[Resenha] Uma Duquesa Qualquer

Livro: Uma Duquesa Qualquer (Spindle Cove #4)
Autora
: Tessa Dare
Tradução: A. C. Reis
Ano: 2017
Editora: Gutenberg
Páginas: 272
Sinopse: O que fazer com um duque relutante em se casar? A Duquesa de Halford – e mãe de Griffin, o duque libertino, irresponsável, que deseja apenas os prazeres da vida – tem o plano perfeito. Na verdade, ela conhece o lugar perfeito… Spindle Cove.
No paraíso das jovens solteiras, a duquesa insiste para que o filho escolha uma dama. Qualquer uma. E ela a transformará na melhor duquesa de Londres. Griff, então, decide achar alguém que acabará com os planos e com a ideia maluca de forçá-lo a se casar… Ele escolhe a atendente da taverna Touro & Flor, Pauline Simms – que nunca sonhou com duques ou com casamento, mas sim com o dinheiro que possibilitaria uma mudança completa em sua vida e na vida da pobre irmã, Daniela.
O duque e a Srta. Simms estabelecem um acordo: a mãe de Griff tem uma semana para transformar a criada em uma duquesa perfeita, então Pauline deverá ser um desastre durante sete dias e, se tudo der certo (ou melhor, se tudo der completamente errado), receberá mil libras e poderá realizar o sonho de construir a própria biblioteca em Spindle Cove.
Em pouco tempo, porém, o duque é surpreendido ao conhecer Pauline e descobrir que a moça é muito mais do que uma simples atendente, e a atração entre os dois é inevitável. Mas em um mundo em que as classes sociais são o que realmente importa, vence a ambição ou o coração?

Tessa sendo sensacional como sempre!

Se a Tessa não é uma maestra em construir enredos viciantes de romances de época então não sei como explicar o quão gratificante é conhecer mais uma obra dela, não só com personagens tão bem construídos e personalidades únicas, como também inseridos em contextos instigantes e é no mesmo cenário da aparente pacata Spindle Cove que uma duquesa viúva desesperada por manter a linhagem da família, leva o seu filho à força – porém desacordado, é claro – para buscar uma potencial nora e tutorar a escolhida, o que ela não esperava é que seu filho, Griffin, o duque de Duque de Halford tivesse o senso irônico e desafiador de entrar na jogada e fazer disso uma corrida contra o tempo.

Já conhecida e amada por Spindle Cove, a Srta. Pauline Simms é atendente na taberna mais contraditória de todas, a Touro e Flor, cuidando de oferecer conforto tanto a jovens desamparadas e reclusas, como às poucas figuras masculinas que passam por ali, habituada a ler a atmosfera, Pauline percebe quando uma oportunidade de pouca seriedade vai de encontro a ela, não seria diferente quando o o instigante duque a torna a sua “escolhida” duquesa potencial, o inesperado da situação é tão cômico e contraditório, pois ela acredita que de forma alguma um duque a apontaria como sua potencial duquesa, seus modos deixam claro que tem total ciência da situação, mas uma negociação com Griffin e a oportunidade de realizar seu sonho ao lado de sua amada irmã a deixam disposta a embarcar na tutela da duquesa viúva.

– Espero que sua noite tenha sido mais animada do que a minha – ela disse, tranquila. – Depois do jantar, sua mãe me fez ler a Bíblia para melhorar minha dicção. Ela me disse para ler apenas as palavras com R. Rei, Israel, Raquel. Um tédio. – Ela mostrou o livro que tinha em mãos e o abriu na página em que estava. – Agora que encontrei os livros obscenos, o exercício ficou mais interessante. Duro como granito. Encontro carnal.

Griffin com sua péssima fama de festejador e devasso no pior nível da palavra, apareceu num desesperador momento de Minerva e Colin em Uma semana para se perder, mesmo responsável por um dos ducados mais ricos da Grã-Bretanha, Halford demonstra pouca vontade de perpetuar sua linhagem, mesmo que pareça apenas praticar o ato com bastante empenho. Entretanto, o Griffin de outrora não parece mais o mesmo homem relutante em se abrir verdadeiramente com qualquer aqueles a quem ama, uma sombra passada resultada de suas inconsequências parece ser um gatilho que o leva a seguir solitário, amar e temer a perda é mais doloroso e a sombra da dúvida assola seus pensamentos.

– Pauline, estou aqui lhe pedindo, implorando, se for necessário, que você aceite a minha mão. Apenas aceite minha mão, e prometa diante de Deus que nunca irá soltá-la. Eu vou jurar o mesmo. Podemos providenciar para que isso aconteça logo? Em uma igreja? – Depois de um instante, ele acrescentou, em voz baixa: – Por favor?

Com uma narrativa que equilibra o cômico com temas que carregam sua específica seriedade, Tessa apresenta seus personagens despidos de dissimulação, inserindo as características humanas com graça e uma vertente comovente, o que se inicia como uma oportunidade tanto para Pauline, quanto para Griffin se desenvolve em uma amizade e um companheirismo que ambos precisavam, o flerte existe e a atração também, mas o distanciamento de classes sociais torna a aceitação de envolvimento um aparente equívoco e dor para os dois. Se não fosse pela duquesa de Hallford certamente os dois continuariam num rasga seda por um bom tempo, todavia, com sua sabedoria e conhecimento de causa feminino – quem disse que intuição feminina é fraca? – e sobre o próprio filho, a duquesa se revela uma amiga e a mais sábia quanto ao possível enlace de Pauline e Griffin, um casal inesperado porém equilibrado e apaixonantes de se imaginar


JÁ DISSE QUE AMO A TESSA? OK! EU AMO A TESSA

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[Resenha] Contos de Areia e Mar

Livro: Contos de Areia e Mar
Autora
: Alwyn Hamilton
Tradução: Eric Novello
Ano: 2018
Editora: Seguinte
Páginas: 64
Sinopse: Em “O carregamento roubado”, acompanhe uma aventura de Jin e Ahmed em alto-mar, antes de voltarem ao país e darem início à rebelião. Em “A garota do mar”, veja como duas mulheres se conheceram no harém do sultão e fizeram de tudo para escapar da opressão que sofriam.
Em “A lenda do herói Attallah e da princesa Hawa”, conheça em detalhes a história mítica desse casal unido na vida e na morte. Por fim, em “O djinni e a fugitiva”, saiba como Zahia, mãe de Amani, se apaixonou pelo verdadeiro pai da garota.

Antologias sempre são uma correnteza de emoções

E Alwyn volta com uma coletânea de contos do universo de A Rebelde do Deserto, dessa vez ela emociona ao expor fatos passados que formaram contos e criaram os rebeliões de Mirajin, desde sempre fica claro que ali nada acontece por acaso e o passado não é alheio ao futuro, mas o farol que guiou a ele. Dividindo em quatro contos, a obra inicia com o passado dos príncipes irmãos Jin e Ahmed enquanto viviam e arriscavam a vida para sobreviver em Xicha, munidos de coragem, ousadia e o desejo de libertar pessoas de destinos que eles conhecem de perto, os irmãos demonstram esperteza e novamente os traços de personalidade que já os fez divergir em momentos cruciais se tornam claros, enquanto Jin é ousado e até mesmo inconsequente, Ahmed prefere manter a prudência e garantir que as consequências sejam previstas para anteceder a qualquer desastre, ou seja, um prefere agir e o outro planejar.

E mais uma vez ela se sentiu partida ao meio. Só que agora era seu luto em conflito com sua determinação. Ela não deixaria aquela criança morrer. Não permitiria que a morte de Nadira fosse em vão.

Em sequência, a história trágica da garota do mar e do deserto, Lien que após perder sua família é vendida para o palácio para ser mais uma no harém do odioso sultão, onde conhece sua amiga e irmã do deserto, a sultima Nadira, como já se sabe a sultima perde a vida, por isso se trata de um conto triste, porém conhecer a conexão das duas que partilham um tenebroso destino, presas aos muros do palácio, ao mesmo tempo em que o apoio silencioso entre ambas se torna o companheirismo de que precisavam para resguardar alguma felicidade, tanto Lien quanto Nadira se tornaram a família que já não possuíam e pela qual ansiavam, mesmo que para Lien, Nadira fosse apática à sua gaiola dourada.

Hawa pensava que, se Attallah morresse, seu coração se despedaçaria de forma irreparável, e ela também partiria. Mas ao ver seu amor cair da muralha, foi o coração do guerreiro que se partiu, e ele morreu com a espada em punho.

Alguns fatos que foram brevemente inseridos principalmente em A Traidora do Trono sob formas de reflexões são redigidos agora, no conto sobre o herói Atallah e a princesa Hawa, a questão de interpretação sobre a origem das capacidades de Hawa de trazer o sol consigo e a origem da ligação de vida entre humanos e demdjis, os dons sobrenaturais de Hawa escondidos por séculos, se tornaram lendários, porém escondiam a verdade da filha do primeiro sultão de Mirajin.

Lá fora, a menina ergueu a arma. Apontou para uma lata e disparou um tiro mirado com perfeição, que a mandou girando para a areia.
Zahia soube na mesma hora como aquilo terminaria. Sua filha imprudente e ousada segurando uma arma. Ela se defenderia e seria enforcada por isso.

Ao mesmo tempo no conto sobre a fugitiva da Vila da Poeira, Zahia, é uma jovem em seus 19 anos, buscando sua liberdade e sobrevivência ao fugir desse lugar inóspito de qualquer empatia e bons sentimentos e ao mesmo tempo de um casamento fadado a causar sua destruição, todavia, no caminho de escapar encontra uma estranha figura que embora presa e incapacitada não demonstra sinais de aflição, sua aura sobrenatural e sua fraqueza perante o ferro delatam sua existência mágica, Bahadur, pai de Amani. Enfim o momento em que Zahia mudou toda a roda do destino e que Bahadur outra vez interveio na história de Mirajin, mostrando sua eminente afeição aos humanos, àqueles a quem os djinnis moldaram para salvá-los da ruína de uma escuridão absoluta.


Duas palavras: Quero mais!

[Resenha] Mais forte que o sol

Livro: Mais Forte que o Sol (Irmãs Lyndon #2)
Autora
: Julia Quinn
Tradução: Viviane Diniz
Ano: 2018
Editora: Arqueiro
Páginas: 288
Sinopse: Quando Charles Wycombe, o irresistível conde de Billington, cai de uma árvore – literalmente aos pés de Elllie Lyndon –, nenhum dos dois suspeita que esse encontro atrapalhado possa acabar em casamento.
Mas o conde precisa se casar antes de completar 30 anos, do contrário perderá sua fortuna. Ellie, por sua vez, tem que arranjar um marido ou a noiva intrometida e detestável de seu pai escolherá qualquer um para ela. Por isso o moço alto, bonito e galanteador que surge aparentemente do nada em sua vida parece ter caído do céu.
Charles e Ellie se entregam, então, a um casamento de conveniência, ela determinada a manter a independência e ele a continuar, na prática, como um homem solteiro.
No entanto, a química entre os dois é avassaladora e, enquanto um beijo leva a outro, a dupla improvável descobre que seu casamento não foi tão inconveniente assim, afinal…

Esse deve ser o romance de época mais hilário desse ano

O que acontece quando um homem adulto despenca de uma árvore quase em cima de você? Eleanor Lyndon pode responder essa, porque é quando o audaz conde de Billington, Charles, despenca quase em sua cabeça – não em seu colo, devo ratificar – que uma série de acontecimentos tornam a presença inesperada desse estranho e charmoso homem em sua vida, bastante oportuna, até mesmo a proposta precipitada de casamento que ela recebe desse estranho, lhe soa como algo familiar, uma negociação. Ainda solteira, Ellie mora com seu pai, também vigário local, um homem difícil e de opiniões rígidas, só que o pior está por vir:  o Sr. Lyndon está para casar, seria ótimo para Ellie ter uma madrasta após perder sua mãe e o recente casamento de sua irmã Victoria.

Entretanto esse enlace de seu pai é a prévia de um pesadelo, além da mulher ser uma nata fofoqueira, a megera Sra. Floxglove acredita que deve a todo custo impor uma hierarquia numa casa que sequer é sua ainda – apesar de estar sempre como uma assombração nela -, prometendo criar uma atmosfera insuportável para a jovem Lyndon. Casamento não é o que Ellie esperava para ter sua independência, mesmo sendo administradora das suas finanças, sem o nome de um homem atrelado a si, ela pouco pode fazer além de esconder suas intenções e interesses próprios.

– Está dizendo que provei minha inteligência superior pela minha capacidade de resistir aos seus encantos? – Ellie começou a rir. – Que maravilha. A única mulher inteligente o suficiente para ser sua condessa é aquela que enxerga seu caráter leviano.
– Algo assim – murmurou Charles, detestando a maneira como ela distorcera suas palavras, mas sem conseguir descobrir uma forma de distorcê-las de volta a seu favor.

Ellie Lydon é – quase – totalmente dona de si, mesmo com as limitações de ser mulher em pleno século XIX, ela sabiamente usa subterfúgios pra expandir suas próprias condições, sejam intelectuais ou financeiras, a mulher é uma administradora nata, usando sua sagacidade e perspicácia pra investir em ações e preparar um futuro pra si. Delimitada e subestimada, ela decide dar um basta na sua condição de submissão às vontades alheias e propõe ao conde Billington uma negociação com os termos claros para que ambos possam ter vantagens no enlace matrimonial, se ela mantiver tanto a posse, quanto o livre arbítrio na gestão de seus bens, o conde continua com sua fortuna e ela, com sua independência e sua inteligência  reconhecida, ela só não contava que sua falta óbvia de experiência com casamentos e o magnetismo de Charles se tornasse uma equação que ela não consegue compreender.

– Se está tentando me seduzir, não vai funcionar – disse ela francamente.
Ele abriu um sorriso charmoso e malicioso.
– Não estou tentando seduzi-la, querida Eleanor. Nunca empreenderia uma tarefa tão colossal. Afinal, você é nobre; você é reta; você é constituída de material sólido.
Colocado dessa forma, Ellie pensou que ela mais parecia um tronco de árvore.
– E o que isso significa? – grunhiu ela.
– Ora, é simples, Ellie. Acho que você deveria me seduzir!

Charles Wycombe é a síntese de confusão, belo, charmoso, cheio de lábia e um libertino convicto – entretanto como já citado pela sábia Lady Whistledown, libertinos regenerados tendem a ser os melhores maridos -, todavia esse libertino em questão almeja a tal troca de votos matrimoniais, toda a sua fortuna depende disso e um conde pobre é o mesmo que uma meia furada, ou seja, um mau negócio. Com seu tempo esgotando ele acredita ter pousado na sua solução – ou quase esmagado ela, depende do ponto de vista -, a impetuosa mulher que lhe tratou firmemente e não mantém a língua ferina sob controle é um deleite, seus sentidos ficam entusiasmados por desfrutar da companhia de uma personalidade tão irritantemente ardente, assim como ele, ela não cede facilmente e os conflitos entre ambos são de matar ou dar risada, as vezes, um pouco dos dois.

– Sim, sim, é claro – respondeu Judith. – Bom dia para você, Charles, mas terá que sair.
Ellie abafou uma risada.
– E por quê? – perguntou ele.
– Tenho assuntos extremamente importantes para tratar com Ellie. Assuntos particulares.
– É mesmo?
Judith ergueu as sobrancelhas com uma expressão altiva que, de alguma forma, adequava-se de modo perfeito aos seus 6 anos.
– Sim. Mas pode ficar enquanto dou o presente de Ellie.
– Que generoso de sua parte – declarou Charles.

A trama orna tão bem com a forma de construção do enredo que aquela visão temerosa por se tratar de um casamento de conveniência é simplesmente esquecida, afinal o temperamento e esperteza de ambos torna uma situação que poderia ser entristecedora, uma negociação bem humorada. Com o fator de os personagens secundários deixarem marcas consideráveis no desenvolvimento dos protagonistas, um grande destaque vai para Judith, uma garota de 6 anos, tão certa dos seus desejos que acabo nutrindo um anseio por acompanhar também o crescimento dela – poderia facilmente ter o próprio livro, é o que sugiro Quinn -, sendo impossível ignorar uma personalidade tão intensa em um corpinho tão pequeno.

Some isso a construção de caráter dos personagens e as farpas que eles trocam que são deliciosamente intrigantes, cada um exibe características que os tornam mais humanos e a sensitividade do leitor quanto a isso acontece de forma natural, Ellie com sua animosidade e ferrenha força de vontade e, Charles que apesar de toda imagem de homem libertino avassalador de corações exibe uma predileção bastante inimaginável por – rufem os tambores – listas, isso mesmo, aquela construção cheia de lógica em geral usada para tarefas diárias.

– Ah, Charles. Fico tão feliz que tenha caído daquela árvore.
Ele sorriu.
– E eu fico feliz que você estivesse ali embaixo. Tenho, sem dúvida, uma mira excelente.
– E grande modéstia também.

A Julia faz uma troca de características que seriam atribuídas ao homem e mulher, tornando o enredo afável e uma fuga ao usual, de maneira brilhante ela atrela a dramatização com um mistério leve, onde para solucionar os dramas dos personagens, ele retornam ao passado, costurando causa e consequência, com a sagacidade marcante de justificar o título do livro e marcar a presença dele de maneira interpretativa do sol tanto na personalidade dos personagens, quanto no cabelo ruivo de Ellie, um verdadeiro banquete literário, vestido com uma capa excepcional e calorosamente linda.


A pior missão de escrever essa resenha:  escolher os trechos favoritos,
dava para colocar o livro absolutamente todo!

[Resenha] Os Segredos dos Olhos de Lady Clare

Livro: Os Segredos dos Olhos de Lady Clare
Autora: Carol Townend
Ano: 2018
Editora: Harlequin
Páginas: 288
Sinopse: Enquanto investiga a causa do aumento de bandidos em Troyes, sir Arthur Ferrer encontra a misteriosa Clare, uma possível filha ilegítima do conde de Fontaine, da Bretanha. Ele então percebe que ela pode ser a chave para a sua própria salvação.
A honra exige que Arthur a leve até o pai para que possa ser reconhecida mas o desejo prefere que ela fique em seus braços. Será possível conciliar honra e desejo?
A autora Carol Townend mais uma vez convida as leitoras para uma viagem inesquecível de volta a condados, cortes e reinos e às incríveis histórias de amor entre nobres da (nem tão) alta sociedade da época

Clara leva o leitor a um período medieval para narrar a vida da misteriosa Clare

Vivendo em eterno temor de se distanciar de onde vive a se esconder, Clare acaba por acompanha a jovem Nell ao Torneio da Noite de Reis, tentando esconder parte de seu pânico e passado como uma pária e escrava, nessa mesma ida ao evento de cavaleiros no torneio ela é dragada pela imprevisibilidade do destino devido a presença de um famoso e temível vendedor de escravos. Nesse meio tempo conhece Artur, um cavaleiro que fica atraído pelos olhos dispares dela, uma característica que ele já observou em outra pessoa, ele se demonstra disposto a ajudá-la a reencontrar seu verdadeiro eu a muito esquecido, porém ao que parece, presente em seus olhos, olhos esses peculiares e inesquecíveis, mesmo seus ruivos cabelos lhe conferem uma aparência destoante e como fugitiva do passado são como faróis para sua presença aonde vá.

Será que um dia conseguiria a liberdade? Algumas vezes, Clare era só dúvidas e tristeza. Aquele era um desses dias. Não importava o que fizesse, o pesadelo estava sempre rondando. As pessoas não conseguiam evitar fitar seus olhos destoantes, um azul acinzentado e outro verde. Olhos assim eram impossíveis de se esconder.

Mesmo se mostrando benevolente e disposto a ajudar Clare, Artur também possui um interesse pessoal em “resgatar” ela, porém com sua conturbada experiência sujeita a submissão contra a sua vontade, Clare teme que a boa vontade de Artur seja algum tipo de armadilha, só depois que ela cede e arrisca o seguir para descobrir quem ela pode ser e o que já foi, mas sempre atenta, sua timidez observada no início da trama vai dando lugar a uma mulher tenaz e auto consciente. Assim como Clare esconde cicatrizes, Artur mantém suas feridas ocultas e tenta remediá-las, pouco a pouco reconstruindo um novo objetivo, ele se descobre ainda mais envolvido com Clare a descoberta de que ela lhe é querida bem mais do que ele reconhecia no início da jornada deles é um avanço de aceitação e desafio.

Clare não era seu bem-querer. Um cavaleiro sem terras não tinha nada a oferecer a alguém como ela. Era preciso se lembrar do que havia acontecido com sua mãe, a maneira como fora marginalizada porque havia tido um filho fora do casamento. Isso não aconteceria com Clare.

Carol Towend tem um escrita apreciável e sua liberdade em desenvolver seus personagens no tempo certo é bem tecida, envolvendo dramas e mistérios torna o romance ainda mais atrativo para o desfrute de uma boa leitura, tanto Clare, quando Artur possuem seus espaços narrativos, tendo suas lamúrias e sentimentos expostos ao leitor com uma franqueza auto deliberada de cada um, não podem deixar o passado para trás, portanto necessitam de coragem para tentar um futuro.


Um romance medieval encantador de ler

[Resenha] A Duquesa

Resultado de imagemLivro: A Duquesa
Autora
: Danielle Steel
Ano: 2018
Editora: Record
Páginas: 336
Sinopse: A saga de uma jovem bem-nascida, que se vê sozinha no mundo e é obrigada a embarcar em uma jornada de sobrevivência e sensualidade em busca da tão sonhada justiça. Angélique Latham cresceu no esplendoroso Castelo Belgrave, na Inglaterra, e foi criada sob a tutela e o carinho do pai, o duque de Westerfield. Aos 18 anos, ela é a menina dos olhos do duque, mas, assim que ele morre, seus meios-irmãos mais velhos lhe viram as costas, abandonando-a completamente. Porém, com sua inteligência aguçada, uma beleza arrebatadora e um baú de dinheiro que seu pai lhe deu em segredo no leito de morte, ela fará de tudo para sobreviver. Sem conseguir arrumar emprego por não ter uma carta de referência, mesmo depois de um tempo trabalhando como babá, Angélique tenta a sorte em Paris. E é lá que o destino coloca em seu caminho uma prostituta, vítima dos maus-tratos de Madame Albin. Ao ajudar a jovem, Angélique vê uma oportunidade: abrir um bordel de luxo para atender aos homens mais abastados da cidade e onde pudesse proteger essas mulheres. Logo, o elegante le Boudoir, um lugar onde os homens poderosos podem satisfazer seus desejos mais secretos com as companhias mais sofisticadas, se torna a sensação de Paris. Mas, vivendo na iminência de um escândalo, Angélique conseguirá algum dia recuperar seu lugar no mundo?

A capa do livro é vermelha justamente pra combinar com a sede de sangue que o leitor sente lendo

Quem diz que a vingança nunca é plena, mata a alma e envenena, só precisa ler as primeiras páginas desse livro para ficar com sede de uma vingança, uma vontade sanguinária de mudar fatos passados e a vida de Angélique. Filha caçula do duque de Westerfield, Angélique é uma garota nascida do amor e desse mesmo amor cresceu mesmo que tenha perdido a mãe em seu nascimento, seu pai não poupou esforços em lhe prover não só meios para crescer, quanto para desenvolver seu caráter, amada mesmo pelos criados da família, a quem seu pai respeita e por eles é respeitado.

O contra gosto de seus irmãos quanto a Angélique é explícito, mesmo que para ela não passe apenas disso, mas ela perde sua inocência de acreditar na boa fé daqueles que nunca lhe dedicaram o mínimo afeto e seu lar numa tacada cruel do destino que levou seu pai, desamparada pela condição de ser mulher, sua única “família” lhe descarta na primeira oportunidade, sem qualquer consideração a dor do luto de sua perda, aos 18 anos, Angélique é brutalmente jogada no mundo, sem amparo familiar e sujeita a se tornar babá num lugar desconhecido, longe de tudo que fez parte de sua vida desde sua infância, sem qualquer alento além de sua vontade de sobreviver.

Ela não havia perdido somente a vida e o mundo ao qual fora habituada  até aquele momento, como também o nome de sua família. Angélique estava se tornando uma pessoa anônima. Tristan também roubara sua identidade.

Mesmo com uma pequena garantia de algum conforto, a vida de uma mulher tão jovem sozinha no mundo não é nada fácil e Angélique descobre isso do jeito mais difícil, sendo envolvida em intrigas, assediada e ainda culpada por não se submeter às vontades de outrem, sem ter mais o que fazer e despachada sem carta de recomendação, ela tenta outros meios para reequilibrar sua vida, reconstruindo uma identidade pra si no país natal de sua mãe, na França

Meninas não conseguiam empregos, não tinham dinheiro nenhum nem lugar para morar se viam sujeitas à única coisa que poderiam fazer para sobreviver. Ela conseguia entender isso perfeitamente agora. Sem referência, a filha do duque também não estava conseguindo arrumar um emprego e, se não contasse com o dinheiro do pai, uma hora dessas, poderia se encontrar na mesma situação.

São penosas lições de vida as que Angélique aprende em sua jornada para sobreviver e driblar seus inúmeros infortúnios, mas sua descendência francesa, perspicácia e capacidade de administrar a colocam numa trilha improvável, porém, bastante frutífera, ainda mais se ela empregar os meios certos e oferecer tratamentos direcionados à todos aqueles envolvidos, um bordel luxuoso, onde ela acolheria as prostitutas mau tratadas para protegê-las e prover um ambiente propício para aferir mesmo que certo conforto a elas, ao mesmo tempo que atende os desejos dos homens influentes, até mesmo com sangue aristocrático, ela como filha da aristocracia pretende se beneficiar do dinheiro deles e de seus segredos, unindo a fome com a vontade comer, Angélique se torna capaz de gerir um novo universo sensual e enigmático no coração da França.


Finalizar essa leitura e sentir a vitória de Angélique? Não tem preço!

[Resenha] O colecionador de memórias

Livro: O Colecionador de Memórias
Autora
: Cecelia Ahern
Ano: 2018
Editora: Novo Conceito
Páginas: 272
Sinopse: Quando Sabrina Boggs se depara com uma misteriosa coleção de bens do pai, ela descobre uma verdade onde nunca soube que havia uma mentira. O homem familiar com quem ela cresceu de repente é um estranho para ela.
Uma quebra em sua rotina monótona deixa-a apenas um dia para destravar os segredos do homem que ela pensava conhecer. Um dia para desconhece memórias, histórias e pessoas que ela nunca soube da existência. Um dia que muda para sempre a vida dela e daqueles que a rodeiam.
O colecionador de memórias é uma história sobre como as decisões mais comuns que tomamos podem ter as consequências mais extraordinárias na forma como vivemos nossa vida. E como, às vezes, somente desvendando a verdade sobre outra pessoa, você realmente pudesse se entender.

Uma enredo com uma proposta totalmente diferente das obras usuais da Cecília, o romance abre espaço para a reflexão e dores passadas

Bolinhas de gude podem parecer pouco ou nada para as pessoas, mas Sabrina tem uma inesperada surpresa em descobrir que elas são como os mais valiosos tesouros para seu pai Fergus, não só por significar diversão, mas, por serem como cápsulas de lembranças de um passado diferente da pessoa que ele se mostra ser, mesmo em recuperação e constante acompanhamento de um derrame que lhe incapacitou as memórias, Fergus se demonstra realmente suscetível a lembranças que nunca externalizou.

Olhando essas bolinhas, eu juro, bem aqui, ser leal a ela, e não estou me referindo a sair dormindo com outras, mas deixar que ela veja meu verdadeiro eu, pela primeira vez. Mostrar-lhe essa bolinha, mostrar minha maior e melhor parte.

Sabrina surpresa em saber que seu pai esconde o eu de sua juventude, fica tocada e comovida a explorar mais sobre esse misterioso passado, com um curto espaço de tempo para desvendar fatos passados foram a felicidade e tristeza de seu pai. Com o complemento dos focos narrativos que são sabiamente alternados entre o processo atual de Sabrina envolvendo sua investigação para conhecer verdadeiramente seu pai e as lembranças do próprio Fergus, se enlaçando belamente em um ritmo tocante, como ler uma carta escrita com os sentimentos na ponta da caneta.

Tenha ele planejado ou não, Hamish sugou, sim, um pouco da vida do meu pai e, ao fazê-lo, não somente roubou parte do meu pai de mim, mas, pior, Hamish roubou parte do meu pai dele mesmo.

Porém o que seria uma infância vibrante e alegre como Sabrina esperava que o pai tivesse tido, se revela um período doloroso, a ponto de fazê-lo guardar ressentimentos, por simplesmente não poder deixar ir ou só trancar no passado, impossível de esquecer e mais ainda de renegar essas memórias e àquelas pessoas. Se espera emoções forte e um plot sobre conhecimento de si, esse é o livro, as grandes emoções não estão em reviravoltas, mas sim no processo construtivo do quebra cabeça do que Sabrina pouco sabe sobre si e seu pai, ou do que ele poderia ter sido se não estivesse preso em sua dor.


Um livro mais que extraordinário!

[Resenha] Primeiras Impressões

Livro: Primeiras Impressões
Autora: Laís Rodrigues
Ano: 2018
Editora: Pedra Azul
Páginas: 252
Sinopse: Charles Bing, um otimista incorrigível, decide que está na hora de internacionalizar a sua bem-sucedida cadeia de restaurantes nova-iorquina.
Deseja começar pelo país que sempre incitou sua curiosidade: o Brasil. E nada melhor que Búzios, uma belíssima cidade turística no litoral do Rio de Janeiro. A fim de garantir que sua escolha será acertada, ele leva a tiracolo o seu melhor amigo, Frederick Darcy, um político americano de família conservadora, que se orgulha de ser um homem racional e prático.
Mal sabem eles que, ao chegar à cidade paradisíaca, virarão alvo de Janaína Benevides, dona das pousadas mais requisitadas do balneário. Ela é mãe de quatro belas moças, que são, para sua tristeza, solteiras. Janaína preocupa-se, em especial, com a solidão de Jane e Lizzie Benevides, as mais velhas.
Enquanto a primeira acaba se decepcionando em seus relacionamentos, por ser uma pessoa que sempre busca ver o melhor nas pessoas, a outra não deixa nenhum homem se aproximar.

Orgulho e Preconceito meu amor ❤

O enredo baseado no consagrado Orgulho e Preconceito retrata uma nova perspectiva do livro, assim como demonstrado no título. A visão inicial que Liz e Darcy possuem um do outro, retoma a um certo afastamento de ideias e preconceitos acerca da personalidade de ambos, entretanto, a afirmada eloquência de Liz deixa o sujeito estatelado diante de uma mulher voraz e autoconfiante.

É inicialmente no cenário paradisíaco brasileiro de Búzios que a trama ocorre, Charles Bing acompanhado do relutante Frederick Darcy exploram região, enquanto um mantém uma atitude positiva e exploradora, Frederick como esperado é beirando o ranzinza, orgulhoso e cheio de seus preceitos, parece pouco disposto a aceitar uma segunda opinião, ou até de admitir o próprio equívoco.

“Amizade nunca é unilateral. Deve ter reciprocidade. Então, não basta que eu queira conhecer alguém, se esta pessoa quiser me ignorar.”
“Acho impossível alguém te ignorar, Liz.”

Porém a chegada para passar as férias das duas filhas mais velhas de Janaína Benevides, dona de uma pousada local e o conhecimento de ricos partidos na região, deixa Janaína animada com a possibilidade de um enlace de sucesso de suas filhas Jane e Lizzie, é dada a largada para criar e aproveitar todas as situações possíveis para estar à vista de Frederick e Charles.

Apesar de Charles e Jane terem uma aparente convergência de interesses, Darcy e Lizzie estão longe de se darem bem, pelo contrário, para Lizzie são dois pesos e duas medidas, se Darcy está disposto a ser orgulhoso e convicto mesmo no erro, ela não deixa passar batido e sua personalidade se revela desafiadora demais para Darcy lidar, ambos são afeiçoados ao que acreditam, porém divergem nessas crenças e faz valer sua certeza.

Todo o sangue de Liz concentrou-se em suas bochechas ao se lembrar do final do sonho, e ela saiu tentando convencer a si mesma de que ela não significava nada. Por sorte, na mansão de Back Bay não havia qualquer lago, Ou jardim. Ou flores.
Mas havia Frederick Darcy.

É um livro lindo, com um trabalho editorial bastante atrativo e até mesmo provocante, com um enredo é claro, fluído e gostoso de ler, ainda mais lembrando da essência da Jane Austen, de personagens tão queridos, apreciando a inserção das características e locais brasileiros, o que dificulta é que mesmo com a remontagem de cenários, é literalmente uma versão do clássico de Jane, mesmo a permanência dos nomes dá uma sensação de poder ter sido evitada, dando a possibilidade da reinvenção, reivindicado mais propriedade de identidade aos personagens principais da trama.


E fim!