[Resenha Estrangeira] Buns

Livro: Buns (Hudson Valley #3)
Autora
: Alice Clayton
Ano: 2017
Editora: Gallery Books
Páginas: 320
Sinopse: Clara Morgan está vivendo o sonho, se pode chamar renovar hotéis que estão desesperados por uma nova vida e realizar qualquer tipo de maratona como um sonho. Que ela faz. Mas a carreira que ama e a competição de resistência mantêm a adrenalina e ocupada demais para criar raízes. Crescer em um orfanato, não a fez capaz de estabelecer suas próprias tradições, o que pode ser o motivo pelo qual é fascinada pelos rituais que os resorts familiares por gerações são conhecidos. Está especialmente interessada no Bryant Mountain House, e não apenas por sua receita secreta dos pãezinhos gostosos, pegajoso, Hot Cross Buns, que nunca são suficientes…
Archie Bryant, o homem dos Buns, é a quinta geração e dono do charmosa Bryant Mountain House em Bailey Falls, Nova York. Está determinado a salvar o legado de sua família da bola de demolição à moda antiga – ranger os dentes e fazer o que precisa ser feito. Não há como Archie ser influenciado pela nova especialista em renovação de hotel que seu pai trouxe para transformar cento e cinquenta anos de tradição em uma atração para uma multidão mais acelerada, mais jovem e mais astuta. Mas quando algumas das ideias de Clara começam a atrair novos clientes pagantes, Archie não pode negar que pode apenas dar a ele uma chance de manter seu resort aberto.
É complicado, é uma bagunça, é fofo, é Buns.

Adoro livros que são sensuais e engraçados

A Alice nunca decepciona em criar enredos sensuais, porém com uma naturalidade perceptível, aliando com personagens bem construídos e naturalmente hilariantes, mais uma vez a leitura se torna suave e quente na medida certa pra incitar o melhor da imaginação. É fácil de interpretar na construção da autora – o que é certo nos seus livros – que ela tenta conciliar o sexo e o humor, tecendo um imaginário mais descontraído, com a concepção de o sexo não precisa sempre ter aquela atmosfera de sedução sólida, que pode naturalmente ser duas pessoas aproveitando o melhor de um momento compartilhado.

Clara Morgan é uma executiva especialista em revitalizar negócios hoteleiros, além de ótima no que faz, a melhor parte é: ela sabe disso, então não acontece nada de se pôr em dúvida ou se deixar subestimar. Deixada pra cuidar de si desde criança, sua determinação aos 18 de assumir a responsabilidade sobre si, de não precisar de ninguém e deixar bem claro isso a tornou implacável, portanto que não deixe as cicatrizes da falta de alegria da infância e os traumas da negligência tomarem conta do seu presente, Clara empunha sua determinação como uma armadura blindada dos seus sentimentos e da sua dor passada mas então presente, assumindo sua confiança e argumentando para tirar o melhor que um hotel pode oferecer e que ela sabe que pode tornar realidade, o que demonstra sempre é sua capacidade incontestável de persuasão, se apenas sua análise profissional não é crível o suficiente, ela coloca os fatos sobre a mesa sem temer.

“Sou graduada em Gestão hoteleira e trabalho para umas das maiores empresas de restruturação de Hotéis na Nova Inglaterra, transformado diversos hotéis e quer que eu pinte ovos?”
“Baseado no que acabou de dizer, precisa de um pouco de humildade. Também entrou no meu hotel, jogou tudo para o ar e para fora, para não mencionar que me deixou meio louco não só com essa boca mandona, mas com os sons incríveis que faz quando beijo essa boca mandona, e agora, por Deus, é a minha vez de fazer você participar de uma das tradições mais antigas aqui na Bryant Mountain House. Pinte alguns ovos.”

Archibald Bryant, diretamente é Archie – ainda bem, nomes de família não costumam soar atraentes de forma alguma – o herdeiro e defensor do hotel Bryant Montain House, ao contrário de seu pai Jonathan que está disposto a revitalizar o lugar e encher os quartos com hóspedes, Archie é atrelado a tradições, o que pode ser mais fiel como preso ao passado por assim dizer, ser exposto a possibilidade de mudar e apagar lembranças colhidas por anos pelo hotel o põe em uma defensiva espinhosa, porém para sua irritação o fato de que Clara é eficiente e usa argumento como uma espada o deixa a beira de uma explosão, entretanto o bom senso lhe confere a capacidade analisar por alto que para refrescar o ambiente antiquado do hotel não é preciso levar abaixo toda a história que possui, a conquista de sua colaboração é um caminho para a conquista do respeito de Archie.

Sem pensar, pego o telefone e ligo. Ligo para Roxie e ela liga para Natalie. E nós temos uma chamada com as três.
“Meninas, algo está errado com meus olhos,” digo minha voz rouca.
“Quanto vinho você tomou?” Natalie pergunta.
“Duas garrafas.” Dou uma fungada. “Mas não coloquei nos meus olhos.”

Desde o primeiro livro da série, Nuts, que a autora se dedicava a incluir cada personagem que fosse ter seu próprio momento, Clara se mostrava distante, realmente uma personagem que se escondia mesmo das melhores amigas, Roxie e Natalie, em Buns ela se revela tenaz e quando o que parece o maior desafio de sua carreira, o último degrau para o patamar de seu sucesso, ela conclui que o Bryant é o melhor que poderia fazer para se desafiar tanto o hotel quanto o Bryant em pessoa.

Archie ao contrário da expectativa preconizada por personagens de óculos, não é submisso, o homem é um inferno de uma presença e para infeliz – nem tão infeliz assim – conclusão de Morgan, o óculos é apenas o começo de um belo conjunto de astúcia, os dois se envolvem mais do que o necessário, porém bem longe do que precisam, ambos desafiados e intrigados, o desenvolver da atração dos dois é explosiva porém cheia de apelos sedutores, Morgan é uma mulher disposta a tomar o que quer, Archie é um lobo em pele de carneiro.

“Você é irritante,” ele diz, sua voz de aço aquecida. “E é muito baixa.” E com isso, ele me pega contra ele, minhas pernas envolvem desajeitadamente em torno de seus quadris enquanto me segura contra a torre.
Agora, com o nível dos olhos com ele, olho. “Sou exatamente a altura certa.” E enquanto pressiona seus lábios contra meu pescoço, sua língua pula para lamber e chupar minha pele, deixo minha cabeça cair contra a pedra com um baque. “E você é um idiota.”

Mesmo não tendo se aprofundado no drama de abandono da infância da Morgan, até porque não parece ser a proposta principal da Alice discorrer sobre o tema, porém ela não arranha a superfície e sim concilia a personalidade da Morgan com o drama de seu passado, permitindo concluir que uma parte não é todo, assim como no caso do próprio Archie que mesmo sendo uma dor na bunda devido a sua ligação com a tradição, a sua comodidade é testada e refrescada por novos pensamentos, de um lado Morgan é puxada pelo passado, do outro Archie é que precisa se divorciar do seu próprio passado.


Se serve de dica para dar umas risadas deliciosas, recomendo muito os livros da Alice

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[Variedades] Dicas para aproveitar (e muito!) enquanto estuda História

Hoje é dia de dicas (e estudos por que não?)

Quem nunca vive o drama de ter que estudar, tem prova, tem e deve revisar para a tal avaliação, prova ou seja lá o que for, porém a mente está em outro lugar? Outras atividades antes tão banais, agora parecem a melhor realização de todas, olhar pela janela nunca foi tão interessantes, “olha esse céu! Nunca percebi antes, então agora que não tenho para ficar aqui admirando, vou fazer exatamente isso!”

Isso é a procrastinação, para outros, desvio de atenção, mas não tema, sabe a vontade assistir alguma coisa, abrir a Netflix e ficar rolando para cima e para baixo para acabar assistindo nada? Então que tal unir estudo e entretenimento? Quando sua mãe perguntar: “Você não estava estudando?”, você vai simplesmente responder: “Estou aprendendo sobre o reinado britânico da Rainha Elizabeth II”, ou “Mãe, você sabia que o faraó Tutacamôn foi o mais jovem a subir ao trono egípcio?”. Se joga nessa seleção para começar a ver desde já:

TUT

A mini-série que conta com 3 episódios, explora o drama de poder, política, guerra e assassinato, e narra a ascensão do jovem rei Tutancâmon (1333 – 1323 AC) à glória, os seus esforços para governar um império Egípcio caótico e o enigma em torno de sua morte.

A Lista de Schindler

O alemão Oskar Schindler (Liam Neeson) decide usar mão-de-obra judia para abrir uma fábrica na Polônia. Testemunha do massacre aos judeus durante a Segunda Guerra, ele faz da fábrica um refúgio, salvando mais de mil vidas ameaçadas pelo nazismo. Mas para isso é preciso desafiar o regime.

Reign

Narra a história da jovem Mary Stuart da Escócia. Sua chegada à França, aos 15 anos de idade, para formalizar seu noivado com o príncipe Francis e todas as intrigas, lutas pelo poder, forças obscuras e traições que circulam este reinado.

The Crown

Filha do rei George VI (Jared Harris), Elizabeth II (Claire Foy) sempre soube que não teria uma vida comum. Após a morte do seu pai em 1952, ela dá seus primeiros passos em direção ao trono inglês, a começar pelas audiências semanais com os primeiro-ministros ingleses. Ela assume a coroa com apenas 25 anos de idade, mas com grandes compromissos, vêm grandes responsabilidades.

The Tudors

A esplêndida Inglaterra do Século XVIII era reinado de Henrique VIII (Johnathan Rhys Meyers). A série começa quando ele ainda está tentando alcançar o trono, à medida que se distancia de sua esposa e apaixona-se por Ana Bolena (Natalie Dormer). Auxiliado pelo Cardeal Wolsey (Sam Neill), ele chegou ao poder e manteve-se forte apesar das intrigas e armações. Na sua vida privada, ele tenta criar uma maneira de se divorciar de Catarina de Aragão (Marye Doyle Kennedy) para se casar com Ana Bolena, em meio a muitas disputas políticas e esquemas.

Roma – Império de Sangue

Esta mistura de épico histórico e documentário retrata o reinado de Cômodo, o imperador que deu início à derrocada do império romano.

Juana Inés

Juana Inés de la Cruz, uma poderosa freira feminista, se envolve em um caso de amor proibido com uma mulher e encara a opressão no México do século 17.

Shaka Zulu

A minissérie narra o conflito do início do século 19 entre o império britânico em expansão na África e Shaka, líder da grande nação Zulu.


Aproveitem essa chuva de dicas boas!

[Resenha] Uma noiva para Winterborne

Livro: Uma Noiva para Winterborne (Os Ravenels #2)
Autora
: Lisa Kleypas
Tradução: Ana Rodrigues
Ano: 2018
Editora: Arqueiro
Páginas: 336
Sinopse: Rhys Winterborne conquistou uma fortuna incalculável graças a sua ambição ferrenha. Filho de comerciante, ele se acostumou a conseguir exatamente o que quer – nos negócios e em tudo mais. No momento em que conhece a tímida aristocrata lady Helen Ravenel, decide que ela será sua. Se for preciso macular a honra dela para garantir que se case com ele, melhor ainda.
Apesar de sua inocência, a sedução perseverante de Rhys desperta em Helen uma intensa e mútua paixão. Só que Rhys tem muitos inimigos que conspiram contra os dois. Além disso, Helen guarda um segredo sombrio que poderá separá-los para sempre. Os riscos ao amor deles são inimagináveis, mas a recompensa é uma vida inteira de felicidade.

A Lisa não cansa de ser assim surpreendente!

A obra não segue o fluxo usual dos romances de época mais comuns, por isso se não estiver disposto a encarar o desafio e consumir o livro por um todo, esse livro pode não ser pra você, afinal a construção narrativa inicial não faz jus ao todo, mas o todo compreende o conturbado e até esquivo começo, nada de julgar o livro nem pela capa nem pelo ponta pé do princípio.

Rhys Winterborne levanta uma equivocada conclusão acerca de seu caráter ao se mostrar distante e até mesmo egoísta ao lidar com seu noivado, a mente de negociante e escalador social lhe tornou fechado a percepção de que reciprocidade nem sempre exige somas monetárias. Quem lida em uma negociação com ele entende de seu distanciamento e perspicácia, entretanto, o verdadeiro Rhys, aquele sem a armadura de homem de negócios é tocado pela essência gentil e terna de sua noiva, assim se mostrando o mais apaixonado e dedicado amante.

– Ela vai achar você bela demais. E suave demais. Minha mãe não compreende o seu tipo de força.
Helen pareceu satisfeita.
– Você me acha forte?
– Acho – respondeu ele sem hesitar. – Você tem a determinação afiada de uma lâmina de aço – falou ele e, com um olhar sombrio, acrescentou: – Caso contrário, não conseguiria me controlar tão bem.

Helen se assemelha bastante a uma rosa –  não as amadas orquídeas dela -, plácida e subestimada, porém disposta a espetar para proteger a si e àqueles que ama. Com uma personalidade afável e disposta mais a escutar que a dizer, a tornando atenciosa e até mesmo sábia. A vida toda ignorada pelos familiares a ensinou bastante sobre confiar e desconfiar, sua falta de conhecimento sobre o mundo além da bolha em que era obrigada a viver, aumenta seu apetite por aventura e ousadia, é assim que ela revela ter uma calorosa vontade de viver e extrair o que essa expansão do seu mundo pode oferecer.

– Eu preferiria ser jogado em um poço ardente no inferno a voltar ao País de Gales.
Incapaz de tolerá-lo por mais um segundo que fosse, Helen ficou de pé e disse friamente:
– Estou certa de que isso pode ser arranjado, Sr. Vance.

Mais um vez a Lisa não só surpreende com um plot delicioso como também insere seus personagens secundários, dedicando-lhes terna atenção e conquistando o leitor com personalidades diversas, as já conhecidas gêmeas Cassandra e Pandora são o oposto de qualquer bons modos frios e distantes da aristocracia, Pandora ainda mais por sua personalidade liberal e independente. Dessa vez pessoalmente minha atenção está toda centrada numa nova personagem, a Dra. Garreth Gibson, uma médica – levando em conta que nesse período mulheres exerciam papel na área de saúde apenas como enfermeiras – que demonstra pouca disposição a levar qualquer desaforo pra casa, totalmente confiante e certa de si, ela mesma força a porta pra fazer seu caminho, como a própria autora faz questão de assinalar nas notas finais do livro, ela foi moldada como uma visionária, da personalidade ao nome, que por sua vez possui significância histórica relacionada também a primeira médica.

– Dra. Gibson – falou ele, com uma ênfase no “doutora” que soou como um insulto. – Esse é o Sr. Winterborne. O da loja de departamentos. Ele precisa ser tratado por um médico de verdade, com experiência e treinamento adequados, para não mencionar…
– Um pênis? – sugeriu ela com acidez. – Lamento, mas isso eu não tenho. E também não é um pré-requisito para se conseguir um diploma de medicina. Sou uma médica de verdade e, quanto mais rápido eu cuidar do ombro do Sr. Winterborne, melhor será para ele.

É maravilhoso concluir uma leitura e sentir certa realização, as altas expectativas além de atendidas foram confrontadas, com as suntuosas reviravoltas do fluxo da trama, a emoção do leitor é instigada e os sentimentos entre personagens e leitores convergem na maestria da Lisa de moldar a perspectiva para ser vivenciada, devido a isso o mais a sede pelos livros da série aumenta, some isso a esse trabalho editorial divino e é suficiente pra cada aspecto desse livro ser um banquete, mesmo o trecho referente ao livro seguinte da série, Um Acordo Pecaminoso, conquista e ao mesmo tempo resgata aquela lembrança de outra querida série da autora, As Quatro Estações do Amor, mais especificamente o casal inesperado Sebastian e Evie, a vontade reler o Pecados no Inverno é inevitável e muito bem-vindo, inclusive recomendo.


Um livro por semestre é muito sofrimento @Editora Arqueiro!

 

[Resenha] Uma Duquesa Qualquer

Livro: Uma Duquesa Qualquer (Spindle Cove #4)
Autora
: Tessa Dare
Tradução: A. C. Reis
Ano: 2017
Editora: Gutenberg
Páginas: 272
Sinopse: O que fazer com um duque relutante em se casar? A Duquesa de Halford – e mãe de Griffin, o duque libertino, irresponsável, que deseja apenas os prazeres da vida – tem o plano perfeito. Na verdade, ela conhece o lugar perfeito… Spindle Cove.
No paraíso das jovens solteiras, a duquesa insiste para que o filho escolha uma dama. Qualquer uma. E ela a transformará na melhor duquesa de Londres. Griff, então, decide achar alguém que acabará com os planos e com a ideia maluca de forçá-lo a se casar… Ele escolhe a atendente da taverna Touro & Flor, Pauline Simms – que nunca sonhou com duques ou com casamento, mas sim com o dinheiro que possibilitaria uma mudança completa em sua vida e na vida da pobre irmã, Daniela.
O duque e a Srta. Simms estabelecem um acordo: a mãe de Griff tem uma semana para transformar a criada em uma duquesa perfeita, então Pauline deverá ser um desastre durante sete dias e, se tudo der certo (ou melhor, se tudo der completamente errado), receberá mil libras e poderá realizar o sonho de construir a própria biblioteca em Spindle Cove.
Em pouco tempo, porém, o duque é surpreendido ao conhecer Pauline e descobrir que a moça é muito mais do que uma simples atendente, e a atração entre os dois é inevitável. Mas em um mundo em que as classes sociais são o que realmente importa, vence a ambição ou o coração?

Tessa sendo sensacional como sempre!

Se a Tessa não é uma maestra em construir enredos viciantes de romances de época então não sei como explicar o quão gratificante é conhecer mais uma obra dela, não só com personagens tão bem construídos e personalidades únicas, como também inseridos em contextos instigantes e é no mesmo cenário da aparente pacata Spindle Cove que uma duquesa viúva desesperada por manter a linhagem da família, leva o seu filho à força – porém desacordado, é claro – para buscar uma potencial nora e tutorar a escolhida, o que ela não esperava é que seu filho, Griffin, o duque de Duque de Halford tivesse o senso irônico e desafiador de entrar na jogada e fazer disso uma corrida contra o tempo.

Já conhecida e amada por Spindle Cove, a Srta. Pauline Simms é atendente na taberna mais contraditória de todas, a Touro e Flor, cuidando de oferecer conforto tanto a jovens desamparadas e reclusas, como às poucas figuras masculinas que passam por ali, habituada a ler a atmosfera, Pauline percebe quando uma oportunidade de pouca seriedade vai de encontro a ela, não seria diferente quando o o instigante duque a torna a sua “escolhida” duquesa potencial, o inesperado da situação é tão cômico e contraditório, pois ela acredita que de forma alguma um duque a apontaria como sua potencial duquesa, seus modos deixam claro que tem total ciência da situação, mas uma negociação com Griffin e a oportunidade de realizar seu sonho ao lado de sua amada irmã a deixam disposta a embarcar na tutela da duquesa viúva.

– Espero que sua noite tenha sido mais animada do que a minha – ela disse, tranquila. – Depois do jantar, sua mãe me fez ler a Bíblia para melhorar minha dicção. Ela me disse para ler apenas as palavras com R. Rei, Israel, Raquel. Um tédio. – Ela mostrou o livro que tinha em mãos e o abriu na página em que estava. – Agora que encontrei os livros obscenos, o exercício ficou mais interessante. Duro como granito. Encontro carnal.

Griffin com sua péssima fama de festejador e devasso no pior nível da palavra, apareceu num desesperador momento de Minerva e Colin em Uma semana para se perder, mesmo responsável por um dos ducados mais ricos da Grã-Bretanha, Halford demonstra pouca vontade de perpetuar sua linhagem, mesmo que pareça apenas praticar o ato com bastante empenho. Entretanto, o Griffin de outrora não parece mais o mesmo homem relutante em se abrir verdadeiramente com qualquer aqueles a quem ama, uma sombra passada resultada de suas inconsequências parece ser um gatilho que o leva a seguir solitário, amar e temer a perda é mais doloroso e a sombra da dúvida assola seus pensamentos.

– Pauline, estou aqui lhe pedindo, implorando, se for necessário, que você aceite a minha mão. Apenas aceite minha mão, e prometa diante de Deus que nunca irá soltá-la. Eu vou jurar o mesmo. Podemos providenciar para que isso aconteça logo? Em uma igreja? – Depois de um instante, ele acrescentou, em voz baixa: – Por favor?

Com uma narrativa que equilibra o cômico com temas que carregam sua específica seriedade, Tessa apresenta seus personagens despidos de dissimulação, inserindo as características humanas com graça e uma vertente comovente, o que se inicia como uma oportunidade tanto para Pauline, quanto para Griffin se desenvolve em uma amizade e um companheirismo que ambos precisavam, o flerte existe e a atração também, mas o distanciamento de classes sociais torna a aceitação de envolvimento um aparente equívoco e dor para os dois. Se não fosse pela duquesa de Hallford certamente os dois continuariam num rasga seda por um bom tempo, todavia, com sua sabedoria e conhecimento de causa feminino – quem disse que intuição feminina é fraca? – e sobre o próprio filho, a duquesa se revela uma amiga e a mais sábia quanto ao possível enlace de Pauline e Griffin, um casal inesperado porém equilibrado e apaixonantes de se imaginar


JÁ DISSE QUE AMO A TESSA? OK! EU AMO A TESSA

[Resenha] Contos de Areia e Mar

Livro: Contos de Areia e Mar
Autora
: Alwyn Hamilton
Tradução: Eric Novello
Ano: 2018
Editora: Seguinte
Páginas: 64
Sinopse: Em “O carregamento roubado”, acompanhe uma aventura de Jin e Ahmed em alto-mar, antes de voltarem ao país e darem início à rebelião. Em “A garota do mar”, veja como duas mulheres se conheceram no harém do sultão e fizeram de tudo para escapar da opressão que sofriam.
Em “A lenda do herói Attallah e da princesa Hawa”, conheça em detalhes a história mítica desse casal unido na vida e na morte. Por fim, em “O djinni e a fugitiva”, saiba como Zahia, mãe de Amani, se apaixonou pelo verdadeiro pai da garota.

Antologias sempre são uma correnteza de emoções

E Alwyn volta com uma coletânea de contos do universo de A Rebelde do Deserto, dessa vez ela emociona ao expor fatos passados que formaram contos e criaram os rebeliões de Mirajin, desde sempre fica claro que ali nada acontece por acaso e o passado não é alheio ao futuro, mas o farol que guiou a ele. Dividindo em quatro contos, a obra inicia com o passado dos príncipes irmãos Jin e Ahmed enquanto viviam e arriscavam a vida para sobreviver em Xicha, munidos de coragem, ousadia e o desejo de libertar pessoas de destinos que eles conhecem de perto, os irmãos demonstram esperteza e novamente os traços de personalidade que já os fez divergir em momentos cruciais se tornam claros, enquanto Jin é ousado e até mesmo inconsequente, Ahmed prefere manter a prudência e garantir que as consequências sejam previstas para anteceder a qualquer desastre, ou seja, um prefere agir e o outro planejar.

E mais uma vez ela se sentiu partida ao meio. Só que agora era seu luto em conflito com sua determinação. Ela não deixaria aquela criança morrer. Não permitiria que a morte de Nadira fosse em vão.

Em sequência, a história trágica da garota do mar e do deserto, Lien que após perder sua família é vendida para o palácio para ser mais uma no harém do odioso sultão, onde conhece sua amiga e irmã do deserto, a sultima Nadira, como já se sabe a sultima perde a vida, por isso se trata de um conto triste, porém conhecer a conexão das duas que partilham um tenebroso destino, presas aos muros do palácio, ao mesmo tempo em que o apoio silencioso entre ambas se torna o companheirismo de que precisavam para resguardar alguma felicidade, tanto Lien quanto Nadira se tornaram a família que já não possuíam e pela qual ansiavam, mesmo que para Lien, Nadira fosse apática à sua gaiola dourada.

Hawa pensava que, se Attallah morresse, seu coração se despedaçaria de forma irreparável, e ela também partiria. Mas ao ver seu amor cair da muralha, foi o coração do guerreiro que se partiu, e ele morreu com a espada em punho.

Alguns fatos que foram brevemente inseridos principalmente em A Traidora do Trono sob formas de reflexões são redigidos agora, no conto sobre o herói Atallah e a princesa Hawa, a questão de interpretação sobre a origem das capacidades de Hawa de trazer o sol consigo e a origem da ligação de vida entre humanos e demdjis, os dons sobrenaturais de Hawa escondidos por séculos, se tornaram lendários, porém escondiam a verdade da filha do primeiro sultão de Mirajin.

Lá fora, a menina ergueu a arma. Apontou para uma lata e disparou um tiro mirado com perfeição, que a mandou girando para a areia.
Zahia soube na mesma hora como aquilo terminaria. Sua filha imprudente e ousada segurando uma arma. Ela se defenderia e seria enforcada por isso.

Ao mesmo tempo no conto sobre a fugitiva da Vila da Poeira, Zahia, é uma jovem em seus 19 anos, buscando sua liberdade e sobrevivência ao fugir desse lugar inóspito de qualquer empatia e bons sentimentos e ao mesmo tempo de um casamento fadado a causar sua destruição, todavia, no caminho de escapar encontra uma estranha figura que embora presa e incapacitada não demonstra sinais de aflição, sua aura sobrenatural e sua fraqueza perante o ferro delatam sua existência mágica, Bahadur, pai de Amani. Enfim o momento em que Zahia mudou toda a roda do destino e que Bahadur outra vez interveio na história de Mirajin, mostrando sua eminente afeição aos humanos, àqueles a quem os djinnis moldaram para salvá-los da ruína de uma escuridão absoluta.


Duas palavras: Quero mais!

[Resenha] Mais forte que o sol

Livro: Mais Forte que o Sol (Irmãs Lyndon #2)
Autora
: Julia Quinn
Tradução: Viviane Diniz
Ano: 2018
Editora: Arqueiro
Páginas: 288
Sinopse: Quando Charles Wycombe, o irresistível conde de Billington, cai de uma árvore – literalmente aos pés de Elllie Lyndon –, nenhum dos dois suspeita que esse encontro atrapalhado possa acabar em casamento.
Mas o conde precisa se casar antes de completar 30 anos, do contrário perderá sua fortuna. Ellie, por sua vez, tem que arranjar um marido ou a noiva intrometida e detestável de seu pai escolherá qualquer um para ela. Por isso o moço alto, bonito e galanteador que surge aparentemente do nada em sua vida parece ter caído do céu.
Charles e Ellie se entregam, então, a um casamento de conveniência, ela determinada a manter a independência e ele a continuar, na prática, como um homem solteiro.
No entanto, a química entre os dois é avassaladora e, enquanto um beijo leva a outro, a dupla improvável descobre que seu casamento não foi tão inconveniente assim, afinal…

Esse deve ser o romance de época mais hilário desse ano

O que acontece quando um homem adulto despenca de uma árvore quase em cima de você? Eleanor Lyndon pode responder essa, porque é quando o audaz conde de Billington, Charles, despenca quase em sua cabeça – não em seu colo, devo ratificar – que uma série de acontecimentos tornam a presença inesperada desse estranho e charmoso homem em sua vida, bastante oportuna, até mesmo a proposta precipitada de casamento que ela recebe desse estranho, lhe soa como algo familiar, uma negociação. Ainda solteira, Ellie mora com seu pai, também vigário local, um homem difícil e de opiniões rígidas, só que o pior está por vir:  o Sr. Lyndon está para casar, seria ótimo para Ellie ter uma madrasta após perder sua mãe e o recente casamento de sua irmã Victoria.

Entretanto esse enlace de seu pai é a prévia de um pesadelo, além da mulher ser uma nata fofoqueira, a megera Sra. Floxglove acredita que deve a todo custo impor uma hierarquia numa casa que sequer é sua ainda – apesar de estar sempre como uma assombração nela -, prometendo criar uma atmosfera insuportável para a jovem Lyndon. Casamento não é o que Ellie esperava para ter sua independência, mesmo sendo administradora das suas finanças, sem o nome de um homem atrelado a si, ela pouco pode fazer além de esconder suas intenções e interesses próprios.

– Está dizendo que provei minha inteligência superior pela minha capacidade de resistir aos seus encantos? – Ellie começou a rir. – Que maravilha. A única mulher inteligente o suficiente para ser sua condessa é aquela que enxerga seu caráter leviano.
– Algo assim – murmurou Charles, detestando a maneira como ela distorcera suas palavras, mas sem conseguir descobrir uma forma de distorcê-las de volta a seu favor.

Ellie Lydon é – quase – totalmente dona de si, mesmo com as limitações de ser mulher em pleno século XIX, ela sabiamente usa subterfúgios pra expandir suas próprias condições, sejam intelectuais ou financeiras, a mulher é uma administradora nata, usando sua sagacidade e perspicácia pra investir em ações e preparar um futuro pra si. Delimitada e subestimada, ela decide dar um basta na sua condição de submissão às vontades alheias e propõe ao conde Billington uma negociação com os termos claros para que ambos possam ter vantagens no enlace matrimonial, se ela mantiver tanto a posse, quanto o livre arbítrio na gestão de seus bens, o conde continua com sua fortuna e ela, com sua independência e sua inteligência  reconhecida, ela só não contava que sua falta óbvia de experiência com casamentos e o magnetismo de Charles se tornasse uma equação que ela não consegue compreender.

– Se está tentando me seduzir, não vai funcionar – disse ela francamente.
Ele abriu um sorriso charmoso e malicioso.
– Não estou tentando seduzi-la, querida Eleanor. Nunca empreenderia uma tarefa tão colossal. Afinal, você é nobre; você é reta; você é constituída de material sólido.
Colocado dessa forma, Ellie pensou que ela mais parecia um tronco de árvore.
– E o que isso significa? – grunhiu ela.
– Ora, é simples, Ellie. Acho que você deveria me seduzir!

Charles Wycombe é a síntese de confusão, belo, charmoso, cheio de lábia e um libertino convicto – entretanto como já citado pela sábia Lady Whistledown, libertinos regenerados tendem a ser os melhores maridos -, todavia esse libertino em questão almeja a tal troca de votos matrimoniais, toda a sua fortuna depende disso e um conde pobre é o mesmo que uma meia furada, ou seja, um mau negócio. Com seu tempo esgotando ele acredita ter pousado na sua solução – ou quase esmagado ela, depende do ponto de vista -, a impetuosa mulher que lhe tratou firmemente e não mantém a língua ferina sob controle é um deleite, seus sentidos ficam entusiasmados por desfrutar da companhia de uma personalidade tão irritantemente ardente, assim como ele, ela não cede facilmente e os conflitos entre ambos são de matar ou dar risada, as vezes, um pouco dos dois.

– Sim, sim, é claro – respondeu Judith. – Bom dia para você, Charles, mas terá que sair.
Ellie abafou uma risada.
– E por quê? – perguntou ele.
– Tenho assuntos extremamente importantes para tratar com Ellie. Assuntos particulares.
– É mesmo?
Judith ergueu as sobrancelhas com uma expressão altiva que, de alguma forma, adequava-se de modo perfeito aos seus 6 anos.
– Sim. Mas pode ficar enquanto dou o presente de Ellie.
– Que generoso de sua parte – declarou Charles.

A trama orna tão bem com a forma de construção do enredo que aquela visão temerosa por se tratar de um casamento de conveniência é simplesmente esquecida, afinal o temperamento e esperteza de ambos torna uma situação que poderia ser entristecedora, uma negociação bem humorada. Com o fator de os personagens secundários deixarem marcas consideráveis no desenvolvimento dos protagonistas, um grande destaque vai para Judith, uma garota de 6 anos, tão certa dos seus desejos que acabo nutrindo um anseio por acompanhar também o crescimento dela – poderia facilmente ter o próprio livro, é o que sugiro Quinn -, sendo impossível ignorar uma personalidade tão intensa em um corpinho tão pequeno.

Some isso a construção de caráter dos personagens e as farpas que eles trocam que são deliciosamente intrigantes, cada um exibe características que os tornam mais humanos e a sensitividade do leitor quanto a isso acontece de forma natural, Ellie com sua animosidade e ferrenha força de vontade e, Charles que apesar de toda imagem de homem libertino avassalador de corações exibe uma predileção bastante inimaginável por – rufem os tambores – listas, isso mesmo, aquela construção cheia de lógica em geral usada para tarefas diárias.

– Ah, Charles. Fico tão feliz que tenha caído daquela árvore.
Ele sorriu.
– E eu fico feliz que você estivesse ali embaixo. Tenho, sem dúvida, uma mira excelente.
– E grande modéstia também.

A Julia faz uma troca de características que seriam atribuídas ao homem e mulher, tornando o enredo afável e uma fuga ao usual, de maneira brilhante ela atrela a dramatização com um mistério leve, onde para solucionar os dramas dos personagens, ele retornam ao passado, costurando causa e consequência, com a sagacidade marcante de justificar o título do livro e marcar a presença dele de maneira interpretativa do sol tanto na personalidade dos personagens, quanto no cabelo ruivo de Ellie, um verdadeiro banquete literário, vestido com uma capa excepcional e calorosamente linda.


A pior missão de escrever essa resenha:  escolher os trechos favoritos,
dava para colocar o livro absolutamente todo!

[Resenha] Os Segredos dos Olhos de Lady Clare

Livro: Os Segredos dos Olhos de Lady Clare
Autora: Carol Townend
Ano: 2018
Editora: Harlequin
Páginas: 288
Sinopse: Enquanto investiga a causa do aumento de bandidos em Troyes, sir Arthur Ferrer encontra a misteriosa Clare, uma possível filha ilegítima do conde de Fontaine, da Bretanha. Ele então percebe que ela pode ser a chave para a sua própria salvação.
A honra exige que Arthur a leve até o pai para que possa ser reconhecida mas o desejo prefere que ela fique em seus braços. Será possível conciliar honra e desejo?
A autora Carol Townend mais uma vez convida as leitoras para uma viagem inesquecível de volta a condados, cortes e reinos e às incríveis histórias de amor entre nobres da (nem tão) alta sociedade da época

Clara leva o leitor a um período medieval para narrar a vida da misteriosa Clare

Vivendo em eterno temor de se distanciar de onde vive a se esconder, Clare acaba por acompanha a jovem Nell ao Torneio da Noite de Reis, tentando esconder parte de seu pânico e passado como uma pária e escrava, nessa mesma ida ao evento de cavaleiros no torneio ela é dragada pela imprevisibilidade do destino devido a presença de um famoso e temível vendedor de escravos. Nesse meio tempo conhece Artur, um cavaleiro que fica atraído pelos olhos dispares dela, uma característica que ele já observou em outra pessoa, ele se demonstra disposto a ajudá-la a reencontrar seu verdadeiro eu a muito esquecido, porém ao que parece, presente em seus olhos, olhos esses peculiares e inesquecíveis, mesmo seus ruivos cabelos lhe conferem uma aparência destoante e como fugitiva do passado são como faróis para sua presença aonde vá.

Será que um dia conseguiria a liberdade? Algumas vezes, Clare era só dúvidas e tristeza. Aquele era um desses dias. Não importava o que fizesse, o pesadelo estava sempre rondando. As pessoas não conseguiam evitar fitar seus olhos destoantes, um azul acinzentado e outro verde. Olhos assim eram impossíveis de se esconder.

Mesmo se mostrando benevolente e disposto a ajudar Clare, Artur também possui um interesse pessoal em “resgatar” ela, porém com sua conturbada experiência sujeita a submissão contra a sua vontade, Clare teme que a boa vontade de Artur seja algum tipo de armadilha, só depois que ela cede e arrisca o seguir para descobrir quem ela pode ser e o que já foi, mas sempre atenta, sua timidez observada no início da trama vai dando lugar a uma mulher tenaz e auto consciente. Assim como Clare esconde cicatrizes, Artur mantém suas feridas ocultas e tenta remediá-las, pouco a pouco reconstruindo um novo objetivo, ele se descobre ainda mais envolvido com Clare a descoberta de que ela lhe é querida bem mais do que ele reconhecia no início da jornada deles é um avanço de aceitação e desafio.

Clare não era seu bem-querer. Um cavaleiro sem terras não tinha nada a oferecer a alguém como ela. Era preciso se lembrar do que havia acontecido com sua mãe, a maneira como fora marginalizada porque havia tido um filho fora do casamento. Isso não aconteceria com Clare.

Carol Towend tem um escrita apreciável e sua liberdade em desenvolver seus personagens no tempo certo é bem tecida, envolvendo dramas e mistérios torna o romance ainda mais atrativo para o desfrute de uma boa leitura, tanto Clare, quando Artur possuem seus espaços narrativos, tendo suas lamúrias e sentimentos expostos ao leitor com uma franqueza auto deliberada de cada um, não podem deixar o passado para trás, portanto necessitam de coragem para tentar um futuro.


Um romance medieval encantador de ler