[Resenha] Uma sombra na escuridão

Livro: Um Sombra na Escuridão
Autora: Robert Bryndza
Editora: Gutenberg
Ano: 2017
Páginas: 320
Sinopse: Em uma noite de verão, a Detetive Erika Foster é convocada para trabalhar em uma cena de homicídio. A vítima: um médico encontrado sufocado na cama. 
Seus pulsos estão presos e através de um saco plástico transparente amarrado firmemente sobre sua cabeça é possível ver seus olhos arregalados.
Poucos dias depois, outro cadáver é encontrado, assassinado exatamente nas mesmas circunstâncias. 
As vítimas são sempre homens solteiros, bem-sucedidos e, pelo que tudo indica, há algo misterioso em suas vidas. 
Mas, afinal, qual é o segredo desses homens? Qual é a ligação entre as vítimas e o assassino?
Erika e sua equipe se aprofundam na investigação e descobrem um serial killer calculista que persegue seus alvos até achar o momento certo para atacá-los.
Agora, Erika Foster fará de tudo para deter aquela sombra e evitar mais vítimas, mesmo que isso signifique arriscar sua carreira e também sua própria vida.

Tal sentença poderia ser proferida por qualquer um que vivenciasse ou acompanhasse de perto tal caso, o segundo que partilhamos com a Erika Foster. Quem tomou parte no outro caso, o da garota no gelo, sabe que a detetive Inspetora Chefe Foster não costuma desistir das investigações, segue seus instintos, mesmo que a tentem persuadir do contrário. Ela faz o que acredita ser o correto: cumprir seu dever para com a verdade e capturar o real culpado, mesmo que lhe seja advertido quanto a seguir adiante – o que pode lhe custar progressões na carreira, politicagens.

Alguns tópicos podem ser vistos:

  • Repercussão quando sexualidade é inserida;
  • Uso de chats e personas, bem como compras online;
  • (novamente) O interesse desperto quando pessoa pública/famosa/rica;
  • Programa dificultador para trabalho investigativo de rastreamento;
  • Traumas, violências, suicídio (?)

Olhares…

Reações…

Ações…

Na autópsia do primeiro corpo, o do Dr. Gregory, a análise toxicológica aponta Flunitrazepam (substância do Boa Noite Cinderela), morte por asfixia, mãos atadas post mortem…

-> Mas não se limitou a uma morte…

A leitura pode propiciar reflexões. Por vezes podemos estar ao lado de uma bomba-relógio que necessita apenas que o “gatilho” seja acionado. E este pode estar “emperrado”, acumulando… Até quando aguentará?!?

Diariamente vemos abusos. A palavra bullying está mais utilizada que nunca: nas escolas, no trabalho, em casa… todo e qualquer lugar. É algo novo? Não. Mas a proporção que tem tomado está surpreendente. Os vários tipos de agressões. Robert Bryndza citou elementos bem pertinentes neste romance policial e construiu um indivíduo assassino que desperta reações diversas em momentos distintos, consolidou a força de caráter da “heroína”, bem como suas “fragilidades”/força. A necessidade da confiança, parceria… em todos os setores da vida.

Bryndza nos estimula desprezo, ira, empatia, tristeza… tantos sentimentos no decorrer desta história. Foi estranha a identificação por parte do leitor da pessoa que cometeu os homicídios quase no meio do volume. Pensei: o resto do livro será..? Tentativa de pegar tal ser?.. Mas eu já sei quem é!! E autor surpreende: apenas a identidade é pouco – quem é a pessoa?!?… Afinal, ninguém “nasce”, mas “se torna”…

“Está tudo bem… está tudo certo. (…) Você é inocente. Ainda
não pode causar nenhuma confusão no mundo.”
p.114

(Para bebê em berço)

O que nos tornamos a cada dia?

Outra polêmica é ainda mencionada, embora não seja o foco: a exploração sexual infantil. O caso é exposto particularmente à Erika pelo March, seu chefe imediato, para justificar o comando que ela deixasse o altamente suspeito irmão da esposa da primeira vítima em paz: está sendo vigiado por envolvimento neste outro caso. Portanto, o autor aumenta o mundo, mostra investigações paralelas, afinal, é assim que a polícia trabalha, realocando policiais consoante necessidades dos casos investigados, não podem focar em apenas um por vez. Tal colocação contribui com a ideia de movimento, bem como a continuidade da escrita em capítulos curtos, como “tomada de cenas cinematográficas”, sem foco único.

Outro acréscimo positivo foi o maior acesso à história da Erika com o aniversário da morte do Mark e tanto mais.

“É engraçado o quanto nós temos em comum…” p.177

E esse link é feito de ambos os lados. A personagem cresce e se consolida.

______

* p.320


Um abraço,

Carolina.

 

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[Resenha] 10 Cloverfield Lane (2016)

Filme: 10 Cloverfield Lane 
(Rua Cloverfield, 10) 
Elenco:  Mary Elizabeth Winstead, 
John Gallagher Jr., John Goodman
Direção: Dan Trachtenberg
Gênero: Suspense, Sci-Fi
Ano: 2016
Sinopse: Uma jovem (Mary Elizabeth Winstead), 
após um grave acidente de carro, acorda no 
porão de um desconhecido (John Goodman). 
O homem diz ter salvado sua vida de um ataque
químico que deixou o mundo inabitável, e, 
por isso, a manterá presa no local.

Hello, hello, hello!

Como havia mencionado no meu último post, um dos filmes que eu mais estava ansioso para assistir este ano era 10 Cloverfield Lane, e a espera acabou. E não podia faltar uma resenha.

O filme, dirigido por Dan Trachtenberg pode ser confudido com Cloverfield, longa de 2008 do diretor Matt Reeves. Os dois foram produzidos por J. J. Abrams, que leva mais destaque que os diretores, inclusive. Mesmo sendo filmes diferentes, o tema abordado vem a ser o mesmo. Um mundo pós-apocalíptico  devido à invasão de alienígenas na Terra.

Começamos a história com Michelle fazendo as malas e saindo de casa pois terminou seu relacionamento. Na estrada, ela sofre um acidente e acorda presa em uma cela. Assim ela conhece Howard, um aposentado da Marinha que lhe explica a situação.  Ele conta que a Terra foi atacada por alienígenas e todo o ar foi contaminado. Porém, ele estava preparado e contruiu um bunker (típico dos EU) para sobreviver o tempo necessário até poder sair à superfície.

Claro que a princípio Michelle não acredita na história de Howard, nem o espectador. Ela se sente presa e confusa. Logo descobre que tem uma terceira pessoa, Emmett. Ele é um rapaz que ajudou Howard a construir o bunker e se refugiou com ele. Assim, Michelle vai  fazer o possível para tentar escapar.

A atmosfera do filme é muito bem feita, com bastante suspense, mistérios e alguns sustos. Nada do que acontece é uma certeza e você se pega duvidando da própria sombra, assim como Michele duvida de tudo o que vê. Howard é um poço de mistérios e ela não se sente segura com aquela situação, nem acredita que o ar realmente está contaminado.  A fotografia também é muito boa junto com a trilha sonora.

Quanto às atuações, o destaque vai para Mary Elizabeth Winstead. Nossa personagem principal transborda  girl power, ela toma controle da situação e do plano de fuga e o executa praticamente sozinha. John Gallagher Jr também está ótimo e irreconhecível comparado a seu trabalho em Hush (resenha aqui). E John Goodman sabe transitar muito bem de ameaçador a sensível. Sinistro.

A melhor coisa do filme deixo como surpresa, que é o final. Particularmente gostei bastante, e vocês?

 

[Resenha] Hush (2016)

Filme: Hush (Hush - A morte Ouve) 
Elenco: Kate Siegel, John Gallagher Jr., 
Samantha Sloyan, Michael Trucco
Direção: Mike Flanagan
Gênero: Suspense
Ano: 2016
Sinopse: Depois de perder sua audição 
quando adolescente, Maddie Young viveu 
uma vida de isolamento totalmente recuada 
em seu mundo silencioso. Porém, quando o
rosto mascarado de um assassino psicótico 
aparece na janela de sua casa ela deve 
ultrapassar seus limites físicos e 
psicológicos para poder sobreviver uma 
noite.

Olá pessoas!

Esse ano promete ser ótimo para os fãs de suspense e terror  como eu. Um gênero que vem apresentando seus altos e baixos nos últimos anos. Vamos voltar a ver a dupla de Invocação do Mal no seu segundo filme, o suspense que promete Rua Cloverfield, 10 entre outros. E hoje quero falar de um filme que foi lançado pela Netflix, Hush.

O diretor é o Mike Flanagan, e anotem esse nome porque vai surgir novamente no cenário de filmes de terror. Em 2014 ele fez Oculus, que pessoalmente gostei bastante. E esse ano ele ainda vai trazer Before I Wake, com Jacob Tremblay no elenco. Flanagan também leva crédito pelo roteiro de Hush, junto com a protagonista Kate Siegel.

A premissa de Hush é simples, um suspense/terror com um assassino que pretende matar nossa personagem principal por algum motivo random. Nada novo sob o Sol. Mas eis seu diferencial: Maddie, a protagonista, é surda-muda devido a uma meningite aos 13 anos. Ela é escritora e mora sozinha e afastada, com apenas um casal de vizinhos. Uma noite, após a visita de sua vizinha, um homem misterioso e emascarado aparece e ameaça matá-la.

Mesmo parecendo clichê, o filme é uma grande surpresa. Principalmente porque a personagem é muito inteligente, diferente do normal em filmes de terror. Ela não desiste em nenhum momento. E o ambiente do filme dá uma sensação de vulnerabilidade maior, porque a casa é cheia de portas de vidro. Mesmo assim o assassino não parte para matá-la imediatamente.

O roteiro do filme é bastante inteligente também. O fato de Maddie ser escritora não é esquecido e ser surda-muda não se torna um problema. Ela tem uma técnica em que escreve vários finais alternativos antes de escolher um, e isso é usado ao decorrer da história. Outro recurso é o pouco uso de sons e música, há momentos que apenas ouvimos algo abafado representando Maddie, o que nos faz estar mais na pele dela. 

A escolha da atriz principal não podia ser melhor. Kate Siegel traz um show de atuação. Ela não precisa falar ou emitir som nenhum para passar suas emoções, em cada momento fica claro o que Maddie está sentindo. Sua linguagem corporal é excelente e apenas com os olhos consegue passar tudo o que se passa na mente da personagem. Todos os sentidos de Maddie são explorados. Também vale ressaltar a atuação de John Gallagher Jr. A frieza do personagem é muito bem executada e você nunca se pergunta por que ele quer matar ela, sendo que nunca é explicado. Ele simplesmente tem cara de psicopata.

Resumindo, gostei demais do filme e recomendo a todos os fãs do gênero. E vocês, o que acharam? Corre pra Netflix!