[Resenha] Primeiras Impressões

Livro: Primeiras Impressões
Autora
: Laís Rodrigues
Ano: 2018
Editora: Pedra Azul
Páginas: 252
Sinopse: Charles Bing, um otimista incorrigível, decide que está na hora de internacionalizar a sua bem-sucedida cadeia de restaurantes nova-iorquina.
Deseja começar pelo país que sempre incitou sua curiosidade: o Brasil. E nada melhor que Búzios, uma belíssima cidade turística no litoral do Rio de Janeiro. A fim de garantir que sua escolha será acertada, ele leva a tiracolo o seu melhor amigo, Frederick Darcy, um político americano de família conservadora, que se orgulha de ser um homem racional e prático.
Mal sabem eles que, ao chegar à cidade paradisíaca, virarão alvo de Janaína Benevides, dona das pousadas mais requisitadas do balneário. Ela é mãe de quatro belas moças, que são, para sua tristeza, solteiras. Janaína preocupa-se, em especial, com a solidão de Jane e Lizzie Benevides, as mais velhas.
Enquanto a primeira acaba se decepcionando em seus relacionamentos, por ser uma pessoa que sempre busca ver o melhor nas pessoas, a outra não deixa nenhum homem se aproximar.

Orgulho e Preconceito meu amor ❤

O enredo baseado no consagrado Orgulho e Preconceito retrata uma nova perspectiva do livro, assim como demonstrado no título. A visão inicial que Liz e Darcy possuem um do outro, retoma a um certo afastamento de ideias e preconceitos acerca da personalidade de ambos, entretanto, a afirmada eloquência de Liz deixa o sujeito estatelado diante de uma mulher voraz e autoconfiante.

É inicialmente no cenário paradisíaco brasileiro de Búzios que a trama ocorre, Charles Bing acompanhado do relutante Frederick Darcy exploram região, enquanto um mantém uma atitude positiva e exploradora, Frederick como esperado é beirando o ranzinza, orgulhoso e cheio de seus preceitos, parece pouco disposto a aceitar uma segunda opinião, ou até de admitir o próprio equívoco.

“Amizade nunca é unilateral. Deve ter reciprocidade. Então, não basta que eu queira conhecer alguém, se esta pessoa quiser me ignorar.”
“Acho impossível alguém te ignorar, Liz.”

Porém a chegada para passar as férias das duas filhas mais velhas de Janaína Benevides, dona de uma pousada local e o conhecimento de ricos partidos na região, deixa Janaína animada com a possibilidade de um enlace de sucesso de suas filhas Jane e Lizzie, é dada a largada para criar e aproveitar todas as situações possíveis para estar à vista de Frederick e Charles.

Apesar de Charles e Jane terem uma aparente convergência de interesses, Darcy e Lizzie estão longe de se darem bem, pelo contrário, para Lizzie são dois pesos e duas medidas, se Darcy está disposto a ser orgulhoso e convicto mesmo no erro, ela não deixa passar batido e sua personalidade se revela desafiadora demais para Darcy lidar, ambos são afeiçoados ao que acreditam, porém divergem nessas crenças e faz valer sua certeza.

Todo o sangue de Liz concentrou-se em suas bochechas ao se lembrar do final do sonho, e ela saiu tentando convencer a si mesma de que ela não significava nada. Por sorte, na mansão de Back Bay não havia qualquer lago, Ou jardim. Ou flores.
Mas havia Frederick Darcy.

É um livro lindo, com um trabalho editorial bastante atrativo e até mesmo provocante, com um enredo é claro, fluído e gostoso de ler, ainda mais lembrando da essência da Jane Austen, de personagens tão queridos, apreciando a inserção das características e locais brasileiros, o que dificulta é que mesmo com a remontagem de cenários, é literalmente uma versão do clássico de Jane, mesmo a permanência dos nomes dá uma sensação de poder ter sido evitada, dando a possibilidade da reinvenção, reivindicado mais propriedade de identidade aos personagens principais da trama.


E fim!

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[Resenha] A verdade sobre amores e duques

Livro: A Verdade Sobre Amores e Duques
Autora
: Laura Lee Guhrke
Ano: 2018
Editora: Harlequin
Páginas: 320
Sinopse: Henry Cavanaugh, duque de Torquil, ansiava por uma vida ordenada e previsível. Mas isso era impossível com a família que tinha. Apenas a mãe facilitava a sua vida… até se apaixonar por um artista que estava inferior à classe social de sua família e decidir seguir o conselho amoroso de Lady Truelove de largar tudo e seguir os desejos do coração. Agora Henry vai exigir que a mulher mexeriqueira que lhe deu aquele conselho imprudente o ajude a trazer a mãe de volta antes que um casamento possa colocar o nome da família na lama.
Irene Deverill é o que a sociedade londrina considera uma ovelha negra: dirige o jornal da família, é sufragista, solteirona e têm certas tendências ao marxismo. Mas ninguém sabe que ela tem um grande problema nas mãos: o duque de Torquil exige que ela o ajude a impedir que a mãe se case com um homem de reputação duvidosa. Irene não acha que isso é uma questão em que deva se envolver, mas ela não pode recusar a proposta quando Henry oferece ajuda para conseguir um bom pretendente para a irmã dela. Esse relacionamento forçado fará Irene descobrir que Henry é mais do que um “lírio do campo” e que ele é capaz de despertar nela sentimentos que nunca pensou possuir.

 Dois personagens explosivos e opiniões divergentes são sempre um prato cheio num romance

Dá para fazer uma lista com vários motivos mais que convincentes para ler esse livro, mas vamos seguir como damas da alta sociedade e discorrer sobre essa maravilha, com uma escrita deliciosa e um ritmo envolvente de acompanhar, Laura insere uma trama com personagens carismáticos e perspectivas reais de vida. O estopim da trama é dado graças ao folhetim Society Snippets, uma estrela ascendente no apreço dos leitores, principalmente no público que resguardada seus amores, com uma coluna de sucesso, Lady Truelove assume uma faceta de conselheira eloquente, responsável por dar um empurrão nos leitores em direção ao tão esperado romance, mesmo que isso signifique se reconstruir, é assim que uma duquesa viúva descobre que não precisa esperar pelas regras impostas da sociedade para viver seu romance, ela pode fugir e viver ternos momentos de amor, porém a índole pouco confiável do homem de sua afeição deixa seu filho, Henry Cavanaugh, o duque de Torquil em sufoco para conservar a imagem da família e reavivar o juízo de sua mãe.

– Meu querido Henry – murmurou ela. – De todos os meus filhos, você é o que mais me preocupa.
– Eu? – Ele a encarou, abismado com aquela revelação. – Pelo amor de Deus, por quê?
– Porque você luta demais contra a sua própria natureza.

Henry Cavanaugh, além de aristocrata é pouco menos como as figuras masculinas de romances de época, mas preocupado em gerir sua família e não macular a imagem da mesma ele vai atrás de uma solução para o que seria a iminente loucura da duquesa, sua atitude orgulhosa e poder o colocam a frente de Irene Deverill, a verdadeira imagem por trás de Lady Truelove e ainda a responsável pelo próprio Society Snippets, afim de garantir o sustento e o futuro de sua irmã e seu pai um resoluto alcoólatra.

– Há outra opção, que você não considerou. Podemos ter um caso.
Foi a vez do duque de ficar perplexo.
– Não podemos fazer isso.
Para sua imensa consternação, Irene riu.
– Por que não? O que sentimos não é pecado.

Para Irene Deverill, todos devem ter direito à sua liberdade, mesmo que para amar abertamente ou seja uma mulher lançando mão do seu destino, mulheres que são presas a rígidas normas de etiquetas e regras sociais, a personalidade de Irene e o fato de ser sufragista demonstra sua tenacidade e desejo de viver sem leis impostas por uma sociedade regida para perdoar homens e condenar mulheres, ela precisa manter não só sua dignidade, quanto sua família, é assim que acaba persuadida pelo duque de Torquil a amenizar a situação com a duquesa, o desejo de resguardar a família.

– Se sua mãe quer se casar com Foscarelli, quem é o senhor para dizer que ela não pode? Se está apaixonada, quem é o senhor para julgá-la por isso?

Uma pessoa pode ser persuadida, entretanto não exatamente dobrada de suas vontades e tanto Irene quanto o duque acabam num impasse de interesses, ela pode ajudar a manter a imagem de Torquil, porém a própria duquesa prova sua vontade e ideais, aliados a uma certeza plena e o duque é constantemente confrontado por Irene, as farpas trocadas são deliciosas e duas pessoas com ideais tão distintos precisam conviver e chegar num ponto comum, Irene quer liberdade, algo que ela não acredita vir num matrimônio, ao mesmo tempo em que luta pela liberdade feminina.


Lady Truelove e Lady Whistledown poderiam ser grandes amigas!

[Resenha] A Rainha Domada

Livro: A Rainha Domada
Autora
: Philipa Gregory
Ano: 2018
Editora: Record
Páginas: 448
Sinopse: Da dama do romance histórico, uma trama de disputas, intrigas, paixão e traição na Era Tudor.
No verão de 1543, a Inglaterra celebra a ascensão de uma nova rainha. Depois de se tornar viúva de seu segundo marido, Catarina Parr recebe com hesitação o pedido de casamento do rei Henrique VIII. Contudo, ela sabe que não tem escolha e se vê obrigada a abandonar seus planos de finalmente se casar por amor para subir ao trono.
Catarina não tem dúvidas do perigo que está prestes a enfrentar; afinal, vai se casar com um rei que matou duas de suas ex-esposas. Mas Henrique a adora, e ela aos poucos conquista sua confiança. Porém, uma conspiração faz com que a ira do rei se volte contra ela, e a punição para heresia e traição é a morte.

Quando o livro é cheio de conhecimento e fatos com bases reais é até um choque de saber

Com fatos reais sobre a estória da realeza inglesa, a autora retrata um conturbado período da vida de Catarina Parr, primogênita de sua família que após alguns casamentos e a viuvez, decide estar próxima de sua família, no entanto a interferência e insinuosa figura do rei Henrique VIII a propõe matrimônio e como já é um fato histórico bem conheciso, sua pouca liberdade de expressão como mulher, ainda mais diante do próprio rei instável e imprevisível, ela não possui escolha a não ser aceitar a indesejada união.

– Quem me questiona? – grito para ela. – Quem ousa me questionar?
– Temo que muitas pessoas questionem sua posição – responde ela em voz baixa. – Os rumores já começaram. Quase todos questionam sua aptidão para ser rainha.

Catarina mesmo cansada de seus matrimônios anteriores possui um amor, o irmão de uma das esposas do rei, Thomas Seymor e esse é mais um dos motivos pelo qual repugna um novo casamento. Os fatores de peso, são a falta de tato do rei e sua imprevisibilidade em governar seus súditos e ainda mais em relação com suas esposas, quando se apaixona por outras mulheres, o sujeito dava um jeito de se livrar de suas pessoas, seja por morte ou por abandono. Lembrando aqui que além de ser homem e desfrutar de direitos que mulheres sequer sonhavam em ter, Henrique VIII é historicamente eternizado com um período sombrio de vida, suas esposas estavam mais para prisioneiras do medo, os súditos eram peões em um jogo de discórdia e seu governo problemático.

– Ele a machucou?
– Sim – respondo.
– De propósito?
– Sim.
– Mas você está perdoada?
– Ele queria destruir minha alma, e acho que conseguiu. Não pergunte mais nada, Nan.

Nutrindo seu amor por Thomas Seymor, Catarina Parr precisa além de usar uma coroa, ser verdadeiramente rainha e pior ainda, viver constantemente sob a cruz e a espada, desde que Henrique VIII possuía a convicção de que era protegido por Deus e as escrituras sagradas era sua comprovação, dado isto qualquer um que saísse da linha com ele recebia o que “merecia” da tirania e aparente loucura do homem.

A obra retrata o quanto a loucura de um rei e o controle religioso afeta aqueles que vivem sob essas influências, intrigas e terrores psicológicos são as principais consequências, ainda mais importante é a perceptível resistência de Catarina que mesmo sujeita a um matrimônio e a coroa, não recusa suas responsabilidades reais, governando de forma perspicaz e possivelmente mais sabiamente que Henrique VIII.

– Anne morreu sem nunca mencionar seu nome. Enfrentou o cavalete e a morte por você, para que possa sair para jantar e, quando a oportunidade se apresentar novamente, defender a reforma da Igreja. Ela sabia que você precisa continuar livre para falar com o rei, mesmo que todos nós sejamos mortos. Mesmo que nos perca, um a um. Mesmo que você seja a única que restar, você precisa defender a reforma da Inglaterra. Ou ela terá morrido em vão.

Até hoje os feitos dela são notáveis e reconhecidos indo além de religar o marido a família do próprio, ela era estudiosa, apreciadora de teologia, fluente em inglês e francês, além de ter conhecimento para ler e se comunicar em italiano, latim e grego, se consagrou como a primeira rainha autora de um livro em inglês sob sua própria assinatura, demonstrava também tino inegável para a política e a aliança com o Sacro Imperador Romano era grande parte uma responsabilidade cultivada por ela.


Apesar de denso é um leitura bastante intrigante

[Resenha] Garotas de Neve e Vidro

Livro: Garotas de Neve e Vidro
Autora
: Melissa Bashardoust
Ano: 2018
Editora: Plataforma 21
Páginas: 384
Sinopse: Mina é filha de um mago cruel e sua mãe está morta. Aos dezesseis anos, seu coração nunca bateu apaixonado por ninguém – na verdade, ele jamais bateu de forma alguma, e Mina sempre achou esse silêncio normal. Ela nunca suspeitou que o pai arrancara seu coração e, no lugar, colocara um coração de vidro. Então, quando Mina chega ao castelo de Primavera Branca e vê o rei pela primeira vez, ela cria um plano: ganhar o coração dele, tornar-se rainha e finalmente conhecer o amor. A única desvantagem desse plano, ao que tudo indica, é que ela se tornará madrasta.
Lynet tem quinze anos e é a imagem de sua falecida mãe. Um dia, ela descobre a verdadeira razão disso: a partir da neve, um mago a criou à semelhança da rainha morta. Mas, apesar de ser a projeção visual perfeita da falecida rainha, Lynet preferiria ser forte e majestosa como sua madrasta, Mina. E Lynet realiza seu desejo quando o pai a torna rainha dos territórios do sul, tomando assim o lugar de Mina.
A madrasta, então, começa a olhar para a enteada com algo que se assemelha ao ódio, e Lynet precisa decidir o que fazer – e quem quer ser – para ter de volta a única mãe que de fato conheceu… ou simplesmente vencer Mina de uma vez por todas.
Garotas de neve e vidro traça a relação de duas mulheres fadadas a serem rivais desde o princípio – a não ser que redescubram a si mesmas e deem novo significado à história que lhes foi imposta.
Este aclamado reconto feminista do clássico Branca de Neve nos leva a um mundo singelo e, ao mesmo tempo, maravilhoso – como nos contos de fadas. Uma releitura contemporânea para mantê-lo sempre atual e presente.

Tá sentindo isso? É o cheiro da glória

Com uma visão inspirada na realidade do quanto a sociedade espera a desavença e inimizade entre figuras femininas, como um desejo sanguinário de sobressair às custas da outra, algo em realidade é desnecessário, é possível coexistir e ainda se aliar. Diferente do conto de fadas de A Branca de Neve, pontas soltas são revertidas em partes de uma trama que faz ainda mais sentindo explicando suas relações humanas, inserindo contextos dolorosos e até mesmo dramas  da realidade, onde são abordados temas como abuso familiar e até obsessão.

A madrasta, Mina é distante com sua aparente falta de manifestações de sentimentos, esse fator se transforma em uma personalidade calculista, cada expressão, ângulo e conjunto de palavras é previamente simulado, ela não é um espelho e sim uma superfície que demonstra o que os observadores desejam ver, fria e cortante como ela acredita que deve ser devido ao seu coração gélido e parado, coração esse moldado pelo mago Gregory, seu pai. Com a perda de sua mãe, sua criação ficou por conto do pai, todavia, o homem não passa de uma casca repleta pela fome por poder, mesmo sua filha Mina é um meio para alcançar seus objetivos, manipulando-a à própria visão egoísta, Mina passa a crer que sua falta de humanidade é o que lhe resta apenas e mesmo sem amar, nutre um anseio por ser querida e até mesmo amada, mas como ela pode ser amada se não tem esse direito? Sua juventude marcada pelo desprezo e temor do seu povo, os sulistas, onde nunca soube o que era afeto, apenas a desavença e sua beleza, ela pode ser apreciada enquanto tiver algo belo para mostrar como aprendeu com o desafeto e lições de Gregory.

– Pronto, viu só? Quando eu era criança, meu coração parou, então meu pai me abriu e me deu um coração de vidro. Você se lembra do que lhe contei sobre seu nascimento, Lynet? Sobre o sangue de meu pai? O sangue é o que a torna real, mas não há sangue em meu coração. Ele cumpre sua função e me mantém viva, mas não pode amar, e ninguém ama uma coisa sem coração como eu.

Lynet é a princesa e esperança aflorada da aridez de Primavera Branca, mesmo sob o fustigante frio e falta de ânimo do local, junto as frias pessoas que ainda enfrentam o gelo e escodem sua verdadeira natureza sob peles e sorrisos falsos, Lynet é livre e a neve é seu lar, mas a expectativa dos cortesões e pior de seu pai, o rei Nicholas, esmorece seu espírito em lhe prover somente a imagem da falecida rainha. Lynet é moldada à imagem da falecida rainha, assim como a neve é parte de Primavera Branca, ela é da rainha Emilia, entretanto esse reflexo não lhe apetece, a força e compostura da mulher que ama e inspira é de sua madrasta Mina, a única mãe que conheceu e que nutre afeto sincero, porém a obsessão de Nicholas pela mulher que amou, abafa a não só vontade como a voz de Lynet, que no desejo de não causar mais sofrimento à ele, suprime seus anseios, exceto por suas escaladas, mesmo escondido ainda explora Primavera Branca do alto, pequenos prazeres furtados de uma rotina maçante e da atenção sufocante daqueles que pouco lhe conhecem e é assim que conhece a nova cirurgiã local, Nadia.

Mina tinha começado a considerar Lynet uma criatura frágil e mimada, mas então se lembrou da primeira vez que a viu, empoleirada em uma árvore, sem o rei por perto para mantê-la sob controle. Talvez Mina estivesse certa ao chamá-la de “lobinha”. Talvez Lynet fosse mais forte do que parecia.

Nadia, que é além de jovem e a frente de seu tempo, exerce uma profissão desconsiderada para mulheres, com sua postura auto confiante e obstinada, Lynet se vê atraída pela figura que lhe causa certa comoção desde que a viu certa de si e usando calças, veste intrigante no vestuário feminino. Nadia pode possuir só a si, porém tenta enfrentar seu obstáculos com tudo o que tem, mesmo sendo descreditada e subestimada, ela sabe que um vacilo ínfimo é suficiente para ser rechaçada, por isso mantém sua postura e atitude indobrável como uma armadura.

– Eu ia dizer “lisonjeada”. Tenho viajado pelo Norte há quase um ano, tentando ajudar as pessoas quando posso… E durante esse ano, muitas pessoas me desprezaram ou riram de mim por querer praticar medicina. – Sua voz estava leve, mas ela começou a traçar as linhas e floreios na mesa, as unhas arranhando a madeira. – Eles acham que garotas são muito frágeis para testemunhar qualquer sofrimento, que vou ficar com medo. Acham que estou apenas brincando de ser cirurgiã.

Mina e Lynet compartilham momentos secretos de cumplicidade, mesmo com seu parco distanciamento em amar, Mina cuida de Lynet, enquanto a princesa tenta crescer para se tornar Lynet, forte como Mina, não Lynet a sombra de Emilia, sua mãe, mulher que sequer conheceu. Ambas Mina e Lynet mascaram seu eu interior, Mina por seu coração parado e inorgânico, Lynet por seu pai, que impinge a imagem de Emília a filha a todo custo, nunca permitindo-a voar, ao mesmo tempo que acorrenta ambas rainha e princesa a um ciclo de aproximação e distanciamento, afeto não parece possível para ambas, nem mesmo a coroa.

É preciso vontade para contornar anos de segredos e permitir que os bons momentos compartilhados sejam mais que cumplicidade, como também amor e respeito mútuos, elas querem seus legados e defender seus ideais com garra, tanto Lynet, quanto Mina e Nadia, sabem que qualquer deslize é pelo que vão ser julgadas e decidem até que ponto se importam com isso, unidas pelo fatídico destino, elas decidem não permitir que ninguém decida seus destinos, mas sim, quebrar a barreira que lhes foi imposta, unidas elas podem mais, não só por si, como por todo o reino, o Norte e o Sul precisam da sabedoria de governantes e conselheiros dispostos a atender o povo, não a lhes ceder o poder sobre suas vidas.

Você vai encontrar algo que seja apenas seu. E, quando encontrar, não deixe que ninguém o tire de você.

Um livro com uma visão cheia de girl power, magia, com uma atmosfera sombria e misteriosa, sobre auto confiança, coragem e amor de todas as formas, desde o fraternal até o romântico, mas não nada de príncipe, aqui o amor que desencadeia o romance passa pelo período natural da amizade e reconhecimento, na forma pura de um relação LGBT- meu shipp ninguém sai! – onde o carinho é tão bem construído que o apreço pelo casal é delicioso de acompanhar junto à progressão do enredo, as lições e o desenvolvimentos das três é inspirador, deixando o leitor ansioso por mais de suas facetas, a editora contribuiu tão bem no desenvolvimento da capa nacional que a obra já conquista por uma composição linda e intrigante, para se ter na estante e no pensamento.


Resumo: UM LIVRÃO DESSE!

[Resenha] Uma Proposta e Nada Mais (Clube dos Sobreviventes #1)

Livro: Uma Proposta e Nada Mais (Clube dos Sobreviventes #1)
Autora
: Mary Balogh
Ano: 2018
Editora: Arqueiro
Páginas: 272
Sinopse: Após ter tido sua cota de sofrimentos na vida, a jovem viúva Gwendoline, lady Muir, estava mais que satisfeita com sua rotina tranquila, e sempre resistiu a se casar novamente. Agora, porém, passou a se sentir solitária e inquieta, e considera a ideia de arranjar um marido calmo, refinado e que não espere muito dela.
Ao conhecer Hugo Emes, o lorde Trentham, logo vê que ele não é nada disso. Grosseirão e carrancudo, Hugo é um cavalheiro apenas no nome: ganhou seu título em reconhecimento a feitos na guerra. Após a morte do pai, um rico negociante, ele se vê responsável pelo bem-estar da madrasta e da meia-irmã, e decide arranjar uma esposa para tornar essa nova fase menos penosa.
Hugo a princípio não quer cortejar Gwen, pois a julga uma típica aristocrata mimada. Mas logo se torna incapaz de resistir a seu jeito inocente e sincero, sua risada contagiante, seu rosto adorável. Ela, por sua vez, começa a experimentar com ele sensações que jamais imaginava sentir novamente. E a cada beijo e cada carícia, Hugo a conquista mais – com seu desejo, seu amor e a promessa de fazê-la feliz para sempre.

Mary é tão boa que deveria ser elogio!

Nesse retorno nacional da Mary, uma série se forma através de um grupo incomum, porém com tanto em comum que mesmo sem laços de sangue, são tão próximos quanto parentes – ou até mais -, unidos pelas tragédias e sofrimentos passados nas Guerras Napoleônicas, viveram períodos de recuperação e lutas contra os demônios que os agonizam na casa de campo Penderris Hall, sob cuidados de George Crabbe, duque de Stanbrook e mesmo após a separação do grupo para reintegração social e com os próprios familiares, anualmente voltam a se reunir e desfrutar de um tempo juntos.

No entanto, ele sorria e era encantador. Mas estaria sorrindo por dentro? Havia algo levemente perturbador em sua alegria, agora que compreendia a devastação que as guerras lhe causaram.

Hugo é a antítese de um romântico nato, com personalidade de quem já viu e passou por muito, acredita que os rodeios de ações e conversas são percas de tempo, por isso é direto e até mesmo cortante, meias palavras não fazem parte do seu vocabulário, como um produto de uma sociedade que subestima sentimentos e por vezes a capacidade feminina de digerir determinados assuntos – dentre eles, a destruição causada pela guerra – ele ainda tem muito o que se permitir. Apesar de ser reconhecido como um lorde e herói de guerra, reluta em aceitar a hipocrisia da situação, a guerra destrói vidas e a missão suicida que liderou mesmo tendo sucesso, custou a vida de inúmeros companheiros e sua consciência – literalmente -, mas agora responsável por sua família ele deve assumir a frente e também cumprir a promessa feita a seu pai em leito de morte: ter um herdeiro, para isso ele precisa se casar, todavia seu traquejo social e de corte, são quase nulos, parece mais fácil assumir a frente de uma tropa numa guerra.

– Sinto muito pelo que passou – disse ela. – Mas seu colapso só foi vergonhoso quando analisado sob a perspectiva de uma masculinidade brutal e agressiva. Não se espera que um comandante se importe com os subordinados. O fato de ter se importado, de se importar, só o torna mais admirável aos meus olhos.

Lady Gwendoline Muir, é uma viúva já a cerca de 7 anos, seu casamento embora contasse com afeto mútuo, deixou-a emocionalmente exaurida. Com uma personalidade singela e disposta a ajudar que a deixa em situações que seria preferível evitar – como ficar na companhia de Vera, uma “amiga” que ninguém merece ter -, mesmo sendo amada e amando seus familiares, Gwen sente uma solidão e ressentimento fruto do seu matrimônio. Além de traumas físicos, como seu tornozelo manco e a aparente incapacidade de conceber filhos, possui também traumas psicológicos, guarda dores e arrependimentos, embora deseje aproveitar o máximo seus familiares, essa sombra a acompanha e ela não acredita que existe alguém no seu círculo íntimo capaz de compreender seus “demônios”.

– (…) As pessoas, sobretudo as religiosas, dão a entender que é errado, até mesmo pecado, amar a si mesmo. Não é. É o amor básico, essencial. Quando você não ama a si mesma, não tem condições de amar mais ninguém. Não de maneira completa e verdadeira.

As diferenças sociais se sobressaem entre Lady Muir e Lorde Trenthan, ela como dama de nascença e ele com receio da classe aristocrática, divergem em reflexões com base em experiências do próprio mundo, lembrando um pouco da essência de Elizabeth e Darcy em Orgulho e Preconceito, onde ambos possuem visões conjeturadas em paradigmas. Hugo com extremo receio acaba sendo o maior obstáculo para desenvolver proximidade afetiva, apesar de sua inegável auto confiança, seu temor se desenrola em uma forma de temor excessivo e até mesmo preconceito sobre o modo de vida da sociedade aristocrata, algo que penosamente Gwen tenta demonstrar não se tratar de uma inviabilidade para acreditar que ela também é humana.

– (…) Já carrega muitas culpas sem ter que assombrar a alma com as minhas. Precisamos de alguém que nos liberte de tanto peso.
– Ninguém é capaz de fazer tal coisa – ressaltou ele. – Nunca se case motivada por essa esperança. Ela será destruída antes que se passe uma quinzena

Devo também destacar o quão mágico é revisitar lembranças de outros livros quando personagens anteriores da autora são inseridos na trama atual, uma experiência nostálgica e deliciosa tenho que dizer, o coração dá até uma acelerada de relembrar os momentos passados, ainda mais quando o duque de Bewcastle, Wulfric Bedwyn dá os ares com toda a sua arrogância ducal para rebater a tirania de alguns, acompanhado da esplêndida duquesa Christine Bedwyn. Somando também o fator das características dos membros dos Clubes dos Sobreviventes prometer um futuro promissor para a série, como a animosidade de Flavian Artnott, o visconde Ponsonby, a placidez de Ralph Stockwood, o conde de Berwick, a sagacidade de Imogen Hayes, a viúva lady Barclay, a tenacidade de Benedict Harper, a perceptividade de Vincent Hunt, lorde Darleigh e as atitudes reservadas de George Crabbe, o duque de Stanbrook.

O livro se aprofunda em questões além de fatores do amor imensurável entre o possível casal a ser formado, onde a Mary emociona o leitor com o porquê desse grupo de pessoas merecer ter um foco específico, cada um carregando suas cicatrizes, o quanto uma companhia pode salvar um espírito enfraquecido e desacreditado, como se pode crescer reconhecendo que amizades são partilhas tanto de alegrias, quanto de tristezas. Os momentos reflexivos da trama são densos e tocantes no sentido mais cru da palavra.


Um sonho: O segundo volume poderia sair amanhã

[Variedades] BTS e as Referências literárias

Um ótimo Dia Mundial do livro para todo mundo – foi ontem, eu sei, mas aqui é todo dia – e vamos espalhar mais amor e livros por aí!

Em homenagem às preciosidades – vulgo, leituras -, tem esse especial para fazer um paralelo de como a leitura deixa tudo melhor e quando se aprecia o que se faz, é melhor ainda, sabe o quanto é maravilhoso gostar de algo? É que se aprecia em um nível inexplicável e quando faz tão bem que é a melhor sensação e o ápice de um bem-estar, assim como com a leitura, com música é alcançar um novo nível de prazer, é oferecer os sentidos a uma cadência e deixar fluir. Já mencionei eles aqui, o 방탄소년단, Bangtan Sonyeondan, Bangtan Boys, Bulletproof Boy Scouts, Beyond The Scene, mas dá para reduzir e chamar de inspiração, quero dizer, BTS, esse grupo incrível são músicos, compositores, dançarinos, produtores e me permitam dizer: pessoas incríveis, quando a música é um extra eloquente é um privilégio todo especial de acompanhar e compartilhar os segredos literários por trás de produções tão inspiradoras:

Pied Piper: O Flautista de Hamelin de Robert Browning

Trecho da música: “Um pouco perigoso, como o cara que lhe guia com uma flauta”

O sombrio conto de Hamelim de concepção dos irmãos Grimm é uma contundente criação sobre tentação e trapaça, em que o centro da trama é um homem com uma habilidade incomum com a flauta, encantar em nível hipnótico através de sua melodia, é na cidade de Hamelim que o ato principal toma forma, para se livrar de vez da intervenção dos ratos, o flautista viajante propõe um acordo com as autoridades e políticos locais, se livraria dos ratos, porém, após o cumprimento da parte do flautista em livrar a cidade dos roedores, enquanto os cidadãos comemoravam a nova atmosfera, a outra parte rompeu com o acordo, deixando o flautista contrariado e disposto a tomar algo em troca mesmo que não fosse o que lhe apetecia, tomando o “futuro” de Hamelim com sua melodia, levando quase todas as crianças consigo.

Moralmente, o conto conclui que o menosprezo do outro para glória própria pode ter consequências terríveis e, também, o fato de algumas crianças serem conscientes de seu entorno, cientes da realidade e excesso de ilusão serem as sobreviventes da vingança do flautista, leva a crer que essa consciência que mantinham as salvou de uma ruína iminente, portanto assim como a faixa Pied Piper, a consciência é chave para o seu futuro, manter o equilíbrio é importante sempre.

MIC Drop: Fábulas de Esopo de Russel Ash

Trecho da música: “Era uma vez, a mosca na Fábula de Aesop”

Como de conhecimento geral – acredito -, fábulas são tipos textuais onde animais assumem, falam e se aproximam do que podemos admitir como características humanas, na referência em específico é possível fazer um paralelo entre três fábulas da coletânea.

Em uma é demonstrado um conjunto de moscas que ao serem atraídas para uma meleira quebrada se aproveitam do banquete acidental e sem pensar afundam as patas no fluído pegajoso e acabam presas mesmo após se encherem de mel, na outra um inseto numa ânsia cega para se provar acima de um poderoso predador, o leão, consegue vitória causando danos na fera, entretanto acaba presa em uma teia em sua pressa para se vangloriar do feito, já na última uma mosca se gaba de sua vida farta para a formiga que por sua vez se orgulha de conquistar o que deseja através de seu trabalho, quando confrontada, a mosca recusa o desafio e se acovarda, se concluindo que a ânsia para aproveitar da miséria alheia é uma forma de egoísmo que machuca mais a si que aos outros.

Resultado de imagemWINGS e Blood Sweat & Tears: Demian de Hermann Hesse

Hermann usa de fontes da psicanálise e da filosofia com um destaque para o Friedrich Nietzsche, é em sua experiência pessoal sobre a passagem do período da infância ao início da fase adulta – período conhecido como jovem adulto – que o autor retrata a transição de Emil Sinclair, a perca da inocência do garoto é a crescente da trama, esboçando visões do mundo com distintas sensitividades. A densidade é tal que é muito referenciado para estudos colegiais e universitários, a visão de que o mundo possui arestas, porém é necessário encontrar o equilíbrio reconhecendo as fraquezas e potencialidades de ambos, escuridão e luz não existem isoladamente, ambas possuem valores e disposições que assumem “formas” distintas.

Extra: Um fato interessante é que Emil Sinclair além de ser o protagonista da obra, foi o nome usado como pseudônimo do autor na Alemanha, desde que o mesmo era marginalizado e taxado como traidor pelo país, devido ao seu posicionamento a favor da paz durante a Primeira Guerra Mundial.

Daydream: Guia do Mochileiro das Galáxias de Douglas Adams

Protagonizado por Artur Dent que após uma sequência improvável de acontecimentos decide sair da Terra com seu amigo alienígena, Ford Prefect para evitar a eminente catástrofe que vai acomete-la – quem nunca não é mesmo? -, é fazendo essa viagem galática que Artur se depara com alguns fatos reflexivos, como o motivo por trás do planeta Terra e fatos absurdos porém que atenta a capacidade humana de pensar, como por exemplo qual o sentido da vida, questão após milênios ainda não possui uma resposta.

Uma forte característica que o autor aplica na sua narrativa é o humor, apesar do teor de ficção científica do enredo, prevalece a forte marca de uso do humor para questionar e refletir sobre questões desde políticas até existenciais, semelhante a sátiras e tecendo nesse meio tempo o quanto o corriqueiro e familiar não são verdades absolutas, afinal a vida é um cotidiano constante de casos e acasos e a roda do destino tende a controlar seu próprio ritmo, por último a frase “Don’t Panic” é um marco e simboliza um criterioso ponto da trama, onde não só os personagens, como também o leitor chegam a uma auge de reflexão sobre o tal sentido da vida.

Go Go: Vinte Mil léguas submarinas de Júlio Vern

Trecho da música: “Eu quero navegar como o Nemo”

A obra retrata as aventuras em alto mar onde os personagens Arronax, Conseil e Ned Land percorrem a vastidão dos mares em busca de desvendar os mistérios do mundo submarino, para isso percorrem a assombrosa distância de vinte mil léguas, uma aventura que parece descabida, porém emocionante e de um extensão repleta de descobertas. Entretanto é quando tentam domar uma estranha criatura que acabam descobrindo que é feita de ferro e não se trata de um animal em si, mas de um submarino, uma estranha forma de navegar os misteriosos mares, porém eficaz e Nemo é o capitão, com sua sanidade posta à prova, ele sabe o que está fazendo, mas sua forma excêntrica de pensar faz os sinos do perigo soar na mente de seus companheiros e dos navegadores aventureiros, afinal seria Nemo um louco dispendioso ou um sábio insano?

Spring Day: Os que se afastam de Omelas de Ursula K. Le Guin

Omelas é um conto que retrata uma realidade onde a utopia existe, porém, essa idealização só existe porque alguém está sofrendo, ou seja, alguém no cenário aparentemente perfeito recebe as provações nos bastidores, mas não destrói o cenário utópico existente, isso lembra algo?

Algumas semanas atrás o produtor por trás do vídeo de Spring Day afirmou para conhecimento do público que aquela sequência onde o Jimin aparece segurando um par de sapatos, para então fazer uma caminhada para um implícito destino, concluindo com os sapatos pendurados em uma árvore, possui um significado doloroso, em que os sapatos simbolizam as minorias da sociedade, um pouco de da essências das mesma sendo levadas para a sua paz.


OBS: São apenas algumas referências que eles usam, se tem mais a adicionar é só comentar ^^

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[Especial] 4 motivos para ver Secret Forest (Stranger)

A louca dos ~especiais~voltou!

Se algo é bom é pra ser recomendado, mas quando é ótimo é pra ser divulgado, panfletado, enaltecido e várias outra palavras terminadas com “do”, por isso a divulgação e recomendação master da semana é esse dorama maravilhoso de incrível: Secret Forest ou Stranger e para provar esse ponto vai aqui uma lista curta e sucinta do porquê se entregar essa intriga, além do prêmio de ter levado Seoul Award de melhor drama em 2017:

  1. O Plot

    Em princípio possui um caráter investigativo, ressalto que não segue o mesmo padrão usualmente encontrados em grande parte das séries estadunidenses, onde um caso é solucionado por episódio e podendo haver ou não uma trama maior se desenvolvendo para eclodir no fim da temporada, o drama segue a premissa de desenvolvimento de uma única trama com casos específicos não isolados. Mas vamos ao enredo, o foco é o chegar a resolução de casos em que o prelúdio é o assassinato de um homem com conexões e material suficiente para encurralar desde oficiais de alta patente até a membros do poder judiciário, em resumo membros do mais alto nível da pirâmide hierárquica do poder coreano, porém é através do arrasto de um promotor para a cena do crime que as circunstâncias ilógicas do crime se tornam o início do que parece um desafio, com sua personalidade apática e intelecto calculista Hwang Si-Mok é perspicaz, somando a sua falta de tato e sensibilidade se torna um personagem que contraria o carisma usuais se tornando incrivelmente estimulante, agora inserido nesse grande caso onde o produto principal é poder.
    Se algo atrai muito é um plot excitante e bem desenvolvido, colocar a mente para trabalhar é peça-chave para manter a atenção de quem assiste, quando inseridos plot twists existe a probabilidade do erro e apesar de isso não faltar, são todos tão bem calculados que a qualidade é uma crescente quase “tangível”, é possível identificar quando uma reviravolta volta é crucial.

  2. O cast e personagens (vou me abster para não ficar muito longo)
    Como uma boa entusiasta de Sense8 (se eu vivo é pra enaltecer a arte desse cluster) não escondo que um dos fatores que me levou a investir no drama foi a presença da rainha exterminadora, ela mesma, Donna Bae, como esperado, a brilhante atuação da Bae não decepciona e a sua personagem, a Tenente Han Yeo Jin demonstra o maravilhoso desenvolvimento de uma policial subestimada que acredita numa justiça limpa e na integridade de seus companheiros, porém o seu envolvimento na trama corrupta dos famintos pelo poder arranca essa sua “inocência” e seu amadurecimento pessoal e profissional é uma linha incrível de acompanhar.
    É com orgulho que digo que a experiência de ter meu queixo derrubado por tantos atores com perfeito encaixe nas características de seus personagens foi espetacular, primeiro que já conhecia o trabalho do Yoo Jae Myung, mas não interpretando alguém tão dissimulado e cheio de controvérsias de caráter, a seriedade de seu papel e a personalidade um pouco tola de seus personagens anteriores vistos por mim foram até mesmo esquecidos vendo-o assumir características tão sérias e mesmo manipuladoras.
    A minha apreciação fica envolta da maestria do Jo Seung Woo em literalmente se “vestir” de Hwang Si-Mok, um personagem que está longe de ser simples como pareceu na sinopse, Si-Mok é apático, sua condição de infância, a misofonia, onde esse quadro clínico de rejeição extrema a ruídos resultava em ataques agressivos, o levou a lobotomia, sendo a consequência dessa intervenção cirúrgica além de sanar sua síndrome, a perca de certas capacidades emocionais, ao mesmo tempo que expandiu sua capacidade estrategista e é nessa parte em que sua personalidade lembra a do detetive Sherlock Holmes, a alta perceptividade e raciocínio são características inerentes de ambos.

    Lobotomia é processo cirúrgico de risco de intervenção no cérebro, o nome se deve justamente ao fato de o córtex cerebral ser chamado de lobo cerebral, o uso dessa técnica só acontece em casos extremos e ainda sim sequelas são possíveis, como perda de sensibilidade e alterações de manifestações emocionais.

    Porém para Si-Mok sua agilidade de pensamento o conduz a uma conclusão precipitada e esse suposto deslize o desafia a desvendar esse caso, em contra-ponto a sua apatia, existem pontos que ratificam que ele é capaz de sentir frustração embora em baixa escala, como nas passagens frequentes em que ele acaba sendo requisitado e acaba deixando todo sua refeição intocada – deixe-me registrar aqui minha revolta por não deixarem ele comer, cada refeição deixada é um dor compartilhada com o Si-Mok -, juntando às constantes pressões para solucionar um caso extenso que coloca todo o sistema político e judiciário em mira, o promotor precisa manter o controle e ainda interpretar as dissimulações dos outrora colegas promotores, seu intelecto direto o deixa imune a questões que possam desvirtuá-lo de seu objetivo, afinal ele é obstruído de impulsos e desejos ocasionais.
    Em uma breve síntese dos outros personagens que se envolvem bastante na trama, como no caso da tenente Han e do Si-Mok que são como personalidades complementares por características opostas, o mesmo ocorre com Seo Dong-Jae, interpretado por Lee Joon-Hyuk e Young Eun-Soo, por Shin Hye-Sun, ambos possuem algo em comum relacionado aos próprios interesses, ao mesmo tempo que um esboça um cinismo calculista, o outro aparenta estratégia por impulso com traços de uma inocência quase extinta no âmbito não só da Promotoria, mas também do judiciário.

  3. Antagonismo
    Não posso especificar de forma definida e personificada quem assume a faceta como vilão no drama, mas faça suas apostas prontos para sérios riscos, assim como existem jogos de poder, existem os de influência do próprio drama, não posso revelar mais por motivos de: spoiler!
    E também porque não quero, existe àquela adrenalina em ser influenciado pelo fatos, se sentir o mais próximo possível da trama – e se sentir frustrado pelas várias conclusões equivocadas -, então valorizo essa experiência, cada emoção é chave nesse desenrolar então vai nessa sem medo, afinal o único aparentemente destemido aqui é o Hwang Si-Mok mesmo.
  4. Retrato realístico
    Existe momento mais oportuno do que o atual para abordar sobre corrupção? Creio que não, então vá em frente para quebrar alguns tabus, o que se sabe com certeza a absoluta além da morte?
    É que seres humanos NÃO são perfeitos, sim existem poderes como judiciário, legislativo e executivo para manter a possível bagunça ordenada na medida possível, porém os desfalques de caráter existem, pessoas podem ser influenciadas por distintas coisas, poder principalmente, este pode assumir diferentes facetas, dinheiro, influência, comida – mas veja só – e até mesmo vingança, um ser humano em profunda tristeza e capaz de apostar o que tem, até que ponto pode ir?
    Outra observação possível que expressa a realidade é reprodução da própria sociedade sul-coreana, o costume de sempre respeitar os mais velhos e manter o nível hierárquico de comando em uma constante, gera controvérsias no drama sobre o quanto pode ser danoso ignorar tais condutas, a confiança cega pode ser cruel e se mostrar uma grande decepção.
  5. Extra – Onde ver
    Para melhorar ainda mais, dá para ver pela Netflix e DramaFever, isso mesmo, sabe aquela de baixar para ver offline? Dá pra fazer e a vontade.

Fechando com esse gif dos bastidores do drama, olha esses dois que fofos!