[Especial] W – Two Worlds

Senta que vai ter o que falar e elogiar nesse k-drama

Esse drama magnifico – e não existe uma palavra amena para se referir a uma obra de arte dessa – é escrito pela Song Jae-Jung e produto da MBC, o k-drama W – Two Worlds literalmente traduz em sua trama inusual dois mundos coexistentes, da mesma forma que um está contido no outro, ao mesmo tempo são paralelos, o mundo real, representa a realidade em que estamos naturalmente inseridos, nele a protagonista Oh Yeon Joo habita e o mundo digamos literário de um manhwa, em que vive o Kang Chul, esse segundo está inserido no real pela ligação com o criador do manhwa, o Oh Sung Moo.

O mundo real segue normalmente seu fluxo de tempo em torno da estudante de cirurgia cardiotorácica da universidade a Oh Yeon Joo, em Seul, também filha de um autor de manhwa reconhecido e apreciado por sua obra, Oh Sung-Moo, mesmo ela é uma nata apreciadora de sua construção imagética e nutre um apreço pelos personagens de W – uma leitora gente como a gente – e assim como os milhares de fãs da obra, sempre acompanha as atualizações do webtoon, enquanto dentro de W, o tempo segue o fluxo em acordo com as ações do protagonista, ou seja o tempo está ligado a tomada de decisão do Kang Chul e tende a não ter uma cronologia habitual para que priorize momentos que o envolvam e seguindo a narrativa do quadrinho com ele no centro, uma lógica dada para narrativas que se centram em personagens bem definidos em obras que consumimos o que acontece em paralelo ao centro da narrativa só será de conhecimento se o personagem tiver interesse em seja lá o que for, o que também desencadeia os intervalos de capítulo desde que são episódios é necessário finalizar o os episódios do manhwa que no caso leva em consideração o clímax de algum momento para que leve a continuidade da narrativa em ligação com o desfecho anterior.

W em si é o nome do manhwa que levou o autor Oh Sung-Moo de um fracasso familiar para os holofotes coreanos, suas atualizações chegam a parar pessoas para consumir o lançamento. Nesse universo literário é desenvolvida uma trama dramática com doses de emoção e ação – particularmente não é para menos, sendo uma leitora por mim mesma reconheço o apelo atrativo do enredo –, onde o protagonista Kang Chul é o medalhista coreano e campeão mundial de tiro ao alvo, com performances impecáveis em competições. esse fato se tornou sua conquista e sua maldição, após o assassinato de toda a sua família (pai, mãe, irmã e irmão) todos por tiros limpos que indicavam uma inegável habilidade do assassino, ou seja alguém que não seria nada menos do que um especialista em tiro.

Sem álibi e com sua habilidade comprovada por toda a nação, Kang Chul se torna alvo do judiciário, sob a suspeita de matar seus familiares atribuindo a causa a um possível efeito do ego por ser campeão olímpico, acaba sentenciado a pena de morte, entretanto por falta de provas que o insira como nada além de suspeito ele consegue sua liberdade de volta pelo tribunal, mas não sua antiga vida, além de estar sozinho, sua própria fama o torna reconhecível e alvo de hostilidade pública. Em contra-ataque para não ficar acuado por uma barbárie sem solução e em busca do assassino de sua família, ele investe tudo o que tem em estar sempre sob a atenção pública organizando um programa de investigação para casos não solucionados como o que acometeu sua vida e levou a vida de sua família, em algum tempo ele deixa de ser um vilão e é reconhecido como um herói nacional, assim ele assume o lugar como protagonista e “herói” da obra fictícia como um mártir que carrega um passado de sofrimento mas tenta dá a volta por cima com suas próprias mãos, aprendendo artes marciais e usando sua capacidade de analisar as oportunidades.

É em uma visita de sondagem a casa e estúdio de seu pai que Yeon Joo acaba descobrindo mais do que deveria, Chul está prestes a ser morto pelas mãos de seu criador, em choque com um absurdo – quem nunca se apegou a um personagem fictício que atire a primeira pedra – e com o súbito desaparecimento de seu pai, as coisas pioraram quando ela acredita ver o esboço do webtoon se mover pra então ser realmente puxada para dentro da tela e para a Seul fictícia de W, onde é inserida na mesma cena antes desenhada, a diferença é que agora é real e ela pode salvar Chul de uma morte desolada no telhado de um hotel, no que seria um desfecho inconclusivo sobre a trama da vida dele.

É nesse momento que a trama do quadrinho se desenvolve um curso próprio com a inclusão da Yeon Joo e mudando o que teria o final fatídico, ou seja, o autor deixa de ser aquele que controla o espaço-tempo de W e a ideia de que apenas o autor manipula esse universo é abandonada de vez, a intervenção desconexa de Yeon Joo gera suspeita e o fato de ela não ter uma identidade por ser não ser do universo de W a torna uma incógnita para quem entra em contato com ela e Chul desenvolve autonomia em sentir que algo fora do comum está acontecendo ou que está sendo manipulado por algo ou alguém que ele não consegue confrontar, é o momento decisivo onde o personagem deixa de ser apenas um personagem.

Os fatores que designam o drama poderoso e marcante podem ser facilmente pontuados, tais como:

  • Ótimo enredo, a ideia principal por si intriga com a possibilidade dupla de onde termina uma realidade e começa a outra;
  • O desenvolvimento vai além em propôr equilíbrio de fatores, como romance, ação, drama mistério e até mesmo comédia, tendo os próprios momentos e focos apropriados, os personagens não se perdem no caminho, sendo referente a influência que dispõem na trama, eles são desenvolvidos e novos traços de personalidade são trazidos a tona, aliando isso ao carisma que os mesmos exalam;
  • A mescla de um universo real e universo fictício sugere uma criação arriscada pra que o espectador se mergulhe na ideia, as passagens dividas entre traços reais e animados colabora para a construção de dupla realidade, estilo de Uma Cilada para Roger Rabbit;
  • Cada episódio é muito, mas muito, muito bem construído mesmo, em 16 episódios de 43 minutos em média não existe aquela enrolação pra encher, é um fato atrás do outro e pronto pra desencadear mais uma série de acontecimentos e mudar o percurso do universo de W;
  • Uma curiosidade é que o “portal” entre os dois mundos é então a mesa de desenho do Oh Sung-Moo e o próprio Kang Chul, ambos são os que possuem a capacidade de remodelar a realidade do manhwa, através disso que se pode ter acesso a ambos universos, porém não indiscriminadamente, não existe uma plena explicação para o porquê de ser assim, apenas é, assim como os sapatos de Dorothy eram vermelhos e mágicos e o guarda-roupa poderia levar a Nárnia.

Ponha o preconceito de lado, você pode estar perdendo grandes momentos, então olha esse trechinho pra ficar naquela vontade de começar agora 

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[Resenha] O fogo entre a névoa

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Livro: O fogo entre a névoa
Autor: Renée Ahdieh
Tradução: Alice Klesck
Ano: 2018
Editora: Globo Alt
Páginas: 400
Sinopse: Hattori Mariko, filha de um respeitado samurai, sabe perfeitamente qual o seu lugar na sociedade. Mariko nasceu mulher e, justamente por isso, sempre ouviu que seu futuro não estava em suas mãos. Aos dezessete anos, ela está prestes a se casar com o filho do imperador, num casamento político que promete elevar ainda mais a posição de sua família. Aparentemente conformada com seu destino, ela inicia sua jornada até a cidade imperial de Inako, acompanhada dos mais prestigiosos samurais e de seus servos mais fiéis.
Mas Mariko sequer consegue chegar à Inako: sua carruagem é violentamente atacada na misteriosa Floresta Jukai, com nenhum sobrevivente. Ao escapar por pouco, ela aproveita a liberdade de ser dada como morta e, vestida como um simples camponês, parte em busca de vingança contra o Clã Negro, grupo rebelde supostamente responsável pelo crime.
No entanto, ao se aproximar do líder do Clã e de seu braço direito, ela se depara com uma história de segredos, traição e assassinato, que a fará questionar tudo o que sabe. Mais que isso, Mariko aprenderá o significado de amizade e amor em um mundo onde todos a querem morta
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Quer meu amor Renée Ahdieh? Eu dou!

Nessa suntuosa reconstrução da história da heroína Mulan, a autora seduz o leitor com uma rica construção cenográfica em um universo além do contexto ocidental comumente encontrado, o fato de viajar junto ao contexto de uma outra cultura e ser tecido características do Japão Feudal provoca o leitor em ir além da imaginação, a riqueza de detalhes e costumes da cultura japonesa continua a surpreender a construção do imaginário é excitante.

Inserida em um novo contexto a personagem que apresentada com a essência de Mulan é Hattori Mariko – levando em conta fatos históricos relacionados a cultura japonesa, o sobrenome é também o nome de um clã -, Mariko como filha de Hattori carrega os valores e influências do seu clã, dessa vez porém ela é a moeda de troca para tornar o clã Hattori mais influente, isso através do seu casamento com um membro da família real, o príncipe Raiden, embora o filho mais velho não seja herdeiro, desde que ele não é filho da imperatriz Genmei mas da concubina do imperador, Kanako, mesmo sendo a mulher que ele ama, mas não sua companheira pública.

Com a mente incrivelmente lúcida, ela desamarrou a faixa de sua combinação; deixou que caísse de seus ombros e a soltou no chão. Então começou a desamarrar o nó de seu kosode.
Hattori Mariko não era apenas uma garota.
Ela era mais.

Submissa a vontade se sua família e de sua condição de mulher, Mariko acaba tendo uma tenebrosa intervenção com o objetivo de lhe assassinar, após sobreviver a essa empreitada, em fuga ela conclui que o real alvo não era Hattori Mariko, mas sim a noiva do príncipe, o fato de ela estar ligada a corte imperial mesmo que por um acordo a ser selado a torna um prêmio, com pistas pouco claras sobre quem seriam seus algozes, a sugestão de quem seria a concede um objetivo, então ela vai atrás do que parece ser a única certeza de qual caminho seguir, o grupo de mercenários do império, o Clã Negro. Sozinha e disfarçada de garoto ela tenta se aproximar do escorregadio grupo, devido a sagacidade ela é posta em prova pelo clã, mas ela não esperava que sustentar seu disfarce fosse mais difícil do que manter sua ira oculta, confrontada pelo Ás do grupo de homens, Okami, ela é diariamente posta a prova e aos poucos verdades perturbadoras são reveladas, afinal o que o Clã Negro teria a ganhar com sua morte? 

Se o pai estava levando mais do que lhe era de direito, a mãe não dizia nada. E seu irmão não devia saber que era preciso prestar atenção.
E Mariko?
Fui cega para tanta coisa. Achei ser a dona da verdade com tanta frequência. Quando, na verdade, eu não era dona de nada.

Mariko entra em um conflito após saber de segredos envolvendo o seu clã Hattori e o próprio imperador, Rammaru e Okami não são apenas amigos, como também esse apoio mútuo se solidificou após uma conspiração do próprio imperador contra o shogun, que também era seu amigo, usando outro amigo, que além de ter um resultado irremediável, também significou a perda na principal figura das famílias tanto de Rammaru quanto na de Okami. Assim a conclusão de Mariko sobre as intenções do Clã Negro começa a mudar, qual o objetivo do grupo e  como ela pode se tornar a percussora da destruição deles quando junto a esse grupo foi o único lugar onde sentiu que pertencia? 

– Seja veloz como o vento. Silencioso como a floresta.
Ókami segurou o punho ensanguentado de Yoshi com as duas mãos.
– Voraz como o fogo. E inabalável como a montanha.
– Erga-se das cinzas – disse Yoshi. – E assuma seu lugar de direito.

Tranquilamente digo que a Renné continua com a posse de uma imaginação de autora sem igual, suas palavras transcorrem não apenas uma história, elas envolvem o leitor nas enigmáticas e sedutoras nuances de uma trama com doses generosas de aventura, drama, ação e sobrevivência, o desenvolvimento dos personagens é primoroso e o plot twist é capaz de provocar uma sede sem tamanho pela continuação. A autora também aproveita pra colocar em mesa a capacidade de que uma inspiração ser tão incisiva quanto a obra a original, desde Mariko, até Ranmaru e Okami, seu irmão Kenshin e a concubina do imperador, Kanako são desenvolvidos com personalidades e marcantes, revelando o retrato da Mulan estrategista com uma Mariko calculista e com potencial pra se reconhecer como uma parte de um quebra-cabeça, não peão em um jogo de poder.


Ansiosa para Smoke in the Sun!

[Filmes] BTS: Burn the Stage – The Movie

Direção: Park Jun Soo
Ano de Lançamento: 2018
Elenco: Kim Seokjin (Jin), Min Yoongi (Suga), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Park Jimin (Jimin), Kim Taehyung (V) e Jeon Jungkook (Jungkook)
Gênero: Documentário
Duração: 85 min (1 hora e 25 minutos)
Sinopse: Primeiro filme do BTS mostrando o backstage da BTS Wings Tour a revelar a história completa da ascensão meteórica para a fama da banda. Esse evento cinematográfico imperdível promove uma perspectiva íntima do que acontece quando a o grupo global de maior sucesso de todos os tempos rompe as barreiras e invade a cena musical mainstream. Material exclusivo da turnê e novas entrevistas individuais com os membros do BTS dão aos fãs um vislumbre sem precedentes em suas vidas e uma oportunidade para todos celebrarem juntos nos cinemas de todo o mundo.

Mais que profissionais, humanos até o âmago

Em pouco mais de 80 min de produção, o grupo de pop sul coreano faz uma conexão de ambos os lados que compõe a essência do grupo, a humanidade e a paixão pela música. Fazendo uma ligação também com a série Burn The Stage lançada na plataforma paga do Youtube, a Youtube Red, onde é documentada o período da turnê de grande marco histórico para o grupo, a The Wings Tour, turnê referente ao álbum de estúdio Wings – que conta com produções artísticas em equipe e solo, sem perder de vista as críticas através do engajamento social do grupo que contribui para o sucesso do mesmo -, a turnê atendeu diversos países de ao menos quatro continentes, no mesmo período os sete integrantes:  Kim Seokjin, Min Yoongi, Jung Hoseok, Kim Namjoon, Park Jimin, Kim Taehyung e Jeon Jungkook bateram recordes e os termos “primeiros a” se tornou cada vez mais frequente em ligação a eles, conquistas como Billboard Music Awards e então a possibilidade – que foi realizada – de subir ao palco do AMA (American Music Awards).

O longa concebe uma premissa de unir o público tão diverso que acompanha o grupo em salas de cinema, transformando o ato de assistir numa experiência de compartilhamento, fazendo também jus a um dos pilares que formam a estrutura sólida deles, os Armys puderam ver em primeira mão cenas inéditas dos bastidores da turnê ao redor do mundo, acompanhando os altos e baixos de serem artistas, ao mesmo tempo em que brindam os Armys com cenas de afeto e ligação fraternal entre os integrantes, que aproveitam os tempos de folga compartilhando da companhia uns dos outros e explorando os locais por onde passam com sede por conhecer o mundo e o que diverge da cultura nacional que possuem da Coréia do Sul, mostrando o lado dos jovens-adultos que são.

Revelam o tumulto emocional que sentem ao se depararem com situações que esgotam e machucam até mesmo fisicamente outros integrantes, Min Yoongi (Suga) explica sobre a sensação de incapacidade diante de situações como a que levou o maknae (caçula) Jeon Jungkook (Jungkook) a beira de um colapso na performance do show no Chile, chegando a receber atendimento emergencial nos bastidores para se restabelecer e retornar ao palco, deixando os seis e a equipe de apoio preocupada com o esforço excessivo dele, ou quanto o líder Kim Namjoon (RM) além de conciliar um atrito minutos antes de subir ao palco entre o mais velho Kim Seokjin (Jin) e Kim Taehyung (V), também precisou de atenção médica devido a uma lesão na perna. Park Jimin foi às lágrimas devido a um erro durante os ensaios, levando também o público que assistia a sentir a tensão dele, é então que se entende o quanto do esforço está ligado a preocupação de fazer uma excelente performance como artistas e como artistas que anseiam por oferecer um show inesquecível para seu público como uma forma de recompensá-los pelo esforço e espera tão longa por eles que vieram do outro lado do mundo mas mesmo assim querem distribuir carinho pelo mundo.

Uma parte essencial e reflexiva é também a preocupação quanto ao crescimento de alcance do grupo e da expectativa do público, o quanto essa expectativa aumenta e instala certa preocupação em não estar à altura da mesma, eles buscam sempre entregar o melhor de si mesmos em suas composições, produções e performances, os quartos dos hoteis em que se hospedam servem para treino, cuidado com a saúde, descanso e trabalho, em que se dedicam a pôr no papel o que passa em suas mentes e desenvolver, composição não é processo fácil e a trilha até o produto final é tortuosa, por isso também seus trabalhos são tão bem recebidos e amados, são sínteses de seus sentimentos e conexão com o mundo.

Além de músicos, o BTS se consolida pela identidade de grupo bem estruturada e a não separação de arte e realidade, através da música os sete demonstram sensibilidade com o mundo, agindo como humanos, enquanto também não recusam a gigantesca influência que possuem e revertem isso em atitudes para disseminar solidariedade e auto reconhecimento como parte de um meio social, o  grupo não apenas toma cena no atual cenário musical como tomam assento como diretores de uma nova era, desde então não decepcionando seu público, muito pelo contrário conquistando seu afeto e novos simpatizantes.


Um agradecimento especial a Kim Namjoon, Kim Seokjin, Min Yoongi, Jung Hoseok, Park Jimin, Kim Taehyung e Jeon Jungkook pelas calorosas lembranças!

[Resenha Estrangeira] Buns

Livro: Buns (Hudson Valley #3)
Autora: Alice Clayton
Ano: 2017
Editora: Gallery Books
Páginas: 320
Sinopse: Clara Morgan está vivendo o sonho, se pode chamar renovar hotéis que estão desesperados por uma nova vida e realizar qualquer tipo de maratona como um sonho. Que ela faz. Mas a carreira que ama e a competição de resistência mantêm a adrenalina e ocupada demais para criar raízes. Crescer em um orfanato, não a fez capaz de estabelecer suas próprias tradições, o que pode ser o motivo pelo qual é fascinada pelos rituais que os resorts familiares por gerações são conhecidos. Está especialmente interessada no Bryant Mountain House, e não apenas por sua receita secreta dos pãezinhos gostosos, pegajoso, Hot Cross Buns, que nunca são suficientes…
Archie Bryant, o homem dos Buns, é a quinta geração e dono do charmosa Bryant Mountain House em Bailey Falls, Nova York. Está determinado a salvar o legado de sua família da bola de demolição à moda antiga – ranger os dentes e fazer o que precisa ser feito. Não há como Archie ser influenciado pela nova especialista em renovação de hotel que seu pai trouxe para transformar cento e cinquenta anos de tradição em uma atração para uma multidão mais acelerada, mais jovem e mais astuta. Mas quando algumas das ideias de Clara começam a atrair novos clientes pagantes, Archie não pode negar que pode apenas dar a ele uma chance de manter seu resort aberto.
É complicado, é uma bagunça, é fofo, é Buns.
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Adoro livros que são sensuais e engraçados

A Alice nunca decepciona em criar enredos sensuais, porém com uma naturalidade perceptível, aliando com personagens bem construídos e naturalmente hilariantes, mais uma vez a leitura se torna suave e quente na medida certa pra incitar o melhor da imaginação. É fácil de interpretar na construção da autora – o que é certo nos seus livros – que ela tenta conciliar o sexo e o humor, tecendo um imaginário mais descontraído, com a concepção de que oo sex não precisa sempre ter aquela atmosfera de sedução sólida, que pode naturalmente ser de pessoas aproveitando o melhor de um momento compartilhado.

Clara Morgan é uma executiva especialista em revitalizar negócios hoteleiros, além de ótima no que faz, a melhor parte é: ela sabe disso, então não acontece nada de se pôr em dúvida ou se deixar subestimar. Deixada pra cuidar de si desde criança, sua determinação aos 18 de assumir a responsabilidade sobre si, de não precisar de ninguém e deixar bem claro isso a tornou implacável, portanto que não deixe as cicatrizes da falta de alegria da infância e os traumas da negligência tomarem conta do seu presente, Clara empunha sua determinação como uma armadura blindada dos seus sentimentos e da sua dor passada mas tao presente, assumindo sua confiança e argumentando para tirar o melhor do que um hotel pode oferecer e que ela sabe que pode tornar realidade, o que demonstra sempre é sua capacidade incontestável de persuasão, se apenas sua análise profissional não é crível o suficiente, ela coloca os fatos sobre a mesa sem temer.

“Sou graduada em Gestão hoteleira e trabalho para umas das maiores empresas de restruturação de Hotéis na Nova Inglaterra, transformado diversos hotéis e quer que eu pinte ovos?”
“Baseado no que acabou de dizer, precisa de um pouco de humildade. Também entrou no meu hotel, jogou tudo para o ar e para fora, para não mencionar que me deixou meio louco não só com essa boca mandona, mas com os sons incríveis que faz quando beijo essa boca mandona, e agora, por Deus, é a minha vez de fazer você participar de uma das tradições mais antigas aqui na Bryant Mountain House. Pinte alguns ovos.”

Archibald Bryant, diretamente é Archie – ainda bem, nomes de família não costumam soar atraentes de forma alguma – o herdeiro e defensor do hotel Bryant Montain House, ao contrário de seu pai Jonathan que está disposto a revitalizar o lugar e encher os quartos com hóspedes, Archie é atrelado a tradições, o que pode ser mais fielmente interpretado como preso ao passado por assim dizer, ser exposto a possibilidade de mudar e apagar lembranças colhidas por anos pelo hotel o põe em uma defensiva espinhosa, porém para sua irritação o fato de que Clara é eficiente e usa argumento como uma espada o deixa a beira de uma explosão, entretanto o bom senso lhe confere a capacidade de analisar por alto que para refrescar o ambiente antiquado do hotel não é preciso levar abaixo toda a história que possui, a conquista de sua colaboração é um caminho para a conquista do respeito de Archie.

Sem pensar, pego o telefone e ligo. Ligo para Roxie e ela liga para Natalie. E nós temos uma chamada com as três.
“Meninas, algo está errado com meus olhos,” digo minha voz rouca.
“Quanto vinho você tomou?” Natalie pergunta.
“Duas garrafas.” Dou uma fungada. “Mas não coloquei nos meus olhos.”

Desde o primeiro livro da série, Nuts, que a autora se dedicava a incluir cada personagem que fosse ter seu próprio momento, Clara se mostrava distante, realmente uma personagem que se escondia mesmo das melhores amigas, Roxie e Natalie, em Buns ela se revela tenaz e quando o que parece o maior desafio de sua carreira, o último degrau para o patamar de seu sucesso, ela conclui que o Bryant é o melhor que poderia fazer para se desafiar tanto o hotel quanto o Bryant em pessoa.

Archie ao contrário da expectativa preconizada por personagens de óculos, não é submisso, o homem é um inferno de uma presença e para infeliz – nem tão infeliz assim – conclusão de Morgan, o óculos é apenas o começo de um belo conjunto de astúcia, os dois se envolvem mais do que o necessário, porém bem longe do que precisam, ambos desafiados e intrigados, o desenvolver da atração dos dois é explosiva porém cheia de apelos sedutores, Morgan é uma mulher disposta a tomar o que quer e Archie é um lobo em pele de carneiro.

“Você é irritante,” ele diz, sua voz de aço aquecida. “E é muito baixa.” E com isso, ele me pega contra ele, minhas pernas envolvem desajeitadamente em torno de seus quadris enquanto me segura contra a torre.
Agora, com o nível dos olhos com ele, olho. “Sou exatamente a altura certa.” E enquanto pressiona seus lábios contra meu pescoço, sua língua pula para lamber e chupar minha pele, deixo minha cabeça cair contra a pedra com um baque. “E você é um idiota.”

Mesmo não tendo se aprofundado no drama do abandono da infância da Morgan, até porque não parece ser a proposta principal da Alice discorrer sobre o tema, porém ela não arranha a superfície e sim concilia a personalidade da Morgan com o drama de seu passado, permitindo concluir que uma parte não é todo, assim como no caso do próprio Archie que mesmo sendo uma dor na bunda devido a sua ligação com a tradição, a sua comodidade é testada e refrescada por novos pensamentos, de um lado Morgan é puxada pelo passado, do outro Archie é que precisa se divorciar do seu próprio passado.


Se serve de dica para dar umas risadas deliciosas, recomendo muito os livros da Alice

[Variedades] Dicas para aproveitar (e muito!) enquanto estuda História

Hoje é dia de dicas (e estudos por que não?)

Quem nunca vive o drama de ter que estudar, tem prova, tem e deve revisar para a tal avaliação, prova ou seja lá o que for, porém a mente está em outro lugar? Outras atividades antes tão banais, agora parecem a melhor realização de todas, olhar pela janela nunca foi tão interessantes, “olha esse céu! Nunca percebi antes, então agora que não tenho para ficar aqui admirando, vou fazer exatamente isso!”

Isso é a procrastinação, para outros, desvio de atenção, mas não tema, sabe a vontade assistir alguma coisa, abrir a Netflix e ficar rolando para cima e para baixo para acabar assistindo nada? Então que tal unir estudo e entretenimento? Quando sua mãe perguntar: “Você não estava estudando?”, você vai simplesmente responder: “Estou aprendendo sobre o reinado britânico da Rainha Elizabeth II”, ou “Mãe, você sabia que o faraó Tutacamôn foi o mais jovem a subir ao trono egípcio?”. Se joga nessa seleção para começar a ver desde já:

TUT

A mini-série que conta com 3 episódios, explora o drama de poder, política, guerra e assassinato, e narra a ascensão do jovem rei Tutancâmon (1333 – 1323 AC) à glória, os seus esforços para governar um império Egípcio caótico e o enigma em torno de sua morte.

A Lista de Schindler

O alemão Oskar Schindler (Liam Neeson) decide usar mão-de-obra judia para abrir uma fábrica na Polônia. Testemunha do massacre aos judeus durante a Segunda Guerra, ele faz da fábrica um refúgio, salvando mais de mil vidas ameaçadas pelo nazismo. Mas para isso é preciso desafiar o regime.

Reign

Narra a história da jovem Mary Stuart da Escócia. Sua chegada à França, aos 15 anos de idade, para formalizar seu noivado com o príncipe Francis e todas as intrigas, lutas pelo poder, forças obscuras e traições que circulam este reinado.

The Crown

Filha do rei George VI (Jared Harris), Elizabeth II (Claire Foy) sempre soube que não teria uma vida comum. Após a morte do seu pai em 1952, ela dá seus primeiros passos em direção ao trono inglês, a começar pelas audiências semanais com os primeiro-ministros ingleses. Ela assume a coroa com apenas 25 anos de idade, mas com grandes compromissos, vêm grandes responsabilidades.

The Tudors

A esplêndida Inglaterra do Século XVIII era reinado de Henrique VIII (Johnathan Rhys Meyers). A série começa quando ele ainda está tentando alcançar o trono, à medida que se distancia de sua esposa e apaixona-se por Ana Bolena (Natalie Dormer). Auxiliado pelo Cardeal Wolsey (Sam Neill), ele chegou ao poder e manteve-se forte apesar das intrigas e armações. Na sua vida privada, ele tenta criar uma maneira de se divorciar de Catarina de Aragão (Marye Doyle Kennedy) para se casar com Ana Bolena, em meio a muitas disputas políticas e esquemas.

Roma – Império de Sangue

Esta mistura de épico histórico e documentário retrata o reinado de Cômodo, o imperador que deu início à derrocada do império romano.

Juana Inés

Juana Inés de la Cruz, uma poderosa freira feminista, se envolve em um caso de amor proibido com uma mulher e encara a opressão no México do século 17.

Shaka Zulu

A minissérie narra o conflito do início do século 19 entre o império britânico em expansão na África e Shaka, líder da grande nação Zulu.


Aproveitem essa chuva de dicas boas!

[Resenha] Uma noiva para Winterborne

Livro: Uma Noiva para Winterborne (Os Ravenels #2)
Autora
: Lisa Kleypas
Tradução: Ana Rodrigues
Ano: 2018
Editora: Arqueiro
Páginas: 336
Sinopse: Rhys Winterborne conquistou uma fortuna incalculável graças a sua ambição ferrenha. Filho de comerciante, ele se acostumou a conseguir exatamente o que quer – nos negócios e em tudo mais. No momento em que conhece a tímida aristocrata lady Helen Ravenel, decide que ela será sua. Se for preciso macular a honra dela para garantir que se case com ele, melhor ainda.
Apesar de sua inocência, a sedução perseverante de Rhys desperta em Helen uma intensa e mútua paixão. Só que Rhys tem muitos inimigos que conspiram contra os dois. Além disso, Helen guarda um segredo sombrio que poderá separá-los para sempre. Os riscos ao amor deles são inimagináveis, mas a recompensa é uma vida inteira de felicidade.

A Lisa não cansa de ser assim surpreendente!

A obra não segue o fluxo usual dos romances de época mais comuns, por isso se não estiver disposto a encarar o desafio e consumir o livro por um todo, esse livro pode não ser pra você, afinal a construção narrativa inicial não faz jus ao todo, mas o todo compreende o conturbado e até esquivo começo, nada de julgar o livro nem pela capa nem pelo ponta pé do princípio.

Rhys Winterborne levanta uma equivocada conclusão acerca de seu caráter ao se mostrar distante e até mesmo egoísta ao lidar com seu noivado, a mente de negociante e escalador social lhe tornou fechado a percepção de que reciprocidade nem sempre exige somas monetárias. Quem lida em uma negociação com ele entende de seu distanciamento e perspicácia, entretanto, o verdadeiro Rhys, aquele sem a armadura de homem de negócios é tocado pela essência gentil e terna de sua noiva, assim se mostrando o mais apaixonado e dedicado amante.

– Ela vai achar você bela demais. E suave demais. Minha mãe não compreende o seu tipo de força.
Helen pareceu satisfeita.
– Você me acha forte?
– Acho – respondeu ele sem hesitar. – Você tem a determinação afiada de uma lâmina de aço – falou ele e, com um olhar sombrio, acrescentou: – Caso contrário, não conseguiria me controlar tão bem.

Helen se assemelha bastante a uma rosa –  não as amadas orquídeas dela -, plácida e subestimada, porém disposta a espetar para proteger a si e àqueles que ama. Com uma personalidade afável e disposta mais a escutar que a dizer, a tornando atenciosa e até mesmo sábia. A vida toda ignorada pelos familiares a ensinou bastante sobre confiar e desconfiar, sua falta de conhecimento sobre o mundo além da bolha em que era obrigada a viver, aumenta seu apetite por aventura e ousadia, é assim que ela revela ter uma calorosa vontade de viver e extrair o que essa expansão do seu mundo pode oferecer.

– Eu preferiria ser jogado em um poço ardente no inferno a voltar ao País de Gales.
Incapaz de tolerá-lo por mais um segundo que fosse, Helen ficou de pé e disse friamente:
– Estou certa de que isso pode ser arranjado, Sr. Vance.

Mais um vez a Lisa não só surpreende com um plot delicioso como também insere seus personagens secundários, dedicando-lhes terna atenção e conquistando o leitor com personalidades diversas, as já conhecidas gêmeas Cassandra e Pandora são o oposto de qualquer bons modos frios e distantes da aristocracia, Pandora ainda mais por sua personalidade liberal e independente. Dessa vez pessoalmente minha atenção está toda centrada numa nova personagem, a Dra. Garreth Gibson, uma médica – levando em conta que nesse período mulheres exerciam papel na área de saúde apenas como enfermeiras – que demonstra pouca disposição a levar qualquer desaforo pra casa, totalmente confiante e certa de si, ela mesma força a porta pra fazer seu caminho, como a própria autora faz questão de assinalar nas notas finais do livro, ela foi moldada como uma visionária, da personalidade ao nome, que por sua vez possui significância histórica relacionada também a primeira médica.

– Dra. Gibson – falou ele, com uma ênfase no “doutora” que soou como um insulto. – Esse é o Sr. Winterborne. O da loja de departamentos. Ele precisa ser tratado por um médico de verdade, com experiência e treinamento adequados, para não mencionar…
– Um pênis? – sugeriu ela com acidez. – Lamento, mas isso eu não tenho. E também não é um pré-requisito para se conseguir um diploma de medicina. Sou uma médica de verdade e, quanto mais rápido eu cuidar do ombro do Sr. Winterborne, melhor será para ele.

É maravilhoso concluir uma leitura e sentir certa realização, as altas expectativas além de atendidas foram confrontadas, com as suntuosas reviravoltas do fluxo da trama, a emoção do leitor é instigada e os sentimentos entre personagens e leitores convergem na maestria da Lisa de moldar a perspectiva para ser vivenciada, devido a isso o mais a sede pelos livros da série aumenta, some isso a esse trabalho editorial divino e é suficiente pra cada aspecto desse livro ser um banquete, mesmo o trecho referente ao livro seguinte da série, Um Acordo Pecaminoso, conquista e ao mesmo tempo resgata aquela lembrança de outra querida série da autora, As Quatro Estações do Amor, mais especificamente o casal inesperado Sebastian e Evie, a vontade reler o Pecados no Inverno é inevitável e muito bem-vindo, inclusive recomendo.


Um livro por semestre é muito sofrimento @Editora Arqueiro!

 

[Resenha] Uma Duquesa Qualquer

Livro: Uma Duquesa Qualquer (Spindle Cove #4)
Autora
: Tessa Dare
Tradução: A. C. Reis
Ano: 2017
Editora: Gutenberg
Páginas: 272
Sinopse: O que fazer com um duque relutante em se casar? A Duquesa de Halford – e mãe de Griffin, o duque libertino, irresponsável, que deseja apenas os prazeres da vida – tem o plano perfeito. Na verdade, ela conhece o lugar perfeito… Spindle Cove.
No paraíso das jovens solteiras, a duquesa insiste para que o filho escolha uma dama. Qualquer uma. E ela a transformará na melhor duquesa de Londres. Griff, então, decide achar alguém que acabará com os planos e com a ideia maluca de forçá-lo a se casar… Ele escolhe a atendente da taverna Touro & Flor, Pauline Simms – que nunca sonhou com duques ou com casamento, mas sim com o dinheiro que possibilitaria uma mudança completa em sua vida e na vida da pobre irmã, Daniela.
O duque e a Srta. Simms estabelecem um acordo: a mãe de Griff tem uma semana para transformar a criada em uma duquesa perfeita, então Pauline deverá ser um desastre durante sete dias e, se tudo der certo (ou melhor, se tudo der completamente errado), receberá mil libras e poderá realizar o sonho de construir a própria biblioteca em Spindle Cove.
Em pouco tempo, porém, o duque é surpreendido ao conhecer Pauline e descobrir que a moça é muito mais do que uma simples atendente, e a atração entre os dois é inevitável. Mas em um mundo em que as classes sociais são o que realmente importa, vence a ambição ou o coração?

Tessa sendo sensacional como sempre!

Se a Tessa não é uma maestra em construir enredos viciantes de romances de época então não sei como explicar o quão gratificante é conhecer mais uma obra dela, não só com personagens tão bem construídos e personalidades únicas, como também inseridos em contextos instigantes e é no mesmo cenário da aparente pacata Spindle Cove que uma duquesa viúva desesperada por manter a linhagem da família, leva o seu filho à força – porém desacordado, é claro – para buscar uma potencial nora e tutorar a escolhida, o que ela não esperava é que seu filho, Griffin, o duque de Duque de Halford tivesse o senso irônico e desafiador de entrar na jogada e fazer disso uma corrida contra o tempo.

Já conhecida e amada por Spindle Cove, a Srta. Pauline Simms é atendente na taberna mais contraditória de todas, a Touro e Flor, cuidando de oferecer conforto tanto a jovens desamparadas e reclusas, como às poucas figuras masculinas que passam por ali, habituada a ler a atmosfera, Pauline percebe quando uma oportunidade de pouca seriedade vai de encontro a ela, não seria diferente quando o o instigante duque a torna a sua “escolhida” duquesa potencial, o inesperado da situação é tão cômico e contraditório, pois ela acredita que de forma alguma um duque a apontaria como sua potencial duquesa, seus modos deixam claro que tem total ciência da situação, mas uma negociação com Griffin e a oportunidade de realizar seu sonho ao lado de sua amada irmã a deixam disposta a embarcar na tutela da duquesa viúva.

– Espero que sua noite tenha sido mais animada do que a minha – ela disse, tranquila. – Depois do jantar, sua mãe me fez ler a Bíblia para melhorar minha dicção. Ela me disse para ler apenas as palavras com R. Rei, Israel, Raquel. Um tédio. – Ela mostrou o livro que tinha em mãos e o abriu na página em que estava. – Agora que encontrei os livros obscenos, o exercício ficou mais interessante. Duro como granito. Encontro carnal.

Griffin com sua péssima fama de festejador e devasso no pior nível da palavra, apareceu num desesperador momento de Minerva e Colin em Uma semana para se perder, mesmo responsável por um dos ducados mais ricos da Grã-Bretanha, Halford demonstra pouca vontade de perpetuar sua linhagem, mesmo que pareça apenas praticar o ato com bastante empenho. Entretanto, o Griffin de outrora não parece mais o mesmo homem relutante em se abrir verdadeiramente com qualquer aqueles a quem ama, uma sombra passada resultada de suas inconsequências parece ser um gatilho que o leva a seguir solitário, amar e temer a perda é mais doloroso e a sombra da dúvida assola seus pensamentos.

– Pauline, estou aqui lhe pedindo, implorando, se for necessário, que você aceite a minha mão. Apenas aceite minha mão, e prometa diante de Deus que nunca irá soltá-la. Eu vou jurar o mesmo. Podemos providenciar para que isso aconteça logo? Em uma igreja? – Depois de um instante, ele acrescentou, em voz baixa: – Por favor?

Com uma narrativa que equilibra o cômico com temas que carregam sua específica seriedade, Tessa apresenta seus personagens despidos de dissimulação, inserindo as características humanas com graça e uma vertente comovente, o que se inicia como uma oportunidade tanto para Pauline, quanto para Griffin se desenvolve em uma amizade e um companheirismo que ambos precisavam, o flerte existe e a atração também, mas o distanciamento de classes sociais torna a aceitação de envolvimento um aparente equívoco e dor para os dois. Se não fosse pela duquesa de Hallford certamente os dois continuariam num rasga seda por um bom tempo, todavia, com sua sabedoria e conhecimento de causa feminino – quem disse que intuição feminina é fraca? – e sobre o próprio filho, a duquesa se revela uma amiga e a mais sábia quanto ao possível enlace de Pauline e Griffin, um casal inesperado porém equilibrado e apaixonantes de se imaginar


JÁ DISSE QUE AMO A TESSA? OK! EU AMO A TESSA