[Resenha] Primeiras Impressões

Livro: Primeiras Impressões
Autora
: Laís Rodrigues
Ano: 2018
Editora: Pedra Azul
Páginas: 252
Sinopse: Charles Bing, um otimista incorrigível, decide que está na hora de internacionalizar a sua bem-sucedida cadeia de restaurantes nova-iorquina.
Deseja começar pelo país que sempre incitou sua curiosidade: o Brasil. E nada melhor que Búzios, uma belíssima cidade turística no litoral do Rio de Janeiro. A fim de garantir que sua escolha será acertada, ele leva a tiracolo o seu melhor amigo, Frederick Darcy, um político americano de família conservadora, que se orgulha de ser um homem racional e prático.
Mal sabem eles que, ao chegar à cidade paradisíaca, virarão alvo de Janaína Benevides, dona das pousadas mais requisitadas do balneário. Ela é mãe de quatro belas moças, que são, para sua tristeza, solteiras. Janaína preocupa-se, em especial, com a solidão de Jane e Lizzie Benevides, as mais velhas.
Enquanto a primeira acaba se decepcionando em seus relacionamentos, por ser uma pessoa que sempre busca ver o melhor nas pessoas, a outra não deixa nenhum homem se aproximar.

Orgulho e Preconceito meu amor ❤

O enredo baseado no consagrado Orgulho e Preconceito retrata uma nova perspectiva do livro, assim como demonstrado no título. A visão inicial que Liz e Darcy possuem um do outro, retoma a um certo afastamento de ideias e preconceitos acerca da personalidade de ambos, entretanto, a afirmada eloquência de Liz deixa o sujeito estatelado diante de uma mulher voraz e autoconfiante.

É inicialmente no cenário paradisíaco brasileiro de Búzios que a trama ocorre, Charles Bing acompanhado do relutante Frederick Darcy exploram região, enquanto um mantém uma atitude positiva e exploradora, Frederick como esperado é beirando o ranzinza, orgulhoso e cheio de seus preceitos, parece pouco disposto a aceitar uma segunda opinião, ou até de admitir o próprio equívoco.

“Amizade nunca é unilateral. Deve ter reciprocidade. Então, não basta que eu queira conhecer alguém, se esta pessoa quiser me ignorar.”
“Acho impossível alguém te ignorar, Liz.”

Porém a chegada para passar as férias das duas filhas mais velhas de Janaína Benevides, dona de uma pousada local e o conhecimento de ricos partidos na região, deixa Janaína animada com a possibilidade de um enlace de sucesso de suas filhas Jane e Lizzie, é dada a largada para criar e aproveitar todas as situações possíveis para estar à vista de Frederick e Charles.

Apesar de Charles e Jane terem uma aparente convergência de interesses, Darcy e Lizzie estão longe de se darem bem, pelo contrário, para Lizzie são dois pesos e duas medidas, se Darcy está disposto a ser orgulhoso e convicto mesmo no erro, ela não deixa passar batido e sua personalidade se revela desafiadora demais para Darcy lidar, ambos são afeiçoados ao que acreditam, porém divergem nessas crenças e faz valer sua certeza.

Todo o sangue de Liz concentrou-se em suas bochechas ao se lembrar do final do sonho, e ela saiu tentando convencer a si mesma de que ela não significava nada. Por sorte, na mansão de Back Bay não havia qualquer lago, Ou jardim. Ou flores.
Mas havia Frederick Darcy.

É um livro lindo, com um trabalho editorial bastante atrativo e até mesmo provocante, com um enredo é claro, fluído e gostoso de ler, ainda mais lembrando da essência da Jane Austen, de personagens tão queridos, apreciando a inserção das características e locais brasileiros, o que dificulta é que mesmo com a remontagem de cenários, é literalmente uma versão do clássico de Jane, mesmo a permanência dos nomes dá uma sensação de poder ter sido evitada, dando a possibilidade da reinvenção, reivindicado mais propriedade de identidade aos personagens principais da trama.


E fim!

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[Resenha] A verdade sobre amores e duques

Livro: A Verdade Sobre Amores e Duques
Autora
: Laura Lee Guhrke
Ano: 2018
Editora: Harlequin
Páginas: 320
Sinopse: Henry Cavanaugh, duque de Torquil, ansiava por uma vida ordenada e previsível. Mas isso era impossível com a família que tinha. Apenas a mãe facilitava a sua vida… até se apaixonar por um artista que estava inferior à classe social de sua família e decidir seguir o conselho amoroso de Lady Truelove de largar tudo e seguir os desejos do coração. Agora Henry vai exigir que a mulher mexeriqueira que lhe deu aquele conselho imprudente o ajude a trazer a mãe de volta antes que um casamento possa colocar o nome da família na lama.
Irene Deverill é o que a sociedade londrina considera uma ovelha negra: dirige o jornal da família, é sufragista, solteirona e têm certas tendências ao marxismo. Mas ninguém sabe que ela tem um grande problema nas mãos: o duque de Torquil exige que ela o ajude a impedir que a mãe se case com um homem de reputação duvidosa. Irene não acha que isso é uma questão em que deva se envolver, mas ela não pode recusar a proposta quando Henry oferece ajuda para conseguir um bom pretendente para a irmã dela. Esse relacionamento forçado fará Irene descobrir que Henry é mais do que um “lírio do campo” e que ele é capaz de despertar nela sentimentos que nunca pensou possuir.

 Dois personagens explosivos e opiniões divergentes são sempre um prato cheio num romance

Dá para fazer uma lista com vários motivos mais que convincentes para ler esse livro, mas vamos seguir como damas da alta sociedade e discorrer sobre essa maravilha, com uma escrita deliciosa e um ritmo envolvente de acompanhar, Laura insere uma trama com personagens carismáticos e perspectivas reais de vida. O estopim da trama é dado graças ao folhetim Society Snippets, uma estrela ascendente no apreço dos leitores, principalmente no público que resguardada seus amores, com uma coluna de sucesso, Lady Truelove assume uma faceta de conselheira eloquente, responsável por dar um empurrão nos leitores em direção ao tão esperado romance, mesmo que isso signifique se reconstruir, é assim que uma duquesa viúva descobre que não precisa esperar pelas regras impostas da sociedade para viver seu romance, ela pode fugir e viver ternos momentos de amor, porém a índole pouco confiável do homem de sua afeição deixa seu filho, Henry Cavanaugh, o duque de Torquil em sufoco para conservar a imagem da família e reavivar o juízo de sua mãe.

– Meu querido Henry – murmurou ela. – De todos os meus filhos, você é o que mais me preocupa.
– Eu? – Ele a encarou, abismado com aquela revelação. – Pelo amor de Deus, por quê?
– Porque você luta demais contra a sua própria natureza.

Henry Cavanaugh, além de aristocrata é pouco menos como as figuras masculinas de romances de época, mas preocupado em gerir sua família e não macular a imagem da mesma ele vai atrás de uma solução para o que seria a iminente loucura da duquesa, sua atitude orgulhosa e poder o colocam a frente de Irene Deverill, a verdadeira imagem por trás de Lady Truelove e ainda a responsável pelo próprio Society Snippets, afim de garantir o sustento e o futuro de sua irmã e seu pai um resoluto alcoólatra.

– Há outra opção, que você não considerou. Podemos ter um caso.
Foi a vez do duque de ficar perplexo.
– Não podemos fazer isso.
Para sua imensa consternação, Irene riu.
– Por que não? O que sentimos não é pecado.

Para Irene Deverill, todos devem ter direito à sua liberdade, mesmo que para amar abertamente ou seja uma mulher lançando mão do seu destino, mulheres que são presas a rígidas normas de etiquetas e regras sociais, a personalidade de Irene e o fato de ser sufragista demonstra sua tenacidade e desejo de viver sem leis impostas por uma sociedade regida para perdoar homens e condenar mulheres, ela precisa manter não só sua dignidade, quanto sua família, é assim que acaba persuadida pelo duque de Torquil a amenizar a situação com a duquesa, o desejo de resguardar a família.

– Se sua mãe quer se casar com Foscarelli, quem é o senhor para dizer que ela não pode? Se está apaixonada, quem é o senhor para julgá-la por isso?

Uma pessoa pode ser persuadida, entretanto não exatamente dobrada de suas vontades e tanto Irene quanto o duque acabam num impasse de interesses, ela pode ajudar a manter a imagem de Torquil, porém a própria duquesa prova sua vontade e ideais, aliados a uma certeza plena e o duque é constantemente confrontado por Irene, as farpas trocadas são deliciosas e duas pessoas com ideais tão distintos precisam conviver e chegar num ponto comum, Irene quer liberdade, algo que ela não acredita vir num matrimônio, ao mesmo tempo em que luta pela liberdade feminina.


Lady Truelove e Lady Whistledown poderiam ser grandes amigas!

[Resenha] Uma Proposta e Nada Mais (Clube dos Sobreviventes #1)

Livro: Uma Proposta e Nada Mais (Clube dos Sobreviventes #1)
Autora
: Mary Balogh
Ano: 2018
Editora: Arqueiro
Páginas: 272
Sinopse: Após ter tido sua cota de sofrimentos na vida, a jovem viúva Gwendoline, lady Muir, estava mais que satisfeita com sua rotina tranquila, e sempre resistiu a se casar novamente. Agora, porém, passou a se sentir solitária e inquieta, e considera a ideia de arranjar um marido calmo, refinado e que não espere muito dela.
Ao conhecer Hugo Emes, o lorde Trentham, logo vê que ele não é nada disso. Grosseirão e carrancudo, Hugo é um cavalheiro apenas no nome: ganhou seu título em reconhecimento a feitos na guerra. Após a morte do pai, um rico negociante, ele se vê responsável pelo bem-estar da madrasta e da meia-irmã, e decide arranjar uma esposa para tornar essa nova fase menos penosa.
Hugo a princípio não quer cortejar Gwen, pois a julga uma típica aristocrata mimada. Mas logo se torna incapaz de resistir a seu jeito inocente e sincero, sua risada contagiante, seu rosto adorável. Ela, por sua vez, começa a experimentar com ele sensações que jamais imaginava sentir novamente. E a cada beijo e cada carícia, Hugo a conquista mais – com seu desejo, seu amor e a promessa de fazê-la feliz para sempre.

Mary é tão boa que deveria ser elogio!

Nesse retorno nacional da Mary, uma série se forma através de um grupo incomum, porém com tanto em comum que mesmo sem laços de sangue, são tão próximos quanto parentes – ou até mais -, unidos pelas tragédias e sofrimentos passados nas Guerras Napoleônicas, viveram períodos de recuperação e lutas contra os demônios que os agonizam na casa de campo Penderris Hall, sob cuidados de George Crabbe, duque de Stanbrook e mesmo após a separação do grupo para reintegração social e com os próprios familiares, anualmente voltam a se reunir e desfrutar de um tempo juntos.

No entanto, ele sorria e era encantador. Mas estaria sorrindo por dentro? Havia algo levemente perturbador em sua alegria, agora que compreendia a devastação que as guerras lhe causaram.

Hugo é a antítese de um romântico nato, com personalidade de quem já viu e passou por muito, acredita que os rodeios de ações e conversas são percas de tempo, por isso é direto e até mesmo cortante, meias palavras não fazem parte do seu vocabulário, como um produto de uma sociedade que subestima sentimentos e por vezes a capacidade feminina de digerir determinados assuntos – dentre eles, a destruição causada pela guerra – ele ainda tem muito o que se permitir. Apesar de ser reconhecido como um lorde e herói de guerra, reluta em aceitar a hipocrisia da situação, a guerra destrói vidas e a missão suicida que liderou mesmo tendo sucesso, custou a vida de inúmeros companheiros e sua consciência – literalmente -, mas agora responsável por sua família ele deve assumir a frente e também cumprir a promessa feita a seu pai em leito de morte: ter um herdeiro, para isso ele precisa se casar, todavia seu traquejo social e de corte, são quase nulos, parece mais fácil assumir a frente de uma tropa numa guerra.

– Sinto muito pelo que passou – disse ela. – Mas seu colapso só foi vergonhoso quando analisado sob a perspectiva de uma masculinidade brutal e agressiva. Não se espera que um comandante se importe com os subordinados. O fato de ter se importado, de se importar, só o torna mais admirável aos meus olhos.

Lady Gwendoline Muir, é uma viúva já a cerca de 7 anos, seu casamento embora contasse com afeto mútuo, deixou-a emocionalmente exaurida. Com uma personalidade singela e disposta a ajudar que a deixa em situações que seria preferível evitar – como ficar na companhia de Vera, uma “amiga” que ninguém merece ter -, mesmo sendo amada e amando seus familiares, Gwen sente uma solidão e ressentimento fruto do seu matrimônio. Além de traumas físicos, como seu tornozelo manco e a aparente incapacidade de conceber filhos, possui também traumas psicológicos, guarda dores e arrependimentos, embora deseje aproveitar o máximo seus familiares, essa sombra a acompanha e ela não acredita que existe alguém no seu círculo íntimo capaz de compreender seus “demônios”.

– (…) As pessoas, sobretudo as religiosas, dão a entender que é errado, até mesmo pecado, amar a si mesmo. Não é. É o amor básico, essencial. Quando você não ama a si mesma, não tem condições de amar mais ninguém. Não de maneira completa e verdadeira.

As diferenças sociais se sobressaem entre Lady Muir e Lorde Trenthan, ela como dama de nascença e ele com receio da classe aristocrática, divergem em reflexões com base em experiências do próprio mundo, lembrando um pouco da essência de Elizabeth e Darcy em Orgulho e Preconceito, onde ambos possuem visões conjeturadas em paradigmas. Hugo com extremo receio acaba sendo o maior obstáculo para desenvolver proximidade afetiva, apesar de sua inegável auto confiança, seu temor se desenrola em uma forma de temor excessivo e até mesmo preconceito sobre o modo de vida da sociedade aristocrata, algo que penosamente Gwen tenta demonstrar não se tratar de uma inviabilidade para acreditar que ela também é humana.

– (…) Já carrega muitas culpas sem ter que assombrar a alma com as minhas. Precisamos de alguém que nos liberte de tanto peso.
– Ninguém é capaz de fazer tal coisa – ressaltou ele. – Nunca se case motivada por essa esperança. Ela será destruída antes que se passe uma quinzena

Devo também destacar o quão mágico é revisitar lembranças de outros livros quando personagens anteriores da autora são inseridos na trama atual, uma experiência nostálgica e deliciosa tenho que dizer, o coração dá até uma acelerada de relembrar os momentos passados, ainda mais quando o duque de Bewcastle, Wulfric Bedwyn dá os ares com toda a sua arrogância ducal para rebater a tirania de alguns, acompanhado da esplêndida duquesa Christine Bedwyn. Somando também o fator das características dos membros dos Clubes dos Sobreviventes prometer um futuro promissor para a série, como a animosidade de Flavian Artnott, o visconde Ponsonby, a placidez de Ralph Stockwood, o conde de Berwick, a sagacidade de Imogen Hayes, a viúva lady Barclay, a tenacidade de Benedict Harper, a perceptividade de Vincent Hunt, lorde Darleigh e as atitudes reservadas de George Crabbe, o duque de Stanbrook.

O livro se aprofunda em questões além de fatores do amor imensurável entre o possível casal a ser formado, onde a Mary emociona o leitor com o porquê desse grupo de pessoas merecer ter um foco específico, cada um carregando suas cicatrizes, o quanto uma companhia pode salvar um espírito enfraquecido e desacreditado, como se pode crescer reconhecendo que amizades são partilhas tanto de alegrias, quanto de tristezas. Os momentos reflexivos da trama são densos e tocantes no sentido mais cru da palavra.


Um sonho: O segundo volume poderia sair amanhã

[Resenha] Como se vingar de um Cretino

Livro: Como se Vingar de um Cretino
Autora: Suzanne Enoch
Ano: 2018
Editora: Harlequin
Páginas: 282
Sinopse: Era uma vez um notório visconde Dare, que seduziu lady Georgiana Halley e tomou sua inocência para ganhar uma aposta, e agora ele vai ter que pagar. O plano é simples: ela vai usar cada artifício de conquista que conhece para ganhar o coração de Dare, e então quebrá-lo.
Mas o olhar do visconde tenta Georgiana a se entregar ao prazer mais uma vez, e quando ele a surpreende com um pedido de casamento, ela se pergunta: esse é mais um de seus jogos, ou dessa vez é amor verdadeiro?

Romance de época para entreter esse dia!

Georgiana é impetuosa, a beldade além de possuir uma personalidade sagaz é apreciadora de desafios, é uma herdeira de uma herança bastante pomposa, somando a beleza e seus bolsos cheios ela é uma excelente candidata a um ótimo casamento, porém um interlúdio passado acabou não só com sua inocência, como com sua perspectiva de matrimônio, o culpado é ninguém menos que Tristan, um notório cretino, que põe sua faceta de dama calma à toda prova.

— O que isso significa? Você não segue os conselhos dos seus pulmões ou dos seus rins, segue?
— O que…
— Então não dê tantos ouvidos ao seu coração. Dare não é um homem adequado para uma dama de verdade, com fabulosas perspectivas matrimoniais.
Georgiana colocou as mãos nos quadris.

Tristan é um visconde, belo e com sua atraente atmosfera misteriosa é um sedutor nato, exceto pelo fato de ser um canalha, externando até uma certa infantilidade em escandalizar debutantes, mesmo com tanta contradição sobre seu comportamento, aristocratas continuam a ser partidos desejáveis, porém a sua situação financeira é um frequente risco e ele tende a ter que se dividir entre os problemas familiares e a manutenção das aparências, usando métodos furtivos para permanecer notório.

Tristan se perguntou o que ela pensaria se soubesse que guardara, por todos esses anos, a meia da aposta em uma caixa de mogno na primeira gaveta de sua cômoda. Pelo que a sociedade sabia, ele vencera a primeira parte da aposta ao conseguir um beijo, e fracassara tremendamente na segunda parte.

É um livro com uma narrativa fluida e desfrutável, entretanto o lento processo da autora de tecer a personalidade de alguns dos personagens acabou pessoalmente me frustrando, percebam que é quanto à criação do personagem em si, não o desenvolvimento como obviamente seria o fluxo esperado. A trama em si é envolvente e as descobertas dos fatos, instigante, mas a falta de conclusão para conhecer os personagens, teve impacto na percepção do desenvolvimento dos mesmos, porém recomendo com analise por si e alcance conclusões próprias.


Aceito mais opiniões ^^

[Resenha] Um sedutor sem coração

Livro: Um sedutor sem coração (Os Ravenels #1)
Autora
: Lisa Kleypas
Ano: 2018
Editora: Arqueiro
Páginas: 320
Sinopse: Devon Ravenel, o libertino mais maliciosamente charmoso de Londres, acabou de herdar um condado. Só que a nova posição de poder traz muitas responsabilidades indesejadas – e algumas surpresas.
A propriedade está afundada em dívidas e as três inocentes irmãs mais novas do antigo conde ainda estão ocupando a casa. Junto com elas vive Kathleen, a bela e jovem viúva, dona de uma inteligência e uma determinação que só se comparam às do próprio Devon.
Assim que o conhece, Kathleen percebe que não deve confiar em um cafajeste como ele. Mas a ardente atração que logo nasce entre os dois é impossível de negar.
Ao perceber que está sucumbindo à sedução habilmente orquestrada por Devon, ela se vê diante de um dilema: será que deve entregar o coração ao homem mais perigoso que já conheceu?

Romance de época para o ano ficar melhor

Lisa retorna com mais uma série de romances de época e cativa pela construção de enredos e incita o leitor a acompanhar cada momento e desenrolar dramático de sua obra, uma escritora carismática com personagens tão bem concebidos que a proximidade para reconhecer suas evoluções é tangível a um nível além da imaginação.

Lady Kathleen Trenear é viúva de um casamento de apenas 3 infelizes – literalmente – dias de duração, mesmo assim imposta às rígidas etiquetas sociais para seguir o extenso período de luto, junto as suas cunhadas, Lady Helen e as vivazes gêmeas, Ladies Cassandra e Pandora, são reclusas no Priorado de Eversby em Hampshire. Mas seu equilíbrio de normalidade e etiqueta é abalado pela posse do novo herdeiro do condado e seu irmão, Devon Ravenel e West Ravenel respectivamente, mas ela não permite que as naturezas indignas dos dois ponham a prova sua paciência e a vida de inúmeras pessoas que dependem do novo Lorde, cabe a ela tentar estabelecer limites e ao mesmo tempo manter seu orgulho.

Kathleen deu as costas a West e jogou algumas últimas palavras por sobre o ombro:
– Talvez um dia o senhor encontre alguém que o salve de seus excessos. Pessoalmente, não acredito que valha o esforço.

Devon é o oposto de um perfeito protagonista de romance, preguiçoso e evasivo com responsabilidades, seu objetivo de vida era levar a vida junto ao irmão West, de forma indulgente e evitando tipo de atividade “decente”. Entretanto, após a herança de um condado cair em seu colo sua primeira reação é lavar as mãos de qualquer relação com essa interminável fonte de problemas em Hampshire e voltar a Londres, uma casa caindo aos pedaços, um condado falido e afundado em dívidas não é nada que ele queira, mas quando uma jovem viúva de atitude sagaz e língua ferina o atacam ele decide não só se prestar ao desafio, quanto assumir responsabilidades pelo futuro de suas incontroláveis primas e para conquista da domadora espirituosa, Kathlenn.

– O que as damas usam sob a calça de montar?
Uma risada ofegante escapou dos lábios de Kathleen, que deixou as luvas caírem no chão.
– Eu imaginaria que um renomado canalha já soubesse a resposta para essa pergunta.
– Nunca fui renomado. Na verdade, sou apenas um canalha bem padrão.

Kathleen e Devon possuem personalidade antíteses, ele com seu princípio do pouco esforço, embora passe a se dedicar a tarefa de assumir o título de Conde e suas obrigações, ela possui forte senso de responsabilidade e uma rígida criação a poliu de forma que sua força de vontade além de ferrenha é determinada, mesmo que ambos possuam negligências familiares como marco de suas vidas, se recusam a compartilhar seus sentimentos, quem assume então o papel de intermediador é o inconsequente em regeneração West, que sabe bem como é um Ravenel e conhece bastante a desaforada Lady Trenear.

– Isso é ter uma família? – perguntou Devon, irritado. – Discussões sem fim, conversas sobre sentimentos dia e noite? Quando diabo poderei fazer o que quiser sem ter que levar em conta meia dúzia de pessoas?
– Quando você viver sozinho numa ilha, com um único coqueiro e um coco – retrucou Kathleen, ríspida. – E mesmo assim, tenho certeza de que acharia o coco exigente demais.

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[Resenha] Romance Entre Rendas

Livro: Romance Entre Rendas
Autora: Loretta Chase
Ano: 2017 
Editora: Arqueiro 
Páginas: 320
Sinopse: Que lady Clara Fairfax é dona de uma beleza estonteante, Londres 
inteira já sabe. Mas a fila de pretendentes que bate à porta de sua casa 
com propostas de casamento já está irritando a jovem.
Cansada de ser vista apenas como um ornamento, Clara decide afastar-se um 
pouco da alta sociedade e se dedicar à caridade. Um dia, numa visita a uma 
obra social, ela depara com uma garota em perigo e pede ajuda ao alto, 
sombrio e enervante advogado Oliver Radford.
Radford sempre foi avesso à nobreza, mas, para sua surpresa, pode vir a se 
tornar o próximo duque de Malvern. Embora queira manter sua relação com 
Clara no campo estritamente profissional, aos poucos ele percebe que ela, 
além de linda, é inteligente, sensível e corajosa.
E quando a perspectiva de casamento se aproxima, tudo o que Radford pode 
fazer é tentar não perder a cabeça por Clara. Será que a herdeira mais 
adorada da sociedade e o solteiro menos acessível de Londres serão vítimas
de seus próprios desejos?

Último chá da tarde com as melhores modistas do continente!

Desde Sedução da Seda, a trajetória de Lady Clara Fairfax é acompanhada pelas irmãs Noirot, podendo se dizer que a mesma é uma Noirot honorária, que em tênue oposição às obras anteriores da série, a mente de uma modista e comerciante não fica em destaque, afinal as irmãs Noirot são calculistas por sangue e treinamento, a Clara é atribuída a característica de tenaz e mesmo sem compartilhar do sangue dos DeLuceys faz por merecer seu lugar ao lado das temidas modistas francesas.

Com um conceito proveniente do feminismo, Clara é a personificação da mulher em processo de libertação e inconformidade com seu lugar no mundo pré-determinado desde o nascimento pela condição de mulher aristocrata. As frequentes declarações e propostas de casamento que recebe tornou Clara apática a ideia do casamento e sua sede de aventura fala mais alto incitando sua espirituosa faceta.

– Cuidar de você vai me oferecer oportunidades mais do que suficientes – retrucou ela. – Tendo a acreditar que eu possa civilizá-lo, embora suspeite que o processo será lento e exigirá muita astúcia, bem como paciência.
– Ele exige uma mulher de vontade extraordinariamente forte. Acredito que você esteja qualificada.
– Sei que estou. Caso contrário, não teria me casado com você. Meu caro e erudito amigo, podemos analisar o problema de maneira lógica?

Radford é um homem inteligente e consequentemente antipático, em sua carreira de advogado acumulou diversos inimigos, afinal o submundo de Londres não apreciam intrometidos de mente e língua afiada. Desde seu “título” como Corvo, ele é perspicaz, insistente e sabe usar suas habilidades para lhe dar a vantagem, no entanto barganhar é um fraco e sua pouca influência em Clara Fairfax o levam a testar suas próprias capacidades de persuasão e auto controle, que ao estar em nesse debate ideológico o inspira aos mais acalorados discursos sobre prudência e paixão.

– Se você não se tornar mais moderado em seus hábitos, morrerá jovem. Antes disso, porém, se tornará impotente. O que significa que…
– Sei o que significa. – Bernard riu. – Membro desolado e caído. É esse o seu problema, pequeno Corvo? O que o faz ser um chato?
– É do seu membro que estamos falando, seu imbecil – retrucou Radford.

Nesse último volume de As Modistas, Loretta explora mais a fundo a personalidade de Clara e o que antes se tinha como uma dama frívola é esclarecido como um equívoco, a capacidade de se impor perante o astuto Radford e não permitir ser subjugada por ser mulher não é possível para qualquer dama de berço aristocrático, um pouco dos personagens anteriores é introduzido no livro, um complemento caloroso para um desfecho com um revira volta a cada capítulo e um casal espirituoso e atrevido como protagonista.

Graças às noções que o duque, o marquês e o conde faziam de uma despedida de solteiro, Radford não desfrutara de mais do que duas horas de sono. Ele achou que os três homens, como tantos outros, estavam tentando matá-lo ou queriam ter certeza de que ele não chegaria à cerimônia de casamento.

Mas o motivo de ele não conseguir ver nada nem ninguém a seu redor foi outro.

Foi a imagem à entrada do salão.

Clara.

A sua noiva – sua noiva – de braço dado com o pai.


Iniciando com 3 modistas e uma lady bem nascida e concluindo com 2 duquesas, 1 marquesa e 1 condessa, o amor da Loretta pela aristocracia domada não tem fim!

[Resenha] Um Acordo de Cavalheiros

Vocês sabem que eu não sou fã de romance de época. E se um romance de época foi para mim  o melhor livro do ano, é por que ele com certeza é muito bom!!

um_acordo_de_cavalheiros_1494016665677677sk1494016665bLivro: Um Acordo de Cavalheiros

Autora: Lucy Vargas

Editora: Bertrand Brasil

Ano: 2017

Páginas: 350

Sinopse: Tristan Thorne, o Conde de Wintry, não é um homem para brincadeiras. Com uma vida de segredos, amado e odiado na sociedade, ele não é o parceiro ideal para uma dama. Dorothy Miller não sabe o que há por trás de suas motivações, apenas que ele é bastante intenso. Os jornais dizem que ele bebe demais, joga demais e ama escandalosamente. E até mata. Como uma dama determinada a ser dona do próprio destino como Dorothy Miller acaba em um acordo com um homem como Lorde Wintry? Você teria coragem de guardar um segredo com o maior terror dos salões londrinos? Lembre-se: Nunca faça acordos com ele, pois o conde sempre volta para cobrar.

Dorothy Miller não consegue acreditar, que mesmo com todo o vinho do mundo, elá um dia iria parar na cama do Conde de Wintry. Logo ela, uma dama que mesmo após tantas temporadas ainda buscava por um pretendente a altura de sua reputação exemplar, iria se entregar ao Lord Demoniaco.

Thristan Thorne é o completo oposto de Dot (pelo menos é o que dizem os boatos), um libertino de primeira linha, destruidor de corações e reputações por onde quer que ele passe, ficou completamente encantado com dama que não resistiu as suas habilidades orais e desmaiou em seus braços. E assim começa um jogo de gato e rato entre a dama com uma das melhores reputações de Londres e um dos lords mais depravados da  cidade.

Seria um acordo de cavalheiros a solução para o problema dos dois?

– Um caso. Sexo consensual e prazeroso por mais de uma noite. Eu espero que seja por muitas noites, mas não quero que apague outra vez. Temos que chegar até o final . Gostei muito de lhe proporcionar prazer, Dot, mas um bom sexo é feito de reciprocidade e muito prazer compartilhado.

Lembre-se: Nunca faça acordos com ele, pois o conde sempre volta para cobrar.

– Tão inocente e tão canalha… – Ele balançou a cabeça para ela, claramente sem acreditar, então estendeu a mão. – Temos um acordo de cavalheiros ou não?

Eu não possuo o habito de ler romances de época, conheço muitos, li poucos, mas nunca me diverti tanto com uma leitura do gênero como dessa vez. Lucy vargas é uma das grandes promessas da literatura. Por várias vezes durante a leitura me peguei pensando: “Seria a Lucy a Julia Quinn brasileira?”, e de todo coração eu espero que sim.

Diferente dos outros livros do gênero que eu já li, “Um Acordo de Cavalheiros” nos traz uma protagonista de época diferente das outras, e diante da sua época bastante empoderada. O livro tem uma escrita muito leve fluída, que garante ao leitor cenas muito intensas, sejam elas de comedia, erotismo, romance ou drama.

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Com personagens humanos em seus pensamentos e sensações, Lucy Vargas presenteia os leitores com um romance acima da média, em um gênero característico de livros clichês e de formulas repetitivas, com um grande destaque para a protagonista consciente de sua sexualidade e suas vontades, e um protagonista que por mais devasso e libertino, sabe como tratar e respeitar uma mulher.

Você é uma bela de uma vigarista. Deve ser por isso que a quero tanto

“Um Acordo de Cavalheiros” é um prato cheio para as fãs de romance de época se deliciarem do começo ao fim, e não se arrependerem de se entregar ao Tristan Thorne.

Nos próximos dias 02, 08 e 09 de Julho, a autora irá sair em turnê por três cidades junto com a editora, apresentando o “Chá da Record”, um evento criado para os fãs de romances de época conhecerem os lançamentos da editora e participarem da sessão de autógrafos com a autora:

02/07 – http://bit.ly/ChaDeEpoca2017Rio
08/07 – http://bit.ly/ChaDeEpoca2017Salvador
09/07 – http://bit.ly/ChaDeEpoca2017SP

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Um cheiro e até a próxima!