714554588396sk1490714554bLivro: Mais do que isso

Autor: Patrick Ness

Editora: Novo Conceito

Ano: 2017

Paginas: 432

Sinopse:Um garoto se afoga, desesperado e sozinho em seus momentos finais. E morre. Então ele acorda. Nu, ferido e com muita sede, mas vivo. Como pode ser? Que lugar é este, tão estranho e deserto? Enquanto se esforça para compreender a lógica de seu pior pesadelo, o garoto ousa ter esperança. Poderia isto não ser o fim? Poderia haver mais desta vida, ou quem sabe da outra vida?

 

Com uma edição bem trabalhada, fonte permitindo leitura confortável, uma divisão em três portas – oops! partes (rs), o que foi interessante por serem momentos específicos da história e a capa que retrata bem a claridade buscada pela personagem em meio ao desconhecido, que diz ser “purificador e cinza” (p.18), eis Mais do que isso, do autor Patrick Ness, publicado aqui no Brasil pela Editora Novo Conceito. Que leitura!

Capturar

Será que isso é um sonho?” p.22

Você termina a leitura extasiado e como a personagem Seth: ser poder dizer o que é real.

Seth se afogou. Sensações… Observações… A descrição física pode ser aplicada a afetiva. Ele “acorda” morto (?), atordoado. Seria um “último sonho antes da morte”? Acorda sem saber quem é.

Lampejos de memória vem primeiramente através de sonhos. É assim que lembra o seu nome: Seth Wearing. Tais “lampejos de memórias” doem quando tristes e ruins… E algumas lembranças são tão boas que machucam. Ainda mais quando se está total e completamente sozinho.

“A dor daquilo. A dor da falta que sente de Gudmund é tanta que ele mal consegue suportá-la.” p.99

E o Seth, lembrando a vida, incidentes familiares – um pelo qual se sente responsável, pensa na morte em vida. E a solidão daquele lugar.

“A solidão. Nessa exaustão contínua, a solidão terrível desse lugar o engole, assim como as ondas nas quais se afogara.” p.134

Sem eletricidade, nada funciona. Casa antiga, na Inglaterra, mato alto ao redor… Andando, lojas abandonadas, carros… nada. No mercado, latas de comidas vencidas, mas algumas comíveis. Até que, em um impulso, “loop”: arruma tudo sem descanso e, depois, sai para correr.

“Só mais uma rua comprida, e chegará ao sopé da colina.” p.149

Uma van preta, EM MOVIMENTO, muda tudo! Bem como duas mãos que se colocam por trás dele, sobre a sua boca, quando ele grita “espere” para o motorista.

— Porta —

Seria sua mente buscando explicações? Peças pregadas pelo inferno? Onde ele está? Morreu, mão morreu? Teorias… Lembranças continuam. Necessidade de respostas – mas não mais tão sozinho (ou está?): Regina e Tomasz (reais?). Presídio.

Seth precisa… o leitor precisa.

“Eu me lembro.” p.273

E outra porta.

Tomasz também não gosta de não saber as coisas, e devoraria o livro buscando saber. É real? Qual a explicação?

“Se tudo isso é mesmo uma história da minha cabeça…” p.426

Necessário adentrar o caixão. Olhar. Conectar.

Olhares.

“Está pronto?”

“Estou pronto!”

 

Um abraço,

Carolina.