[Variedades] Os melhores apelidos românticos para se inspirar!

Ah, o amor está no ar!

Já pensou em como demonstrar carinho pela pessoa que você ama? A companhia que você gosta, está ao seu lado e lhe faz bem, não precisa se prender aos apelidos clichês – pode é claro, aqui o amor é permitido -, usar algo único para se referir a quem você gosta é uma forma de carinho – quando ela gosta, vale ressaltar – remete a ideia de que algum momento do seu dia foi investido para pensar no quão bem aquela pessoa lhe faz.

É pensando nisso que recapitulei meus casais fictícios, selecionei os apelidos mais fora do comum e nas mais distintas línguas para inspirar a sua mente a criar, pesquisar ou utilizar aquela referência para quem ama e melhor ainda, incitar a curiosidade para ler esses livros (a verdadeira intenção aqui é conquistar mais fãs, confesso):

  • Desejo à meia noite – Monisha e beija-flor

desejo a meia noiteA irmã mais velha da família Hathaway protagoniza Desejo à meia noite, o primeiro livro da série dos 5 irmãos mais… excêntricos da sociedade inglesa, mas o foco aqui é o quanto a personalidade de Amelia Hathaway de proteger sua família a leva de encontro com o rom Cam Rohan, o meio-cigano de postura felina, olhar aguçado e fala mansa conquista a sempre determinada Amelia, que aprende aos poucos sobre a cultura dos ciganos em seu romance com Cam, entre isso a forma como ele se refere a ela, um em referência a sua linguagem cigana, seus costumes ciganos, monisha e o outro, beija-flor, devido a natureza impetuosa dela.

– O que essa palavra quer dizer?
Monisha? É um tratamento carinhoso. – Ele mal conseguia raciocinar. – Os rons dizem isso para a mulher com quem têm intimidade.

  • Série A Maldição do Tigre – Priya, Bilauta, Rajkumari, Priyatama (Iadala, Chittaharini, Prema… a lista é extensa)

a maldicao do tigreNa adorada série sobre tigres, misticismo indiano e magia, Collen Houck criou dois príncipes que parecem um sonho encarnado, literalmente, os irmãos Rajaram, Dhiren – Ren para os íntimos – e Kishan foram condenados a uma maldição que perdura por séculos até então, quando Kelsey Hayes desenvolve um laço afetivo único com um tigre branco de circo, a chave para a quebra da maldição parece estar ao alcance, assim como um sem fim de aventuras e seres sobrenaturais, com um bônus (e tanto!) de novas palavras em hindu, com doses generosas de carinho e encanto dos príncipes irmãos.

Rajkumari, quero lhe dizer obrigado. Obrigado por ficar e me ajudar. Você não sabe quanto isso significa para mim.
– De nada – sussurrei. – E o que significa rajkumari?
Ele me lançou um sorriso branco luminoso e habilmente mudou de assunto.

a garota do calendarioA série A Garota do Calendário, retrata os 12 meses da trajetória de Mia como acompanhante de luxo, com os mais diversos homens, em diferente situações e nacionalidades, no segundo volume, que retrata Fevereiro, o par de Mia é um artista francês, com sua forma aberta de pensar e se expressar, ele contratou Mia para ser sua musa, mas não obstante, a forma como ele se refere a ela não deixa pendência, é linda forma dele de valorizar uma pessoa querida, Jolie é a forma em que ela é vista aos olhos do francês.

— Esta noite, ma jolie, foi muito maior do que qualquer coisa que eu já fiz. Estar com você é… é como ter um lugar especial no mundo. Nunca mais vou ter isso de novo. Eu quero que você saiba que tudo isso tem um significado muito forte para mim.

a furia e a auroraNa trama de Renné Ahdieh, conhecemos a trama de Sherazade, a cidadã de Khorasan que assim como todos, sabe da trágica e revoltante realidade do califa, o rei dos reis, que além de jovem é conhecido pelos inexplicáveis assassinatos de inúmeras esposas, para vingar sua melhor amiga, Sherazade arma uma ardilosa trama para conquistar a confiança e então destruir o califa, ela porém não esperava ser também conquistada pela conflituosa e silenciosa personalidade de Khalid, ficando cada vez mais impossível resistir a esses sentimentos e ao carisma do califa, que cada vez mais cativa pela seus carinhosos gestos.

Joonam. Ele já a chamara assim. Meu tudo.
Como na noite em que ela contara a história de Tala e Mehrdad, por que isso tinha um halo de verdade? 

  • Ligeiramente Seduzidos – Chérie

ligeiramente seduzidosNo quarto volume da série dos irmãos Bedwyns da Mary Balogh, a Bedwyn a protagonizar a trama é a Morgan, a beldade da família e a mais nova entre os irmãos, após o seu debute, Morgan acompanha a melhor amiga e família para Bruxelas, em conta da iminente guerra, em meio a permanente tensão e aos suntuosos eventos da alta sociedade, Morgan conhece Gervase, conde de Rosthorn, o inglês com sangue e vivência francesa que parece flertar descaradamente com ela, que por sua vez tenta a todo tempo ler as entrelinhas das ações do conde, enquanto ele utiliza o charme para tentar deleitar a perspicaz Bedwyn.

Gervase estava encostado na parede de pedra, em um dos lados da entrada da gruta, de braços cruzados.
– Chérie – disse, em um tom suave –, você concordou em me dar uma última oportunidade de convencê-la a não me abandonar, a não partir meu coração.

  • A Transformação de Raven – Cassita 

Em paralelo com a série Inferno de Gabriel, Sylvain decidiu se superar e criar a Noites em Florença, que além de conter essência sobrenatural convém a agraciar os leitores não só com a sagacidade do autor em inserir habilmente teorias bem embasadas e uma lógica fenomenal (super fã aqui!), nessa trama o submundo de Florença ganha um novo tom e a encantadora cidade cativa os sentidos pelos olhos de Raven e William, um enredo enriquecido com as personalidades de dois seres distintos, mas companheiros e um romance tenro, ao mesmo tempo cheio de sensualidade,  uma mulher tenaz e um homem misterioso protagonizam essa trama cheia de suspense e de um romance acalentador, Will surpreende com sua habilidade com o latim e sua carinhosa forma de ver Raven.

– Noé soltou o corvo, e o corvo retornou. Se eu fosse capaz de ter esperança, torceria para você voltar para mim. Boa noite, Cassita.

Em Play, o segundo título da série que retrata sobre os músicos mais hilariantes (e quentes) de todos, a Stage Dive, Malcolm Ericsson, o baterista inveterado da banda é conhecido por seu charme e a sua fama de conquistador o precede, porém o destaque da personalidade dele é o humor, ainda não inventaram um ser tão seguro de si e engraçado como Mal, quem descobre isso de forma inesperada é Anne Rollins, que passa a conviver com a personalidade agitada e cheia de humor do homem das formas mais distintas possíveis, todas elas cheias de risadas, o apelido que Malcolm usa para Anne na versão original é abóbora, entretanto a versão nacional em seu lugar é utilizado moranguinho, por uma escolha da editora acredito, no meu coração vai ser sempre abóbora.

— Você a chama de sua abóbora? — A voz de minha irmã estava cheia de temor. — Será que ela realmente responde?
— Bem, ela finge odiá-lo. Mas, secretamente, eu sei que ela adora. O rosto dela fica todo suave e tudo mais.

  • Nove Regras a Ignorar antes de se apaixonar – Imperatriz

nove regras Em Números do Amor, a Sarah persuade deliciosamente o leitor com um jogo sensual e ao mesmo tempo bem humorado com os números, o primeiro narra a trajetória para descobrir os prazeres proibidos ao público feminino no contexto através de Calpúrnia, uma lady cheia de ousadia, porém retraída, em um momento de dar um ‘basta’ nessa monotonia que se tornou sua vida, Callie decide fazer uma lista escandalosa de atividades para cumprir, mesmo pondo sua reputação em risco, ela toma todas as devidas precauções, para cumprir o primeiro item de sua lista, ela vai em busca do homem mais angelicamente devasso de Londres, o marquês de Ralston, Gabriel é um homem cheio de lábia e em um momento de reflexão histórica referente ao nome de Callie, decide lhe chamar de Imperatriz.

– Ainda não desistiria dessa parte dela, Imperatriz.
Callie prendeu a respiração diante do apelido, que trazia consigo uma lembrança difusa de muito tempo atrás.

  • Nuts – Ervilha

nutsProtagonizado pela Roxie, Nuts retrata a trajetória da chef que após um incidente envolvendo manteiga – isso mesmo, você leu certo! –  e atendendo o pedido de sua mãe, ela retorna para Bailley Falls, sua cidade natal e lugar que ela temia retornar, mas quando a vizinhança é boa, algumas decisões podem ser bem… repensadas, isso acontece ao conhecer o mais quente agricultor da região, Leo, um interlúdio envolvendo os dois é promissor, melhor ainda quando ele habilmente sabe como incitar a chef com um exótico apelido.

— Me chame disso de novo e eu estarei cancelando a aula de picles — Corri minhas mãos pelo seu cabelo e couro cabeludo, obtendo um gemido satisfeito em resposta.
— Ervilha? Isso te excita? — Perguntou, e eu inclinei a cabeça para cima em sinal de rebeldia.

A noiva do capitaoNo terceiro volume da série Castles Ever After, Maddie cria um noivo perfeito que lhe escreve cartas de seu contingente do exército, o capitão Logan Mackenzie –  ou MacFajuto como ela gostava de brincar nas cartas que ela escrevia para ele – um escocês que se encontra em meio aos combatentes do exército como um apreciado capitão, todavia a mentira tem perna curta, pior ainda, para Maddie tem pernas longas, usa kilt, tem olhos azuis e os mais escandalosos trunfos na manga, mais conhecidos como correspondências, sim! O capitão de Maddie existe e foi em busca de sua noiva, que havia lhe matado (?) heroicamente em suas cartas, afim de dar um fim ao seu passado comprometedor, mas o seu passado sabe como ser persuasivo e encantador com seu gaélico bem aplicado.

— Não sou nenhum fantasma, mo chridhe. Só um homem. De carne e osso.
Mo chridhe. Ele ficava usando essas palavras… Maddie não era fluente em gaélico, mas ao longo dos anos ela aprendeu algumas palavras aqui e ali. Ela sabia que mo chridhe significava “meu coração”.


Tem algum para acrescentar a lista? Conta para mim!

[Resenha] Romance com o Duque

Livro: Romance com o Duque (Castles Ever After #1)
Autora: Tessa Dare
Ano: 2016
Editora: Gutenberg
Páginas: 256
Sinopse: A doce Isolde Ophelia Goodnight, filha de um escritor famoso, cresceu cercada por contos de fadas e histórias com finais felizes. 
Ela acreditava em destino, em sonhos e, principalmente, no amor verdadeiro. Amor como o de Cressida e Ulric, personagens principais do romance de seu pai.
Romântica, ela aguardava ansiosamente pelo clímax de sua vida, quando o seu herói apareceria para salvá-la das injustiças do mundo e ela descobriria que um beijo de amor verdadeiro é capaz de curar qualquer ferida.
Mas, à medida que foi crescendo e se tornando uma mulher adulta, Izzy percebeu que nenhum daqueles contos eram reais. 
Ela era um patinho feio que não se tornou um cisne, sapos não viram príncipes, e ninguém da nobreza veio resgatá-la quando ela ficou órfã de mãe e pai e viu todos os seus bens serem transferidos para outra pessoa.
Até que sua história tem uma reviravolta: Izzy descobre que herdou um castelo em ruínas, provavelmente abandonado, em uma cidade distante. O que ela não imaginava é que aquele castelo já vinha com um duque…

Nada aqui fica pela metade, ainda mais com um incentivo delirante desse!

Tessa é uma criadora de histórias sempre sagaz, laça atenções e faz borbulhar constantes risadas com sua escrita cheia de humor inteligente, fortificando ainda mais seu enredo ao inserir uma heroína fora do convencional e aquele mocinho “cheio de marra” em que nós atiça a imaginar a sua queda para uma mulher além de seus limites “viris”.

Isolde Godnight é uma síntese, se distancia das heroínas usuais dos romances de época pelos cabelos arredios, dona de uma cabeleira cacheada arredia, a promessa de franqueza total dela é real, não importa o quão escandaloso é o seu pensamento, ela busca exprimir isso de forma honesta, se atendo somente em raros momentos em prol de manter a imagem de donzela que as histórias de seu pai a pintam. Com traços de uma personalidade convicta de suas opiniões e ideologias, nem mesmo o abandono de seu pai e a miséria pela qual passou dobrou seu espírito, com direito a um último destaque para o fator decisivo na trama, como uma amante de histórias, Izzy adora repensar suas discussões anteriores e imaginar respostas mais ferinas – algo que faço e com frequência, acredito não ser a única.

“Eu pensei em uma coisa”, ela disse, agitada. “Isso me ocorreu durante a noite, na cama. R-A-NS-O-M.”
“O quê?” Ele perguntou enquanto alongava o pescoço.
“Na primeira noite, você perguntou se precisaria soletrar ‘perigo’ para mim. Mas então, no meio do caminho, você esqueceu como soletrar perigo.”

Ransom é orgulhoso, tal que mesmo diante da delicada situação envolvendo sua visão, o mesmo se recusa a receber qualquer auxílio, vivendo isolado não só por seu orgulho, mas se afastando dos possíveis olhares de pena da sociedade. A catástrofe que lhe causa dores excruciantes e lhe incapacitou a visão ainda é misteriosa, alguns fatos são verídicos, porém a verdadeira face do acontecido somente e o duque e não compartilha com ninguém, o que atiça ainda mais a curiosidade de Izzy, um homem tão orgulhoso e uma fortaleza de si não parece possível ser uma vítima do acaso, é aqui que entra o apreço por histórias e contos dela.

Não se enganem, o olhos danificados do duque não são de todo um empecilho, é devido a isso que outros sentidos são aguçados e a percepção explorada de uma nova forma. A própria Izzy se surpreende com o fato promissor – ao mesmo tempo comprometedor – que Ransom por si foi capaz de tirar a conclusão que ela manteve por baixo dos panos, de forma a ser conveniente a sua família e a condição da sociedade em que se inseria, em que uma mulher tinha excessivas limitações.

Antes do acidente, Ransom nunca teve dificuldade para atrair a atenção das mulheres. Mas as que se sentiam atraídas por ele eram mulheres experientes e seguras de si. Não garotas tolas e impressionáveis. E será que ele estava ficando louco ou elas simplesmente não notaram a cicatriz que lhe deformava um lado do rosto?
Bom Deus. Uma delas beliscou seu traseiro. E então todas soltaram risinhos.

Enquanto Izzy se esforça para se afirmar a senhoria do castelo – ou ao menos como dona do único lar que lhe cabe -, Ransom tenta a todo custo se livrar dela, um estorvo para o seu isolamento e sossego. Todavia uma trama articulada para retirar qualquer direito ducal dele e para impedir que os agentes desse plano ardiloso tenham sucesso, Ransom descobre que precisa de ajuda e abdicar de seu orgulho, todavia para ele o importante é assegurar que a pequena Izzy, a desbravadora e corajosa mulher que conquistou aquilo que ele não sabia ter mais: seu coração.

[Resenha] A Noiva do Capitão

Livro: A Noiva do Capitão (Castles Ever After #3)
Autora: Tessa Dare
Ano: 2017
Editora: Gutenberg
Páginas: 256
Sinopse: Madeline possui muitas habilidades preciosas: é uma excelente desenhista, escreve cartas como ninguém e tem uma criatividade fora do comum. Mas se tem algo em que ela nunca consegue obter sucesso, por mais que tente, é em se sentir confortável quando está cercada por muitas pessoas…
Chega a lhe faltar o ar! Um baile para ser apresentada à Sociedade é o sonho de muitas garotas em idade para casar, mas é o pesadelo de Maddie.
E, para escapar dessa obrigação, a jovem cria um suposto noivo: um capitão escocês. 
Ela coloca todo o seu amor em cartas destinadas ao querido – e imaginário – Capitão Logan MacKenzie e convence toda a sua família de que estão profunda e verdadeiramente apaixonados.
Maddie só não imaginava que o Capitão “MacFajuto” iria aparecer à sua porta, mais lindo do que ela descrevia em suas cartas apaixonadas e pronto para cobrar tudo o que ela lhe prometeu.

Alguém disse Tessa? Isso mesmo ladies e lordes!

Tessa novamente laça admiradores em um livro digno de vivas e com um lirismo inteligente, além de um enredo cheio de personalidade, cada personagem é bem tecido e contribui para a trama com sua própria particularidade. A pitada de humor sagaz é um ícone nesse livro, a heroína é uma mulher que representa quem lê a obra em admiração, o pensamento que vai lhe assaltar é o que ela de forma desinibida vai sentir e ir além, vai expor, uma contraposição com um escocês cheio de segredos, um enigma para uma curiosa, o sinônimo de uma leitura sensacional.

Madeleine é a síntese de uma mulher eloquente e cheia de vigor, impelida pelo seu temor extremo a grandes socializações, ela inventa um noivo e uma história cheia de romantismo e promessa de amor desmedido entre ela e o capitão escocês Logan Mackenzie, o personagem fictício a que ela se manteve literalmente fiel, escrevendo-lhe com frequências durante anos, a sua válvula de escape.

Acreditando levar a farsa muito adiante, a ponto de se tornar a herdeira do castelo de Lannair, ela decide finalizar esse conto com uma tragédia pitoresca: a morte heroica do seu querido capitão MacFictício – substitua por MacMaravilhoso -, o que ela não esperava era que todas essas cartas enviadas aparentemente sem destinatário era lida, ou seja, todos os segredos e mentiras, além de desenhos, eram recebidos e assimilados.

Então ele colocou o papel sobre a mesa e levou a mão à sua bolsa, de onde retirou algo inesperado. Um par de óculos. Quando ele ajustou a armação despretensiosa no rosto, a mudança em sua aparência foi imediata e profunda. Profundamente excitante. 

Anos após a morte de seu suposto noivo, Maddie ainda permanece em vestidos de luto, dedicada a sua solitária e calmante vida de ilustradora, distante do mundo afora das paredes do castelo, uma visita inesperada se revela como seu passado sombrio e mentiroso, seu presente tranquilo e a promessa de um futuro conturbado, o Capitão Logan Mackenzie, o destinatário imaginário das inúmeras tolas cartas, eme carne e osso, beleza de tirar o fôlego, todavia um homem com um objetivo e disposto a até mesmo destruir a reputação da mulher que lhe revelou as profundezas de suas personalidade e segredos.

Logan Mackenzie parece saído de um delírio sensual a primeira vista, mas no momento em que sua obstinação vem a tona é possível reconsiderar o primeiro momento, mesmo os reflexos ruivos de seus cabelos e barba, a sua kilt e seus profundos olhos azuis, é uma bela capa para um interior conflituoso. Desde cedo, Logan já recebia duros golpes da vida, mesmo de sua própria família, esse passado turbulento deixou um profundo marco em sua personalidade e o último golpe que lhe foi aplicado não foi no campo de batalha, foi em um folha de papel, sob a pena de Madeleine, a seu ver uma mulher que sequer lhe conhecia o usou e descartou.

Ele demonstra não se preocupar com esse fato e utiliza de seus subterfúgios para manter àqueles que protege em segurança, em um lar, usando o trunfo que lhe convém contra Madeleine Gracechurch, e acaba aos poucos eles mesmo cedendo as pronúncias hipnotizantes das palavras em gaélico – me apaixonei perdidamente pela forma carinhosa em gaélico que ele usa, mo chridhe (meu coração) – se estendendo ao seu ver de forma inconveniente a naturalidade despreocupada da inglesa de mente expansiva.

— Você pode dizer que não quer chamar atenção, mas eu presto toda atenção em você. — Ele afastou a cabeça e deixou que seu olhar percorresse o corpo dela. — Na verdade, estou começando a me sentir um tipo de naturalista. Com interesses muito particulares. Estou me tornando um especialista em Madeline Eloise Gracechurch.
— Logan…
— E mo chridhe, você não pode me impedir.

Um relacionamento enveredado por mentiras e provocações é o pontapé da ligação entre Maddie e Logan, ambos com personalidades bem marcadas, enquanto um representa o conhecimento, o outro, a experiência de vida, um conflito de interesses os afasta de forma atrativa, os dois se completam, porém nenhum dos dois quer perder, são assumidamente orgulhosos. A marca despretensiosa de Madeline fascina as pessoas a seu redor – Grant que o diga -, embora ela possua suas fraquezas as assume e utiliza seus potenciais como escudo, almejando se tornar uma requisitada ilustradora com o seu dom para o desenho.

— Você inventou que eu tinha morrido e me abandonou.
Lá estava. A raiz de toda raiva dele, nua e pulsante, como uma ferida exposta.
— E essa não foi a primeira vez que você foi abandonado, não é?
Ele não respondeu. Não conseguiu.
Na tréig mi — ela sussurrou. — Não me abandone. Você sabia que diz isso enquanto está dormindo?

Além dos momentos e atritos compartilhados, as cartas que relatavam sobre o suposto romance dos dois acaba se convertendo em um modo de troca e sutil deliberação, onde Madeleine e Logan reinventam fatos e tecem uma história por cima da história, é absolutamente o livro mais delicioso para rir junto a um casal enérgico, com um homem de ações inimagináveis e uma mulher curiosa e cheia, repito, cheia de imaginação, o que torna quase impossível de não identificar-se com seu modo de ver o mundo.


Escrevi correndo e fui reler!

[Resenha] Amor e Amizade

capa amor e amizadeLivro: Amor e Amizade
Autores: Jane Austen, Whit Stillman
Ano: 2017
Editora: Gutenberg
Páginas: 288
Sinopse: Viúva, falida e mãe de Frederica, uma adorável garota em idade para se casar, Lady Susan tem uma missão: encontrar um bom marido – ou seja, rico – para a filha e sobretudo para si.
Dona de uma eloquência e de um charme sem iguais, Lady Susan flerta com qualquer homem endinheirado que possa salvá-la de sua desgraça financeira, o que lhe rende a fama de “rainha do flerte”.
Mas quando suas tentativas de garantir o futuro não saem como o esperado, Lady Susan recorre à gentileza (e ao dinheiro) de seu cunhado, Charles, e vai passar uma temporada em sua propriedade rural para se afastar das fofocas.
Lá, ela conhece Reginald, irmão da esposa de Charles, e único herdeiro da fortuna da família DeCourcy. 
Ao perceber que Frederica está se encantando pelo rapaz, Lady Susan decide que o jovem Reginald seria um belo e abastado marido… para si mesma.

Romance de época é muito amor!

Com todo o esplendor da magnífica Jane Austen, o livro resgata não só parte da identidade dos romances de época mais tradicionais, como exibe uma linguagem que a muitos remete a forma rebuscada e lírica de expressão, com um dos principais segredos do sucesso de Austen: a vivacidade, ousadia e singularidade não só do enredo, como também das protagonistas independente e visionárias.

Apesar de a obra original ter sido criado por Jane Austen em seu início de carreira, a história que narra a vida de Lady Susan foi publicada após a morte da autora, com uma peculiaridade em sua apresentação: a obra é tecida por cartas intermediadas entre os personagens! E é sob a construção das correspondências de Martin-Colonna que a excêntrica viúva Lady Susan tem sua personalidade assumida como amorosa e devota, digna de respeito em uma sociedade tão repressora de atitudes aquém do esperado, como é afirmado no caso da bela Lady Susan.

Através de uma bruma de romance, drama e mistério, Willtman desenvolve a vida da viúva, Lady Susan Vernon – já conhecida como uma coquete -, após acusações da conservadora sociedade após boatos de um envolvimento com Lord Manwaring – que sendo casado se caracteriza como extraconjugal -, o que somando ao fato de ela estar vivendo sem renda que a sustente e a sua filha Frederica, Lady Susan é levada a se afastar para a vida bucólica na propriedade de seus cunhados, onde conhece Reginald DeCourcym irmão mais novo da esposa de seu cunhado.

Reginald admirava a capacidade de Lady Susan lidar, mesmo com os assuntos mais desencorajadores e fastidiosos, como a deslealdade das gerações mais jovens, com uma ponderava suavidade.

Suntuoso, engraçado com gotas de sátiras sobre o conservadorismo de famílias que prezam pela fachada límpida e sua mentalidade, a obra retrata o desenrolar de uma trama realmente baseado nos recônditos do amor e da amizade, mesmo em um contexto social tão seco e capaz de destruir ou fechar os olhos diante daquilo que se considera absurdo, Lady Susan se prova uma mulher dona de si e dissimulada na medida que a convêm.

Há algo nele que me interessa, uma certa impertinência e um excesso de liberdades que devo ensiná-lo a corrigir

O ecanto do livro não se atém ao conteúdo, o imaginativo é conquistado desde a capa maravilhosa que retrata parte da identidade que Amor e Amizade possui, até  as inúmeras possibilidade de seu enredo intricado e mesmo cínico, contando ainda com o texto original de ninguém menos que a própria Lady Susan.


Relembrar a Jane é sempre bom e recomendo muitíssimo!

[Resenha] E Viveram Felizes Para Sempre

capa felizes para sempreLivro: E Viveram Felizes Para Sempre
Autora: Julia Quinn
Ano: 2016
Editora: Arqueiro
Páginas: 256
Sinopse: Era uma vez uma família criada por uma autora de romances históricos...
Mas não era uma família comum. 
Oito irmãos e irmãs, seus maridos e esposas, filhos e filhas, sobrinhas e sobrinhos, além de uma irresistível matriarca. 
Esses são os Bridgertons: mais que uma família, uma força da natureza.

Aquele limiar entre felicidade e tristeza!

A obra, brilhantemente envolvida no suntuosa dedicação da Editora Arqueiro, reúne uma coletânea de segundos epílogos de cada um dos Bridgertons, para quem não se saciou com essa família, o livro é uma dádiva deliciosa, recheada de bons momentos e lembranças, desde que Julia decidiu que não era o bastante e concluiu que os fãs tinham razão, os Bridgertons não haviam finalizado, afinal quando enfim seria o dito fim? O fim propriamente dito não existe, mas essa é uma promessa deliciosa de um futuro sem fim.

Em cada um dos contos um pequeno momento se desenvolve e dúvidas são sanadas – outras nascem, não existe contentamento quando se trata dessa família – com um toque todo especial dos momentos em família de cada Bridgerton, incluindo a matrona de todos os tempos, Violet Bridgerton. Com Daphne e Simon a paternidade traz um novo significado 17 anos depois do nascimento do filho mais novo, David – herdeiro do ducado -,  junto a aflição de Colin e Penelope com a similaridade do filho mais novo com o duque de Hastings, retomando a infância deste, a gagueira ainda o acompanha e o pequeno Georgie parece refletir esse passado, o que leva Simon a pensar sobre o seu laço com seu pai, trazendo a tona, o fantasma das cartas que foram deixadas anos atrás aos cuidados de Daphne.

O visconde da família, Anthony, ainda vive em delicioso conflito com a sua enlouquecedora esposa Kath, antes símbolo da família Bridgerton, o Pall Mall tornou-se tradição desde a última reunião peculiar no campo – aquela na qual uma abelha casamenteira entrou em cena. Enquanto isso, remetendo ao conto da Cinderela, Sophie – e Benedict – agora cedem espaço para a irmã postiça de Sophie, Posy Reiling, que aos 25 anos continua sendo Srta. Reiling, o que para a Bridgerton é uma injustiça, desde que se alguém merece um par é Posy, é momento do interlúdio amoroso de Posy com um empurrão – nada leve – de sua irmã Sophie.

Realmente era como se ela não estivesse ali, pensou Sophie.
– Como gosta do seu chá? – perguntou Posy.
– Do que jeito que a senhorita quiser.
Ah, isso já era de mais. Nenhum homem caía tão cegamente de amor que não tinha mais preferências em relação ao chá. Estavam na Inglaterra, Santo Deus. Na Inglaterra, falando de chá. 

Colin nunca seria acusado de não ser um Bridgerton, voltando no tempo para o casamento de Eloise, o Bridgerton tenta a todo custo provocar sua amada esposa com o segredo de sua dupla identidade – uma certa colunista teria uma ou duas palavras a dizer sobre isso. Pulando alguns anos, a mesma Eloise já superou o fatídico sensor humor de Colin e a maternidade lhe deu um novo desafio, afinal os gêmeos Oliver e Amanda já possuem idade de casar e é Amanda que narra esse momento, além dos mais é seu possível matrimônio a brilhar no horizonte, enquanto relembra dos momentos com suas duas mães e o quanto a felicidade está no simples fato de poder ser Amanda amada.

Inegavelmente Francesca e Michael Stirling foram o epítome de uma curiosidade sem fim, afinal foram agraciados com a paternidade que tanto desejavam? Michael convive pacificamente com a malária? Bem, no decorrer desse epílogo podemos ter uma clara visão de um alívio, mesmo que a resposta positiva só é comprovada para o primeiro caso (~suspense~), o conde não perdeu o encanto e todos os argumentos levam a conclusão de que Michael e Francesca podem conquistar toda a Escócia, ela com sua beleza e astúcia, ele com a beleza e charme irresistível, em conjunto com seus rebentos.

– Fiquei sabendo que estive envolvido na geração dele também, mas ainda não vi nenhuma prova – disse Michael, brincando.
Francesca olhou para ele com tanto amor que quase deixou Violet sem fôlego.
– Ele tem o seu charme – disse ela. 

 O mistério enfrentado por Hyacinth St. Clair – e já posto de lado por Gareth – ainda remete as misteriosas jóias, herança da avó de Gareth, todavia, os nervos da Bridgerton de nascença estão sendo testados por sua filha, Isabella, que para tormento da Hyacinth – e deleite de Violet – possui o mesmo gênio da mãe e um faro para mistérios, envolvendo os até então desconhecidos diamantes desaparecidos. Com Lucy e Gregory o decorrer é turbulento, afinal são pelo que sabe são nove filhos, com nomes que homenageiam os irmãos do Bridgerton e a anfitriã da festa em que os dois se conheceram e pelas palavras da Julia, com um pouco de drama um final feliz é ainda mais encantador, então Gregory começa a sofrer o peso de um futuro e uma paternidade inesperados, enquanto Lucy sofre pela possibilidade de ser cortada desse futuro

Para finalizarmos, é a vez dela, Violet Elizabeth Ledger, agora reconhecida e valorizada como a eterna viscondessa Violet Bridgerton, é descrita uma parte conturbada da sua infância, graças ao tal Edmund Bridgerton, que anos depois a reencontra e parece continuar mexendo com o emocional da jovem Violet, uma desavença de infância se transforma em admiração e reage perfeitamente com amor. O obscuro momento da viuvez de Violet, sintoniza os sentimentos do leitor com o sofrimento e a perda da família, posso ter deixado cair uma, dez ou umas vinte lágrimas com essa passagem emocionante, mas só posso registrar aqui: “Ah! Vale a pena cada momento”, que as palavras dessas páginas iluminem sorrisos e façam generosas lágrimas umedecerem suas sensações, afinal Julia nos deixou aquecidos com tanto carinho dessa família tão barulhenta e deslumbrante.

– Não fiz uma promessa, nem nada tão formal. Suponho que, se a oportunidade tivesse surgido, e o homem certo tivesse aparecido, eu poderia ter…
– Se casado com ele – completou Daphne por ela.
Violet olhou de lado para ela.
– Você realmente é uma puritana, Daphne.


 Uma olhadinha do qual vasta essa família se tornou!

family tree

[Resenha] Diga sim ao marquês

Diga sim ao marquêsLivro: Diga sim ao marquês
Autora: Tessa Dare
Ano: 2016
Editora: Gutenberg
Páginas: 288
Sinopse: Aos 17 anos, Clio Whitmore tornou-se noiva de Piers Brandon, o elegante e refinado Marquês de Granville e um dos mais promissores diplomatas da Inglaterra. Era um sonho se tornando realidade! Ou melhor, um sonho que algum dia talvez se tornasse realidade…
Oito anos depois, ainda esperando o noivo marcar a data do casamento, Clio já tinha herdado um castelo, tinha amadurecido e não estava mais disposta a ser a piada da cidade. Basta! Ela estava decidida a romper o noivado.
Bom… Isso se Rafe Brandon, um lutador implacável e irmão mais novo de Piers, não conseguir impedi-la. Rafe, apesar de ser um dos canalhas mais notórios de Londres, prometeu ao irmão que cuidaria de tudo enquanto ele estivesse viajando a trabalho. Isso incluía não permitir que o Marquês perdesse a noiva. Por isso, está determinado a levar adiante os preparativos para o casamento, nem que ele mesmo tenha que planejar e organizar tudo.

 Uma resenha de época para se apaixonar hoje!

Romance de época? OK. Enredo envolvente? OK. História de tirar o fôlego? OK e ponha uma grande OK para todos os requisitos dessa trama de tirar qualquer outra vontade que não seja ler esse livro magnífico. A Tessa Dare se reafirma a cada livro, não tem limites o talento e a capacidade de confecção de um belo livro da Tessa e em Diga sim ao Marquês, é construído um divisor de águas para reações que vão de apaixonantes a raiva desenfreada, Tessa é sensacional no que faz e com maestria transforma um livro em uma aventura cheia de romance e fãs, em apaixonados.

Sobre a Clio, primeiro começa com aquela dificuldade de ler Clio e não converter em Cléo, todavia, quando a Sr. Whitmore decidiu que vai tomar as rédeas do seu destino, meu caros, só se prostrando ao pés dessa solidez de caráter. Depois de 8 anos esperando por um casamento que parece estar ainda mais longe de acontecer, Clio tomou uma decisão, chega de esperar, agora dona de seu castelo e com uma habilidade e vontade além do comum para administrar a própria e empreender, ela rompe com sua antiga personalidade e amadurece para fazer o que bem entender.

“Você gostaria de ouvir uma história para dormir?”
“Na verdade, não.”
Colocando a mão no peito dele, Clio o empurrou, fazendo-o deitar no colchão.
“Vai ouvir mesmo assim.”

Então diante de tudo o que Clio precisa romper, o noivado é prioridade, então surge o Rafe, irmão mais novo do marquês em questão, Piers Granville, tudo bem que o mocinho é de tirar o fôlego com todos os méritos que um bom libertino tem que ter para incitar a curiosidade, mas o que há melhor do que ver as barreiras de um homem forte cair por terra e um novo lado vir à tona? Rafe, assim como Clio possui um objetivo, mas diferente dela que possui toda uma criação e preparação para uma vida de marquesa e talentos ocultos, Rafe é um boxeador, esporte que ele usa como um título, desde que filho de um marquês é insignificante, tanto tempo vivendo afastado de sua família, mesmo administrando os bens do marquesado do irmão, Rafe não segue as regras da Sociedade e possui um desejo latente de se reafirmar e estar ao lado de Clio.

“Eu e meu irmão somos diferentes de muitas maneiras. De quase todos os modos. Ele é diplomata, eu sou o lutador. Ele cumpre seu dever, eu sou um rebelde. Ele passou oito anos sem lhe dizer o quão atraente você é.” Ele foi até a porta, fechou-a e virou a chave. “E eu não vou esperar nem mais um minuto.”

Não satisfeita com um enredo bem trabalhado e bem explorado, todos os personagens são desenvolvidos na medida certa, como no caso do treinador de Rafe, Bruiser, o cão de Piers que está sob os cuidados de Rafe, Ellingworth, o cunhado de Clio, Lorde Teddy Cambourne, casado com Daphne – ambos arrogantes, isso é inegável. Mas quem verdadeiramente se destaca é a irmã mais nova de Clio, ainda mais nova que Daphne, Phoebe, com apenas 16 anos, a garota é mais brilhante que todos os adultos juntos, deixando todos surpresos e estupefatos com seu raciocínio rápido e agilidade de resolução de problemas até então sem qualquer chance de solução.

“Será que você estaria interessada em me ajudar a fundar uma cervejaria?”
“Não sei no que eu poderia ajudar.” Phoebe pegou um pedaço de barbante do bolso. “Mas eu ganhei mil e oitocentas libras no carteado a noite passada. Eu quero investir.”

É quase impossível não criar certo asco quanto ao Piers, o que se fortifica ainda mais ao ver os sofrimentos que são infligidos a Clio, que as 24 anos já poderia ser taxada por solteirona. Porém o quadro é agravado ao ser noiva por 8 anos e sem quaisquer perspectiva de casamento, é quando a Sociedade entra com abusadores em relação do estarrecimento da ocasião e transforma a Srta. Whitmore – para um termo pejorativo – em Srta. Wait-More, em tradução Srta. Espera-Mais e ainda tornando-a temática principal de reuniões de cavalheiros como parte de aposta, tendo em visto seu casamento retardatário.

Para finalizar, o que dizer da Gutenberg que transformou qualquer um que batesse os olhos nesse livro em apreciadores natos? Se duvidarem do que lhes digo, os desafio a irem na livraria mais próxima e provar em primeira mão o trabalho editorial esplêndido da editora, que além de investir em um gênero que adoro com todas as forças, desenvolveu exemplares com capas e apelo visual geral simplesmente cativante, com detalhes bem pensados, desde o produção de um livro com qualidade até itens que passariam despercebidos como a modelo da capa e a cor de seu vestido em acordo com a preferência pessoal da própria protagonista.


Se tenho uma dica hoje, ela é: Leiam esse livro e se divirtam imensamente!

[Resenha] A Indomável Sofia

A indomável sofiaLivro: A Indomável Sofia
Autora: Georgette Heyer
Ano: 2016
Editora: Record
Páginas: 406
Sinopse: Sofia Stanton-Lacy é alegre, impulsiva e de uma franqueza desconcertante, características que não combinam com o que se espera de uma mulher em sua posição na sociedade londrina do início do século XIX. Educada durante as viagens de seu pai, órfã de mãe, ela chega à casa de sua tia em Berkeley Square para derrubar as convenções e surpreender a todos com seus modos independentes e sua língua afiada. E Sophy parece ter chegado no momento certo: seus primos estão com muitos problemas.
O tirânico Charles está noivo de uma jovem tão maçante quanto ele, já Cecilia está apaixonada por um poeta, e Hubert tem sérios problemas financeiros. A prima recém-chegada decide então ajudar a todos com sua determinação e impetuosidade, e acaba enfrentando agiotas, roubando os cavalos de seu primo e atirando de raspão em um honrado cavalheiro. 
Embora sejam sempre mirabolantes e arriscados, seus planos sempre dão certo e tudo parece estar sob seu controle. O que ela não espera, porém, é que seu primo Charles, que aparentemente não vê a hora de arrumar um marido para ela, de repente passa a enxergá-la com outros olhos...

sofia é a melhor heroína de sempre!

Antes de tudo a Georgette surpreende não só por tecer esplendidamente a trama com uma maestria que faz todo jus a comparação com a consagrada Jane Austen, como também envolve uma linguagem o mais próxima possível do cenário em que narra, sem falar nos seus personagens capazes de causar diversificados tipos de emoções em seus leitores, envolver e cativar são as que considero principais premissas da escrita extasiante da autora.

De início temos a figura do pai da Sofia que por estar em vésperas de viajar – para o Brasil, olha que mérito – e por não poder levar consigo sua única filha, vai em busca de Elizabeth, Lady Ombersley, irmã dele e parente mais próxima a quem ele deseja confiar a missão de manter em sua tutela temporária sua dócil e terna Sofia, que sem mãe e sem alguém, nem mesmo teve sua introdução a sociedade, que aos 20 anos sequer teve seu début.

Entretanto quando a sobrinha chega em Berkeley Square, a surpresa não fica só por parte de uma Sofia que ultrapassa a altura mediana das damas da época, que ainda se envolve com animais, dado que a moça chega a casa da tia com nada menos do que seu próprio cavalo, Salamanca, um mico, um papagaio – estes dois para presentear os primos pequenos – e sua cadela de estimação, Tina, que surpreende até a própria dona ao demonstrar afeição com o quase soberano da casa, Charles Rivenhall. Parece pouco esta última, mas não se engane, se para Sofia a imagem do primo era de assustador e tirano além dos limites, a confiança que ele ganha de Tina muda a visão dela, afinal conquistar o afeto de um animal bem sabemos que é uma tarefa que julga o caráter de qualquer um.

Mas voltando, o que realmente tira dos eixos toda a família e principalmente a Elizabeth é fato das palavras de Sir, Horace, terem sido estrategicamente empregadas, Sofia é mulher mas isso quer dizer sabe o quê? Quase nada! Sophy como prefere ser chamada é dona de si, aprendeu a se cuidar desde cedo, sabe quais são realmente suas obrigações para com a bem-estar do pai, e leva a sério seus compromissos com 20 anos, já passou por diversos países e sua disposição não poderia ser melhor, conhecedora de inúmeros costumes nas mais variadas nações, dócil e terna não poderiam estar mais longe da verdade.

– Está tentando me assustar – disse o Sr. Goldhanger, queixoso -, mas não me assusto com armas em mãos de mulheres, e até sei que não está carregada.
– Bem, se sair dessa cadeira, vai descobrir que ela está carregada. Poderá estar morto, mas creio que saberá como aconteceu.

O foco principal da obra não é romance em si, apesar desse ficar não por parte de Sofia, mas da prima Cecilia que trava um conflito inicialmente com seu irmão mais velho Charles, o Sr. Rivenhall e seu pai Lorde Ombersley, que não aprovam sua afeição ao que não é seu prometido, o Sr. Fawnhope. Em sua defesa, Augustus Fawnhope não pode negar as circunstâncias quanto a desaprovação do possível enlace dos dois, desde que o rapaz vive com pensamentos distantes e entregue a sua vida como poeta, mas para a doce Cecy isso é encantador, fazendo-a crer sofrer de uma paixão pelo poeta desenfreado que lhe jura semelhanças com uma ninfa.

Então intempestiva como é Sofia se vê incapaz de abandonar a causa e sendo ousada e comprometida com o bem estar do que as cerca, ela toma frente do desafio, para surpresa até mesmo de Cecilia e desalento do primo Charles, que não fica nada satisfeito com a personalidade vivaz e persuasiva da prima, que contrapõe com a mordacidade e até severidade dele, que é parte devida por influência da pressão de se tornar o principal responsável pela família e parte acentuada pela natureza rígida e maçante da noiva, a Srta. Eugenia Wraxton.

Um seio familiar peculiar pela formação com um pai com tendência a jogatina, uma mãe fragilizada, um irmão com uma personalidade por vezes volúvel, uma irmã com pouca disponibilidade a seguir imposições tirânicas de seus tutores, com mais quatro irmãos mais novos, sendo eles a exceção com relação ao temor de família em relação a Charles, que tenta se impor e ser rígido na condução da família, se espera que o rapaz tenha se enrijecido dado as dificuldades de gerir precocemente esse grupo que beirava a ruína.

No entanto mesmo o tato de Charles sendo notável, a facilidade com que seus familiares se submetem a suas vontades o infligiu mesmo que não diretamente uma noção de poder absoluto e intimidação sem questionamentos, por isso ele se vê constantemente perturbado por sua prima, ainda mais nova que eles, o imponha a tais situações aquém de suas rédeas e ela mesma ignore sua figura soberana, para ela, o que se faz necessário é o desafio e se convier a ela, não vai faltar, afinal não faz parte de suas ambições se tornar reclusa e introspectiva por capricho de ninguém.

Mais improvável do que esse desenvolvimento não há, para quem espera uma mocinha redutível, ou um mocinho apaixonado não é em A Indomável Sofia que vai encontrar, afinal Sofia continua sendo excêntrica e segura de si e Charles mesmo rígido não é de perder de vista seus compromissos, o que o faz ver em Sophy uma contraposição ao seu estilo de vida, então algumas farpas são inegáveis entre os dois.

– Às vezes me parece – replicou o Sr. Rivenhall – que a sensibilidade é uma virtude totalmente desconhecida para você.
– É mesmo, fale-me sobre ela! – disse Sophy, com imensa cordialidade.

A escrita envolvente e excentricidade de sua protagonista, em combinação com uma ousada e enigmática personalidade de seus personagens, deixa qualquer um ansioso por mais e encantados pela trama e por sua desenvoltura no decorrer dos fatos, Heyer é um brinde ao amantes e romances com passagens mais históricas.

Todos os títulos da autora foram adquiridos para adaptações cinematográficas, com exceção, infelizmente de The Grand Sophy (A Indomável Sofia) e The Old Shades (Os Antigos Tons, em tradução literal), mas tem como conhecer outras obras da autora que a Editora Record já lançou, são elas:

  • A Boa Moça
  • Casamento de Conveniência
  • Ovelha Negra
  • Venetia e o Libertino

não esqueçam de me contar o acharam da sagaz sofia!